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Quando vi os corredores da minha escola do outro lado, nem pensei.
Agarrei Vaughn e passamos. E então eu voltei pro meu corpo. E Brett ainda
estava lá. Parecia bem surpreso ao ver Vaughn. Tipo, como ele podia ser tão
estúpido a ponto de achar que só eu voltaria?
- Não era pra você passar! - ele gritava para Vaughn. - Era só ela!
Eu fiquei muito p. Com mais raiva do que daquela vez em que eu baixei um
arquivo, e o download demorou o dia inteiro, e quando eu fui abrir, deu a
mensagem de que alguma coisa deu errado, o arquivo ficou corrompido e não
poderia ser aberto. E olha que mais raiva que isso é muita raiva mesmo.
E Vaughn também devia estar no mesmo estado. Porque todo o corredor
começou a tremer.
Eu acendi as minhas chamas. Só que dessa vez o fogo consumiu o meu corpo
todo (ainda sem me queimar, duh). E não foi só um flash, ficou realmente,
pelo tempo que eu quisesse! E Vaughn brilhava. Era um brilho negro, frio,
de ódio. O chão começou a tremer. É impressão minha ou nós dois voltamos da
Terra das Sombras com nossos poderes elevados à potência de n?
Não era impressão. E Brett seria o primeiro a testar o nosso upgrade.
Eu avancei nele, envolta nas minhas lindas chamas azuis. Peguei a peste
pela garganta e o levantei acima do chão. A pele dele não deve ter gostado
muito.
E aí veio a questão moral: devemos matá-lo?
Eu sei, Mediadores ajudam fantasmas, não criam. Se eu fizesse aquilo, não
seria diferente dele, blah blah.
Mas se eu fizesse, seria um doido a menos no mundo. Nós não temos o Asilo
Arkham (NdA: se você já ouviu falar de um certo Batman, sabe do que eu
estou falando) em Seattle. Com certeza me livraria de um monte de
problemas, porque eu não queria ficar me preocupando com "Brett McNamara: o
Retorno". E a vingança seria tão boa...
- Nós podíamos mandar ele para aquele lugar. - Vaughn sugeriu.
- Ele pode voltar. Vai que alguém desse lado abre um portal, e ele volta
mais poderoso.
- Ninguém sai da Terra das Sombras.
- Nós saímos.
- Deixe ele ir. - eu ouvi uma outra voz. Pain! Ele pulou no meu colo e
nos abraçamos.
- Ele pode voltar.
- Vamos fazer assim: - Vaughn falou. - Nós o matamos. Se ele voltar,
nós... nós...
É, não tinha jeito.
- Vocês nunca viram Star Wars? - Pain falou. - Se ele morrer, pode ficar
ainda mais poderoso. Nós temos que deixá-lo ir.
Eu não conseguia acreditar. Nos filmes, o herói sempre mata o vilão no
final. Porquê que eu não podia? Suspirei e agarrei Brett pelo pescoço. Ele
estava tão fraco que não conseguia fazer nada.
- Se você voltar, eu vou te mandar direto pro inferno. Ouviu?
- Tá, tá. - ele falou. - Eu te amei.
- E tentou me matar. Realmente, esse é o caminho para o coração de uma
garota. Agora, some. E lembre do que eu falei sobre o inferno.
Eu o soltei e ele saiu correndo. Eu olhei para Vaughn, e nos abraçamos.
Ele me olhou nos olhos, e me beijou. Foi tão bom quanto a primeira vez.
Quando voltamos pra casa, estava amanhecendo. Eu sempre gostei de ver o
amanhecer. Entrei em casa e subi para o meu quarto o mais silenciosamente
possível (o que é difícil, sendo que tudo nessa casa range ou é
estrategicamente colocado pra gente bater). Assim que cheguei no quarto,
caí na cama. Foi aí que notei que estava com a roupa de dormir. Foi uma
noite cheia.
Vaughn foi para a janela, e ficou olhando para o horizonte. Aí olhou pra
mim e fez sinal para eu ir à janela também. Eu fui.
- Eu sempre gostei de ver o amanhecer. - ele falou. Eu sentei na janela
do lado dele, e encostei a cabeça no seu ombro.
- Eu também. Eu gosto daquela hora do pôr do sol em que uma metade do céu
está clara e a outra está escura. É tão místico. - falei.
- Você acha que ele vai voltar?
- Se ele quiser uma passagem só de ida no expresso inferno...
Nós ficamos lá, na janela.
- Sabe de uma coisa? - falei. - Vai parecer piegas e o maior clichê, mas
eu acho que te amo. Eu nunca amei ninguém além do meu daemon, mas eu
realmente acho que te amo.
Ele riu. Porquê todo mundo sempre ri da minha cara? Mas aí ele
gentilmente segurou o meu queixo, para eu olhar pra ele, e falou.
- Eu também te amo.
Oh, muito original. Mas eu não falei isso, porque senão ele poderia
desistir do beijo-de-fim-de-história que estava pra vir. E eu queria muito
esse beijo. Aí ele falou:
- Você não vai fazer nenhuma piada sobre a minha (falta de)
originalidade?
- Me beija logo!
E então aconteceu o beijo mais romântico, mais suave, mais tudo da minha
vida. Só faltava a música-emocionante-do-fim, dos filmes antigos.
Ok, acho que os créditos podem começar a rolar.
E é isso. Se vocês gostaram, escrevam, que aí eu publico as duas
continuações (que ainda faltam ser digitadas).
Ah, e eu odiei o finalzinho, a partir de quando eles voltam pra casa. E
vocês? Odiaram? Falem, por favor.