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Fiction » Essay » Provisoriamente, Sem Titulo font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: gabrory
Fiction Rated: K - Portuguese - General - Published: 01-31-04 - Updated: 01-31-04 - id:1512955
- Amor.

"Amor é um sentimento criado pelos homens. Animais não têm amor. E vivem felizes com isso.

Não entendo como as pessoas são capazes de amar. O Amor é um sentimento tão abstrato, tão irreal. Fazer juras de amor eterno, então, é um total desperdício de tempo. Não se ama para sempre. Sequer se ama!

Também nunca entendi como alguém um dia foi capaz de amar, mesmo eu sendo incapaz de demonstrar qualquer sentimento - talvez nem os tinha. Sendo assim, o que é o Amor senão uma invenção dos tolos para que houvesse um motivo na vida?

Amar é um verbo intransitivo. Ou se ama, ou não se ama. Eu não amo. Os outros podem até achar que amam, mas dificilmente estarão falando a verdade.

Dificilmente um homem vai parar de olhar para os lados para "amar" verdadeiramente quem está ao seu lado. Duvido que haja fidelidade tamanha para um relacionamento se tornar sólido o bastante para durar "para sempre" - ou, como diria uma propaganda qualquer de promoção, "enquanto durarem os estoques" de amor. Romances que duram tanto tempo são, na verdade, um tédio completo. Acordar todo dia e ver a mesma pessoa deve ser irritante. Deve ser não; é. Já passei por essa experiência, fui casado duas vezes, e em nenhuma das vezes jurei amor eterno, sequer amor. Apenas tentei achar agradável os momentos que passei ao lado de duas mulheres magníficas. Mas que com o tempo se revelaram verdadeiros demônios.

O Amor é, pois, um sentimento imaginário. Por convenção, se ama alguém ou não se ama. Quando, na verdade, o amor é apenas estar vivo. Constitui-se em meramente aturar a pessoa a seu lado ao ponto de passar a vida toda com ela. Façanha, aliás, cumprida por muito poucas pessoas ultimamente. A sociedade reprime o amor. Ninguém mais ama. Mas todos choram suas perdas, o que prova que o ser humano possui algum tipo de sentimento, escondido em algum lugar.

Além disso, o amor não é cego. O amor é elitista. Gosta-se de quem tem melhor situação financeira, de quem melhorar sabe cozinhar, de quem, obviamente, é mais bonita. Acredito, sim, no amor de ocasião. Ama-se - ou pretende-se amar - alguém por puro interesse financeiro, ou simplesmente pela necessidade humana de procriar, estabelecendo padrões de beleza cada vez mais concorridos.

Desse amor, portanto, não o amo." - Farsa.



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