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Fiction » Fantasy » A Casa Maluca font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: gabrory
Fiction Rated: K - Portuguese - Fantasy - Published: 01-31-04 - Updated: 01-31-04 - id:1512854
Morava numa rampa, onde se localizavam 3 camas de solteiro, diferentes umas das outras. A primeira era alta e tinha o colchão mais duro que o próprio chão de tábuas soltas. A do meio era pequenina, e tinha seu colchão saindo para fora por conta da diferença de tamanhos. A última, de madeira, era simples e barata. Seu colchão era tão comum que julgava-se nem possui-lo. As três juntas formavam um conjunto totalmente desarmônico, avistado de longe pela rua, e odiado por conta de seus ilustres e excêntricos moradores.

Era a habitação mais próxima do mar. De fato, sentia-se as ondas batendo em seu verso, único lado onde se podia perceber uma parede protegendo as camas. De resto, não tinha teto nem qualquer uma das outras três paredes. Mais parecia um palco, sendo de difícil acesso por conta da grande altura.

A casa era toda de madeira, o todos a achavam linda. Tinham inveja de seus moradores, e por isso o clima lá dentro era sempre pior do que do lado de fora: a atmosfera era carregada demais para pensarem.

Um dia, o menino mais novo acordou com o dente doendo. E, de repente, começou a perdê-los, um a um. Antes que pudesse pedir auxílio a seu pai, que se encontrava no meio dos dois meninos, já se encontrava sem 2 dentes inteiros e o pedaço de um. O pedaço de dente restante era o que mais lhe incomodava, pois ele se tornara áspero e nojento. Odiava o fato de precisar roçar com a língua nele. Os demais dentes estavam todos frouxos. Ao perceber isso, o menino entrou em pânico. Gritou. O pai gemeu, mas não acordou. Era a primeira noite, nos últimos quatro dias, que tinha se tornado possível para eles dormirem. Chovera nas noites anteriores, e eles precisaram ficar debaixo das camas. O sono do pai era tão pesado, que na calada da noite, toda a vizinhança, sem paredes, acordara. O próprio mar parecia estar também, se despertando. Ondas cada vez mais furiosas assolavam a parede traseira da residência. E o menino chorava.

Ao amanhecer, mais calmo, o jovem rapaz já estava praticamente sem dentes, salvo pequenas lascas que ainda permaneceram em suas gengivas. Seu pai e seu irmão acordaram de repente, e se puseram a rir. Riram tanto que o mar ficou ainda mais irritado, e os inundou com uma onda de metros e metros de altura. Desde então, o lugar virou uma praia de surfe, com as mais altas ondas do mundo, onde partes das próprias camas da família excêntrica que ali habitara transformaram-se em pranchas maneiras de madeira. Só que os surfistas ainda não conseguiram se livrar o olhar incessante dos vizinhos...

Moral da história: vizinho enxerido é chato até quando nem tem mais casa para se olhar!



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