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Título: Matta Ashita
Autora: Akemi Hidaka
Classificação: yaoi, lemon, angst
Avisos: esta fic apresenta alguns fatos baseados em vida real, e é desaconselhável para pessoas de capacidade mental inferior a 18 anos, já que poderá conter cenas de violência, linguagem ofensiva e relacionamento homossexual. Se não aprecia este tipo de leitura, aconselho a não prosseguir. Àqueles que apreciam, boa leitura.
Disclaimer: todos os personagens mencionados a seguir pertencem a mim, Akemi Hidaka, e, portanto, não devem ser usados em outras fics ou qualquer outro tipo de trabalho sem minha devida autorização.
Matta Ashita
Por Akemi Hidaka
Capítulo 12
“O que está acontecendo comigo? Desde quando eu tenho tão pouco controle sobre minha própria vida e ações? Desde quando eu compreendo tão pouco os meus próprios pensamentos? Quanto mais tento entender, mais confuso fico e mais perdido me vejo... Por que acontece tudo tão depressa? Por que eu não consigo recuperar o controle do que acontece comigo? Por que eu não posso apagar tudo o que tem acontecido...?”.
O teto foi se mostrando branco, e não mais cinzento, conforme o dia foi amanhecendo e a luz, penetrando no quarto pela janela. Minoru observou essa mudança em silêncio, da mesma forma que constatou o aumento de ruídos vindos da rua conforme as horas avançavam. Ele não sabia dizer exatamente que horas eram, nem há quanto tempo estava deitado naquela cama que não lhe pertencia. Não fazia diferença saber, uma vez que ele ainda não havia encontrado as respostas para as perguntas que não paravam de revirar sua mente nem encontrado uma forma de fazer o peso que comprimia seu peito ir embora.
Durante horas ele ficou ali, pensando e pensando, em vão. Seus pensamentos formavam círculos que o impediam de chegar a alguma conclusão fora aquela que lhe dizia que arrancar o próprio coração era a única maneira de retirar aquele peso de seu peito. Tudo o que ele precisaria fazer era se levantar, caminhar até a cozinha daquele pequeno apartamento e pegar uma das facas de dentro de alguma gaveta. E então, estaria tudo acabado. Ele já até mesmo podia imaginar o alívio que sentiria quando o metal frio e fino perfurasse sua carne e levasse embora aquele peso sufocante.
Como se ele tivesse coragem suficiente para fazer algo assim. Faltava-lhe coragem, faltava-lhe inconseqüência, faltava-lhe desapego aos bens materiais. Jamais ele teria a coragem de realmente ir buscar aquela faca que prometia acabar com tudo. Por maior que fosse o arrependimento que esmagava seu coração, ele não seria capaz. Nunca. Porque ele era um grande medroso e fraco.
Se ao menos ele tivesse sido um pouco mais paciente... se ao menos ele tivesse sido mais firme com as palavras... tudo poderia ter sido evitado e ele não estaria agora naquela cama desconhecida revendo os últimos acontecimentos em sua mente, arrependendo-se mais a cada repetição.
Assim que colocou os pés dentro daquele lugar, ele soube que estava cometendo o segundo erro naquela noite – o primeiro foi quando aceitou, embora relutante, o ‘convite’.
O barulho feria sua audição, o cheiro queimava suas narinas e a iluminação o deixava tonto, mas ele tentou se acostumar a esse ambiente nos primeiros minutos – sem sucesso.
“Sabe, um pouco de movimento não vai matá-lo”.
Minoru olhou para cima, encarando Eiji como se quisesse dar-lhe um murro. “Se queria movimento, então devia ter trazido os seus amigos, e não eu”.
Em resposta, Eiji apenas riu como se tivesse acabado de ouvir alguma piada inocente, ao que Minoru fechou a cara. Ainda estava sem entender porque Eiji o escolhera para levar àquele lugar barulhento e cheio de gente. Se tivesse sido algumas semanas antes, teria entendido, porque o mais velho mencionara uma vez que o levaria para uma boate algum dia.
“Se você não quisesse mesmo vir, poderia ter conseguido recusar”, o loiro se inclinou para frente, erguendo o rosto do outro pelo queixo usando o dedo indicador.
Sentindo-se muito irritado de repente, Minoru deu-lhe um tapa na mão. Inconformava-se com a capacidade de Eiji de mudar de comportamento tão rápido e facilmente. Como ele podia chamá-lo para sair depois de ter transformado aquela última semana em um inferno? O pior era ser lembrado por ele que cedera ao ‘convite’ apesar dele ser o motivo de sua semana ter sido péssima.
“Por que não relaxa e tenta curtir um pouco?”, ainda sorrindo, Eiji se afastou um pouco, abrindo os braços ligeiramente, como que para deixar evidente a variedade de formas de diversão que havia por ali.
Minoru continuava a encará-lo, não reconhecendo o próprio irmão naquelas palavras. Ele estava estranho. Era como se ele estivesse ali, mas ao mesmo tempo não estivesse, porque aquele não era ele. Era alguma imitação de Eiji.
No começo da semana, Minoru não havia notado nada de atípico, exceto que Eiji voltara a encontrar diversão a suas custas, fazendo brincadeiras infantis e de mau gosto. Depois, Minoru descobriu que Eiji perdera o emprego no colégio Mirai, o que só piorou a situação, pois eles passaram mais horas perto um do outro, resultando em mais brigas do que ele podia contar. Cada dia pareceu ser mais estressante que o anterior, até que de repente Eiji apareceu com um presente: roupas e uma proposta para sair para uma noite de diversão.
“Aposto que está com medo de experimentar e gostar”, o sorriso se alargou, convencido.
De início, Minoru recusou. Era contra seus princípios aceitar o que fosse do ‘inimigo’ – foi assim que viu Eiji naquela semana. Mas ele insistiu e insistiu, até que Minoru cedeu, muito a contra gosto, assim como cedeu a vontade dele de que devia vestir as roupas que ele havia escolhido, sob o pretexto de que Minoru não tinha nenhuma roupa decente.
“Você está bêbado, por acaso?”, Minoru resolveu perguntar, não conseguindo engolir aquele comportamento estranho.
“E você me viu beber algo?”, Eiji continuava com aquele sorriso, que não mostrava nada além de impressões momentâneas. Era um sorriso vazio, desprovido de emoção, tal como a voz.
“Você está estranho, Eiji”.
Aquilo foi mais uma afirmação do que um comentário, ao que Eiji não respondeu. Em vez disso, ele riu e deu-lhe as costas, sumindo no meio das pessoas e deixando Minoru para trás, sozinho.
Eiji estava acordado havia algum tempo, mas permanecia imóvel e de olhos fechados, enquanto os últimos acontecimentos se condensavam em sua mente aos poucos. Mas mesmo sem recordar totalmente do que havia acontecido, ele sabia: havia cometido alguma besteira – mais uma desde aquele dia.
O silêncio durante aquele abraço não era incômodo, sendo aquele um daqueles momentos em que palavras não são necessárias. O calor compartilhado pelos dois era o suficiente para preencher qualquer vácuo e, por um segundo, fazer com que Eiji acreditasse que estava tudo bem novamente.
“Eu vou me casar”.
As palavras soaram baixas, indistinguíveis não fosse pela proximidade e a quietude que os circundava. Era quase como se as palavras não quisessem ser ouvidas, mas elas foram, e Eiji se viu numa daquelas poucas situações em que ficava sem saber o que fazer ou dizer enquanto a informação era processada.
Assistiu Akio quando ele se desvencilhou de seus braços, que de repente pareceram ficar frios demais, e viu como os fios claros cobriram o rosto de Akio quando este baixou o rosto.
Calmamente, Eiji observou o homem à sua frente. “Ele vai se casar...”, pensou, enquanto um sorriso se delineava em seus lábios. “Ele vai se casar!”, o sorriso tornou-se mais e mais aparente, até que uma gargalhada preencheu seus ouvidos. Um riso alto, sem pudores, que feria e arrancava seus sentimentos, substituindo tudo por um orgulho egoísta.
“Você, se casar? Com quem? Desde quando?”, aquela mesma voz que ria, perguntou num tom incrédulo e cheio de escárnio.
Aquela voz feria quem a ouvia, e Eiji queria calá-la, porque a cada palavra, era mais uma boa recordação que tinha da pessoa à sua frente que morria. E ele não desejava que elas fossem embora, que elas morressem uma a uma.
“Ah, claro! O papai deve ter arranjado uma noivinha para o filho! Ou será que Akio, o rapaz comportado, engravidou alguém nessas últimas semanas, e por isso vai ter que se casar?”, os ataques continuavam, e Eiji não conseguia calar aquela voz.
Ele não conseguia fazer nada além de repetir, mentalmente, que Akio iria se casar. E isso o desesperava. Desde quando? Como? Por quê?
Naquele momento, sua cabeça estava a mil. Perguntas que ele não sabia a resposta surgiam a cada segundo e se mesclavam com as lembranças que ruíam uma atrás da outra. Ele não via nada, não ouvia nada e, aos poucos, começou a não sentir nada também. Aos poucos, um enorme vazio ia tomando conta de si, até que finalmente tudo se acalmou.
Ele pôde ver e ouvir novamente, e aquela voz que o estava matando por dentro havia cessado completamente. Não restava nada: a gargalhada impiedosa, o tom debochado, o apartamento de Akio... olhando ao redor, Eiji se viu do lado de fora do prédio sem nem saber como ou quando chegara ali.
O loiro afundou mais a cabeça no travesseiro, frustrado. Aquela fora apenas mais uma besteira cometida dentre outras que vieram a seguir naquela semana.
Nos dias subseqüentes, Eiji não fez nada além de infernizar a vida do irmão durante as horas de tédio que passou em casa. Podia ter saído para algum lugar, procurar um trabalho novo ou visitar o pai, mas ele não saiu de casa, preferindo isolar-se de tudo que pudesse fazê-lo lembrar de Akio e, conseqüentemente, do último encontro que tiveram. Chegou a ponto de desligar o celular, porque algo lhe dizia que alguém – Saito, provavelmente – tentaria entrar em contato para perguntar o que tinha acontecido, e ele não queria dizer a ninguém porque não saberia dizer o que houve.
Nesse tempo, Eiji não chorou, não se lamentou nem teve qualquer tipo de crise emocional. Limitou-se, o tempo todo, a provocar Minoru como bem quisesse só para passar o tempo e, embora não admitisse, descontar a frustração. Minoru era seu escape, era a caixa para onde todos os seus sentimentos ruins iam.
No entanto, chegou um momento em que não agüentou mais ficar trancafiado em casa. Precisava sair, ver outras pessoas – mesmo que desconhecidas -, ficar no meio do barulho... e foi aí que cometeu outra besteira. Só de lembrar, Eiji afundava a cabeça mais ainda no travesseiro com a vã esperança de que um buraco fosse se abrir e tragar todos os seus problemas.
Arrependia-se de ter obrigado – praticamente – Minoru a ir até a boate com ele. Onde estava com a cabeça quando tivera a ‘brilhante’ idéia, perguntava-se. Devia estar mesmo louco, fora de si.
Durante vários minutos, Minoru ficou parado em um canto, totalmente desinteressado em seguir o exemplo de qualquer uma das dezenas de pessoas que já haviam passado em sua frente. Sentia-se intimidado por todas aquelas pessoas desconhecidas, de estilos tão variados, e pela música cujas batidas pareciam percorrer todo seu corpo. Sentia-se estranho àquele lugar, àquela atmosfera.
Conversas, risos, música, fumaça, calo, cheirosr... tudo se misturava desordenadamente e ninguém parecia se incomodar ou reparar. Apenas ele, que não pertencia àquele ambiente, percebia e se incomodava.
“Eiji!”, chamou, assim que avistou a figura conhecida.
Eiji não se virou, sequer ouviu o chamado. Em vez disso, continuou a se dirigir para um lugar, para uma pessoa que aparentemente era a única que ele via. Esbarrou em todos os que estavam pelo caminho, não se incomodando em ser xingado ou empurrado. Em seus olhos, em sua mente, existia somente uma pessoa, que n momento fazia seu sangue ferver. Mas ferver de raiva.
Não percebendo nada disso, Minoru tratou de ir atrás do irmão, com o intuito de convence-lo a irem embora dali. Mas havia pessoas, muitas pessoas em seu caminho, que dificultavam sua passagem, de forma que quando pôde avistar Eiji novamente, só foi a tempo de vê-lo dar um soco no rosto de um homem. Depois disso, como urubus sobre carniça, as pessoas em volta se alvoroçaram e fecharam um círculo em volta dos dois que brigavam.
As conversas e os risos, ao menos naquela parte da boate, foram substituídos por um misto de gritos entusiasmados e assustados, ao mesmo tempo incentivando e tentando impedir aquela briga. A música foi esquecida, não sendo mais uma das atrações da casa, embora as luzes e a fumaça persistissem.
E então, de forma tão repentina quanto o surgimento do tumulto, a multidão se dispersou e Minoru pôde ver seu irmão novamente, desta vez sendo segurado por dois homens, sendo um deles ruivo, muito parecido com o que, a uma distância segura, era amparado por três outros homens.
“Eiji!”, desta vez Minoru conseguiu alcançá-lo, mas talvez pela confusão recém passada ou pela música, pareceu não ser notado, tanto por Eiji quanto pelo ruivo, que agora era o único a segurá-lo.
“Enlouqueceu de vez?!”, o ruivo, que não era Saito, mas sim Kazuo, o irmão mais velho dele, chacoalhou o loiro na tentativa de fazer entrar algum bom senso naquela cabeça.
“Não enche”, o loiro procurou se desvencilhar, cambaleando.
“E ainda por cima está bêbado! O que você tem na cabeça?!”, sem se importar, começou a arrastá-lo pra fora dali – os seguranças se aproximavam para averiguar o que havia acontecido.
“Eiji!”, desviando-se de quem estivesse no caminho, Minoru tratou de segui-los, ainda sendo ignorado.
“O que importa o que tenho na cabeça? Ele mereceu”, em tom despreocupado e palavras ligeiramente enroladas, Eiji estava a ponto de rir.
“Escuta”, Kazuo encostou-o contra uma parede pouco depois de saírem da boate. “Eu não sei o que aconteceu e pouco me importa saber, mas sair brigando com o meu irmão não vai resolver seu problema”.
“Ah... está defendendo ele, é?”, debochou.
Assistindo àquela cena, Minoru pensou, por um momento, que Eiji fosse apanhar. Mas aquele ruivo estava se mostrando muito mais paciente e tolerante do que aparentava, então Minoru começou a se perguntar se eles se conheciam. Foi então que ele se voltou para a sua pessoa.
“Você aí, o que quer?”.
“E-eu?”, pego de surpresa, uma vez que estava sendo ignorado até então, gaguejou sem querer.
“Minoru”, sem aviso, Eiji praticamente se jogou em cima dele, apoiando todo seu peso no ombro do menor, que quase foi ao chão. “Vamos pra casa, Minoru”.
Aquela cena era, no mínimo, estranha e facilmente mal interpretada. Por um momento nenhum dos dois que estavam sóbrios souberam o que fazer.
“Vocês se conhecem?”.
“Ele é meu irmão...”.
“Ótimo”, Kazuo se aproximou, e transferiu o fardo, no caso Eiji, para si.
E foi assim que, alguns minutos depois, Eiji e Minoru foram deixados a sós em um apartamento pequeno e desorganizado localizado nas proximidades da boate onde estiveram. Ali era onde Kazuo agora morava sozinho, já que Saito mudara-se dali algumas semanas atrás, e era onde Kazuo mandara Eiji ficar até que estivesse em condições de dirigir.
Minoru fechou os olhos, apertado, desejando poder esquecer de tudo que aconteceu nas últimas 24 horas. Principalmente quando percebeu que Eiji também estava acordado. Queria que ele ficasse dormindo para sempre, porque assim não precisaria enfrentar o problema de como encará-lo de agora em diante.
Minoru sentiu o travesseiro mexer quando Eiji afundou mais a cabeça nele. E, um pouco depois, sentiu o colchão afundar quando Eiji se sentou e depois saiu da cama, deixando para trás apenas um espaço vazio que rapidamente esfriava.
O mais novo podia estar de olhos fechados, fingindo ainda dormir, mas sabia que Eiji o observava, o encarava, o que só o deixava mais desconfortável e sem saber o que fazer. Mas alguns minutos depois, ouviu o som de passos, uma porta fechado e então o som do chuveiro. Só então é que Minoru relaxou e abriu os olhos novamente.
“O que eu vou fazer?”.
A pergunta se repetiu, sem parar, durante o tempo todo que Eiji estava no banho, e continuou se repetindo depois que ele saiu e voltou para o pequeno quarto que era conjugado à sala e à cozinha.
“Até quando vai fingir que está dormindo? Levante daí e vá tomar banho”, foram as únicas palavras do loiro.
Minoru permaneceu quieto. Não queria ter que levantar. Não queria ter que encarar o próprio irmão. Queria continuar deitado, e dormir e dormir eternamente, porque acreditava que assim não se sentiria mais tão arrependido, nem teria que se preocupar mais com coisa alguma.
“Anda logo. Ou prefere esperar o Kazuo chegar?”, seu tom estava neutro. Nem bravo, nem gentil. Era impossível saber o que estava pensando ou sentindo.
Com isso, Minoru não viu outra escolha senão fazer o que lhe era dito, e assim se dirigiu ao banheiro, enrolado no lençol que antes o cobria e carregando suas roupas que recolheu pelo chão.
A água quente que lavou seu corpo ajudou a relaxar, mas não aliviou a dor nem o cansaço que sentia, de tal forma que quando saiu, deitar novamente era tudo o que estava querendo, mas não lhe foi permitido. Ao retornar para o quarto, a cama antes desfeita estava arrumada e Eiji o aguardava próximo à porta. Não foi preciso mais do que uma brevíssima troca de olhares para entender que era para irem embora naquele exato minuto.
De cabeça baixa, Minoru o acompanhou. Estava tenso e sem saber o que fazer novamente, mas isso não o impediu de reparar que, quando saíram pela porta, havia alguém ao lado dela. Eiji, obviamente, também reparou, mas como não se deteve nem proferiu palavra alguma, Minoru também não o fez.
...:CONTINUA:...
N/A: capítulo mais curto desta vez, me desculpem... eu pretendia escrever mais, mas este pedaço já estava pronto há mais de 6 meses! Então, pra ninguém pensar que morri, achei melhor postá-lo assim. E me desculpem pela demora! parece que consigo me superar a cada capítulo, mas não é de propósito! Creio que mais 2 ou 3 capítulos, e isto aqui chegará ao fim.
Setembro de 2008