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Author: Kyattsuai
Fiction Rated: M - Portuguese - Romance/Mystery - Reviews: 3 - Published: 08-17-04 - Updated: 02-14-07 - id:1696303

Loner by KittyBlue

PRÓLOGO

Uma época de crise por toda a galáxia, todos viviam com o medo de não ver o dia amanhecer. A maioria das pessoas tinham abandonado os seus próprios planetas, partiam para locais secretos ou para sítios recomendados pelas forças galácticas.

O tempo de confiança tinha acabado, era cada um por si. Os criminosos matavam e a policia apenas podia assistir ou prevenir, ajudar?! Não se atreviam. As trevas tinham-se apoderado das pessoas e com elas vinha a destruição de tudo e todos...

- Chegou a hora! – afirmou um dos policiais que estava farto de ver todos à sua roda sofrerem.

Ano: 3459

Uma família preparava-se para jantar. A casa situava-se no planeta Terra, no continente Europeu.. Como era normal os mais pequenos esperavam já sentados à mesa enquanto a figura materna acabava aquilo que seria a ceia.

Naquela casa habitavam três crianças, duas raparigas e um rapaz. Os mais pequenos tinham 7anos e estavam a brincar um com o outro, um tentando irritar o outro. A filha mais velha tinha 16 anos, estava sentada também à mesa muito quieta como era hábito. Ela observava os mais pequenos, sorria ao pensar na sua própria infância.

- Ainda demora muito mãe? Tenho fome! – disse o rapaz, ele largou a irmã e foi até à cozinha.

- Onde foi a mãe? – perguntou ele quando voltou.

- Como onde foi a mãe? Ela não está na cozinha? Se calhar não procuraste bem..- disse a irmã mais velha.

O rapaz ficou calado apenas fixou os seus olhos na irmã, voltou a sentar-se e minutos depois voltava a atazanar a cabeça da irmã mais nova. Enquanto os irmãos mais novos brincavam, a rapariga decidiu voltar à cozinha.

Ficou desconfiada ao não encontrar a mãe. Só podia ter ido buscar alguma coisa ao quarto, pensou ela.

Andava pelos corredores despreocupada quando ouviu algo a cair, o barulho vinha lá de fora e parecia ser bem perto da casa.

Sem saber o que fazer, foi até à janela procurou algum sinal de alguém ou alguma coisa que pudesse ter caído. Talvez tivesse sido o vento.. a rapariga voltou-se de costas para a janela e ficou pensativa.

“Devo ir lá fora? Ou é melhor apenas... eu vou procurar a mãe!” decidiu ela.

Subiu as escadas a correr sem nem sequer acender as luzes, nunca tinha passado aquele corredor às escuras e agora percebia o porquê dos pequenos terem tanto medo de sair do quarto à noite, aquilo sem luz era bem assustador. O vento que batia no vidro das janelas fazia até arrepiar-se como se tivesse no exterior a senti-lo.

Parou em frente ao quarto dos pais, algo estava errado... as luzes estavam apagadas, era impossível a sua mãe ter subido as escadas e ter entrado no quarto às escuras. Fechou os olhos tentando-se acalmar. Tinha um mau pressentimento.

Ao voltar a abrir os olhos percebeu que estava a chorar, nesse momento teve a certeza que se passava algo... que nunca iria esquecer aquela noite.

- LONER!!!!!!!!

O grito pelo seu nome tirou-a do pânico em que se encontrava, reconhecia a voz como sendo do seu irmão. Olhou para a porta e sem pensar duas vezes desceu as escadas e foi até à sala de jantar. Encontrou as cadeiras no chão, uma boneca de trapos estava em cima da mesa, era da sua irmã mais nova. Ao aproximar-se percebeu que tinha algumas manchas vermelhas, ao tocar congelou por completo... era sangue... Loner olhou em redor procurando por alguma coisa que a ajudasse.

Encontrou do outro lado da sala uma jarra de vidro, agarrou nela e na boneca, não sabia o que estava a acontecer, mas sabia que algo se passava. Ouviu um barulho, aproximava-se alguém..

No momento Loner segurava a jarra erguida como protecção, ao ver uma sombra teve a certeza que corria perigo, os seus sentidos diziam-lhe para atirar a jarra à pessoa e fugir. Os olhos da rapariga enchiam-se novamente de lágrimas, estava prestes a cometer um crime mas não tinha outra saída, certo?

- Está ai alguém? – Loner deixou cair a jarra no chão e correu na direcção da porta de entrada.

- Jiru! Passa-se alguma coisa! Ajuda-me. – disse ela desesperada, abraçou-se a um rapaz que a esperava à porta.

Jiru estava calmo, abraçou Loner e tentava acalma-la com palavras mas nada a tirava daquele estado.

- Estás sozinha? – Loner afastou-se dele e olhou para dentro de casa, sentia algo de errado.

- Sim... os meus irmãos... – ela mostrou-lhe a boneca de trapos. – Eu não sei o que aconteceu.

Loner olhou para as escadas, tinha medo de as subir mas sabia que a resposta estava ali apenas à sua espera.

Reconhecia o local, a cozinha. Estava alguém ali, sentia uma presença.. procurou e encontrou a sua mãe a tirar alguns pratos do armário e a coloca-los uns em cima dos outros. A porta das traseiras abriu-se, alguém observava. A sua mãe percebeu alguém.

- Que queres aqui? Ela está na sala. – a voz da sua mãe era ríspida e muito agressiva.

- Quem disse que eu vim à procura dela?! – a outra pessoa, estava de negro e tinha algo na mão que Loner não conseguia reconhecer.

- Que queres? Se quiseres podes jantar connosco.

- Esta é a última vez que te vais meter nos meus assuntos.. já tratei do seu maridinho... só falta a sua família.

- O que?? Que queres dizer co...

Não teve tempo de responder, a pessoa de negro colocou um fio em volta do pescoço dela e...

Loner acordou, tinha muitas premonições ultimamente, mas normalmente eram coisas que iam acontecer. Olhou para Jiru que estava a observa-la fixamente. Ela começou a reparar em alguns pormenores.

- Que fazes aqui? – ele estava vestido de negro...

- Eu? Vim ter contigo, não posso?

- Claro! – tinha as mangas manchadas num tom de vermelho... aquilo não era tinta...

- Jiru... tu podes ir lá acima ver se a minha mãe está a sentir-se melhor?

- O que?

- Ela disse que ia buscar um comprimido mas não desceu.

- Loner, estás bem?

Ele aproxima-se para a tocar, mas Loner afasta-se fugindo. Ela volta ao sitio onde tinha deixado cair a jarra, ela segura um pedaço de vidro da jarra. Jiru aproxima-se dela aos poucos. Sempre perguntando se ela estava bem e o que estava a fazer.

Loner afasta-se até chegar perto da mesa, ela desvia o seu olhar por um segundo, quando volta a procura-lo vê que Jiru tinha desaparecido. No momento fica apreensiva mas como não havia sinais dele estar perto, fica mais aliviada e senta-se numa cadeira perto da mesa.

- Não pensas em fugir? Eu gosto de perseguir... – a voz era suave e calma mas ao mesmo tempo assustadora.

- Que queres de mim?! Que foi que nós fizemos?

- Foram escolhidos como as minhas primeiras vitimas!!

Ela agarra o pedaço de vidro com força chegando mesmo a ferir-se a si própria, mas as suas mãos são agarradas atrás das costas por Jiru, ela deixa cair o caco no chão. Loner tenta soltar-se mas em vão, ele era muito mais forte do que ela. Jiru aproxima o seu rosto do dela e dá-lhe um beijo no pescoço, ela tenta afasta-lo mas não conseguia fazer nada.

- Tenho pena que as coisa não tenham dado certo, baby... mas é a vida...

Loner balança-se na cadeira de modo a cair para o chão, ficando com Jiru por cima dela. Nesse momento ele assusta-se e solta as mãos de Loner, o tempo suficiente para ela agarrar o pedaço de vidro que estava bem ao lado dela e golpeá-lo no pescoço e agarrando num brinquedo qualquer que estava no chão bate-lhe na cabeça. Ele cai inanimado em cima dela.

Loner levanta-se e corre para a porta de entrada queria sair dali o mais rápido possível. Mas depara-se com o seu pai deitado na relva morto, tinha a roupa toda rasgada como se tivesse sido esquartejado por uma espada mil vezes. Havia sangue por todo o lado, Loner volta a entrar em casa fechando a porta e encostando-se a ela. Ela escorrega para o chão e recomeça a chorar.

Minutos depois ouve alguns barulhos na sala ao lado, lentamente gatinha até à porta e vê Jiru a levantar-se. Sem saber o que fazer apenas se lembra de subir as escadas e entrar no último quarto... o quarto dos pais...

Ela fecha a porta e senta-se no chão sem olhar em redor. Fecha os olhos e tenta não pensar em nada...

... Apenas silêncio ... Tal como a própria morte ...

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