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Angels Would Fall by KittyBlue
PRÓLOGO
Anael olhou em redor, desde a última vez que tinha subido aos portões do Céu não conseguia falar com Gabriel, ele parecia evita-la a todo o custo, parecia mesmo odia-la, mas mesmo assim, odiando ou não, ele era o protector dela, o grande guardião dos portões celestiais, a entrada para o Paraíso das almas, Gabriel jamais deixaria uma aprendiz de guardião sozinha, apenas por não gostar dela.
Anael era o retracto perfeito do anjo rebelde, que parecia destinado a cair nas chamas quentes do Inferno, ela era desobediente e indisciplinada, a aprendiz que só causava mesmo problemas, mas ela tinha um coração puro e era com ele que ela conseguia derreter todos à sua volta, fazendo todos gostarem dela, a sua alegria mesmo em momentos de tristeza animavam qualquer um e ela era conhecida como o anjo feliz já que era impossível vê-la triste, o dia em que alguém vi-se uma lágrima a escorrer pelo seu rosto angelical, significaria que ela estava mesmo angustiada e que era mesmo algo grave que se debatia dentro do seu pobre coração.
Apesar de rebelde e alegre, Anael também era conhecida como a generosidade em pessoa, ela era honesta, seria o anjo perfeito... se fosse menos endiabrada, poderia ser quem sabe um anjo superior a Íris, a guardiã celestial do Limbo (é por assim dizer, a sala de espera entre o Paraíso e o Inferno).
Os cabelos loiros encaracolados longuíssimos que chegavam ao chão, voaram subitamente, colocando algumas das suas madeixas verdes claras nos olhos, não vendo nada ela voltou-se de encontro àquela estranha ventania, o véu que trazia voou na direcção oposta, ela tentou seguir rumo à sala de sua origem. Tinha alguma dificuldade de agarrar o vestido frente ao vento, ela vestia um vestido de alças comprido verde esmeralda com alguns desenhos de conchas e búzios.
- Acho que preciso tentar controlar melhor o vento! Ainda não consigo controlar como eu quero! – disse um rapaz de cabelos castanhos claros presos num rabo de cavalo, estava vestido com umas calças castanhas escuras e uma camisa sem mangas castanha clara, as suas asas que apesar de estarem invisíveis para melhor se movimentar, iam soltando pequenas penas, ele fazia algumas poses com uma espada, e à medida que orientava a espada, surgiam remoinhos, ventanias e até pequenos furacões, Anael nunca o tinha visto a treinar com a espada, e sem dúvida que era uma visão incrível
- Outra vez! Não consigo me concentrar! Tenho de tentar... – o rapaz calou-se e olhou para a porta, reparando na rapariga que espreitava por ela, ficou furioso, detestava que o espiassem enquanto treinava mesmo sendo ela
- Anael! Que fazes ai? – perguntou ele pousando a espada no chão e indo em relação a ela
- Desculpa Gaby, mas achei fascinante, também me vais ensinar a dominar algum elemento?
- Eu já te disse para não me chamares assim! Tu sabes que se te empenhasses, terias boas probabilidades de já o fazer! – disse Gabriel aproximando-se dela cada vez mais e encarando-a com os seus olhos cor de mel
- Desculpa Gaby! Gabriel! Ops! Já é habito! Eu não aguento, não consigo me concentrar, ficar uma data de tempo parada de olhos fechados, ter de esvaziar a minha mente... eu não consigo!
- Tu não deves ter muita coisa para esvaziar! – diz Gabriel sorrindo
- Com que então, o Guardião Chefe dos Anjos, também sabe fazer piadas... – disse Anael dando o seu melhor sorriso e piscando um dos seus azuis escuros, deixando Gabriel embaraçado
- Ás vezes é preciso aproveitar os atributos dos outros...
- Estás a dizer que eu não tenho nada na cabeça!! – diz Anael mostrando uma cara de chateada
- Estou a brincar contigo... tens humor para pregar partidas aos outros mas quando brincam contigo, não aguentas!
- Eu percebi, anjinho! Eu estava a gozar contigo, tens de relaxar mais, Gaby!
- Que maneira de falar é essa Anael! Isso é forma de falar com o Guardião Chefe! – diz uma voz
Anel estremece e agarra-se a Gabriel, ele volta-se e de uma espiral de fumo cor de rosa aparece uma mulher, de cabelos longos lisos numa cor salmão e olhos de cor violeta, na mão tinha uma harpa dourada, usava um vestido azul claro com alguns frisos com nuvens em branco ou azul.
A mulher andou até aos dois anjos com um sorriso sarcástico, chegando até a fazer tremer Gabriel, que conhecia muito bem o génio daquela semideusa, a guardiã celestial do Limbo, ou a Deusa da Musica Divina, já que os seus poderes principais estavam ligados à musica que compunha com a sua harpa, Íris aproximou-se de Gabriel e dando-lhe a harpa, esticou as mãos para agarrar Anael.
- Eu já não te disse que não devias falar assim com os teus superiores! Por isso ainda não te dei nenhuma missão importante, imagino-te a teres de enfrentar algum deus especial e a dizer só parvoíces! – diz Íris puxando Anael por uma das suas asas
- Isso dói!! Larga!! Eu não falo mais assim desculpa... larga-me... por favor!! – gritava Anael com dores
- Eu largo-te se tu jurares que te portas bem! – diz Íris
- Juro!!! Juro! Larga por favor!
Íris larga Anael e ela faz cara de amuada, colocando-se de novo atras de Gabriel a correr.
- Gabriel precisamos falar... a sós! – diz Íris olhando para Anael
- Já percebi! Eu tenho mesmo de ir ter com o Mikael! Xauzinho! – Anel sai a correr piscando de novo o olho para Gabriel
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- Como é que deixas ela tratar-te assim! Ela tem de mudar! Tu sabes disso, não?! – diz Íris colocando as mãos nos ombros de Gabriel
- Ela com o tempo vai lá!
- Acho que confias demais nela e por isso... tenho uma proposta para ela!
- Se é para ela, porque estás a falar comigo?
- Antes quero saber se estás de acordo...
- Diz lá o que pretendes!
- Uma alma divina foi tomada por um demónio, precisamos de alguém que desça à Terra para a ir buscar, mas esta missão é muito especial, porque o demónio parece ser resistente a todo o tipo de elementos, então precisamos de alguém que consiga a confiança dele e traga a alma que precisamos, imediatamente.
- Não entendo porque eu me poderia impor a tal missão!
- Bem... é a primeira missão que Anael recebe que precisa regressar ao seu local de origem, digo ao campo terrestre, desde que ela morreu e se adaptou ao mundo celestial que nunca mais teve contacto com nenhum humano, não sei como ela reagirá a isso.
- Reagirá à Terra? Estás a falar do que?
- Das suas memórias... de ela ter saudades de algo que ela pode lembrar ao aterrar no mundo dos humanos.
- Ela pode recuperar as memórias de humana? Como? Nunca nenhum anjo conseguiu reaver as memórias de antes da sua existência angelical, não sei porque te preocupas com isso!
- Tu sabes que a alma da Anael era diferente das outras naquela altura... ela nunca foi humana totalmente, ela tal como a pessoa a resgatar, tinha uma alma divina, é só por isso que ela continua aqui no mundo celestial, o lugar dela seria no paraíso junto com os outros humanos que morrem, não aqui como um anjo aprendiz a guardião.
- Que aconteceu com a alma que temos... ela tem... de trazer de volta?
- Ao morrer o humano debateu-se com o percurso da alma, não queria morrer e ao recusar, um demónio que estava à espera da sua morte há já algum tempo, tomou o corpo ainda com a alma presente.
- Ele controla a parte divina?!
- Achas?! Bem... eu acho que não! Parece algo impossível! Como um ser das trevas pode controlar uma coisa divina, mais forte do que ele?
- Se a vontade da alma ao morrer fosse ressuscitar, porque não deixar-se dominar?
- Até que tens razão tenho de investigar!
- Quero que sejas sincera... ela corre perigo?
- A alma? Sei lá! Só sei que temos de a trazer, o mais rápido para se juntar às outras.. eu já...
- Estou a falar da Anael!
- Acho que se ela seguir as nossas instruções, não precisa de se preocupar... – Íris sorri dando batendo de leve na cara de Gabriel
- Para que foi isso?
- Achas que eu não percebo toda a tua preocupação com ela? Eu própria me preocupo com as minhas aprendizes e não é assim tanto! E tu desde que começaste a tentar meter alguma coisa naquela cabeça cheia de nuvens, que não aceitaste mais anjos para treinar...
- Eu não entendo o que queres dizer... – Gabriel vira-se de costas, para tentar esconder a face corada
- Mesmo nós anjos, precisamos de amar... eu tenho pena é de não ser correspondida, seria tudo muito melhor... – Íris torna-se de repente melancólica
- Íris... eu já falei contigo sobre isso.. não posso fazer nada...
- Eu não te pedi nada! Estava apenas a... pensar... imaginar! Bem... voltando ao assunto de momento! Dá algumas lições à nuvenzinha de como controlar os seus poderes, seriam perfeitos, já que este demónio controla o fogo! E chamas apagam-se com água... seria bom... tens de lhe dar umas quantas lições e depois podes leva-la até ao limbo, que eu trato de lhe arranjar tudo na Terra para a missão...
- Água... é o poder que ela controla, mas ela tem tanto potencial, não entendo porque não o desenvolve! Nuvenzinha? Que nome é esse?
- Ela não tem mesmo nada na cabeça, tens de concordar comigo que se ela se entrega-se mais a ti... quero dizer às aulas, pois em relação a entregar-se a ti, não sei, não!! – Íris ri de uma maneira provocante
- Calas-te?! Ela não gosta de sossego e calma, nem parece um anjo! Ela refere aulas de combate, do que as aulas antecedentes, tipo aulas em que aprende a usar os seus próprios poderes...
- Como pode ela pôr em pratica o seu poder se ela não aprender a controla-lo?
- Não sei! Eu trato disso, dá-me uns dias!
- Tenta treina-la com o Mikael pode ser que ela se entregue... mais às aulas! Tens 5dias, estou à vossa espera! Se precisares... entretanto... de alguma coisa... sabes onde me encontrar... – diz Íris esfregando-se a Gabriel, sedutoramente
- Vou pensar nisso! Vou ter com ela! Xauzinho!
- Andas a aprender com ela! Xauzinho! Dá um beijo à nuvenzinha por mim! – Íris desaparece novamente numa espiral de fumo cor de rosa
Gabriel vai até à janela e olha para o jardim exterior, num banco rodeado de rosas vermelhas e brancas estavam sentados dois anjos lado a lado a conversarem, os dois riam exageradamente parecendo esquecer tudo à sua volta, apenas apreciando a companhia um do outro.
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