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A cama está por fazer. A tevê está ligada, sozinha. A janela, entreaberta, permite que os últimos resquícios de luz do dia dêem o ar de sua graça. O chão atapetado está imundo. Há um prato sobre a cama, mas nele há apenas migalhas, restos de uma refeição malfeita. O guarda-roupas está fechado. Mas, mesmo assim, vê-se um fio perdido saindo de uma de suas gavetas.
Há uma mesa onde se encontra o computador. Antes fosse um aliado do estudo, porém não passa de um mero enfeite. A porta, entre o guarda-roupas e o PC, encontra-se fechada, mas não trancada. A luz está acesa, e rivaliza com a semi-claridade do lado de fora.
A estante branca está abarrotada de coisas, desconexas. Produtos de beleza, ursinhos de pelúcia, materiais da faculdade e os CDs da infância estrelam a eterna luta da moça que ainda quer ser criança. Ah! Ser jovem...
Há um aparelho de som abandonado, ao chão. O ventilador está desligado - talvez não fosse um dia quente. Por falta de espaço, o telefone está perdido no carpete, e seu emaranhado de fios combina com o aspecto desleixado do quarto.
Há ainda uma cadeira que destoa, destas de praia, amarela. Nela há uma calça suja e uma bolsa azul, uma escova e um pijama. Sapatos estão espalhados por toda a extensão do chão. Mas apenas um está em uso. Os demais foram esquecidos ao acaso na pressa da hora.
A cabeceira da cama está repleta de bugigangas. Livros, revistas, garrafa d'água. Brincos, caixas e porta-retrato, num conjunto desarmônico que seria perfeito, se não fosse tão torto.
O sapo verde, a almofada e o papagaio. Um verdadeiro mundo de pelúcia. Sobre uma cama desarrumada. Lençol verde, colcha molhada. Travesseiros laranjas, controle remoto. Cama de casal. Dali, controlar-se- ia o mundo. Mas tem que estudar. Ô vidinha chata a de uma estudante de Direito!...