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A fome assola todas as nações. A fome não escolhe a quem atingir. E nesse contexto, aquele que nada tem é o que mais sofre. Num mundo de injustiças e imoralidades, será justo desperdiçar o que se tem em detrimento de outros?
Talvez se não houvesse esse desequilíbrio, a vida seria patética demais. Ora se todos tivessem dinheiro, carro do ano, o emprego perfeito, que graça teria viver? Seria tudo tão entediante que, aqueles que não se suicidassem, morreriam por inércia. Para que pensar se todos são iguais?
Pelo contrário. As diferenças existem para esquecer os êxitos e ressaltar as derrotas. A pobreza é imprescindível para manter uma sociedade longe do caos.
Aqueles que fome passam, apreciam melhor os pequenos prazeres da vida. Mastigar um pão é algo extraordinário. Comer carne então, o maior luxo que se pode ter na vida.
Todos deveriam comer com olhos famintos. Aprender a saborear alimentos cada dia mais simplificados. Apreciá-los. Será isso exclusividade dos pobres e miseráveis?
A pobreza não é lá uma condição social que se escolhe. Geralmente é herdada. E que herança!
Diante disso, o melhor que se tem a fazer para evitar isso é gerar empregos. Trabalho para quem quer trabalhar. Mesmo que isso não resolva tudo de uma vez, pelo menos colaborará para que tenhamos um futuro mais digno. E que nele, haja pessoas, e não somente máquinas programadas para solucionar problemas, incapazes de pensar.
No sertão nordestino, tristes histórias se tornam corriqueiras. A fome assola diversas famílias. E as secas é que são temidas.
Não se teme, por exemplo, que falte comida. O maior problema é ficar sem vida!
Personagens miseráveis surgem num mundo que seria fantástico, se fosse apenas imaginado. Posto que é real, torna-se horripilante. Simplesmente terrível.
Famílias inteiras castigadas por sua condição social. Pelo lugar que tiveram o infortúnio de nascer. Então, por que pessoas tão pobres insistem em terem tantos filhos? Será essa talvez mais uma das perguntas que para sempre permanecerão sem resposta?
Sertanejos por profissão. Desses que não tem chão nem princípios. Atropela palavras, numa fala arrastada, de quem perambula pelo sertão há dias, em busca de alimento. Não só comida, mas também um estímulo. Algo que o faça se sentir vivo. Querer viver.
Não é justo. Mas muitos morrem no caminho. Muitos não chegam a ver tornados realidade seus sonhos de ver essa terra renovada. A grama verde. O gado gordo.
E esses sonhos interrompidos, são apenas repassados. Mas nunca concluídos.
A fome é uma realidade. Mas não é nosso dever contê-la. É dever de quem tem fome. Sem instrução, não há trabalho. Sem instrução, não há controle da natalidade. Se a pessoa não se deixar aprender, jamais conseguirá um emprego. Será inútil. Um nada.
De gente bruta, o mundo está cheio. Grossos por profissão. Não sabem falar, nem tentam chorar. O sentimento é algo tão antiquado? Ou será apenas privilégio daqueles que têm dinheiro? Há verdade por trás da vida real?