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Negócios e Romance
by KittyBlue
Prólogo
Estava finalmente em Paris, a cidade do Amor, será que vai ser aqui vou encontrar o verdadeiro amor?
Não me podia esquecer da minha missão, mas existem sempre coisas dispostas a atrapalham o nosso trabalho, não é?
Estar numa cidade destas para trabalhar... quem diria?!
Eu tinha logo ao meio dia uma reunião de negócios com o grupo em questão, eu como vice presidente da companhia “Adams Enterprise” tinha de fazer os parisienses assinarem um contrato em que nos vendiam metade das acções que davam acesso à direcção da sua empresa, um trabalho difícil e por isso me tinham encarregado a mim esta missão. Podia até ser fácil, mas se o fosse eu também não ia perder tempo, mesmo numa cidade destas, quem me diz que a sorte me persiga, então ultimamente...
§º§ Duas noites antes §º§
- Jessie, vai lá! Por favor! Eles estão fartos de olhar para aqui! – diz Emma, uma rapariga de cabelos castanhos escuros pelos ombros e olhos castanhos claros, a minha melhor amiga
- Deves é ser maluca! Eles são... sei lá! Não me parece que eu vá encontrar mais do que sarilhos com eles. – respondi eu, Jessica, tenho cabelos pretos compridos e lisos que normalmente uso soltos, tenho olhos verdes e sou considerada a mais sensata do grupo, mas também quando quero consigo ser a mais atrevida
- O do fundo é bem giro! – diz Claire, a mais atrevida de nós cinco, cabelos loiros e olhos azuis, é considerada a burra e a brasa do grupo, é nela que todos os olhares se depositam no clube
- Acho que estamos a exagerar... ou melhor a Claire está! – esta é a Michelle, a mais tímida do grupo, mas também tem o seu carisma e charme pessoal, ela tem olhos azuis e cabelos castanhos claros pelas costas
- Ninguém vai lá? Eu tou a avisar que se ninguém for lá, eu vou direita ao do fundo, é bem girinho! – Claire sorri e acena para o do fundo que por acaso só agora reparo que é bastante parecido com o George, meu assistente pessoal por assim dizer, o rapaz tinha cabelo castanho escuro e os olhos também pareciam escuros, como o George com a excepção de que estava vestido de preto dos pés à cabeça, algo que claro chamou mais à atenção da Claire, a cor preferida dela é o preto
De repente dá-se um milagre.
A Anne que era a mais calada de nós desde que tínhamos chegado que estava à quase meia hora a olhar para a bebida que tinha exactamente acabado agora, levanta-se e vai em direcção ao rapaz de quem todas falávamos no momento, a Anne é considerada por nós como a executiva, tem mesmo ar disso, sempre com uma pasta na mão, muito trabalhadora, é sem dúvida a que mais trabalha de nós todas, apesar de ser uma simples secretária, ela tem cabelos ruivos compridos sempre presos em um rabo de cavalo alto e olhos verdes.
- Olá! Eu sou a Anne e tu? Como te devo chamar? – pergunta ela ao rapaz que estava surpreendido
- Lyle. Muito prazer. Posso oferecer-te uma bebida?
- Claro! Que achas de ficarmos longe dos teus amigos e das minhas amigas, para conversarmos mais sossegadamente... que me dizes?
Ele levanta-se e vão os dois até ao fundo da sala, ela olha para nós e deita a língua de fora para a Claire, foi o mais divertido da noite.
- Vocês viram? Ela fez o que eu acabei de ver? Ela de santinha não tem nada!! Que irritante! Eu já estava de olho nele desde que entrei aqui, agora só já tenho o bartender! – diz a Claire Ela levanta-se e vai em direcção ao bar, onde o bartender que até que não era de se deitar fora veio rapidamente servi-la, ele já tinha desde que chegamos olhado para ela umas centenas de vezes, ela senta-se e fica a conversar com ele.
Eu, a Michelle e a Emma como de costume somos as encalhadas, eu por não me apetecer envolver com ninguém, para aturar homens já me bastão o meu pai e os sócios executivos com que tenho de lidar todos os dias; a Michelle volta a voltar a sua atenção para a janela como já estava a fazer desde que tinha se sentado ali, era de noite, mas mesmo assim ela podia ver quem lhe interessava sentado perto da cerca do clube de Equitação.
- Acham que não faz mal se eu... – a Emma corta-a fazendo-a levantar e apontando para a saída – Acho que nenhuma de nós vai sentir a tua falta de tiveres tão bem acompanhada!
- Acham que ele... eu acho que se calhar ele vai é mandar-me embora!
- Se ele fizer isso nós estamos aqui! – digo como incentivo, ela não tinha nada a perder
- Bem, então aqui vou eu! Acho que vocês tem de desejar boa sorte ao Jack, pois ele hoje não me escapa!
- Assim é que é! – diz Emma
- A não ser que ele me mande embora... – Michelle olha para nós – Eu vou indo!
Ficamos eu e a Emma, pelo fim da noite até já ela estava com alguém, eu fiquei sentada o resto da noite a olhar para o tecto a cantarolar uma ou duas canções que iam servindo para os casais dançarem. Foi nessa noite que conheci o Mark, ou melhor reencontrei.
- Oi!
Olhei, cabelos castanhos claros pelos ombros a franja tentando esconder... lá estavam aqueles olhos, azuis, profundos e enigmáticos, Mark... fomos namorados no meu primeiro ano de faculdade, o que sempre fez com que eu me derrete-se foram aqueles olhos, ficávamos horas e olhas aos beijos com ele na relva em frente ao edifício da minha residência, muitas vezes passávamos metade desse tempo apenas a olhar um para o outro, na maioria ele falava e eu perdia-me naquele mar azul brilhante... Mark...
- Oi!! Terra chama Jessica!
- Mark! – abracei-o e fixei-me nele durante alguns minutos
- Então está tudo bem contigo? – quando ele perguntou eu apenas balancei a cabeça numa afirmativa
- Costumas vir aqui muitas vezes? Nunca te tinha visto por aqui... – eu queria ficar o resto da noite a olhar aqueles olhos talvez eles me fizessem esquecer o rosto da pessoa que tinha partido o meu coração, mas...
- Ás vezes! Estou mais ou menos com umas amigas. Elas andam por ai! Então como vais tu?
- Eu estou bem, tudo perfect! Elas deixaram-te aqui sozinha? Vais-me dizer que estavas à minha espera para dançar?
Eu sorri e ele retribuiu o sorriso com uma caricia no meu rosto, eu senti-me ficar vermelha, quem me dera que eu pudesse retribuir a tudo o que ele sente e quer.
- Então como vai a Hikari? – estúpida! Com tantas perguntas para fazer, vais perguntar-lhe pela cadela?!
- Está bem! - Ele ficou com um ar de dúvida, deve pensar que sou uma maluca.
- Ainda te lembras da minha lindinha? Agora tenho uma família de cãezinhos em casa, o pai, a mãe e duas crias, tens de ir lá a casa um dia destes para eu te mostrar! Uma delas vai-se chamar Jess, prometo!
- Ok! Agora deves andar bem mais ocupado com esses bichinhos todos...
- Claro, mas tenho sempre tempo para ti.
- Achas que podíamos sair uma noite destas, eu de certeza que não te deixo sozinha a olhar para o tecto.
- Estavas a ver-me a olhar para o tecto? Que vergonha!
- Não te preocupes, eu que devia ter vergonha, tu conheces-me tão bem! tu sabes os meus segredos mais íntimos e estranhos.
Impossível não saber, na faculdade ele falava que se fartava, quando não me falava da cadela que era um amor, a única coisa de que eu gostava mesmo de ouvir ele falar, mas na maioria falava das suas brincadeiras de criança que podiam ser até bem divertidas, mas só de pensar que ele estava a contar aquilo à namorada?! Bem ele é uma das pessoas mais divertidas que conheço, ele é o único que num momento de stress e sofrimento é capaz de me fazer sorrir.
- Ainda tens o meu nr?
Eu voltei a balançar a cabeça como na primeira pergunta que me tinha feito.
- Então liga-me está bem! Se não!!! Eu ligo-te!
Foi a única noite em que não fiquei a ouvir o Mark a falar de como a sua vida era uma porcaria e de que gostava de voltar ao tempo de faculdade para escolher uma área diferente e começar tudo de novo.
Capítulo1
Complicações em Paris
§º§ Actualmente §º§
Ao meio dia como combinado fui ter ao restaurante do hotel onde estava hospedada para ter o meu primeiro encontro com a empresa “Bonne Instant”, ao chegar olhei para todos os locais, sentia-me observada, como se alguém tivesse a olhar para mim de cima a baixo fixamente, o restaurante estava quase vazio, por isso deduzi que devia ser apenas minha impressão.
Sentei-me e quando o empregado foi ter comigo perguntei-lhe se estava ali alguém da empresa Bonne Instant, ele respondeu que sim, que os sócios tinham reservado uma sala privada, pedi-lhe para os avisar que eu tinha chegado e que lhe tinha dito que como eu não contava com um almoço privado, estaria à espera deles, ali naquela mesa.
Não sei o que pretendiam exactamente e por isso preferi não me aventurar num local em que estaríamos sozinhos, eu queria testemunhas caso algo de estranho acontecesse, eu teria de usar todas as estratégias para os pressionar a assinarem o contrato, mesmo todas.
Passado alguns momentos o empregado veio ter comigo e disse que os sócios iam demorar um bocado, mas que tinham dito para eu esperar, eu muito calma pedi um Whisky com gelo ao empregado que me disse que eles estavam mais nervosos do que eu, eu sorri era isso que eu pretendia mesmo, partia do principio que eles também estavam a pensar em seguir o mesmo plano que eu... usar pressão.
Passados 30minutos eles apareceram, olharam para mim e com uma cara de espanto começaram a rir, com excepção a um, que pôs ordem naquela situação e perguntou se podiam se sentar, eu respondi que sim e parti do principio que ele era o presidente da empresa e que seria com ele que eu teria de negociar, ele não era como os outros, tinha um ar diferente, mais calmo, tinha cabelo castanho claro curto e olhos verdes, ao contrario dos outros não tinha sotaque francês, tinha um inglês extremamente bom, era bastante jovem, não que os outros já fossem idosos, mas ele ou simplesmente tinha um ar mais novo ou era mesmo um novato naquela empresa, durante toda a reunião, contestou o que eu disse, sempre pondo um contra em tudo, parecia pronto para me fazer ceder neste contrato, ele quase duplicou o preço proposto inicialmente por mim, o que me tramou foi a sua forma de lidar comigo, sempre que falava olhava-me nos olhos como se fosse uma forma de me intimidar... o que de facto resultou.
Quando acabou a reunião, despediram-se todos e começaram a sair, alguns a rir outros mais sérios, eu não tinha cedido, mas também não tinha recusado a proposta oferecida, então ele veio ter comigo, ao vê-lo aproximar-se senti que ai vinham problemas.
- Desculpe o sucedido no inicio da reunião, nunca imaginaram que o vice presidente da Adams Enterprise fosse uma mulher! Muito prazer, Steven Thomas.
Eu apresentei-me como Jessica e perguntei se ele imaginava que eu era uma mulher, ele com frontalidade como se eu tivesse a tentar intimida-lo, respondeu-me:
- No fax que a empresa enviou estava J. Adams e eles todos consideraram que era um homem. Eu sabia que você era uma mulher porque eu próprio falei com o Presidente da empresa, ele falou-me da filha e que seria ela a própria a tratar do contracto, a vice presidente da empresa. Você conhece Paris?
Quando mudou de assunto senti um arrepio, como se tivesse de responder que sim, tudo para me afastar, mas como eu gosto de desafios:
- Não! Você não está por acaso a pensar em fazer de meu guia turístico, ou está?!
Ele respondeu que não se importaria de me mostrar os locais mais bonitos de Paris, combinamos jantar às 21h e depois irmos dar uma volta para eu conhecer pelo menos os arredores do hotel.
Eram 20h e 30m estava nervosíssima, sem saber porquê vinham-me só agora milhares de ideias à cabeça. Seria isto uma táctica dele e eu estava a cair como um patinho? Não sabia bem o que me esperava, mas achava que fosse o que fosse estava preparada, eu ia fazer-lhe frente, irrita-lo até ao meu último minuto com ele, eu ia faze-lo assinar aquele contrato, por bem ou por mal.
Ás 21h eu estava no lugar onde tínhamos combinado, mas nada dele, esperei mais ou menos meia hora e decidi telefonar para passar o tempo, ao falar com o George, meu amigo e conselheiro, meu braço direito em tudo e principalmente em me dar noticias em última hora, soube de uma coisa inesperada:
- Estás à espera de quem?! Quem é esse?
- Estás a dizer que não conheces? O seu nome é Steven Thomas!
- Esse nome não consta da lista dos sócios. Não faço a mínima ideia de quem seja.
- Só podes estar a gozar comigo! Então eu estou aqui à espera de um homem que não tem nada haver com o contrato que tenho de levar assinado? É isso que estás a tentar dizer-me?
- Acho que sim. Toma cuidado, existe sempre a hipótese de ser um sócio temporário, pode ser alguém que irá fazer-te sair daí sem a assinatura, entendes? Um daqueles advogados disfarçados para ao negociares o contracto...
- Se eu bem me lembro, eu só preciso de um assinatura, não é? Eu trato disto, não te preocupes, tenta entretanto descobrir quem é este Steven Thomas e vai dando noticias, também tens o meu nr do telemóvel, por isso não tens desculpas.
Acabei de chegar e já fui enganada, e sem nem sequer saber por quem! Mas eu sei que ainda te vou voltar a encontrar Steven Thomas, é uma certeza absoluta...
De manhã, acordei com o toque da campainha, um dos empregados do hotel deu-me o sorriso mais irritante de toda a vida, trazia um ramo de rosas vermelhas e amarelas na mão, entregou-mas e ao ler o cartão ainda à porta, quase ia tento um ataque, era preciso muita lata mesmo.
“Espero que desculpes o meu completo falhanço ontem, mas não deu mesmo para aparecer. Desculpas? Steven Thomas”
Perguntei ao empregado quando tinham entregado as flores, ele respondeu que tinha sido mesmo à poucos minutos, disse que o senhor em questão estava a ter uma pequena reunião na esplanada.
Fiquei pensativa durante algum tempo, ele não tinha nada haver com a Bonne Instant, eu não sabia rigorosamente nada sobre ele, mas ele estava naquele momento na esplanada a ter uma reunião, que deveria eu fazer com aquela informação? Como eu gosto de desafios e para falar a verdade, estava muito interessada em saber mais qualquer coisa sobre ele... vesti-me em alguns minutos e desci até à esplanada.
De longe observei todos os cantos da dita esplanada, tinha uma vista maravilhosa para um pequeno campo de golfe, procurando ansiosamente a pessoa que me tinha deixado plantada na noite anterior, de repente o mesmo empregado que me tinha levado as flores, veio na minha direcção e disse-me onde se encontrava o Mr. Thomas.
Reconheci-o de longe, sentei-me na mesa mais próxima, de costas para ele e tentei entender de que se tratava aquela reunião, tinham um assunto estranho para quem não era nem sequer sócio da empresa, ele tinha de ser funcionário da Bonne Instant, eles falavam sobre as acções da empresa, as acções que a minha empresa queria comprar, ele era bem esperto, ele estava a tentar entrar em contacto com todos os interessados, a sua função de certo devia ser encontrar o comprador que oferecesse mais por elas.
Farta de ouvir aquela reunião que não me ia levar a lado nenhum, e muito menos ao interessado comprador, levantei-me discretamente, quando já me afastava:
- Ms. Adams, não se quer juntar a nós?
Eu voltei-me e olhei muito seriamente para ele, ele completou com:
- Este assunto de certeza que é do seu interesse.
- Não, não é. Uma coisa que eu não gosto é de aparecer sem ser convidada. Já agora não sei se sabe, mas existe uma coisa chamada telefone que serve especialmente para avisar os outros quando não podemos comparecer aos nossos próprios compromissos, coisa que se o assunto fosse a mim dirigido teria usado para me comunicar. Com a vossa licença, me retiro!
- Eu acho que devia ficar.
Afastei-me, mas algo me prendia, como se estivesse a cometer um erro em ir-me embora, mas porque devia ficar, sem dúvida que não me interessava por falar com ele sobre o que quer que seja, afinal deixou-me à espera e nem, bem mandou-me flores como desculpa, mas deve ser assim que se desculpa com todas as mulheres, tipo galã, eu sinceramente não estava mesmo interessada, ou estaria?
Quando cheguei ao meu quarto, pequei no telefone e liguei para o George:
- Diz-me por favor que já sabes algo sobre o nosso estranho.
- Entrei no computador da empresa e de facto existe um Thomas, mas está na directoria e por isso é um ficheiro inacessível para mim, lamento muito.
- Eu não quero saber mais deste caso! Marca-me o meu bilhete de avião para ainda hoje.
- Vais desistir? O teu pai vai ficar decepcionado.
- Quero lá saber, se lhe interessavam tanto as acções que ele tivesse negociado com o excelentíssimo Sr. Thomas quando teve oportunidade!
- Tu é que sabes... O primeiro avião parte às 14.30, o seguinte é às 18.15. Qual prefere?
- O das 14.30. Até à minha volta.
Apesar de saber que dentro de 2horas estaria em Seattle algo me deixava triste.
Capítulo2
De Volta à Normalidade
§º§ Passado um mês §º§
Eu estava estranha, aquela viagem tinha me mudado muito, andava segundo o que diziam distraída, mas também um pouco triste, não era a mesma pessoa de antes, a Emma que era a minha melhor amiga já se tinha apercebido da minha mudança, nunca chegamos a falar disso, pois eu fugia sempre do assunto, sem saber porquê eu não queria que ninguém soubesse o motivo da minha volta tão repentina, tínhamos conseguido as acções da Bonne Instant, relativo a isso, eu estava decepcionada comigo própria, eu fugi, tive medo do que esteve prestes a acontecer, eu estava a apaixonar-me, só podia ser isso, tudo naquele Sr. Thomas me atraia, desde a sua maneira de falar até à sua maneira de lidar comigo, a forma como me enfrentava e no fundo me irritava, eu já tinha sofrido um grande desgosto de amor e para falar a verdade não queria sofrer outro, algo normal.
Eu sou uma pessoa muito aventureira, que gosta de arriscar em tudo, ou quase tudo, acho que trato da minha carreira empresaria de uma maneira que não posso lidar com a minha vida amorosa já que eu prefiro fugir a enfrentar tudo, desde a maravilhosa sensação de estar apaixonada até à sensação quem sabe de ser correspondida, eu tenho um medo terrível de me magoar novamente e por isso... escondo-me, prefiro fugir a arriscar-me e decepcionar-me.
A minha vida tinha mudado, eu estava muito insegura comigo própria, isso não afectava a minha profissão, ou pelo menos era o que eu pensava...
Um dia, quando estava a trabalhar, o meu pai chamou-me ao seu escritório, eu fiquei aflita, pois apesar de sermos pai e filha, esta relação é algo que não atingia nunca o nosso trabalho juntos, ele nisso age como se eu fosse uma pessoa como outra qualquer, o que às vezes me magoa, parece que ele se esquece que eu sou filha dele, trata-me de uma maneira tão fria que até me dá vontade de deixar tudo e desaparecer, ao chamar-me pensei logo:
“O que terei eu feito desta vez?”
Enquanto ia a caminho do escritório do presidente, tremia por dentro e até vontade me deu de cortar no caminho, sair pela porta principal e nunca mais pisar aquele edifício, mas iria ser uma decepção tão grande para o meu pai, o problema era esse, mesmo sendo totalmente indiferente em relação à nossa situação familiar, eu sabia o quanto ele se orgulhava de mim.
Bati à porta e parecia que o meu coração acelerava a cada passo que dava, ele como já era costume não esperei ele dizer que podia entrar, ele iniciou logo o seu discurso que me deixou... Sinceramente? Emocionada.
- Jessie, eu tenho me apercebido que ultimamente estás mais cansada. Imagino que o trabalho comece a pesar-te e por isso decidi arranjar-te um assistente. Que achas?
Enquanto ele falava, eu finalmente me dei ao trabalho de observar a sala, sentia um cheiro estranho, um perfume que me era, tão familiar, eu tinha quase a certeza que...
- Espero que o teu silencio, seja um sim. Este rapaz é um estagiário que veio de uma empresa estrangeira, ele irá ficar por aqui durante algum tempo e enquanto não encontrarmos uma secretaria para ti, ele irá ajudar-te no teu trabalho e tu o ajudarás na sua adaptação. Quem sabe se ele não nos irá fazer companhia durante muito tempo?
Estagiário? Ele falava de um estagiário para me ajudar, entrei em pânico, estava um rapaz no canto da sala sentado numa poltrona, quando ele se levantou e se aproximou de mim, o meu coração começou a bater mais depressa, era o Brian, a pessoa que tinha despedaçado o meu coração e que tinha feito com que eu deixasse de acreditar no amor, ele estava tal e qual como quando me tinha abandonado, o cabelo preto um pouco mais comprido preso em um pequeno rabo de cavalo e olhos castanhos que me olhavam como que me dizendo para aceitar e voar para os braços dele, mas isso não iria nunca mais acontecer, tentei conter-me, mas a emoção era forte demais, tinha uma vontade avassaladora de chorar ou simplesmente sair dali, mas a minha cabeça começou a rodar ao primeiro passo que dei ao recuar, acabei por desmaiar, nem eu pensei ser tão fraca.
Acordei finalmente, olhei em redor, aquele quarto, impossível, a casa dos meus pais, a minha mãe estava sentada numa cadeira perto da cama, era como voltar à minha infância, quando eu ficava doente, ela não saia nem um minuto de perto de mim, eu adorava, pois era só assim que eu me percebia o quanto ela me gostava de mim, chegava muitas vezes a aleijar-me de propósito para ela me pegar ao colo e tratar de mim.
Levantei-me devagar, vesti-me e com pena e medo de a acordar saí, deixei-lhe um recado em cima da mesa da sala, há muito tempo que eu não entrava naquela casa, tinha-me afastado da minha família.
Com o meu pai, era mais normal, ele dizer-me algo do tipo “Isto são horas para vir trabalhar?” do que um “Bom dia, minha filha.” a minha mãe continuava presente na minha vida, era ela que me ajudava, quando estava triste em vez de falar comigo e tentar ajudar-me nos meus problemas era com a Emma que ela falava, por alguma razão era com ela que eu contava sempre, a minha mãe já a tinha ensinado como me deixar contente, na realidade desde que eu sai de casa que quase não falávamos, eu tenho muita pena preferia ter as conversas que tenho com a Emma com a minha mãe, mas não há coragem para voltar atrás.
O nosso último jantar de família... um perfeito fracasso, acho que foi a pior reunião familiar que já presenciei em toda a minha vida, eu sabia que seria assim, tive mesmo para não comparecer, inventar ou uma viagem inadiável ou mesmo uma doença súbita, mas ia estar toda a família presente, não ia ser eu, a filha perfeita, a faltar, não é?
Voltando ao Brian...
Nós tivemos um relacionamento à 2 anos, éramos felizes até ele ter ido para Itália, ele era muito importante para mim, eu nunca tinha gostado de ninguém como gostava dele e ele dizia o mesmo, mas ao ir-se embora provou o contrário, que eu não era assim tão importante para ele, ele foi-se embora com a desculpa de que precisava conhecer o mundo, saber o que o esperava para lá dos Estados Unidos, de inicio apoiei, mas pensando que ele me ia pedir pelo menos duas coisas: em casamento ou pelo menos para o acompanhar nessa sua descoberta do mundo, mas ele não fez uma coisa nem outra partiu simplesmente me dando uma beijo e dizendo “Vou voltar!” pelos vistos voltou...
Um ano depois, sem me dar um telefonema, sem me mandar uma única carta, sem me dizer nada, bem que isso eu já esperava mesmo dele, agora ia ser o meu assistente?! Nem pensar, ele pode ficar se quiser, se estiver disposta a lidar comigo e com toda a minha fúria, mas eu vou fazer da sua vida um inferno.
No dia seguinte, ao acordar, comecei por pensar no Brian como fazer da vida dele um inferno? Pensei muito e quando tomava o meu banho a campainha tocou...
Vesti o robe apressadamente e fui à porta, esperava qualquer pessoa menos ele, pensei em como conseguir fazer com que o tempo para-se só para olhar durante algum tempo para ele, sem ele dizer nada.
- Ia a caminho do emprego, mas ao passar em frente a este prédio, não tive coragem para continuar, queria ver como isto estava, queria falar contigo.
- Não podias falar na empresa? Eu descrevia-te isto em pormenores. Acreditas que pensei que já te tinhas esquecido onde eu morava?
- Sempre simpática! Vais já?
- Só se for de robe! Estava a tomar o meu banho, vou demorar um pouco.
- Eu espero. Quer dizer, posso esperar por ti?
Respondi que sim e dirigi-me à casa de banho para acabar o meu banho, enquanto tentava relaxar, pensei numa maneira de fazer a vida dele num inferno, saí da banheira, fui até ao meu quarto e ao percorrer o meu guarda-roupa, peguei num vestido que o Brian adorava, vermelho claro uns centímetros acima do joelho justo e com um decote curto, mas não indecente, vesti-o e calcei uns sapatos de salto alto também vermelhos para condizer, olhei-me no espelho durante algum tempo, veio-me à memória muitas recordações de nós os dois juntos, tempos especiais e já há muito passados, eu própria estava muito diferente. foi até à sala aproximei-me dele devagar e disse que podíamos ir andando, ele parou a olhar para mim e disse:
- Estás linda! Eu senti muito a tua falta.
Ao aproximar-se de mim, tentou dar-me um beijo, mas afastei-me, não conseguindo dizer nada, fui até ao armário de entrada, onde estavam os casacos, vesti um comprido preto, que realçava o meu corpo, saí pela porta, o Brian veio atrás de mim.
No parque de estacionamento, ele aproximou-se de mim e agarrou-me o braço.
- Porque foges de mim? Magoei-te assim tanto? Vamos tentar outra vez.
- Se eu fugisse de ti, não eras meu assistente e não vamos tentar novamente. Até já!
Entrei no carro e antes de ir embora olhei novamente para ele, pensando para comigo como posso eu fazer da vida dele um inferno? Talvez eu devesse simplesmente mostrar-lhe aquilo que ele julga ter perdido, que ele deixou para trás ao ir para Itália e não dizer nada durante um ano inteiro, mas... Como posso fazer isso? Se quem vive num inferno sou eu?
Ao chegar à empresa, passei pala sala dele, ao ver que ele ainda não tinha chegado, fiquei preocupada, que coisa mais patética eu a pensar em como o fazer ir para bem longe, se possível de novo para a Itália e agora estou preocupada por um simples atraso. A Emma ia a passar à porta da minha sala e apercebeu-se que eu não estava bem, quem não repararia, eu estava de pé a andar dum lado para o outro, ela aproximou-se em silencio e pós as mãos nos meus ombros - coisa da minha mãe - insistiu e conseguiu que eu lhe disse o que se passava, disse que estava preocupada por ele ter sido algo de especial para mim, mesmo tendo me magoado, eu tinha de me preocupar, disse para não me pensar nisso e que quando ele chegasse, ela própria vinha me avisar, estava preocupada, mas o trabalho absorveu toda a minha preocupação.
O Brian não apareceu e ai tive o meu primeiro motivo para reclamar:
- Pai, eu não quero um assistente que no seu segundo dia de trabalho não aparece!
- Desculpa, o erro foi meu, esqueci-me de te avisar. Como estavas muito ocupada, pedi-lhe para ir à reunião com o Rodrigo Pérez.
- O pai mandou um novato ir a uma reunião onde é mais possível ele sair de lá enganado do que com uma assinatura apenas?! Eu é que costumo trato das negociações, ele sabe lá o que fazer!
- Posso ser teu pai, mas também sou o teu chefe e por isso tem respeito por mim e baixa o teu tom de voz, se não queres que aconteça o inevitável... que sejas expulsa dos negócios da família.
Eu não aguentei, saí daquela sala, era de mais o meu pai confiava mais no meu ex-namorado do que em mim, cada vez mais ridículo, ao entrar no meu gabinete, esperava-me o Brian, com um sorriso que há muito tempo eu não via.
Ele disse-me onde tinha ido e apresentou-me um contrato, depois de observar com muita atenção os detalhes, tive de admitir:
- Magnifico, ninguém o diria, eu pelo menos não. Conseguiste que todos os sócios do Juan aceitassem a nossa proposta. Bom trabalho!
Algo que não esperava era que ele conseguisse e por isso na minha mente instalaram-se vários pensamentos, até mesmo a ideia que ele podia de facto substituir-me.
Ao chegar ao meu apartamento, liguei o atendedor de chamadas e...
- Olá Jessica! Daqui fala o Mark, não sei se ainda te lembras de mim, mas eu queria convidar-te a sair um dia destes ou melhor hoje. Aceitas? Diz-me qualquer coisa depois, tá bem?
Não via o Mark há já algum tempo e estava na hora de esquecer tudo o que se tinha passado ultimamente na minha vida, telefonei-lhe a dizer que aceitava.
Combinamos ir ao lago, patinar no gelo, quem haveria de dizer, eu e o Mark a patinar, quero dizer a fazer algo assim tão infantil, pois era isso que era.
Fomos jantar primeiro, a verdade era que ele estava muito diferente daquele rapaz infantil que eu conhecia, tinha ideias mais fixas, sabia o que queria, estava fantástico em todos os aspectos, depois do jantar fomos patinar, foi um dos momentos mais engraçados da minha, pois quando me convidou deduzi que ele sabia patinar, passei mais tempo a ajuda-lo a levantar-se do que na realidade a patinar, mas foi giro na mesma.
Ele levou-me a casa e beijou-me, deixou-me com um sorriso nos lábios que me fez pensar nele durante toda a noite, seria isto o principio de uma relação?
Eis a resposta... não, nunca mais saímos, voltamos à nossa velha amizade o que para mim já era bom, para falar a verdade não me sentia pronta para voltar a me perder nos olhos do Mark e principalmente ouvi-lo falar da família toda, mais dos amigos e até ex-namoradas, quem sabe o que me esperaria, na verdade, verdade, eu não conseguia deixar de pensar naquele desconhecido, Steven Thomas, era algo invulgar, pois não tinha acontecido nada entre nós, mas eu pelos vistos tinha ficado caidinha por ele.
Capítulo3
Uma Viagem Problemática
§º§ Uns dias mais tarde §º§
- Jessie é o George, queria te pedir para vires ter comigo hoje ao Russ Hotel preciso de falar contigo sobre a tua nova “missão”, às 10.30 está bom? Tenta não te atrasar, por favor.
Quando ouvi a mensagem, pensei em como o George levava tudo tão a sério, a suposta missão devia ser ter de ir a uma cidade estranha qualquer convencer uns quantos accionistas difíceis a assinar um papel que na maioria nem para mim me parecia justo, era estranho, acho que trabalhava mais com o George do que com o meu pai, que era quem me mandava nas supostas “missões”.
Levantei-me depois de pensar um pouco, comi alguma coisa e saí logo, ao chegar ao hotel, não vi o George, mas encontrei alguém ainda mais interessante o “Mr. Thomas” eu não queria acreditar nos meus olhos, seria possível, não seria uma ilusão, fui em sua direcção e quando ele me viu, gelei, não consegui fazer nada e como já se tornará normal... fugi.
Pelo menos sabia onde o encontrar, mas e se ele se tivesse a ir embora, passei o dia todo com ideias deste tipo na minha cabeça, pensava no que lhe poderia ter dito, no que ele pensaria de mim, devia julgar-me uma cobarde, algo que eu era, para fugir sempre, tinha de o enfrentar... mas não fazia mal se fosse daqui a uns anos.
Nem me lembrei mais do George, ele foi ter comigo nessa mesma tarde à empresa e antes dele me descrever a missão fiz-lhe apenas duas perguntas:
- Para onde tenho de ir? – e claro - Descobriste mais alguma coisa em relação ao Mr Steven Thomas?
Ele disse que o destino seria o Ibiza e que Mr. Thomas, era o dono de metade das acções que nós tínhamos comprado e que tinha sido ele próprio a assinar o contrato de venda das acções.
Respondi-lhe que não estava pronta para partir e perguntei-lhe se ele sabia o que ele estava a fazer em Seattle, ele respondeu que vinha dirigir as acções a mando do meu pai, perguntei-lhe porquê e ele disse que eles tinham se entendido muito bem.
Antes do meu pai sair, passou pelo meu escritório, para eu lhe dar um motivo para não querer cumprir a missão no Ibiza, respondi que por agora eu trataria apenas de assuntos nacionais, que queria manter o meu cargo naquela empresa e disse algo que não devia ter dito:
- ... Sabe-se lá se quando eu voltasse ele continuaria reservado a mim.
Não sei no que pensava quando disse aquilo, mas tive uma resposta não muito agradável:
- Sabes que mais, estou cansado de isto tudo... ou partes daqui a dois dias para o Ibiza, cumpres a tua missão e garanto-te que o lugar de presidente da empresa da tua família está-te garantido, se não fores, nem vale a pena apareceres mais, pois dentro de dois dias, outra pessoa ocupará o teu cargo. Tens dois dias, por isso decide-te!
Eu sabia que não tinha outra solução sem ser ir para o Ibiza, mas algo me impedia de ir, contei o que se passava à Emma, o que me tinha feito regressar mais cedo, sem cumprir a missão, contei-lhe a minha paixão maluca pelo Mr. Thomas e a resposta dela foi:
- Não é todos os dias que te apaixonas assim, vai em frente, luta por esse amor, sabes lá se não é ele o teu príncipe encantado, aquele por quem tens esperado toda a tua vida?! – ela disse tudo num tom de brincadeira, mas eu sabia que estava a ser sincera
Voltei ao Russ Hotel nessa mesma noite e na entrada perguntei pelo Sr. Steven Thomas, verificaram no livro de reservas e nada, descrevi-o e disseram-me que ele tinha ido embora há alguns dias e que tinha passado ontem para confirmar a morada para onde deviam mandar a bagagem, ganhei coragem e pedi a morada, mas com muito azar, disseram-me que só tinha deixado o nr de telefone, só tinha deixado a morada ao assistente da bagagem.
Saí dali muito triste, não sabia o que fazer e quando ia a entrar no carro...
- Desculpe, mas não nos conhecemos de algum lado?
Olhei e quem haveria de dizer, era ele, fiquei sem palavras e aí ele fez o seu sorriso atrevido e frente a isso respondi:
- Não me parece. Acredite que eu não me esqueço das pessoas rapidamente e se o conhece-se eu lembrar-me-ia.
- Quem lhe disse que não nos conhecemos há já muito tempo, somos amigos de longa data. Não se lembra mesmo de mim? – disse ele com um sorriso que me fez ter medo de sequer falar e estragar tudo, mas...
- Lamento muito.
- Não se quer tentar lembrar hoje à noite num jantar?
- Não me parece que me lembre de você num jantar.
- Difícil... óptimo adoro mulheres difíceis... o meu número, e não pense que já se livrou de mim.
E acha ele que era o que eu queria?!
Fiquei nas nuvens o resto da noite, e quando ia para o meu quarto, preparava-me para me despir e ter o melhor sonho de toda a minha vida, recebi um telefonema, que de longe foi maravilhoso, mas interessante.
- Olá! Acho que não consegui ficar muito tempo sem ouvir a tua voz.
- Quem fala?
- Não sabes?! A minha voz não te é conhecida?!
- Não. O que quer?
- Trata-me por tu, pois eu quero algo mais do que conversar.
Desliguei, não tive coragem de ouvir mais nada, seria o Steven? Uns cinco minutos depois o telefone voltou a tocar.
- Sim?!
- Desculpa. Podes até dizer que não e eu afasto-me... sempre queres jantar comigo?
- Tu! Não acredito! Foste tu que me ligaste à pouco?
- Sim. Foi uma brincadeira, pelo menos já me tratas por tu. Aceitas ou não?
- Porque haveria eu de aceitar jantar contigo?
- Porque sentes o mesmo que eu, porque sabes que existe entre nós algo muito forte.
- Tu não me conheces! Eu não te conheço!
- Eu já te conheço o suficiente e tu também me podes conhecer de corpo e alma. Basta dizeres que aceitas jantar comigo. Não te esquecerei desta vez, juro!
- Com que então, esqueceste-te de mim naquela noite?!
- Não foi isso que quis dizer, apenas não tive tempo.
- Pois...
- Então? O convite está de pé...
- É melhor o sentares, pois até eu aceitar sabe-se lá o tempo que leva.
- Bom humor? Acreditas que me disseram que eras antipática!
- Não.
- Não o que?
- Não janto contigo!
- É a tua ultima resposta?
Lembrei-me de repente do que a Emma me disse para lutar por este amor, que ele podia ser o meu príncipe encantado, quando ia responder...
- Pelos vistos é! Obrigado pelo tempo que perdeste comigo e adeus!
Não acredito que deixei passar a oportunidade de conhecer a fundo este homem misterioso que me encantou e fascinou, devo estar maluca!!!
Ao me levantar do sofá deixei cair a minha mala que estava encostada à mesa do telefone, dela saiu um papel com o numero dele, deveria telefonar?
Telefonei, estava impedido, estaria ele a convidar outra pessoa para jantar? Ele é um homem muito bonito e parecia ser bastante interessante, deve ter muitas raparigas atrás dele, como fui eu deixar escapar alguém assim?! Sou mesmo estúpida!
Na manhã seguinte acordei bem disposta, mesmo depois do telefonema, tive um sonho incrivelmente maravilhoso, acho que se eu tivesse uma oportunidade de voltar a falar com o Mr. Thomas tentaria ao máximo ser simpática, ele deve ter uma ideia de mim, nada boa mesmo. Tomei um banho rápido, pois queria chegar cedo já que ia ter de ir para o Ibiza que fosse logo, com alguma sorte até convencia o meu a levar uma amiga qualquer, conseguiria distrair-me um pouco pelo menos. Vesti a primeira coisa que me apareceu à frente, uma saia azul escura e uma camisa justa branca, calcei uns sapatos de salto alto azuis escuros e acabei por vestir um casaco que estava ao fundo do armário também azul escuro, aproximei-me da minha escrivaninha e por acaso vi uns brincos em forma de estrela dourados, tinham me sido dados pelo Brian quando fizemos um ano de namoro, eles tinham um colar como conjunto, eu fui até à cómoda, ajoelhei-me no chão e abri a última gaveta, lá estava, a minha caixa de Pandora, a caixa onde eu colocava tudo o que podia me magoar, pensei duas vezes antes de a abrir, ela era feita de madeira, uma caixa rectangular pequena, num tom castanho claro tinha uma pedra como fechadura, uma âmbar, tinha sido o meu irmão a dar-me esta caixinha, lembro-me como se tivesse sido ontem...
(a partir daqui o fic é criação minha... espero que não esteja muito mau!! Que nervosismo!!)
§º§ FlashBack §º§
Um choro ecoava pela casa, a sra Adams corre para o quarto da filha mais nova, e ao entrar depara-se com ela sentada no chão a chorar feito um bebé, ela aproxima-se e pega-lhe ao colo.
- Que se passa Jessie? Caíste? Que aconteceu fillhinha? – pergunta a sra Adam preocupada
- Sim... – responde Jessica a chorar ainda mais
- Aleijaste-te aonde?
- No braço... parti a minha correntinha!! – Jessica aponta para o chão onde estavam alguns pedaços de uma pulseira prateada
- Mãe! – entra um rapaz de cabelo preto curto tipo à tigela e olhos verdes claros
- Que foi Jeff? Não vês que estou a tratar da tua irmã?
- Mãe é mesmo por causa disso! Eu estou a estudar, se ela continua a chorar, eu saiu para sair e não me preocupo sequer em passar no exame!
- Porque não fazes isso, depois conversas com o teu pai. Que queres dizer com continua a chorar? Ela está a chorar há já muito tempo? E tu não fizeste nada?
- Acorda! Eu estava no meu quarto a estudar! – Ele olha para o chão e vé a pulseira
- Está partida... – diz ele
- Que novidade, porque achas que ela está a chorar?
- Sei lá! Não seja por isso, eu arranjo-lhe a pulseira amanha, na aula de pratica de metais, tenho mesmo de fazer alguma coisa...
- Fica aqui com ela um bocado!
- Porque? – pergunta ele se sentando ao meu lado e fazendo-me deitar no colo dele começando a brincar com o meu cabelo
- Já venho, vou só buscar uma coisa.
- Ela já vem, não chores mais maninha! Amanha eu arranjo-te a pulseirinha, está bem? – ele dá-me um beijo na testa
Eu lembro-me tão bem do Jeff, normalmente implicava comigo, naquela altura eu devia ter uns 8anos, adorava aquela pulseira tinha sido a primeira jóia que me tinham dado, eu adorava-a, mas o Jeff foi um amor e ficou comigo até a mãe vir com um paninho húmido para me limpar o braço e com um bocado de algodão e betadine para me passar as dores, ele foi-se embora e eu voltei a ficar triste, estava a gostar de estar no colinho dele, ele era tão amoroso comigo...
- Já está! Não te preocupes, o teu mano daqui a uns dias arranja-te a pulseira... – disse a minha mãe colocando-me no seu colo e abraçando-me, eu entretanto tinha parado de chorar e não parava de olhar para o quarto do meu mano mais velho
A minha mãe deixou-me no quarto a brincar com uma boneca, levou o que restava da pulseira ao meu irmão e encostou ao passar as duas portas dos quartos, primeiro a dele e depois a minha, eu entristeci-me, apeteci-me chorar outra vez, mas como sabia que isso ia irritar o meu mano, não o fiz.
- Maninha! Olha o que tenho aqui para ti... – o meu mano voltou, eu sorri como a pessoa mais feliz do mundo que de facto estava
Ele aproximou-se da cama onde eu ainda estava sentada com uma caixinha castanha escura nas mãos, eu reparei e fui até ele a gatinhar como se fosse um bebé, tinha uma maneira de agir estranha naquela altura, na verdade gostava de me sentir o centro das atenções, adorava ser mimada e paparicada, como qualquer criança, mais nova, claro!
- Esta é a minha caixinha de Pandora... é onde eu sempre guardei os meus medos mais terríveis!
- Quem é Pandora?
- Pandora é... como te dizer para perceberes... é uma mulher que tinha uma caixa onde estavam todos os males do mundo, ela abri-a e eles espalharam-se, dizem que... esquece isto é demais para ti!
- Para que quero eu isso?
- Porque agora eu já não tenho muitos medos e por isso agora podes por os teus aqui dentro...
- Os meus... medos?
- Sim. Do que tens medo?
- Do John, ele é grande e mau!
- Pois... acho que é melhor esqueceres esta história toda, fica com ela! – ele deu-me a caixa e sorriu, tive vontade de dizer não quero, mas quando a vi melhor, tive curiosidade
- Que posso por nela?
- Tudo o que aches importante para ti, coisas que queiras guardar, mas também esquecer.
- A minha correntinha?! Quando a arranjares?
- Por exemplo!
- Posso por também os meus brincos de luas e nuvens! O anel que a mãe me deu nos anos! Posso por... não sei mais!
O Jeff sorriu e riu-se à gargalhada, ele deu-me um beijo na testa e acenou-me com a mão um adeus.
§º§ Fim do FlashBack §º§
Lembro-me que fiquei o resto do dia a pensar no que podia por dentro da minha, na altura “caixa das coisas boas”, já que eu não tinha medos, a não ser dos John, mas como era um rapaz e isso não dava para o por dentro da caixa! Agora que olho para esta caixa penso no meu mano, ele agora tem... 33anos, à 3anos que não sei nada dele, ele desapareceu mais ou menos na altura em que eu comecei a namorar o Brian, eu lembro-me que ele não gostava muito dele e que disse-me mesmo mil uma vezes que eu podia ter alguém bem melhor a meu lado, mas eu estava cega de amor...
Olhei de relance para o relógio.
- 8horas e 20minutos... ESTOU ATRASADA!!
Voltei a pôr a caixa dentro da gaveta e saí a correr pela porta, parei no ale da entrada e olhei em volta à procura da minha mala, estava como de costume em cima do sofá, peguei a mala e a pasta com os documentos necessários para o dia e sai de casa para ir para a empresa onde iria ter mais um dia secante.
Entrei no meu gabinete, estava 5minutos atrasada, podiam ser poucos mas os suficientes para o meu pai me caísse em cima como uma lapa e me deita-se embaixo na reunião que eu tinha dentro de 25minutos, às 9horas em ponto, eu coloquei tudo em cima da mesa e sentei-me na cadeira, olhei para o ecrã do computador para ver se tinha algum e-mail urgente, por acaso tinha dois, vi os endereços, o primeiro era do George:
“Oi miga! Queria só dizer-te que a tua passagem para o Ibiza está marcada para dia 17 deste mês, às 19horas, caso estejas à procura de um calendário é daqui a 5dias. Sortuda!! O teu papa deu-te 1semana para te decidires... bem agora é só ires levantar à agencia normal de viagens, ou se quiseres é só pedires-me para eu buscá-lo... Boa Sorte!
PS... O Sr. Thomas voltou a aparecer por aí! Quando digo ai, falo da “Adam Enterprise”, acho melhor resolveres tudo com ele ou ainda te metes em problemas com o papa! Beijos!
Olhei para o ps, resolver tudo? Do que ele estava a falar? O que ele esteve a fazer aqui na minha empresa? Problemas com o meu pai por causa dele, de um completo desconhecido? Ah, é verdade de repente o papa, como diz o próprio George, ficou amiguinho dele e claro, também tenho a desvantagem dele confiar em todos menos em mim. voltei a minha atenção para o segundo e-mail, tinha cerca de 10minutos, o que valia é que a Emma é que arranjava a sala e eu só tinha de marcar presença, já que normalmente até se esqueciam de mim, mesmo.
“Oi linda! Hoje vou chegar atrasado... podias por favor cobrir-me! Vá lá!!! Eu peço-te! vou tratar de algo muito importante por causa da NOSSA viagem para o Ibiza! Eu vou contigo sabias? Se não sabias, já sabes! Afinal sempre dá algum jeito ser teu assistente, e eu a pensar que ia passar a vida a olhar para ti, agora podemos até nos divertir! Até Logo! Brian”
Impossível! Eu não vou com ele para lado nenhum e muito menos Ibiza, eu não vou com ele, levantei-me furiosa e fui até à sala do meu pai, nem bati à porta, entrei e comecei logo a falar, sem notar que ele estava acompanhado, o importante era demove-lo de me mandar com o Brian para o Ibiza.
- Pai! Eu vou para o Ibiza se é isso que queres! Eu faço tudo o que quiseres, eu vou com quem quiseres, até mesmo com um dos teus sócios, desde o Williams até ao... sei lá! Mas eu não vou com o Brian! Entendido? Não vou e não vou!!
- Tudo bem! – respondeu ele
Eu ia começar a discursar de novo quando ouvi ele a dizer que concordava, aquilo era bom... não era? Depois comecei a pensar melhor: eu e o Williams no Ibiza, ele era o velho mais tarado que eu conhecia, bem...
- Eu estava mesmo a pensar em não o mandar! Eu percebi que tu não querias nem sequer trabalhar com ele, o estranho, é que eu pensei que depois que vocês acabaram, tinham ficado mais amigos, mas pelos vistos...
- Pai! Ele abandonou-me! Ele foi para... a Itália e deixou-me aqui um ano! Sozinha! Eu nunca mais o vi na minha vida!
- Eu pensei que...
- Não pensou nada, como de costume não pensaste principalmente em mim! Se queres humilhar-me podes pô-lo a trabalhar comigo, para mim, é me indiferente, mas depois não digas que eu não avisei! O Jeff é que teve razão para desaparecer daqui!
- Porque estás a colocar o teu irmão na questão? Ele foi embora porque quis!
- Sabes uma coisa papi? Eu pensava que tu te importavas comigo, mas acho que não, tu preferes outros a mim, pessoas que tu nunca viste na tua vida... tu preferes-os todos a mim. Eu que sou tua filha! Até já! – dos meus olhos caiam lágrimas, finalmente em tanto tempo eu conseguia chorar, não consegui entender porque as lágrimas me atingiram assim, naquele momento, quem devia estar a chorar era ele e não eu, mas a vida é assim, e eu sou fraca
Ia a abrir a porta quando, ela se abriu e os nossos olhares se cruzaram, olhos verdes profundos, iguais aos do meu irmão, o Mr. Thomas, quem diria que no momento em que eu finalmente conseguiria por tudo para fora, ele ia aparecer, ele olhou para mim e sorriu, quando se apercebeu que eu estava a chorar ficou sério olhou para o meu pai, eu voltei-me ele estava de pé, um pouco mais atrás de mim, olhei para o fundo da sala, na parte da sala de estar, nos sofás estavam sentados: o sr Williams, o velho tarado de quem falava à pouco, ele olhava para nós, devia detestar ter presenciado aquela conversa; ao seu lado estava o seu filho David, que olhava para nós também com um olhar de não ter gostado nada e ao mesmo tempo tinha um olhar de pena; por fim o sr. Croew, o pai do Brian, a pior pessoa para ter ouvido aquilo, ele apesar de tudo estava com um sorriso nos lábios, de repente baixou a cabeça e assim ficou.
- Jessica, se não queres ir com o Brian tudo bem, eu arranjo outra pessoa, se quiseres eu deixo a Emma ir, ela tem ajudado muito a empresa. Não me importa quem tu leves! Eu sugeri o Brian porque ele de facto vai ficar aqui, a pedido do Raphael, o pai. Eu sei que a última coisa que queres é estar com ele, mas tens de suportar, ele merece uma chance. – meu pai, quem diria?!
Eu ia responder, olhei de novo para o Mr. Thomas, ele balançou a cabeça negativamente, não entendi o porque, mas pensei que seria para eu não dizer mais nada, e de facto era o melhor a fazer.
- Desculpe sr Croew, eu lamento imenso! – olhei na direcção dele, ele levantou a cabeça... sorrindo?
- Jessica és uma rapariga adorável e eu acho que se tivesse no teu lugar também não perdoava o Brian, mas ele quer uma chance porque gosta muito de ti, ele ama-te do fundo do coração, ele quer-te de volta e por isso eu pedi ao teu pai, para o trazer de volta, porque achei que se fosses te acostumando com ele, quem sabe...
Olhei para o Mr. Thomas, ele estava com um olhar distante, um olhar triste, deve ter-lhe tocado o discurso do pai do Brian, eu queria dizer que não o queria ao pé de mim, mas não consegui, seria cruel demais, por muito que fosse verdade.
- Desculpe pai, mas eu não vou marcar presença hoje na reunião de direcção, desculpe!
Pedi licença ao Mr. Thomas para passar, ele desviou-se um pouco, ficamos por poucos centímetros próximos um ao outro, ele olhava para mim, ele abraçou-me, eu não sabia como reagir, o meu pai olhava para mim, não sabia identificar aquela expressão será que era tristeza, desilusão, ou seria apenas pena? Se calhar ele também me queria ver de novo com o Brian, eu não aguentei desviei-me do corpo quente que me segurava, eu queria tanto me sentir assim, protegida, era tão estranho.
Finalmente o objecto em questão apareceu, o Brian estava parado em frente a nós.
- Desculpem! – ele disse, eu reconheci aquela voz e afastei-me do Mr. Thomas
- Passa-se alguma coisa, linda? – ele ia aproximando-se de mim devagar
- Não Brian! Nós não vamos juntos para o Ibiza, sinto muito!
Eu queria sair dali o mais rápido possível, então sai, foi para o meu gabinete, tranquei-me a sete chaves, no local que naquele momento era o mais seguro para mim, deviam estar todos a discutir por minha causa. Que será que o Mr. Thomas fazia ali?
E aquele abraço? Que será que aquilo significou para ele, ou melhor para mim?
Sentia-me segura ali, deitei-me no sofá e acabei por adormecer, foi só relaxar e adormeci imediatamente, podia não ser o esperado de uma executiva ou melhor, da vice presidente de uma empresa importantíssima, quem diria que eu iria faltar a uma reunião para dormir? Eu estava tão cansada de tudo, da minha vida, do Brian... eu não aguentava mais olhar na cara dele, como é que eu ia olhar para a cara do pai dele? Que vergonha! Eu sou mesmo estúpida!
Acordei e olhei em redor, o meu gabinete, ao me levantar recordei toda a emoção deste dia tão terrível, parei ao sentir um cheiro de flores, um odor de rosas estava espalhado pela sala, levantei-me e andei em direcção à minha mesa, perto do ecrã do computador, onde ainda estava o e-mail do Brian, estava uma rosa vermelha, mas como uma rosa podia espalhar um cheiro tão forte? E a sala estava trancada... fui até a porta e qual o meu espanto quando a vejo entreaberta, voltei a fecha-la e voltei para o centro de toda a minha angustia, peguei na rosa e cheirei-a, há tanto tempo que eu não sentia o cheiro de uma rosa, sem ser...
Quando o maldito Mr. Thomas me deixou pendurada, será que era dele? Será que ele tinha entrado na minha sala e deixado a rosa ali, mas era estranho porque não teria me acordado? Eu sou uma parva... de certeza que não era dele, para quê por essa ideia na minha cabeça e depois não ser ele? O meu forte sem dúvida que não era sonhar, se bem que ultimamente era o que eu mais fazia e constantemente o responsável era aquele Mr... Steven Thomas... *suspiro*
Capítulo4
Adaptação em Ibiza
§º§ Uma Semana Depois §º§
Estava no aeroporto, o meu avião iria com destino a Ibiza dentro de uma hora, já tinha feito o check-in e agora só me faltava esperar pelo George que tinha os documentos essenciais para o contracto com o grupo espanhol.
- Fiz-te esperar muito? – aquela voz não era do George
Ergui a cabeça e olhei para a minha esquerda, um aperto tomou conta do meu coração, sentia-me perto de ter um ataque cardíaco, aquilo não podia estar a acontecer.
- Quem diria? Mr. Thomas?! Que faz aqui? – perguntei eu com o tom mais sarcástico possível
- Mr. Thomas? Formal demais para meu gosto, mas se preferes tratar-me assim...
- Que está aqui a fazer?
- Eu vou para o Ibiza! – o seu sorriso assustou-me, já tinha alguma coisa em mente e eu de certeza não ia conseguir escapar
- Como vai para o Ibiza? Fazer o que?
- Não achas que estás a fazer perguntas a mais? Eu vou em negócios!
- Ah! Quando é que vais?
- Tu?! Trataste-me por tu...
- Quando é que vai? – ele sorriu, parecia que estava a divertir-se
- Tu... eu vou daqui, exactamente 45minutos. E tu? Toma lá o contracto que precisas levar para assinar.
- Obrigado... que aconteceu ao George?
- George? É aquele de cabelo e olhos escuros não é? Ele disse que vinha contigo, mas o teu paizinho disse que era melhor eu vir já que seria a tua companhia durante a semana no Ibiza.
- A minha... não!
- Sim! Ele disse que como eu conheço mais ou menos o Ibiza iria ser melhor eu te acompanhar, para não te perderes, e eu tenho muitos contactos entre os accionistas com que vais falar. Só vou ajudar-te!
- Não me parece! Acho que vais atrapalhar! – levantei-me e viu a olhar de cima a baixo
- O que foi agora? Nunca me viste?
- Já, mas parecias menos atraente das outras vezes! Não que não o sejas, atenção...
- Isto não me está a acontecer! – eu estava com um vestido verde claro curto e de alças, podia ser um pouco demais para uma viagem e se calhar era mais usado para seduzir do que para viajar, mas há muito tempo que não o usava e por isso aproveitei, não é todos os dias que se vai a Ibiza e o calor lá é demais, por isso...
- Ainda estás a olhar? – perguntei ao reparar que ele continuava no mesmo sitio enquanto eu já me preparava para virar a esquina e subir para o andar seguinte
Ele começou a andar na minha direcção, vinha num ritmo calmo, com as mãos nos bolsos, parecia bem confortável apesar do que tinha vestido, que era um fato azul escuro que lhe ficava a matar, ele levou a mão à gravata e desapertou-a, tirando-a e pondo-a no bolso do casaco, desapertou os primeiros botões da camisa e sorriu para mim, parecia estar a pôr-se à vontade, olhei em redor para me certificar do pensamento que me veio à cabeça no momento, todos tinham depositado os olhos nele, eu disse todos? Devia ter dito todas!! Não havia nem uma mulher que não estivesse a olhar para ele.
Finalmente entramos no avião, ele pediu-me licença para passar e sentou-se à janela, bem ao meu lado, teve logo de arranjar um lugar ao pé de mim, eu quase a celebrar pois ele deveria ir para bem longe, afinal não tive muita sorte, ou será que tive?
Eu não consigo entender, eu sinto algo muito forte quando o vejo, quando ouço a sua voz altiva e aveludada ao mesmo tempo, mas depois... quando ele fala comigo, tenho vontade de o matar, de o estrangular até ele me deixar em paz.
Olhei meio de lado para ele, pensando no que deveria ter feito com que eu me apaixonasse por aquele homem, apaixonada... eu estou sem dúvida apaixonada, mas ele é tão misterioso, é um completo desconhecido para mim, não que eu não queira conhece-lo, eu quero, mas quando surge uma oportunidade, eu simplesmente estrago-a, como que por pressentimento ele olhou para mim, aqueles olhos verdes observavam-me, cintilavam de uma maneira que eu nunca tinha visto antes, ele parecia tentar dizer algo com aquele simples e maravilhoso olhar, eu queria aproximar-me dele e pedir desculpa, eu devia uma data de desculpas, primeiro por ter fugido em Paris, depois por ter o despachado quando me convidou para jantar e ao telefone, que coisa, parece que não estamos destinados, se calhar é isso, de repente ele voltou a sua atenção para a janela.
Senti como se um punhal acaba-se de trespassar o meu coração, aqueles olhos verdes afastaram-se de mim.
- Que pensas fazer quando aterrarmos? – ele perguntou sem desviar a sua atenção das nuvens que via através da janela
- Não sei... que achas que devemos fazer? – ele olhou para mim e sorriu
- Que foi? – perguntei com curiosidade
- É a primeira vez que te referes a tu e eu, como nós. – voltou a olhar para a janela
- Que estás a ver?
- Nada! Mas eu gosto do ar, em pequeno queria ir para a força aérea...
- Ah! E imagino que também quiseste ser astronauta então?
- Quase fui! Tentei entrar no sistema informático da NASA aos 17anos, por pouco não era preso e só me deixaram porque o meu pai tinha bons contactos por lá.
- E porque desististe?
- De ser astronauta? Bem... não era o tipo de profissão aceite por um executivo que sempre desejou ter o filho a seguir-lhe as pegadas, fui mais ou menos obrigado no 10º ano a seguir economia, e ao acabar o 12º comecei a cursar Contabilidade. Acho que não tive muita escolha na verdade...
Silêncio. Eu queria perguntar alguma coisa mas não sabia o que...
- E tu? – ele olhou-me nos olhos e esperou a resposta que não parecia não querer surgir
- Foi mais ou menos assim comigo também.
- É, pelo menos já temos algo em comum.
- Achas que os accionistas estão à nossa espera hoje? – perguntou-me voltando-se para a janela
comecei a enervar-me, apeteceu-me tanto mudar de lugar com ele, só para ele olhar para mim e deixar a janela em paz, eu gostava mesmo que ele olhava-se para mim e que... não sei, acho que estava a começar a gostar da conversa.
- Eu vou tirar o dia de hoje para dar uma volta pela praia. Vamos ficar num hotel mesmo em frente à praia, sabias?
- Deve ser bem confortável.
- Acho que ainda me esqueço é deles e faço desta semana, as minhas mais pequenas férias!
- Senhores passageiros dentro de 20minutos vamos aterrar em Ibiza, estão aproximadamente 30º, espero que tenham uma boa estadia e que se divirtam muito, muito obrigado por escolherem este voo. – comunicou o piloto através de um microfone
- Acho que estamos quase lá... isto é muito bonito, acho que vai gostar! – diz ele olhando para mim
- Eu... sei que vou gostar!
- Temos de combinar uma coisa desde já, eu detesto ser tratado pelo meu apelido e muito menos pelo meu segundo nome, se não sabes Thomas é o meu segundo nome, ou me tratas por Steven, ou eu começo a chamar-te por Jessica Adams.
- Muito bem... Steven.
- Se quiseres podes tratar-me por Stevie! O teu Stevie!
- Não abuses! – ele riu e aproximou-se do meu ouvido
- Acho que até vais acostumar-te com o Stevie, Jessie... – disse ele sussurrando
Senti algo indescritível, uma sensação única, ele olhou para uma hospedeira que passava, quando ela sorriu para ele, ele simplesmente olho para mim e voltou a sentar-se bem direitinho.
Não entendi, mas percebi que a porcaria da hospedeira não deixava de olhar para ele, até sairmos do avião, ela não desgrudou os olhos dele nem por um minuto, por fim quando íamos a passar por ela, para sair, não é que ela teve a lata de lhe piscar o olho, ele riu-se e ao passar deu-lhe um beijo na face, a mulher ficou tão surpreendida como eu.
- És assim com todas? – perguntei continuando a andar e sem nem me dar ao trabalho de olhar para ele, estava bem irritada
- Ciúmes? – isso chamou-me à atenção, mas contive-me para não demostrar
- Vai sonhando!
- Pelos vistos devo estar a sonhar... ela piscou-me o olho, eu apenas decidi deixar-lhe uma recordação minha, qual é o mal de um beijinho tão inocente, pois foi na cara e não me pareceu que ela ficasse nada chateada.
- Querias que ela ficasse, não?! És mesmo...
- O que? Desabafa comigo! Eu ando à espera disso desde que nós reencontramos pela primeira vez.
- Que queres dizer com isso?
- Foi por minha causa que não ficaste em Paris?
- Não tens nada com isso!
- Se foi por minha causa, tenho...
- Então não foi por tua causa!
- Vou partir do principio que estás a dizer o contrário...
- Porque?!
- Porque não é isso que a tua voz nervosa me diz, olha para mim...
- Vamos para onde mesmo?
- Eu sabia! Foi por minha causa! Ainda me hades dizer o que é que eu fiz...
- Vamos para o Fiesta Club Palm Beach. – ele disse olhando em redor
- Não trouxeste malas nenhumas?
- Mandei leva-las directamente para o hotel, tu não fizeste o mesmo?
- Esqueci-me!
- Não faz mal. Espera aqui que eu já volto!
Ele afastou-se com alguma rapidez, em segundos já não o vi nem de longe, andei um pouco até ao exterior do aeroporto, sentei-me no primeiro banco que vi, olhava de vez em quando para ver se ele vinha, mas nada...
Meia hora e nada dele, comecei a ficar chateada e por outro lado preocupada, será que tinha acontecido alguma coisa, olhei para onde estava, estava no exterior do aeroporto, perto de uns canteiros com árvores e umas flores esquisitas de cor roxa, na realidade não era a primeira vez que estava em Ibiza, tinha vindo umas quantas vezes com o meu irmão, o Jeff adorava Espanha e principalmente aquele determinado lugar, desde que ele tinha desaparecido que nunca mais tinha voltado ali, ele como irmão mais velho nunca me deixava ir para lado nenhum sozinha, dizia que era para me chatear, mas era para me proteger, sempre foi o meu anjo da guarda, desde que ele foi embora que tudo começou a correr mal, primeiro o Brian, depois eu sair de casa e deixar de ver a mãe e agora toda esta confusão com o pai, ele parecia preparado para me expulsar da empresa...
- Pronto, podemos ir! – olhei para trás e lá estava o Steven
- Que foste fazer, quase morri aqui à seca!
- Se tinhas sede, podias ter ido beber um copo de água... - ia responder, mas percebi que ele estava a gozar comigo
- Temos um taxi á nossa espera ali à frente. - ele apontou para o lado esquerdo, sim estava lá um taxi e...
Eu não podia acreditar, encostado ao taxi estava o Mateus, o nosso taxista preferido, meu e do meu irmão, onde quer que fossemos íamos sempre de taxi, o melhor é que não pagávamos, nós telefonávamos-lhe e ele vinha, mas era para irmos para a praia ou sítios por perto, ele era o melhor de todos os espanhóis que eu conhecia, era espectacular, lembro-me na altura que ele tinha uma irmã que aparecia às vezes para se meter com o Jeff e o Mateus aproveitava e tentava meter-se comigo, mas nenhum dos irmãos tinha sorte connosco, ele estava igualzinho, cabelo preto pelos ombros e olhos castanhos, enquanto me aproximava não sabia se desejar que ele não me reconhece-se ou o contrário, ao chegarmos lá, ele olhou para o Steven e ia a abrir a porta do condutor para entrar quando olhou para mim.
- Jessie? – ele perguntou
- Vocês conhecem-se? – perguntou o Steven meio admirado
- Acho que sim, é tu não és Jessie? – perguntou novamente, eu apenas afirmei com a cabeça
- Céus! Estás tão diferente, mas ao mesmo tempo... estás muito melhor! – disse o Mateus abraçando-me
- Que saudades miúda! Já fazem... dois, não três anos que não apareces por aqui! – ao dizer isso o Mateus deparou-se com o olhar do Steven, parecia chateado
- Estás bem? Steven? – perguntei ao ver com admiração que ele parecia mesmo chateado
- Stevie?! – eu disse na tentativa de chamar à atenção, o que chamou
- O que me chamas-te? – ele parecia ainda mais chateado
- Este é o que a ti? – perguntou o Mateus
- Ele é um colega... mais ou menos... – respondi muito admirada com a reacção do Steven
- Vamos ou nem por isso? – perguntou o Steven sorrindo
Eu achei aquilo tão estranho que nem me lembrei de responder, apenas entrei no taxi, seguida por ele.
- Vamos para onde? – perguntou o Mateus olhando para mim
- Club Palm Beach! – disse o Steven
Finalmente no hotel, chegamos e eu fui imediatamente para o quarto que me era destinado, o melhor, ao quarto que nós era destinado, descobri naquele momento que íamos dividir um apartamento, assustei-me quando percebi o que o recepcionista disse, olhei para o Steven e ele estava com uma cara de menino alegre como se tivesse acabado de ganhar a melhor prenda do mundo.
- Tu sabias disto? – perguntei enquanto subíamos uma pequena escada que dava para os elevadores
- Se eu disser que não, chateias-te menos comigo? – ele fez a cara mais inocente no mundo
- Tu és um autêntico anjo, não és?! – perguntei ironizando
- Se tu o dizes!
Chegamos à porta do apartamento, eu esperava que ele abri-se a porta, entramos e enquanto ele foi direito à varanda eu explorei um pouco melhor o apartamento, tinha uma sala bastante confortável com um sofá enorme e uma televisão, entre essas duas coisas existia uma pequena mesa de madeira, no lado direito estava a varanda em que um boquiaberto Steven se debruçava naquele momento, de repente eu reparei que haviam naquela sala três portas, uma de cada lado do sofá e uma terceira mesmo no lado direito da porta de entrada, afinal aquele apartamento estava dividido em dois quartos, olhei a varanda, ia dizer ao “Stevie” que afinal haviam dois quartos, mas quando o vi debruçado nas grades da varanda a olhar para a piscina que estava lá embaixo pensei em ser eu a brincar um pouco com ele. Ele queria armar-se em sedutor não era? Então ele ia ver quem seduzia mais, eu ou ele?
- Stevie! Anda cá! - percebi a mudança repentina dele, ele endireitou-se e virou-se em direcção à minha voz
- Sim?! Que queres? – perguntou ele sem sair do mesmo lugar
- Não vamos ter com os accionistas hoje?
- Eu pelo menos não vou, porque?
- Estava apensar no que ia vestir... devo vestir um vestido ou achas melhor o meu biquini?
Percebi passos, eu estava dentro do quarto à esquerda do sofá, já tinham trazido as nossas malas e por isso estava a desfazer as malas e na verdade estava mesmo interessada numa resposta, mas por outro lado queria mesmo era ver a reacção dele a eu ir mudar de roupa, ele devia saber que o quarto era dividido, porque apareceu em instantes na porta do meu quarto.
- Tu estás a pensar em ir fazer o que? – perguntou num tom sério, que me fez voltar
- Eu estava a pensar em ir até à praia, mas não sei... – ele interrompeu o que eu dizia e a sorrir:
- ... Acho que fazes bem! Posso fazer-te companhia? – ele aproximava-se cada vez mais de mim e sempre a sorrir
- Claro porque não poderias? – voltei-me de costas para ele e tirei de dentro da mala o meu biquini branco com flores azuis, uma saia curta branca e um top de alças também branca
Ia a voltar-me, mas senti-o bem atras de mim, abraçou-me por trás e suavemente virou-me para ficar frente a frente com ele.
- Acho que não precisas de mudar de roupa... estás bem assim... – ele aproximou-se cada vez mais de mim, fazendo-me recuar em direcção à cama, onde estava a mala que eu arrumava
Sentia-me entre a espada e a parede, senti naquele momento que esta semana seria a mais comprida de toda a minha vida, olhei-o nos olhos da mesma maneira que ele fazia, ele colocou uma mão na minha cintura e desviou-me um pouco para o lado e olhou para a minha mala, eu observei todos os seus movimentos e quando me lembrei da mão firmemente colocada na minha cintura, senti-me corar intensamente.
- Acho que trouxeste coisas a mais... não te esqueças que viemos em negócios. – ele sorriu e deu-me um beijo rápido
- Vamos? – perguntou tirando a mão da minha cintura e afastando-se até à porta
Fiquei algum tempo parada a relembrar aquela sensação, o beijo foi rápido, mas tão suave e ao mesmo tempo forte, eu estava totalmente apaixonada e pela primeira vez não sabia o que fazer, entregar-me ou fugir?
- Deixa-me só... – ele interrompeu-me puxando-me pela mão
- Não vais mudar de roupa, estás bem assim! Anda!
Ele agarrou as chaves e colocou-as no bolso das calças, sempre me segurando pela mão, fiquei sem saber se devia continuar assim, dependente da mão que me segurava ou se me afastar e apenas segui-lo, mas tal como não sabia o que fazer, também não consegui largar-me. Saímos do apartamento e fomos até aos elevadores, entrei primeiro e ele seguiu-me, pela primeira vez percebi que ele me observava.
- Estás a olhar o que? – perguntei olhando para o chão, sentia-me de novo a ficar corada
- Tens de te acalmar, estás pensativa demais! Relaxa! – ele ergueu-me a cabeça de maneira que tive de o encarar
“Ele beija-me e quer que eu fique normal! Este Steven não é normal!”
- Acho que precisas de um incentivo... – ao dizer aquilo sorriu, eu já imaginava o que ele fosse fazer, à medida que se aproximava, eu gelava, queria tanto o beijo que se aproximava, mas estava confusa demais
- Acho que tu achas demais! Se à aqui alguém que pense demais, és tu. – respondi e deparei-me com um sorriso que começa a fascinar-me, como ele podia sorrir e deixar-me completamente fascinada, eu derretia-me cada vez mais
- Vamos até à praia não é? Antes vamos beber alguma coisa, estou cheio de sede! – disse ele virando-me as costas para sair do elevador
- Porque não?! – murmurei de maneira que ele nem ouviu, senti de novo uma mão a puxar-me
- Não vale a pena me segurares, eu não fujo! – ele estava um pouco mais à frente, olhou para trás com um sorriso e continuou a segurar-me pela mão
- Nunca se sabe! – foi a resposta que me deu
Sentamo-nos numa mesa na esplanada do hotel, ele parecia adorar esplanadas com boas vistas, esta sem dúvida era a melhor vista que se podia presenciar, uma praia quase deserta, o sol a pôr-se no horizonte, olhei para o relógio para confirmar que o tempo tinha passado tão rápido, ele olhava para todos os lados, parecia à procura de alguém.
- Eu vou pedir as bebidas, queres o que? – ele perguntou-me sem olhar para mim
- Um águila Lagar... – respondi desviando o olhar para onde ele olhava
- Ok! Eu já volto, temos mesmo de conversar! – ele levantou-se e eu como já era costume segui-o com os meus olhos
“Temos de conversar?” – de repente a frase veio-me à cabeça – “Conversar sobre o que?”
- Desculpe está com o Steven? – perguntou uma mulher de pé ao meu lado
Respondi afirmamente e percebi que ela olhava para o bar, onde ele estava, ela tinha cabelos loiros curtos pelos ombros e olhos verdes, ela percebeu que eu a olhava e sorriu.
- Eu sou Katrina Breen, muito prazer!
- Jessica Adams...
- És sócia do Steven?
- Mais ou menos!
Percebi o Steven colocar as bebidas na mesa e olhar para ela sério, ela ficou igualmente seria e continuou a falar comigo, sentando-se à minha direita, o Steven demorou algum tempo a sentar-se, mas quando o fez nem olhou para a estranha mulher.
- Vocês são o que um ao outro? – isto chamou tanto a minha atenção como a dele
- Que tens haver com isso? – respondeu ele fixando o seu olhar nela
- Steven! Isso são modos de falares comigo?! A tua mãe não te ensinou nada? – ela ficou seria e depois começou a rir
- É tua namorada? Podes dizer-me Steve! Sempre confiaste muito em mim!
- Acho que não tens mesmo nada haver com a minha vida! – ele olhou para mim e voltou a olhar para a tal de Katrina
- Steven... – murmurei e a Katrina olhou para mim sorrindo
- Se não falas comigo... – ela olhava fixamente para mim - ... talvez ela o faça!
- Diz-me, que fazem aqui? Não! Isso já sei! Vocês estão juntos? São namorados? Responde-me por favor!!
Olhei para o Steven que fazia uma cara seria e por fim levantou-se, agarrou a Katrina e levou-a para longe, mas não o suficiente, para eu não ouvir a conversa, ele estava mesmo chateado...
- Que fazes aqui? – perguntou ele
- Que pergunta! Eu moro aqui lembras-te! Tu é que foste embora! – respondeu ela irritada
- Que queres Kina?
- Kina?! Há muito que ninguém me chama isso... – ela levou a mão ao queixo e fez uma pose de pensativa
- Diz de uma vez!
- Eu sei que vens para a reunião com o Pérez e eu quero que desistas disso!
- Como? Desde quando tu te interessas por negócios, nunca te interessaste antes!
- O pai quer essas acções, que tu e a tua amiga, vêm tentar “resgatar”!
- Que tenho eu a ver com isso?
- Tu não podes falar com o Pérez, ele vai facilmente cede-las a ti, sempre te considerou como o seu próprio filho, vai ficar muito contente de saber-te de volta e ainda por cima por causa dele!
- Posso dizer uma coisa? – ela disse que sim com a cabeça
- Acho que estás a falar comigo pelos motivos errados! Eu vim apenas para acompanhar a Jessica, ela é que vai falar com o Pérez, eu só vim, por curiosidade e na verdade... saudades!
- Tinhas saudades?! Tu foste embora e quase nunca mais te vim!
- Todos os meses falamos por telefone, quando tu não me obrigas a aparecer! Que queres mais?
- Que ocupasses o teu lugar... aqui!
- Só podes estar a gozar! Tu pareces estar a fazer um bom trabalho, não precisam de mim para nada!
- O pai soube do teu estagio na França e agora nos Estados Unidos, se querias tanto afastar-te... porque vieste?
- Uma pessoa não pode ter saudades do local onde nasceu? Eu vim por curiosidade, queria dar uma volta, há muito que eu não ponha os pés aqui e apeteceu-me vir. Se tu ou o pai querer afastar-se, ainda bem, agora se querem tramar alguma para eu ficar, cuidado, pois nenhum de você sabe daquilo que sou capaz! Diz-lhe para se afastar, pois não quero nada com ele!
O Steven aproximava-se, eu tinha ouvido a conversa e na verdade não tinha gostado muito do que tinha ouvido, estava confusa, ele era filho de quem? Tinha nascido aqui e... aquela Katrina era irmã dele? Foi tudo o que consegui perceber, mas percebi imediatamente, pela cara de chateado que íamos ter problemas, ele como já se tornava habito, puxou-me pela mão e levou-me dali.
Capítulo5
Quando o Passado se intromete no Presente...
Ele estava calado há pelo menos 1hora, não dizia absolutamente nada, eu queria conhecer o Steven e bem a fundo, mas não sabia como me intrometer nos seus pensamentos e tirar-lhe alguma palavra, nem que fosse um simples “deixa-me”.
Estávamos na praia, em frente ao mar, sentados num dos muros, estávamos lado a lado, mas parecia que estávamos a quilómetros de distância um do outro. Com o passar do tempo deixei de me importar se ele reparasse, comecei a olha-lo fixamente, ele observava o mar tão atentamente que nem reparou no meu olhar, eu queria dar o primeiro passo para uma conversa, nem que fosse para o distrair um pouco, mas acabou por ser ele a faze-lo...
- Estás a olhar o que? – perguntou ele sem retribuir ao meu olhar continuava concentrado na agitação do mar, o sol começava a desaparecer e quando ele me enfrentou eu fiquei sem saber o que dizer
“Devo dizer que estou preocupada? Talvez... Ele vai rir-se de mim!” eu lutava contra os meus próprios pensamentos
- Não vais dizer nada? – pronunciou-se ele de novo
- Queres que eu diga o que? – respondi num tom seco, ao perceber isso arrependi-me de ter falado
- Que te preocupas...
“Será que ele lê os meus pensamentos, só pode ser isso!” respirei fundo
- Eu preocupo-me! Mas nunca pensei que te preocupasses com isso! – ele olhou para mim e eu desviei o olhar
- Eu gosto de saber que se preocupam comigo! E se for alguém com quem me preocupo... melhor ainda!
- Quem era ela? - arrependi-me novamente, mas já era tarde demais para voltar atrás
- A Katrina? Uma... uma... um parente! – respondeu baixando a cabeça
- Parente? Vocês pareceram bastante próximos, para falar a verdade demais!
- Como tu e o Mateus? – sorri, eu sabia que mais tarde ou mais cedo ele ia tocar no assunto
- Não... eu e o Mateus não somos parentes. Ele era amigo do meu irmão.
- O teu irmão?! Que é feito desse aí?
- Porque?
- Ouço falar dele, desde a primeira vez que falei com o teu pai, mas nunca o vi!
- Ele desistiu do negocio de família, abandonou-nos para viajar.
- E vocês sente muita falta dele?
- Eu principalmente! Muita mesmo! – sabia que ele falava da Katrina, mas não quis perguntar nada
- Mas foi bem ele ter viajado, se não... nunca nos teríamos conhecido! – ele olhava fixamente para mim
- Talvez... – olhei-o e tive medo do que vi, os seus olhos brilhavam, ele tentava segurar as lágrimas
- Stevie... – saiu-me, no momento, a alcunha pareceu acalma-lo
- Achas que o meu irmão sente a minha falta? – perguntei olhando para o céu durante segundos, ao não receber resposta olhei para ele de novo
- Claro, qual é o irmão que não sente falta da irmã? Vamos voltar? – ele levantou-se e deu-me a mão para eu me levantar
- Não! – desci do muro para a areia, tirei os meus sapatos e fui até ao água do mar
- Não me apetece! – respondi andando um pouco à beira mar, sentindo a água a tocar-me, parei ali e olhei para o mar
- Acho que é melhor voltarmos! – ouvi uma voz bem atrás de mim
- Se queres voltar, que fazes aqui? – perguntei numa voz calma, voltei-me para ele e ele meio desajeitado levou as mãos à cabeça, como que pensando em algo para responder, decidi não me calar
- A Katrina queria o que contigo? – perguntei mesmo sabendo a resposta e sabendo que devia estar a afasta-lo de mim
- Ajuda! Ela é minha irmã! – finalmente confessou, eu sorri
- Acho que devias falar com ela, mais calmamente, ela tem saudades tuas, tal como eu do meu mano, não é fácil fica sem... nem sei se vocês eram muito próximos, mas... eu era muito próxima do meu irmão, o Jeff chegou a ser o meu pai, a minha mãe, o meu melhor amigo, tudo num só.
- A Kina e eu também eram muito próximos, mas nunca o demostrávamos aos outros, só nas horas de maior aflição é que todos percebiam, quando a minha mãe morreu, ela começou a depender totalmente de mim, o nosso pai sofria demais para nos dar atenção, por isso ao atingir os 18anos sai de casa, queria que a Kina viesse comigo, mas ela disse que não e eu precisava mesmo sair daqui, estava farto disto tudo! – ele olhava em redor
- Não sei como, isto é muito bonito, era capaz de viver aqui o resto da minha vida!
- O resto, o fim talvez! Mas não queiras viver o início e a vida toda, é sossegado demais e para mim que sempre fui irrequieto, era uma autentica prisão... mas apesar disso...
- Sentes saudades?
- Claro! Eu digo que não, que nunca mais voltaria para aqui, mas muitas vezes apetece-me abandonar tudo e voltar. – pensei eu pouco, ele dizia abandonar tudo, será que eu estava incluída nisso?
- Que foi? – ele perguntou percebendo a minha reacção
Eu voltei-me de novo para o mar e andei um pouco, baixei-me molhando as mãos e sorri pensando em algo. Ele estava tão distraído que nem reparou quando eu me virei de repente e o molhei todo, ele olhou para mim em fúria.
- Que raio? Porque fizeste isso? – mesmo furioso, continuava lindo e isso ainda me fazia querer chateado mais
- Acho que precisas de um banhinho! – puxei-o e ele tentou fazer força, mas eu também fazia força
Com o tempo, nenhum de nos estava mais certo do que devia fazer, eu não sabia se queria molha-lo ou queria que ele fugisse e eu ia atrás para o molhar, ele estava com a mesma dúvida, fugir ou deixar-se molhar, eis a questão?! Ele de repente deixou de fazer força, deixando-me alcança-lo e molha-lo, claro que quem se molhou primeiro fui eu, já que me desequilibrei e cai na água, ele tentou ainda se equilibrar, mas não conseguiu, caiu bem em cima de mim, como ainda não estávamos muito longe da beira, não havia perigo de nos afundar-mos totalmente, ele estava bem em cima de mim, cada mão num ombro meu, ele sorriu e eu retribui à alegria que pairava no ar, tentei levantar-me, mas ele não deixou, voltou a fazer-me deitar na água e beijou-me, um beijo bem mais profundo do que o primeiro no quarto, eu não tive como resistir, tentei entregar-me de corpo e alma à sensação de ser beijada por quem amava, eu sentia as suas mãos agora na minha cintura e ao perceber que ele não estava de modo nenhum seguro, inverti a posição ficando em cima dele, mas sem nunca cessar o beijo, as nossas línguas brincavam uma com a outra, parecia que nos conhecíamos inteiramente, como se numa vida passada ou algo do tipo já nos tivéssemos beijado e entregado um ao outro. Finalmente interrompi o beijo, quando percebi que daqui a pouco morríamos sem ar, ele olhava para mim, apoiando agora as mãos na areia molhada pela água, ficamos algum tempo nos encarando, tentando saber o que dizer, quando eu decidi que não queria mais falar, voltei a beija-lo e ele respondeu, se levantando e ficando sentado, eu tentei acomodar-me com a posição e ele começou a acariciar-me o pescoço, descendo as mãos pelas minhas costas, quando percebi as mãos na minha cintura voltei a acabar com o beijo, sorri e levantei-me, ele ficou ali sentado, ainda a olhar para mim.
- Anda! Estás à espera do que? – perguntei, tentando espremer o cabelo com as mãos, para seca-lo
- Não sei! Já acabamos? – ele perguntou com uma cara de muito admirado
- És ainda mais perverso do que eu pensava! – respondi sorrindo
- Eu? Tu é que quiseste continuar a sessão de beijos! – respondeu ele levantando-se finalmente
- Tu não querias ir embora?! – perguntei sarcasticamente, mas em deixar de sorrir
- Há bocado! Agora estava muito bem aqui! – disse ele, aproximando-se e envolvendo-me pela cintura
- Eu esqueci-me de te dizer, mas temos um jantar hoje com o sr Pérez! – ele tentou afastar-se, mas eu não deixei, toquei-lhe no ombro suavemente descendo ligeiramente pelo seu peito, aproximei-me dele de novo
- Não te preocupes a Katrina não vai lá estar, vai ser um jantar a três, só três. – sussurrei-lhe no ouvido
Em seguida para ele se sentir mais seguro, já que até conseguia ver o medo nos seus olhos, beijei-lhe suavemente o pescoço, ele arrepiou-se e deslizou as mãos pelas minhas costas, ficando com elas na cintura, comecei andar para fora da água, já que tínhamos pouco tempo até ao jantar. Tinha de ser tudo perfeito, se o Pérez se sentisse bem connosco podíamos nem precisar de uma reunião de direcção, pois era ele que mandava, podia muito bem assinar o contracto se tudo corre-se bem esta noite.
Steven estava no hall de entrada do restaurante, tinha combinado esperar ali por Jessica, ele já tinha estado sentado num sofá até bem confortável, mas estava farto de esperar, agora ficava-se por andar de um lado para o outro, parecendo um maluco ou simplesmente alguém que estava ansioso e nervoso, estava as duas coisas, mal conseguia se controlar e acalmar.
Ele conhecia bem Pérez, Rodrigo Pérez, seu “pai adoptivo”, quando começou a trabalhar conseguiu facilmente impressionar Rodrigo com a sua maneira de pressionar os clientes a assinarem os contractos e adorava ainda mais quando ele conseguia quase duplicar o preço oferecido pelas acções vendidas, ele era um negociador nato e foi isso que causou a aproximação de ambos, em menos de um ano, Steven já estava dentro da direcção, mesmo que apenas como um accionista insignificante, a sua presença era sempre pretendida, ele sabia como agir e isso era o que Rodrigo mais gostava nele. Com o passar do tempo, Steven acabava por estar mais tempo com Rodrigo do que com o seu próprio pai, não que isso fosse importante para qualquer um dos dois, Steven tinha-se afastado de casa, só a usava para dormir e isso quando não ficava na casa de Rodrigo, ele foi acolhido pela família Pérez como um filho, foi recebido com muito carinho pela esposa de Rodrigo e até pelos filhos que se foram habituando a vê-lo quase todos os dias, recebeu mais carinho daquela família do que alguma vez seu pai lhe deu, desde a morte de sua mãe que era difícil só pensar em ter uma conversa com o pai, tanto que a única pessoa que continuava a chamar de parente era a irmã, pobre Kina, nunca quis se afastar do pai e por isso ficou limitada a Ibiza, nunca em toda a sua vida pensou em sair dali, ela era uma rapariga ingénua e cresceu sempre assim, mas foi obrigada a mudar, de certeza que conviver sozinha com o pai lhe mostrou quem ele era de verdade, Steven sempre quis sair dali o mais rápido possível e teve muita pena de não levar Kina consigo para França, um estagio fornecido por Rodrigo, para aperfeiçoar outras línguas, com o passar do tempo, falava mais inglês do que espanhol, já que os clientes normalmente eram dos países britânicos ou americanos.
- Steven? – alguém o chamou, ele estava tão pensativo que nem tentou olhar para ver quem era, estava ansioso e desesperado
“Onde raio está a Jessica?” pensava ele quando lhe tocaram no ombro, ele virou-se rapidamente e fico muito envergonhado, afinal ainda não estava pronto para aquilo
- Meu deus, estás tão diferente! O Rodrigo disse que não eras tu, mas eu tive logo a certeza! – diz uma senhora abraçando-o com força, ela tinha cabelo castanho, quase vermelho e olhos castanhos claros, a esposa de Rodrigo Pérez
- Não dizes nada? – perguntou ela ao reparar que o rapaz apenas a abraçava com força
- Tive muitas saudades da senhora! – disse Steven finalmente
- Meu deus, pareces mesmo aquele rapazinho que apareceu pela primeira vez lá em casa, envergonhado e que não conseguia olhar ninguém nos olhos, estás tão crescido, já és um homem. E que conversa é essa de senhora? – perguntou ela fingindo-se irritada, mas sorrindo
- Desculpa Helena! – diz Steven acabando com o abraço
- Não faz mal! Estás aqui a fazer o que? O Rodrigo já está lá dentro! Vamos!
- Não posso estou à espera da minha... sócia.
- Sócia?! Está bem! quando ela chegar, vem ter connosco! Gostei mesmo muito de te ver Steven! Até já!
A esposa de Rodrigo deu um sorriso e andou até à porta do restaurante, entrando em seguida, Steven suspirou e sentou-se, precisava recuperar-se do choque, as suas pernas ainda tremiam e tinha uma vontade avassaladora de chorar como uma criancinha, mas ele não era uma criança por isso aguentava as lágrimas, tinha adorado ver Helena, continuava aquela mulher amável e generosa certamente, uma mãe perfeita, Steven entristeceu-se ao pensar na sua própria mãe, ficou algum tempo olhando o chão.
Olhei em redor à procura do Steven, onde se teria metido, não estavam muito atrasados, mas... olhei para o um pequeno bar centrado perto da recepção e bem ao lado, sentado num sofá estava um rapaz de cabelos claros, como estava de cabeça baixa não se via bem se era ele, comecei a andar em direcção a ele.
Steven ia tirar o casaco, estava com muito calor, então reparou que alguém estava à sua frente, era uma mulher pelos sapatos de salto alto pretos, ele começou a subir o olhar e ficou cada vez mais admirado, Jessica estava linda, tinha um vestido comprido de alças num tom azul escuro quase preto, era justo o suficiente para se perceber o quanto era esbelta, ele ficou algum tempo apreciando a vista, até que ela se baixou um pouco e lhe deu um beijo rápido.
- Vamos? – perguntei sorrindo e ficando seria quando percebi a tristeza que ele tentava esconder respondendo ao meu sorriso
- Que se passa? – perguntei dando-lhe a mão para se levantar
Ele aceitou a minha mão e ao se levantar puxou-me para ele e beijou-me apaixonadamente, queria entregar-me totalmente ao beijo, mas não consegui, não me saia da cabeça a tristeza que ele parecia sustentar.
- Steven? Que se passa? – perguntei afastando-me um pouco, mas ele não parava de olhar para o meu vestido, aproximei-me de novo e toquei-lhe no queixo e fiz com que me encara-se
- Steven? Que aconteceu ao Stevie? – perguntou ele sorrindo e agarrando-me pela cintura
- Falamos depois, agora temos que fazer... – disse cedendo-lhe a minha mão
- Ok! Mas não garanto que depois vá haver conversa! – diz ele se levantado sozinho e andando até à porta do restaurante, eu sorri e seguiu-o, ele ao ver que eu vinha calmamente entrou, mas parou à entrada
- Já viste os Pérez? – perguntei
- Sim... preparada? – ele encarou-me sorrindo
- Sempre! – ele deu-me o braço, que aceitei e andamos em direcção às pessoas que nos esperavam
Meia hora depois, eu simplesmente queria sair dali, os Pérez até que não eram más pessoas, a sra principalmente tinha uma conversa agradável, claro que logo no início veio com uma conversa estranha, sobre como eu andava a tratar do Steven, se éramos muito íntimos, parecia mesmo conversa de mãe para futura nora. Já o sr Pérez permanecia calado, só falava quando eu me dirigia a ele e só respondia quando era sobre negócios. O Steven... nem sei bem porque ele estava ali, já que não tinha dito ainda nem uma palavra durante todo o jantar, aproveitei quando a sra Pérez teve de ir ao wc para olhar directamente para ele, e ele simplesmente desviou o olhar.
- Desculpem, mas eu tenho de perguntar se isto é suposto ser um jantar... como dizer? Isto não devia ser para discutirmos as acções que eu tenho para ceder? – perguntou o sr Pérez dirigindo-se directamente ao Steven
- Sim, deveria e por isso... eu tenho uma proposta a lhe fazer, como sabe a nossa sede empresarial é em Seattle e mesmo estando muito longe, o meu pai, desculpe... o presidente gostou bastante dos benefícios que a sua empresa poderia trazer-nos, já que estamos a tentar expandir a Adams Enterprise, mesmo não sendo ainda muito conhecida fora dos Estados Unidos, temos muita esperança nessa expansão, a nossa proposta é que fiquemos com as acções sobre o preço que foi inicialmente estipulado e poderá ficar com 10% das acções ainda em seu nome, sendo um dos sócios da Adams Enterprise... – eu olhei para o Steven, ele sorriu e eu não sabia se aquilo era bom ou mau, é verdade que o preço inicial não era mito alto, pelo menos não tanto como a última cotação que nos foi apresentada, já que assim o próprio Pérez podia negociar com o presidente os seus 10% e nem gastávamos muito credito com esta proposta, se calhar eu tinha sido muito forreta, o preço na verdade era muito baixo mesmo
- Srt Adams, a proposta na realidade não me interessa muito, eu concordei com o seu pai vender as acções apenas se pudesse ficar com 10% da cota da vossa empresa, ai tudo bem... mas o preço que a srt se dispõe a dar pelas minhas acções, tem de admitir comigo que é simplesmente uma miséria, eu coloquei esse preço por metade das acções e subi o preço depois de me convencerem numa outra proposta, de uma empresa aqui mesmo em Ibiza... – sr Pérez olhou para o Steven como se estivesse a falar dele e não com ele ou comigo - ... eu não posso ceder as minhas acções por menos de metade do preço agora estipulado, por isso, e melhor se decidirem, pois eu não vou aceitar, por muito que as condições me agradem.
A sra Pérez chegou e ao se sentar olhou para todos nós, ela percebeu o sorriso na cara do seu marido e as nossas caras de por um lado de curiosidade e decepção (simplesmente estava bem triste) e a cara de irritado do Steven.
- Rodrigo, o que lhes disseste? – perguntou ela elevando o tom suave da sua voz que até agora nos tínhamos habituado
- Este negocio é uma porcaria! Sem ofensa! – disse ele num tom infantil e ao mesmo tempo mostrando-se chateado
- Desculpem, eu falei com o sr. Croew e depois com o seu pai e concordamos em tentar negociar tudo, eu não posso dizer que tivesse concordado inicialmente, mas com as vantagens, claro que vamos aceitar a proposta... – disse-me ela
- Mas Helena... – tentou o sr Pérez rebater
- Nada! Tal como tu eu tenho de aceitar a proposta e neste momento eles já tem a minha assinatura!
- Obrigado sra Pérez! – a primeira frase que o Steven se dignou a pronunciar durante o jantar
- Acho que temos acordo, não te parece Rodrigo? – sra Pérez olhou para o marido que se levantou em seguida
- Acho que sim! Aparecem no meu escritório quando quiserem com o contracto que eu assino...
- É melhor aparecerem lá por casa, não vá ele tentar dar-vos a volta, ele é bem capaz disso, boa noite Steven e srt. Adams! – os Pérez começaram a andar em direcção à saída
Eu estava tão surpreendida, quem diria que tudo ia acabar assim? Sempre dizem que atrás de um grande homem está uma grande mulher, acho que exageraram neste casal, parece mesmo que quem manda é ela.
Olhei para o Steven que continuava a olhar para eles, ele seguia todos os movimentos do casal, que parecia discutir, já que o sr Pérez falava e fazia gestos de irritado, mas a sra Pérez ria e dava-lhe beijinhos na cara para o acalmar, o Steven sorria e olhou de repente para mim, vendo que eu estava a observa-lo.
- Que foi? – perguntou ele com uma cara seria
- Nada! Vamos? – perguntei levantando-me e sem esperar por ele saindo dali
Não me lembrei de como perguntar, a sra Pérez tinha tratado o Steven pelo nome, algo que não fez comigo, já eu não me apresentei como Jessica e sim como Adams, assim como o Steven, como ela sabia o nome dele? Achei melhor não me meter, já tinha pressionado o bastante com a irmã, era melhor dar-lhe algum tempo para ele próprio pensar em me contar.
Continuei a andar, parei em frente a um bar, na verdade não me apetecia ir para o apartamento, estar a sós com ele assustava-me, principalmente depois daquilo que tinha acontecido na praia, eu gostava mesmo dele, mas ainda não me sentia pronta para mais do que beijos e abraços, ainda não... por muito que eu quisesse, ainda não me sentia pronta para me entregar completamente.
- Eu vou beber qualquer coisa? Queres vir? – perguntei-lhe, ele olhou para dentro do bar e negou com a cabeça
- Estou cansado, vou para o apartamento, talvez dormir um pouco, encontramo-nos mais tarde ou se não amanhã... – respondeu começando a andar em direcção ao elevador
olhei para ele e pensei se tinha feito bem eu não insistir, ele parecia triste e agora não sabia se queria sequer meter-me nisso ou simplesmente consolado, tinha apenas consciência que ele estava bem triste, sentei-me numa cadeira na esplanada, as mesas em de cristal e as cadeiras de madeira, mas com uma almofada, coloquei os cotovelos na mesa e olhei para a varanda do nosso apartamento, a luz estava acesa, ele devia estar a mudar de roupa para ir dormir, será que ele estava assim tão mal, ele tinha sempre um ar tão alegre, o que mais me prendia a ele era o seu sorriso, era incrível como podia me fazer corar e derreter ao mesmo tempo, tinha vontade de o beijar e outras vezes mesmo de lhe bater, ele era irritante, mas aqueles olhos mostravam tanta doçura que era impossível resistir-lhe. Ele precisava de alguém, e no momento essa pessoa era eu, que fazia eu ali, sozinha e longe dele, preparava-me para me levantar...
- Posso sentar-me?
- Katrina? Claro! – senti-me mal de estar frente a frente com ela
- Então estás aqui sozinha? Onde está aquele gato que te fazia companhia hoje?
- O teu irmão, queres tu dizer?
- Sim... – respondeu-me ela com um sorriso que parecia melancólico
- Ele estava a sentir-se cansado, está no quarto... – olhei para a varanda do apartamento, a luz continuava acesa
- Ele contou-te que éramos irmãos?
- Sim.
- Estão deve confiar muito em ti! Já tiveram a reunião com o Rodrigo?
- Com os Pérez? Já!
- Ele cedeu as acções?
- Era sobre isso que querias falar? Cedeu sim, mais exactamente a sra Pérez!
- Claro, a Helena... ela adora o meu mano, seria incapaz de o magoar, ainda por cima em algo que parece ser tão importante para ele! Ela percebe os sentimentos dele à distância!
- Olha que não me parece que ele queira assim tanto as acções, ele não disse uma palavra durante o jantar todo.
- Eu estava a falar de ti! – corei intensamente
- Como? – perguntei fingindo que não tinha percebido
- Tu és importante para ele e para ti sim este negocio parece importante, se calhar por isso ele veio contigo!
- Não é assim tanto, eu vim um tanto obrigada...
- Pelo paizinho imagino! Sei o que é isso... só vim hoje falar com o Steven porque o pai me obrigou...
- Que quer o teu pai exactamente?
- Ele quer que eu convence o Steven a ficar, apesar dele não ter dito nada desde que foi embora, o pai ainda o quer por aqui, sente falta dele, não é a mesma coisa sem ele por aqui, a filha não pode substituir o filho querido...
- Pelo que me parece o Steven não quer ficar, ele disse que tinha saudades disto tudo, mas não... quem sou eu para dizer o quer que seja! Se calhar ele até quer ficar! – disse me apercebendo das lágrimas que a Katrina tentava segurar e no fundo, até eu começava a pensar que ele iria querer ficar
- Ele nunca vai ficar se ninguém lhe disser que ele precisa ficar! – disse ela sorrindo
- Tu não estás a pensar que eu vou falar com ele, pois não?! É que nem penses!
- Gostas assim tanto dele? Vocês tem mesmo alguma coisa, não é?
- Eu não disse que gostava nem que tínhamos nada, eu apenas não... me sinto próxima o suficiente para falar com ele sobre isso...
- Ele não pensaria duas vezes em ficar, se tu falasses com ele...
- É isso que queres? Se eu falar com ele... eu não vou falar com ele... porque eu não quero que ele fique! – levantei-me, mas a Katrina segurou-me pelo braço
- Eu não te pedi para o fazeres, eu apenas sugeri, eu própria vou tratar de o fazer ficar, desculpa se isso te magoa, mas ele é meu irmão, e é aqui que ele deve ficar... comigo, com a família dele e no ambiente que lhe familiar, que é dele!
- Eu sei que ele talvez devesse ficar mas, eu não posso deixar!
- Tu própria disseste... quem és tu para dizeres o quer que seja, e muito menos fazer... se ele quiser ficar, ele vai ficar!
A Katrina largou-me e olhou-me fixamente por algum tempo, como que tentando ver através de mim, como que tentando entender a minha alma e tudo o que estava bem escondido, na minha mente e no meu coração, senti-me estranha ao ser observada e desviei o olhar.
- Boa sorte, não desejo que tenhas azar mesmo se o levares de volta contigo, mas... ele é meu irmão, e agora que ele está de volta, eu vou fazer tudo para que ele não vá de novo para longe... desculpa!
Fiquei sozinha e por algum tempo olhei para aquela janela, seria possível que ele quisesse ficar e se quisesse? Eu poderia fazer nada para o fazer mudar de ideias? Eu sempre fugi do amor, principalmente quando me sentia presa, mas desta vez eu não quero fugir, desta vez eu vou ficar e lutar mesmo que isso acabe por me magoar, ele apesar de tudo, sente algo por mim, mesmo que seja mínimo, eu irei tentar... mas será que faço bem em voltar a separar esta família, a Katrina parece mesmo gostar do Steven, sendo irmãos, ela deve sentir ainda mais saudades dele, acho que se eu pudesse voltar a trazer o Jeff para perto de mim, para o meu lado, eu também usaria todos os truques, até aos mais baixos para o conseguir.
Não me sentia pronta para entrar naquele apartamento e dar-me de caras com ele, eu iria trair-me a mim própria e ia ainda implorar-lhe que viesse comigo, o que na verdade pode não ser o melhor para ele, mesmo que eu o ame do fundo do coração, eu não sou ninguém que consiga substituir o carinho de uma família, ele iria ficar muito melhor sem mim, de certeza...
Acabei por ir a uma discoteca que ficava perto do hotel, “Lucky day”, que nome para um dia como o de hoje, pedi uma bebida forte, queria esquecer tudo o que me atormentava, nem que fosse só por uma noite, tinha já uns três copos à minha frente, não fazia sequer a ideia de que liquido azul esverdeado era aquele, mas era tão saboroso que não conseguia pensar em mais nada não ser em beber mais, realmente eu não estava tão bêbada assim, mas estava o suficiente para me ir metendo com os rapazes que se aproximavam de mim, na maioria mais adolescentes, de 18 ou 19 anos, alguns até que eram bem giros mas nada de especial que eu nunca tivesse visto, acho que o que eu mesmo precisava era afastar-me um pouco da minha vida de rapariga certinha, que faz tudo conforme os costumes morais e as coisas imorais ficam só em pensamentos, foi quando eu vi, sem exagerar, o homem mais bonito de toda a minha vida, ele reparou de imediato que eu estava a olhar para ele e por isso aproximou-se, eu estava a tremer, que vergonha, mas tinha razoes para isso...
- Oi! Estavas a olhar para mim, certo? – disse ele, pensei no momento que devia ser um convencido qualquer, mas era mesmo lindo, impossível resistir
- Por acaso... Jessica! Como te chamas? – acho que a bebida estava a fazer-me parecer uma rapariga um tanto atrevida, mas ele parecia ter gostado da aproximação directa e sorriu
- Lee! Que fazes por aqui sozinha? Ou não estas sozinha? – perguntou olhando em redor
- Estou sozinha, sem dúvida! – comecei a observa-lo, sem dúvida que não tinha nada haver com o Steven, o Lee era ruivo, tinha o cabelo curto quase pelos ombros e olhos castanhos claros, tinha um corpo que se realçava pelas jeans e pela camisola azul escura, ele estava encostado ao balcão de lado para mim, devia estar a falar qualquer coisa, mas eu estava deveras impressionada para dizer fosse o que fosse, eu queria esquecer o Steven e ele parecia a pessoa indicada para isso
- Tu moras aqui, quer dizer em Ibiza? – perguntei interrompendo aquilo que ele dizia
- Não, estou numas mini-férias! Acho que precisava de algum descanso!
- Trabalhas em que?
- Sou lutador profissional e sócio de uma empresa de desporto. – está explicado o espectacular corpo
- Lutas bem? Muitas vitorias? Tu darias é um bom modelo! – ao perceber o que tinha acabado de dizer, corei, que vergonha, eu estou destinada a falhar, agora o Lee devia-me ver como a rapariga mais atrevida deste e dos outros mundos todos
- Algumas... vitorias! Já tentei a carreira de modelo, foi assim que fiquei sócio, de tanto desfilar, acabei sendo “promovido”! – ele sorriu, ao reparar que eu estava vermelha
- Não levei a mal, não te preocupes! – disse ele virado-se de frente para mim
- Eu acho que vou indo, já estou embriagada o suficiente por esta noite e se ficar muito tempo por aqui... – senti-me a cair, acho que estava afinal mais do que bêbada
Abri os olhos alguns minutos depois e reparei que alguém estava a segurar-me, ele estava a abraçar-me, acho que eu devia ter caído para cima dele, pois estava mesmo em cima dele, lembrei-me do Steven no momento em que o Lee começou a aproximar o rosto do meu, eu sabia que não ia sair dali nada bem, e que o mais provável era não acordar no meu apartamento, por isso afastei-me e tentei levantar-me, ele segurou-me para eu não cair de novo e ficamos alguns segundos a olhar-nos, ele apertou-me com alguma força e eu tentei afastar-me, mas ele acariciou-me a face e beijou-me, sem dúvida que não era o que eu espera, ou se calhar até esperava foi um beijo delicioso, curto, mas suave, quando ele se afastou fiquei algum tempo a pensar no que devia fazer, se correr dali para fora, mesmo sabendo que não devia ir muito longe ou simplesmente entregar-me àquela sensação.
- Acho que é melhor levar-te a casa? Não achas? – ele perguntou, tirando-me do transe
- Acho que sim! Eu estou no Club Palm Beach, sabes onde é?
- Claro, é perto da minha casa!
- Mas tu não disseste que não moravas aqui?!
- Eu tenho família aqui, quase toda, já que nasci aqui, tenho os meus pais e irmãs, mas viver, viver, vivo na Dinamarca, em Aarhus, é lá que agora tenho a minha vida...
- Dinamarca? Não sentes saudades da tua casa? Da tua família?
- Claro! Por isso estou por aqui agora, para matar as saudades! É melhor irmos!
Caminhamos até à entrada da discoteca, ele olhou para mim e disse que ia buscar o carro que estava um bocado mais à frente, e que era melhor eu ficar ali sossegada à espera dele. Olhei para onde ele ia, que fazer? Esperar? Não estava em condições de ir sozinha para o hotel, meu deus, acho que tão cedo não cedo à ideia de me esquecer de alguém!!
- Entra! – olhei para a frente, era um ferrari verde escuro lindo como o próprio dono
- Okay! – disse tentando andar, não pensei que estava tão mal assim
- Tu pareces mesmo bêbada! Estás a ter um dia tão complicado assim? – olhei para ele e sorri
- Por acaso até! Queria desanuviar, mas acho que me excedi um pouco, a minha cabeça!
- Parece que vai rebentar, não! No primeiro dia em que cheguei deparei-me com a maior discussão da minha vida entre os meus pais, fiz exactamente o mesmo que tu, com a excepção que eu não tinha ninguém para me trazer para casa!
Ele parou o carro e reparei que estávamos em frente ao hall do hotel, ele saiu e deu a volta ao carro para me abrir a porta, ele ajudou-me a sair e segurou-me pela cintura, fiquei algum tempo a senti-lo perto a mim, não conseguia entender como era possível, eu estar com um homem daqueles a segurar-me e não conseguir esquecer o Steven, os olhos verdes e o cabelo claro. Parecia enfeitiçado, como podia acontecer tal coisa comigo, como um gato daqueles que tinha acabado de me beijar, estava ali comigo e ou não conseguia esquecer o Steven, alguém que eu devia deixar ali naquele lugar que era para mim, um paraíso mas apenas que me servia como lugar para férias.
Estávamos na porta do meu apartamento, seria terrível se o Steven o visse, apesar do facto de que ele já devia estar a dormir à umas boas horas, mas mesmo assim, o melhor era nos despedirmos.
- Obrigado por me teres trazido, sem ti eu não seria capaz de chegar até aqui!
- Acho que tens razão! – ele riu e aproximando-se deu-me um beijo na testa
- Vemo-nos novamente, certo? – perguntou desta vez com uma cara seria
- Claro, já sabes onde estou por isso é só apareceres, eu divido este apartamento com... um amigo.
- Ai é? Só amigo?
- Bem... mais ou menos! Eu só quis avisar! Desculpa não ter dito nada antes!
- Não faz mal! Eu só não te beijo, porque sei que amanhã não vais acordar nada satisfeita com isso, vais estar bem mal por ter tido seja o que for comigo! Até amanhã, quem sabe! – ele afastou-se, fiquei algum tempo encostada à porta a tentar pensar no que fazer, sem saber porque estava com um mau pressentimento
Abri a porta devagar e entrei na sala, dei alguns passos e deixei-me cair no sofá, estava cansada e a minha cabeça doía imenso, parecia mesmo que ia explodir! Ao cair reparei que estava alguém ali deitado, ao virar-me fiquei de frente para ele. O Steven estava a olhar para mim, parecia por um lado chateado mas por outro contente, eu tinha à muito deixado de compreender aquele olhar que mostrava ternura e ao mesmo tempo decepção, era sempre assim, mas agora havia mais alguma emoção que parecia querer domina-lo, tentei levantar-me, mas ele não deixou, abraçando-me fiquei em cima dele de uma maneira um tanto constrangedora, ele pareceu reparar que eu estava confusa e começou a largar-me, eu tentei levantar-me, mas acabei caindo novamente em cima dele desta vez de costas, ele colocou as mãos na minha cintura e fez-me virar novamente lentamente.
- Andaste a beber? Não parece coisa da Jessica Adams, que quase não se diverte, parece que o ar de Ibiza tem um enorme poder sobre ti. – disse ele passando a mão de leve pela minha face
- Tu tens um poder enorme sobre mim... – disse sem nem sequer pensar
- Isso é bom, certo? – ele perguntou beijando-me
Aceitei o beijo, mas de certo modo senti-me triste, mesmo sem intenção tinha acabado de o trair, nós não tínhamos nenhuma relação em particular, pelo menos ainda não tínhamos nada oficial, mas sentia-me como se tivesse dado uma parte de mim àquele ruivo uma parte que pertencia apenas ao Steven, tinha sido apenas um beijo, mas poderia ter sido mais, se o Lee fosse um tarado, se ele quisesse eu teria até me dado a ele sem pensar, já que na realidade foi isso que eu fui procurar ali, eu procurava alguém me fizesse esquecer o Steven, se o Lee tivesse me levado para casa dele em vez de me trazer para aqui, eu tinha ficado com ele sem pensar duas vezes, ele era lindo, totalmente irresistível, uma atracção fatal caiu sobre nós, tal como eu me senti atraída por ele, ele sentiu o mesmo por mim, por isso eu sei que o que eu sinto pelo Steven, pelo meu Stevie é algo muito superior, é algo incomum, algo forte que está no meu coração, sem pensar muito eu consigo perceber que me apaixonei sem nem perceber como e este é um amor tão forte ao qual eu não consigo e nem quero resistir.
- Acho melhor te levar para o quarto... – o Steven sentou-se no sofá comigo no colo e levantou-se, senti-me extremamente confortável, parecia que estava no melhor lugar no mundo, como se aqueles braços estivessem destinados a mim e só a mim
- Como te apaixonaste por mim? – perguntei
- Como? – ele ficou meio atrapalhado, deitou-me na minha cama e ajoelhou-se no chão ao lado
- Quando começaste a gostar de mim, como?
- Porque o interesse? – ele perguntou com o tipo de sorriso designado a derreter-me
- Curiosidade!
- Acho que foi quando, percebi que eras dura de roer, e principalmente fiquei interessado quando não tentas-te negociar o contracto em paris comigo, pelo contrário fugiste, não entendi e por isso comecei a pensar em ti...
- Porque gostas de mim?
- Quem disse que eu gosto de ti?
- Se não gostas... porque és assim comigo?
- Assim como? Eu não sou muito diferente do que sou com as outras pessoas!
- Andas por ai a beijar as tuas amigas e amigos?! Voltas ao teu lugar de origem com qualquer um?! Contas a qualquer um que tens uma irmã e a tua vida desde que saíste de casa e começaste a trabalhar a sério?!
- Nem por isso!
- Então... o que sentes na verdade por mim?
- Só mesmo assim para me perguntares isto tudo!
- Tenho de aproveitar, mesmo que não me lembre nada amanhã!
- Não te preocupes, eu vou lembrar-me!
- Ok! Vou dormir... tenho sono!
- Eu amo-te...
- O que?
- Perguntaste-me o que eu sentia por ti, lembras-te?
- É isso que sentes por mim?!
- Não achas o suficiente?
- Serias capaz de me deixar? Eras capaz de ficar aqui?
- A Kina teve a falar contigo.
- Talvez... porque?
- Dorme! Amanhã vais ter uma ressaca tão grande que vais-te arrepender por teres bebido e sei lá fazer mais o que?
- Que fiz eu mais?
- Eu ouvi a voz de mais alguém no corredor antes de entrares... era uma voz masculina!
- Ele era um amigo! Um anjo que me ajudou a vir para casa! Para... ti! – sussurrei a última parte, mas tive a certeza que ele a ouviu já que vi o seu mais lindo sorriso, adormeci e mesmo assim tive a certeza que o Steven ficou comigo o resto da noite, mesmo a dormir senti-me muito bem, segura e tive um sonho maravilhoso
Capítulo6
Cupido
Abri os olhos e tentei levantar-me, mas a dor de cabeça era forte demais, sem saber exactamente porque comecei a chorar, relembrei de todas as coisas que fiz na noite anterior, apesar de preferir que isso não acontecesse foi algo bom pois recebi o melhor presente que podia nesta maldita noite: o “amo-te” do Steven, ainda meio envergonhada pela conversa que tinha tido com ele, levantei-me e fui até à cómoda, onde eu sabia ter alguns medicamentos, que sorte da Emma me lembrar de trazer aspirinas, foi até à cozinha e tomei o maravilhoso remédio que em pouco tempo me iria aliviar, tinha vontade de voltar para o quarto e dormir o resto do dia, mas tal não fiz, andei até à porta do quarto do meu companheiro de apartamento, ia bater à porta quando reparei que ela estava encostada, espreitei e vi duas pessoas sentadas na cama, o Steven era quem estava de frente para mim encostado a algumas almofadas, de costas para mim estava uma rapariga loira, pensei de onde eu conhecia aquele cabelo claro e lembrei-me ao olhar de novo para o Steven, deveria ser a Katrina...
- Então vais ficar?
- Não tenho ainda certeza, eu ontem disse-te que ia pensar e na verdade não tive muito tempo para isso...
- Kina, acho que tens de me dar mais algum tempo para pensar!
- Todo o tempo do mundo... se bem que... se te decidires a ficar, tens de escolher com quem...
- Os Pérez não parecem interessados em me acolher de novo...
- Basta dizeres que vais ficar, que saberás que eles continuam a querer-te e tu... que queres?
- Eu gostaria muito de voltar para a família, mas não sei se isso é o ideal. O pai deve estar bem zangado comigo.
- Se falares com ele, ele vai até abraçar-te, ele não diz, mas eu sei que tem muitas saudades tuas, tal como eu! – a rapariga salta para os braços do Steven e abraça-o com todas as forças, parecia querer ter a certeza que ele estava ali
- Que vais dizer à tua namorada? – perguntou ela, pairou durante algum tempo um silêncio infernal
- Não sei...
- As acções já estão em nome da empresa do pai dela, ela deve ir embora ainda hoje ou amanha...
- Esse é o problema, não sei se quero...
- Que ela vá ou não sabes se queres ficar?!
- Eu quero ficar, mas também não quero deixa-la ir... – ele afasta a Katrina, e ela sentou-se direita a olha-lo
- Tu estás diferente, muito diferente... não pareces aquele rapazinho que cuidava de mim...
- Tu também estás diferente, mais madura e mais bonita!
- Tu então! Acho que tens de falar com ela, ela não vai gostar de ser a última a saber que vais ficar por aqui.
- Tens razão, mas tenho medo...
- Do que? De não teres coragem para ficar?
- Sim... acho que não estou pronto para ficar... – ele cala-se olhando para a irmã
- ... longe dela?! Acho que tens de falar com ela e depois logo se vé. – diz ela completando
Pensei no que falar, interromper a conversa e dizer que não queria que ele me deixasse, ele não me respondeu ontem, quando eu lhe perguntei se ele era capaz de me deixar, ele já planeava em ficar em Ibiza e mesmo assim, ele teve coragem para dizer que gostava de mim... que faço? Jessica anda de costa até ir contra o sofá no centro da sala e então, correu para o seu quarto, trancando-se, ele caiu na cama e chorou todas as lágrimas que tentava segurar à tanto tempo.
- Jessie? Vais ficar ai o diz todo? – perguntou Steven do outro lado da porta
- Estás bem? não dizes nada?! – ergui-me ficando de frente para a porta, sentada na beira da cama, baixei a cabeça e tive vontade de abrir a porta e esmurrar aquele homem que sem querer tinha me encantado e feito prisioneiro até o meu coração
- Jessie! Estás ai, já agora? Que se passa? – perguntou ele batendo na porta
- Se não responderes, eu mando esta porta abaixo! Diz qualquer coisa... – ele murmurou a última frase num tom suave que misturava tristeza e dor, levantei-me e abri a porta, ficando a olhar para ele, encarando-o
- Estás bem? – ele perguntou aproximando-se para me abraçar
- Não me toques! – disse com alguma dificuldade, baixando a cabeça
- Que se passa?
- Vais deixar-me! – levantei a cabeça olhando fixamente aqueles olhos verdes que tentavam me persuadir de toda a raiva que eu colocava nas minhas palavras e percebi que uma lágrima descia pela minha face
- Tu não gostas de mim, se gostasses não me abandonavas! – gritei chorando e naquelas lágrimas inclui toda a minha tristeza por o perder e por ter a certeza que ele nunca seria totalmente meu, ele olhava-me surpreendido
- Não vais dizer nada... tu vais ficar, não é mesmo? Tu...
- Eu vou ficar com a minha família, foste tu que me fizeste dizer que sim, sabes?!
- O que? Agora a culpa é minha?
- Quando me fizeste entender todo o sofrimento que eu tinha causado à minha irmã por a ter deixado, achei melhor não o fazer novamente, ela teve muitas saudades minhas e eu dela, eu voltei por ela, mesmo sem saber...
- Eu pensei... esquece! – fechei-me de novo no quarto e corri até ao armário pegando toda a roupa e mandando-a meio sem jeito para perto da mala que estava de baixo da cama, eu comecei a esvaziar gavetas e mesmo a chorar, nada me fazia parar
Estava deprimida e só quando reparei que a mala já estava pronta é que percebi o que eu me preparava para deixar para trás, eu abandonava-o da mesmo maneira que ele me tinha abandonado, ele tinha decidido ficar onde tinha nascido, onde tinha a sua família, todos aqueles que ele conhecia e que ele sabia que o amavam, mas e eu? Será que ele não pensou o quanto ia me magoar ao permanecer aqui? Deixei-me cair no chão, novamente a chorar, nunca pensei que tivesse tantas lágrimas para chorar, nunca pensei que ele fosse tão importante para mim, para a minha vida. Peguei o telemóvel que estava em cima da mesa de cabeceira e digitei um numero que eu conhecia muito bem.
- Sim?! – perguntou a voz do outro lado
- Emma? Eu volto hoje! Podias pedir ao George para ir-me esperar ao aeroporto, não me sinto nada bem! – tentei manter a minha voz calma para não alarmar, mas ela saiu bem pior do que estava antes
- Estás a chorar... que aconteceu? Eu digo não te preocupes!
- Eu vou... voltar... ele vai ficar aqui...
- Quem vai... o Steven? Ele vai ficar ai? Porque?
- É o lugar que ele pode chamar de casa, é normal ele querer ficar, não é?
- Jessie... tenta acalmar-te, eu própria vou esperar-te ao aeroporto. A que horas chegas?
- Acho que tenho um avião às 16horas, tenho ainda de marcar, mas não deve haver problema...
- Queres que eu reserve a partir daqui? Será mais eficaz!
- Obrigado...
- Tu apaixonaste-te mesmo por ele? Eu sabia que tu...
- Acho melhor falarmos depois... obrigado Emma, mas ainda não quero falar sobre isso... só quero que esteja alguém à minha espera, para eu não ficar sozinha, eu não quero ficar sozinha...
- Eu estarei lá! Não te preocupes e tenta acalmar-te... okay?
- Obrigado, minha amiga! – desliguei sabendo que tinha deixado a Emma preocupada, mas foi melhor assim
Encostei-me a porta do quarto tentando perceber se ele estava na sala, ouvia o barulho da tv por isso, ele deveria estar à minha espera, de certeza que queria tentar piorar tudo, eu não podia permitir isso. abri a porta e enfrentei o olhar dele, ele estava de joelhos em cima do sofá de frente para mim, ele levantou-se, mas antes que ele tivesse perto o suficiente para me fazer chorar de novo, agarrei a mala de viagem e andei até à porta, estava tudo terminado, não estava? Tentei pensar no que dizer como despedida... será que um simples “adeus!” ia resultar de alguma maneira? Ou era melhor um “até qualquer dia!”, que dizer quando estamos a deixar o grande amor da nossa vida?
- Acho que acabou, não é Steven? – mesmo de costas para ele, tentei sorrir
- Só se tu quiseres... – ele respondeu, senti que ele estava mais próximo do que eu pensava
- Tu vais ficar e eu não posso ficar aqui! O meu lugar não é aqui... mas acho que tens razão para ficar por aqui, isto é o teu lugar ideal, mesmo sem saberes pensaste muitas vezes em voltar, mas tive de aparecer eu para tu voltares mesmo... e decidires-te a ficar! Tens de me agradecer!
- Obrigado...
A sua voz soou de uma maneira que me partiu o coração, tive uma vontade de me virar e correr para os braços daquele homem, que conseguiu me fazer sentir segura, pelo menos uma vez na minha vida, aquele homem que apesar de não parecer, eu sabia que me amava, que estava-lhe a custar tanto a ele ficar ali, como a mim ir embora. Eu continuei na mesma posição, andei até à porta e com algum sacrifico, olhei para trás e sorri, dei o meu melhor sorriso para que ele não se sentisse mal por querer ficar, o sorriso que mais escondia melancolia, abri a porta de entrada e sem dizer mais nada caminhei até ao elevador, tinha vontade de chorar, mas agora não ia fazer isso, ele queria ficar e eu queria abandonar aquele lugar... que me tinha roubado aquilo que eu mais quis em toda a minha vida, aquele que eu mais amei, nunca pensei ser capaz de amar tanto alguém na vida.
Estava no aeroporto de Seattle, tinha sido uma viagem difícil, já que o tinha deixado para trás, mas era assim que tudo devia ser, se não estávamos destinados, não podia ser eu ou mesmo ele, a mudar isso. Vi de longe a Emma, ela sorria como sempre, então tentei mostrar que estava feliz por estar de volta, abracei-a e nem pensei duas vezes antes de me desmanchar a chorar nos seus braços, a minha melhor amiga, que me conhecia melhor do que ninguém, aquela pessoa que esteve sempre presente, poderia não estar para sempre, mas enquanto estivesse eu sabia que tinha ali uma “irmã”, a minha querida amiga, que não pensava duas vezes antes de me deixar chorar no seu ombro e mesmo sabendo que no momento não podia fazer nada por mim, ela tentava mostrar-me que eu não devia ficar assim.
- A viagem foi boa? – perguntou ela tentando me animar com alguma conversa
- Ibiza é lindo, as praias são paradisíacas, as águas calmas e de um verde profundo “como os olhos do Steven...” pensei para mim, o céu azul e limpo, capaz de animar cada um... foi um sonho! – eu sorri de uma maneira que fez a Emma perceber o quanto me estava a custar estar ali, longe de tudo aquilo e principalmente do Steven
- Espero que um dia me leves lá contigo! – a Emma abraçou-me e começamos a andar até à saída
Mesmo estando longe do amor da minha vida, eu ia melhor, mais cedo ou mais tarde eu ia esquecer e talvez ai, eu teria uma razão para sorrir, como sempre sorri, um sorriso alegre, cheio de felicidade, mas por agora... isso era uma coisa que eu não podia prometer a ninguém... nem mesmo a mim, quanto mais às pessoas à minha volta.
§º§ Uns Dias Depois §º§
Estava no meu escritório, não conseguia me concentrar, tinham passado três dias desde que tinha largado o Steven em Ibiza, bem... eu não o tinha largado, ele tinha escolhido ficar, eu apenas tinha apressado a minha partida. Ainda não tinha conseguido esquecer o Steven e por conseguinte os meus sentimentos continuavam a fazer-me sofrer, havia alturas em que sem perceber chorava, muitas vezes era apanhada por alguma secretária ou mesmo alguns clientes que vinham ter comigo sem marcação, apesar de todo o trabalho com que andava a ser pressionada nada me fazia esquecer os olhos verdes e o cabelo claro do meu amor, então por fim decidi que devia começar a sair de novo. A Claire foi a primeira a tentar arranjar-me namorado, ela conhecia muitos rapazes que fariam tudo para ter uma chance comigo e eu como queria apenas passar um bom bocado, acabei por cair nas garras dela, tentou vestir-me mais provocadoramente e assim teria mais chances de engatar só com um olhar, mas ainda assim não consegui entender, o objectivo era encontrar alguém para sair comigo que me ajudasse a esquecer o Steven, eu não queria alguém que tentasse o substituir, eu não estava pronta para uma nova relação falhada, muito positiva, certo?!
O Mark foi o primeiro e o último a ter a sua chance já que tínhamos saído umas quantas vezes, não foi o encontro ideal mas foi divertido, tanto quanto eu me lembrava de todos os encontros que já tínhamos tido, quando cheguei a casa nessa noite tive a certeza que ia sofrer o resto da minha vida, comecei a chorar e a chamar pelo Steven, eu amava-o demais.
Durante a semana seguinte consegui escapar à Claire e por isso não tive mais nenhum encontro, acabei por voltar ao bar de sempre acompanhada pela Emma e a Michelle, o clube parecia cada vez mais concorrido e os homens que por ali andavam eram sem dúvida quase todos solteiros, a maioria acabava a noite dançando com uma completa desconhecida, com excepção a nos três já que eu e a Emma gostávamos de ultimamente rirmo-nos da cara dos que tentavam convencer-nos a dançar e a Michelle ficava-se pelo Jack, acabou por conseguir conquistar o jovem empresário, que se rendeu depois de alguns encontros, todas estamos felizes por ela, mas mesmo isso não me conseguia animar.
Naquela noite foi diferente, eu senti que algo ia mudar, parecia que tudo estava a meu favor, vesti um dos meus poucos vestidos provocantes, um dos que a Claire dizia que conseguia levar qualquer um ao completo desespero, pelo joelho azul claro e de alças com alguns símbolos japoneses e com uma aberturas de cada lado. Deixei o cabelo solto e tentei ao máximo maquilhar-me em tons claros como o branco e cinzento, a própria professora, como eu chamava à Claire disse que eu ia arrasa-la.
Entrei no bar “Cat’s Alley”, pareceu-me até o nome indicado, já que eu adoro gatos, e não falo apenas de animais, as minhas amigas acompanharam-me, todas com cores escuras, eu era a que tinha o vestido mais claro, os meus cabelos pretos contrastavam com o vestido. Fomos até ao balcão e ao aproximar-me reparei num ruivo que estava de frente para mim, apoiando as mãos no balcão, ele sorriu quando me viu e eu quase tive um ataque cardíaco, como fui-me esquecer, nem me lembre de me despedir do meu anjo salvador, as minhas amigas foram todas sentar-se no balcão perto do barman e eu desviei-me para me aproximar do meu ruivo.
- Lee, não é? Que coincidência! – disse dando-lhe um beijo no rosto
- Exacto... do teu nome é que não me lembro! – ele sorriu e piscou o olho, mostrando que estava a brincar
- Tu lembras-te mesmo? Como eu me chamo? – perguntei sentando-me ao lado dele
- Kelly? – eu disse que não – Marian? – eu neguei com a cabeça – Estou a brincar...
- Tu não te lembras de mim!!
- Claro que sim... Jessica! – eu sorri e dei-lhe outro beijo olhando para onde as minhas amigas estavam
- Que foi? – perguntou ele
- Eu vim com umas amigas... não te importas se eu for num instante ter com elas...
- Podes! Eu espero por ti!
- Ok! Até já!
Fui até elas, contente, era o primeiro sorriso sincero que se via desde que tinha chegado da minha última viagem.
- Quem é aquele ruivo com quem estavas a falar? – pergunta a Claire
- É um amigo, conheci-o em Ibiza... – voltei-me e olhei para ele
- Ai é? Como é que ele se chama? – pergunta a Michelle
- Porque?
- Pode ser que eu o conheça...
- Lee... não me lembro do sobrenome...
- Lee?! Ele faz o que? – pergunta a Emma
- É lutador profissional e sócio de uma empresa desportiva!
- Bom! Ele é lindo, tens de apresentar aqui às amigas! – disse a Anne a rir
- Eu vou lá ter com ele, só vim avisar que estou ali com ele, até depois! – sorri e voltei para perto do Lee
- Ela tem cada amigo! – disse a Claire, sorrindo – É bem giro!
- Eu cá fico preocupada! Nem sabe o sobrenome dele! Lutador profissional... – Emma parecia desconfiada
- Que coisa... ela disse que não se lembrava! E eu cá acho um máximo um lutador e ao mesmo tempo sócio de uma empresa, deve ser um executivo bem moderno! – disse a Michelle reparando que a Emma estava muito preocupada
- Ela não disse que o conheceu em Ibiza?! Ela não te disse nada sobre ele? – perguntou a Anne à Emma
- Nem pensar! Por isso estou preocupada!
- Vocês preocupam-se demais! Ela parece bem e alegre, talvez ele a faça esquecer o Thomas por algum tempo! – diz a Claire indo dançar para a pista central
- Acho que ela tem razão se ele fosse perigoso ou algo do tipo, ela não se mostrava tão amiga dele... não a Jessie! – disse a Anne bebendo um gole do seu gin tonic
- Talvez tenham razão, mas também posso preocupar-me ou não?! Nem que seja como amiga... e eu tenho a certeza que o conheço de algum lado! – disse Emma
- Acho que estás a exagerar! Se pertence-se à lista dos 10 procurados pela policia, não eras a única a reparar nele! – diz a Michelle a rir e a falar algo com o barman
Enquanto as minhas amigas mais animadas estavam certamente a pensar em quem seria o meu acompanhante eu estava a aproveitar a sua companhia, já tinha descoberto que ele estava ali para se encontrar com um cliente de uma das empresas do pai, ele parecia bem aborrecido com isso, disse que só estava feliz por ter vindo, por me ter encontrado.
- Como é que se chama o teu cliente? – perguntei para quebrar o gelo
- Acho que é Croew, Brian Croew. – respondeu ele sempre sorrindo
- Brian?! Eu conheço... como é que é mesmo o teu apelido? – sei saber porque estava com um mau pressentimento de repente
- Pérez! Porque? – aquilo pareceu me afectar como uma pedra, então ele era...
- És filho do Rodrigo e da Helena Pérez?
- Sim... como é que sabes?
- Eu sou a vice presidente da empresa que a que o teu pai cedeu acções... o Brian é meu assistente.
- Ai é? Que coincidência! Mas então porque encontrar-me com ele e não contigo?
- Boa pergunta... bem, ele deve estar a chegar e... desculpa mas eu vou indo, não quero encontrar-me com ele.
- Porque?
- Nada de especial, apenas não quero! Adorei reencontrar-te... – tirei um cartão da minha mala e entreguei-lhe – Este é o meu cartão profissional, mas também tem o meu nr de telemóvel e de casa, caso te lembres de mim um dia destes...
- Não vou te esquecer, acredita! Adorei também encontrar-te, não estava mesmo à espera... adeus!
Sem eu esperar e nem ter tempo de reagir, ele beijou-me na boca, de início quis resistir e afasta-lo, mas de novo aquele ruivo deixou-me sem reacção, ele era lindo e acima de tudo, tinha algo de especial. Quando ele se afastou de mim, ficou algum tempo a encarar-me, talvez esperasse que eu dissesse alguma coisa mas nada me veio à cabeça, ele sorriu e eu retribui ao sorriso com um beijo suave e simples, podia não ser bem o que ele queria, mas no momento eu queria apenas sair dali, para bem longe dele e principalmente do Brian que deveria aparecer a qualquer momento, disse adeus e voltei para junto das minhas amigas, que estavam de boca aberta de tão admiradas.
- Que foi? – perguntei envergonhada
- Tu... sua marota!! Como é que... com que então!! Tu e o ruivo! – disse a Claire
- Não é anda do que estão a pensar! Foi um beijo de despedida!
- Pois... está bem! – disse a Michelle a rir
- Foi!
- O teu ou o dele? – perguntou a Anne sorrindo de maneira a provocar
- Ele beijou-me sem eu estar à espera, ao ir embora não ficava bem despedir-me com um abraço ou u beijo na cara... – eu corei intensamente, a verdade é que nem eu sabia porque me tinha despedido dele de uma maneira tão intima
- Ele é bem giro! – disse a Claire que olhava para ele – Agora está acompanhado, por... aquele não é o Brian?!
Quando ela disse aquilo, só tive tempo de me esconder atrás da Emma, que até agora estava admirada comigo, e ainda não tinha sequer tido tempo para assimilar tudo o que tinha acontecido entre mim e o Lee. Olhei de lado para eles e percebi que era mesmo o Brian, eles falavam animadamente o que me levou a dizer que queria ir embora, todas concordaram e uma hora depois estava cada uma na sua casa.
Entrei na sala e reparei que tinha uma mensagem, aproximei-me do gravador de chamadas e carreguei no play, esperei um pouco e a minha tristeza voltou, de repente voltei a lembrar-me de todas as razoes para andar tão deprimida ultimamente, foi ali que tudo tinha começado, tentei conter as lágrimas, mas uma conseguiu escapar, deixando um rasto molhado pelo meu rosto.
- Jessie, aqui é o George, como de costume com uma missão! Até parece que és uma agente secreta, não é?! Bem... o teu próximo destino é França, Paris para ser mais exacto, sei que neste momento não é o que esperavas, mas não dava para esperar! Tens um avião para apanhar amanhã às 9horas e 15minutos, vou ter contigo ao aeroporto às 8horas para te dar os contractos a assinar e as fichas de quem vais ter de encontrar, espero que não te atrases. Desta vez não vais ter de ficar muito tempo, não te preocupes! Até amanha! – depois de ouvir a mensagem apaguei-a
Sentei-me no sofá e pensei durante algum tempo porque aquele mau pressentimento continuava, tinha o sentido quando o Lee me disse o sobrenome, não era nada de especial, ele era filho dos Pérez, na realidade lembrei-me do Steven, a sra Pérez parecia ter um grande carinho por ele e sendo o Lee filho dela, ele também deveria dar-se bem com ele... mesmo não estando destinada ao Steven parecia que tudo me levava até ele, por mais estranhos que fossem os caminhos que eu percorria, a verdade era essa.
§º§ Dia Seguinte §º§
Desta vez não fiz mala, o George tinha dito que não ia ficar muito tempo e era isso que eu pretendia, já tinha escolhido o que levar vestido na noite anterior, uns jeans claros e uma t-shirt branca com um desenho de um coração em azul, vesti-me rapidamente, poderia não ser o ideal para levar mas estava farta de me vestir como uma executiva quando no fundo eu não era mais do que uma rapariga de 24anos, calcei uns tennis a combinar com o estilo de roupa, prendi os cabelos num rabo de cavalo e vesti um casaco azul claro curto, fui até à sala a correr, peguei as chaves do carro e coloquei-as dentro da mala de ganga que eu ia levar, quem me visse agora nunca diria que eu não era mais do que uma adolescente, ninguém acreditaria que eu tinha um cargo de vice presidente de uma empresa importante, sai sem nem trancar a porta, apenas a fechei.
Cheguei em meia hora ao aeroporto, já estava farta de viajar, algo que eu sempre tinha adorado fazer, agora parecia não ter nenhum propósito, parecia que de repente nada mais me divertia.
- Jessica? Jessica Adams? – perguntou o George ao ver-me chegar
- Ya! – disse para o chatear
- Que aconteceu contigo? Disseram-me que estavas deprimida não que estavas em busca de ti própria! – ele segurou-me pelo braço e olhou seriamente para mim
- Tu vais à reunião assim? Claro que tu ficas bem de qualquer maneira, mas isto é um exagero!
- Calma amigo! Eu vou comprar qualquer coisa lá, não me apetecia levar nada curto e não achei que tinha nada para uma viagem a Paris de momento, pegaste-me de surpresa! – sorri
- Tu estás maluca?! Só podes! Tu é que sabes! Toma! – ele deu-me uma pasta com alguns papeis, ele olhava-me de cima a baixo, cheguei a ficar incomodada, é verdade que não era bem o que se esperava, mas...
- George eu vou agora! Xau! – dei-lhe um abraço e corri para a fila do check-in
Podia não estar bem vestida, mas eu queria mesmo era causar má impressão, apetecia-me desaparecer da face da terra, não ir a mais lado nenhum, apenas queria divertir-me com um certo ruivo, de momento parecia que o Lee tinha-me tocado fundo, pois não me sai da cabeça, estava tão distraída que nem reparei quando alguém se aproximou por trás e me tapou os olhos, o meu coração saltou, batendo num ritmo acelerado, aquele perfume era me conhecido, mas a voz...
- Adivinha quem é? – perguntou com uma voz sensual bem perto ao meu ouvido
- Lee?! – ele largou-me e voltou-me para ele
- Sim! Que fazes aqui? – perguntou ele bastante surpreendido
- Vou tratar de um contracto em Paris. E tu? – eu sorri e tentei concentrar-me na pessoa que estava à minha frente
- Eu vou voltar para a Dinamarca! Já tratei de tudo por aqui!
- Pois... então boa viagem!
- Desejo-te o mesmo... – Virei-me para ver se estavam muitas pessoas à minha frente no check-in
- Já sei que conheces o meu irmão. – ele disse
- Teu irmão?! Não sei! Como se chama? – perguntei sem prestar muita atenção, tinha a certeza que não conhecia nenhum dos filhos dos Pérez
- O Steven, sei que se conheceram, não me lembro bem onde, mas ele falou-me de ti!
- Steven?! Ele é teu... irmão?
- Adoptivo... sim! Acho que ele também esta em Paris agora! – ele sorriu de uma maneira que me deixou embaraçada
- Não sabia... – respondi sinceramente entendendo agora de onde vinha o tal mau pressentimento
- Vocês são capazes de se encontrar por lá! Aproveita! – ele acariciou-me a face e beijou-me de leve
- Aproveitar o que? – perguntei para ter a certeza que ele falava do Steven
- A viagem... de que achas que eu estava a falar?! – ele acenou e desapareceu no meio da multidão
Epilogo
Tinha chegado a Paris à pelo menos 2horas, dei uma pequena volta pela cidade e acabei por fazer algumas compras, mesmo sem ter a certeza que ia me encontrar de novo com o Steven, o misterioso Mr. Thomas, algo me dizia que era melhor estar já preparada para tudo o que pudesse acontecer.
Estava planeado ficar ali no máximo dois dias e isso eu ia cumprir, marquei um almoço com o presidente da “Aujourd’hui”, o almoço foi passado principalmente a dormir, já que o homem não se calava e ainda por cima não falava nada de especial, mas acabei por ganhar algo ao ouvi-lo falar da sua miserável vida, ele disse que me dava o contracto assinado pelos outros accionistas no dia seguinte à mesma hora.
Achei estranho, aquela tinha sido a missão mais fácil a que já tinham-me concedido. Despedi-me do sr e fui para o meu quarto, ao entrar, tinha uma rosa em cima da cama, estremeci ao vê-la. Aquilo parecia mesmo coisa do Steven, andei calmamente até ela e ao pegar nela reparei num envelope que estava debaixo, cheirei a rosa e lembrei-me das primeiras flores que recebi do Mr. Thomas, ele tinha se esquecido do nosso jantar e então mandou-me rosas vermelhas e amarelas, peguei no envelope...
“Espero-te às 21horas na entrada... juro que desta vez não falto!”
Apesar de não estar assinado, eu sabia muito bem de quem era aquilo, sentei-me na cama e chorei durante algum tempo, parecia que tudo voltava ao início, tudo parecia determinado àquele jantar, ao jantar a que ele tinha faltado, eu comecei a acalmar-me e pensei no que deveria fazer, o normal seria levar aquilo como uma brincadeira, talvez um jogo, mas isso era impossível, pois eu estava apaixonada e não queria me magoar de novo. Deveria fugir?
§º§ 21horas §º§
Lá estava eu de novo feito uma tonta, vestia um vestido azul escuro com desenhos de rosas negras, trazia um xaile negro que se misturava com o meu cabelo que estava solto como era costume, trazia na mão a rosa vermelha que ele me tinha deixado à hora do almoço no quarto. Estava muito nervosa, parecia que tudo se repetia, podia estar diferente, os meus sentimentos e eu tínhamos mudado desde aquela noite em que ele me tinha deixado plantada. Esperei 20minutos, acabei sentada nas escadas do hall, não sabia o que fazer, queria chorar, mas as lágrimas pareciam já ter secado, o meu coração sangrava, sem eu saber que não era só agora, naquela mesma noite eu tinha sentido-me assim, exactamente os mesmos sentimentos, raiva, decepção e por fim... amor, acho que por muito que eu sonhe, nunca nos encontraremos... eu e o Steven não estamos prontos para nos contrapormos com o nosso próprio destino! Tudo parecia desde o início pronto para falhar.
“As lágrimas finalmente atingiram os meus olhos...” pensei sentindo o meu rosto molhado, só ai percebi que chovia, mas eu como teimosa e burra continuava ali, à chuva à espera do príncipe encantado que não iria aparecer a horas para o baile
Deixei que a chuva me lava-se a alma e com ela levasse a minha raiva e se conseguisse que levasse também todos os sentimentos que eu tinha tão profundos em mim, quem me dera poder com uma chave abrir o meu coração e tirar o nome Steven Thomas do meu coração, de certeza que assim eu era capaz de ser feliz mesmo que por apenas umas horas... já que eu iria após isso sentir um tremendo vazio em mim, o Steven era tudo o que eu tinha pedido num homem, amoroso e sincero, bonito, uns olhos verdes e um sorriso que conseguia derreter o mais gelado coração, mas existia a possibilidade de eu não ser o que ele queria, de eu não ser aquilo que ele tinha previsto numa rapariga, se calhar achou-me bonitinha, mas os sentimentos... ele disse uma vez o famoso “amo-te”, mas parece que a sinceridade dele não lhe chegou ao coração, ele não deixaria a amada à chuva, não a deixaria a chorar, não a deixaria nunca. A chuva continuava a cair juntando-se às minhas lágrimas, eu pensava em tudo o que tinha acontecido desde que tinha ouvido pela primeira vez aquele nome, o nome que tinha mudado a minha vida e tudo em mim, o nome que tinha entrado em mim e não tinha e nunca iria sair...
- Jessie... desculpa! – ao ouvir aquela voz pensei ser um produto da minha imaginação, só podia ser, mas mesmo assim ergui o rosto e encarei aqueles olhos verdes que me faziam esquecer de tudo o que me incomodava num segundo, eu perdi-me neles
- Estás muito chateada? – ele ajoelhou-se à minha frente e tocou suavemente o meu rosto
- Steven?! – ele estava tão molhado quanto eu, muito mais atraente do que já tinha visto alguma vez
- Desculpa, eu queria chegar a horas... pelo menos uma vez na vida! – ele sorriu e eu derreti-me, quem quer tirar algo tão maravilhoso de si, eu preciso dele, seja ele a pessoa mais desorientada do mundo, eu amo-o
- Não faz mal! Vieste, isso é o que importa! – abracei-o
- Faz mal sim! Eu abandonei-te e depois nem consigo... – calei-o com um beijo apaixonado, eu ansiava pelo sabor daquela boca, desde o dia em que tinha partido, que eu sonhava com um beijo daqueles, com ele, o Steven rendeu-se ao beijo e algum tempo depois estava no chão comigo em cima dele, separamo-nos quando sentimos a chuva ficar mais forte
- Eu nunca devia ter te deixado ir! Eu amo-te e sempre te vou amar! Eu pensava que ia conseguir ficar sem ti, que ia conseguir ultrapassar tudo, desde me esquecer de ti a não sentir a tua falta, mas... eu não consegui! Desculpa! – ele abraçou-me com força e eu retribui, abracei-o com todas as minhas forças com medo de que ele fosse desaparecer, que aquilo não fosse real
- Eu perdoo! Eu também te amo e nunca vou conseguir ficar sem ti! Mesmo que não esteja destinado a acontecer... eu pertenço-te, porque me apaixonei por ti, pelo teu olhar, pelo teu sorriso, pelo teu humor... até pelo teu mau-humor! – beijei-o suavemente
Ficamos ali algum tempo, à chuva, a festejar o nosso reencontro, fizemos milhares de promessas de amor eterno e tudo mais, podia não ser o destino, podíamos até estar destinados a nos detestar um dia, mas agora eu ia aproveitar e por mim, este amor que eu sentia por ele e ele sentia por mim, não ia acabar...
Fim
Bem... este é um fic que não tem nada haver comigo, eu sou mais de fazer fics baseados em algum anime ou uma canção que me tenha marcado ou eu goste especialmente de alguma parte da letra. Este fic começou por ser escrito pela Deborah, a minha melhor amiga, que acabou por me dar para corrigir e terminar, ele está escrito na 1ª pessoa mas como já disse não tem nada haver comigo (e acho que nem com a própria Debi), tanto que eu não conheço nenhuma das personagens usadas, apesar de saber que foram baseadas em pessoas conhecidas pela Debi e eu.
Quero agradecer à Deborah por me ter deixado terminar o fic, claro não é!
Obrigado Xana e Vera por me terem dado ideias bastante úteis e nunca me terem deixado desistir a meio do fic!
E por fim, mas não menos importante... também quero agradecer ao AngelofDeath, Rui tenho de te agradecer por me teres dado a ideia para o final, se não fosses tu ainda hoje isto estava encalhado!
Também depois de tanto te chatear com isto, tinhas de dizer alguma coisa... ^-^
Espero receber as vossas criticas boas e até más!! Aqui está o meu mail...
Caso queiram falar comigo sem ser através de e-mail...
O meu nr no icq é o: 145672919 e o nickname que uso é KittyBlue (tb no mirc)
Obrigado a todos os outros! Muitos Beijinhos!!