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Fic Original
Autora: Litha-chan
Classificação: Yaoi, Angst, Romance, Lemon, ASNC, dentre outros... (+18anos)
Personagens: Mitzrael e Damabiah(Daniel), Nael.
Contato: litha (underline) 2003 (arroba) yahoo. com. br
Status: Em andamento
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Boa Leitura
Divino Amor
2º Capítulo - Anjos Caídos
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Sua cabeça doía tanto que andava com ela abaixada para não latejar mais. Não conseguia se lembrar de nada, só o seu primeiro nome, Daniel. Estava sem documentos, não possuía dinheiro, não possuía nada e pelo visto nem passado. Caminhando por entre as ruas daquela cidade que ainda não sabia o nome, se deparou com um abrigo, uma espécie de grupo de ajuda para ser mais exato.
Seus olhos vasculharam o local rapidamente enquanto não era acometido por outra dor aterradora. Conseguiu visualizar em meio aquela gente toda, um balcão de informações, era isto que precisava no momento. Respostas concretas.
Tudo parecia um caos, era uma única moça a atender sete pessoas. Pessoas famintas, pessoas perdidas, gente com tantos problemas... Quando conseguiu chamar a atenção da atendente, era tarde demais, sua consciência parecia estar sumindo e um torpor tomou conta de seu corpo. Estaria morrendo?
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Lentamente foi voltando a si e notou que estava deitado em um lugar macio. Queria se movimentar, mas estava ainda com sono. Era tudo tão branco e limpo. Estaria sonhando ou realmente morreu? Por que todos os seus pensamentos levavam a morte?
Olhou para o lado e viu que estava em um quarto com outras pessoas. Uma placa no alto da porta indicava que estava num hospital, uma vez que viu escrito ‘Sala de Emergência’. Respirou fundo e se levantou um pouco chamando logo a atenção de uma das enfermeiras ao lado de outra cama.
“O rapazinho, você tem que ficar deitado. Ordens médicas”. Falou sisuda a enfermeira que aparentava ter uns quarenta e poucos anos, e notou que a mesma se aproximava do prontuário de sua cama.
Seus olhos chegaram a brilhar só de pensar que naquele prontuário pudesse pelo menos encontrar alguma resposta. Algo que lhe dissesse quem era, de onde teria vindo... Um endereço, um local.
A enfermeira apenas tomou o prontuário nas mãos e com o cenho franzido lhe direcionou o olhar.
“Bem meu rapaz, aqui não consta nenhuma informação sobre você. Parece que não possui documentos. Você foi assaltado? Bom, pelo menos agora que você acordou posso preencher algumas informações e chamar um responsável ou alguém da família”.
Toda a sua esperança se esvaiu ao escutar as palavras rápidas daquela senhora. Parecia um pesadelo em vida não ter nada que lhe ajude a lembrar.
“Consegue falar? Tenho que lhe fazer perguntas, meu jovem”.
Forçando a voz e buscando apenas se encostar a cabeceira fria da cama de hospital, o ex-anjo buscou responder a senhora que estava agora ao lado da cama.
“Des... desculpe-me. Não lembro de muita coisa, na verdade só lembro de meu primeiro nome e nada mais... Daniel. Só isso que eu sei”. Falou fitando as mãos como se buscasse algo nelas que lhe respondesse o espaço em branco de sua mente.
A enfermeira sentiu um aperto em seu coração ao ouvir aquela voz. Melodiosa e melancólica. Em sua profissão já tinha visto muitas coisas. O que aquele rapaz lhe dizia era algo normal pelo que já presenciara naquele hospital. Apenas não entendia o porquê de estar sentindo aquele aperto.
“O médico te examinou, fizeram alguns exames e não consta nada que indique lesões que por ventura pudesse te deixar com perda de memória. Tente se lembrar menino, pelo menos seu sobrenome que procuro dar um jeito e descobrir mais alguma informação”.
“Sinto muito, mas... eu realmente não me lembro de nada. Desculpe-me”. Sentia-se perdido.
“Não se desculpe, apenas se você se lembrar de algo, avise-me ou a qualquer um dos enfermeiros”. Terminando de falar, a enfermeira já se direcionava para o final da cama com a intenção de colocar o prontuário no lugar e se retirar. A voz do rapaz a fez deter os passos por um breve momento.
“Diga-me... qual o nome da senhora?”. Elevou os olhos da mão para o rosto de traços já bem marcados.
“Sarah. Esse é meu nome jovem Daniel. O que precisar, me chame. Agora descanse”.
Sem esperar resposta de Daniel, a enfermeira se retirou da sala deixando-o com os demais pacientes.
Mais uma vez Daniel olhou para suas mãos, sem obter uma resposta sussurrou para si mesmo.
“Sem sobrenome, sem documentos, sem passado... Será que Deus se esqueceu de mim?”. Não entendia o porque de ter dito aquilo, mas ao final das palavras, se encontrava chorando, com as mãos por sobre a face.
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“Senhor... Senhor... Se quiser podemos ir até o jovem”. Dizia um jovem de cabelos ruivos e olhos castanhos.
“Não. Não quero que se aproximem dele. Ele é muito especial para que vocês possam tocá-lo. Eu mesmo vou até ele”. Os cabelos negros e ondulados com as pontas cacheadas emolduravam o rosto, belo e másculo, os lábios se curvaram em um sorriso malicioso, os olhos azuis tão claros que quase beiravam o branco.
Sentado de onde estava, podia ver e saber de tudo. Soube o que aconteceu antes mesmo de ver os anjos deixando o corpo desacordado do rapaz naquele banco de praça. Sabia que a nova vida do ex-anjo Damabiah já tinha sido re-escrita. E agora... daquele momento em diante, poderia muito bem ditar as regras, deixar os vários caminhos para que o jovem assim decidisse qual escolher.
Sim, escolhas... Livre Arbítrio!
Seus olhos se cerraram mais uma vez e as palavras simplesmente lhe escaparam pelos lábios.
“Mais uma vez Você se livrou de um de seus filhos. Luz de sua Luz, só porque ele desejava um sentimento tão puro. Até quando irás permanecer com essas proibições? Será até que todos os seus filhos se apaixonem e ousem alcançar o amor que só é permitido os homens? Eu ainda lhe amo, Pai, mas não lhe perdôo pelos seus atos”. Uma pequena, e solitária, lágrima escorregou pelo belo rosto para logo em seguida ser seca bruscamente por uma de suas mãos.
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“Deixaram-no dentre os homens?”. A voz forte, mas ao mesmo tempo melodiosa pode ser ouvida.
“Sim. O que deveria ser feito, está feito. Eu e Anauel deixamos repousando o corpo de nosso... o corpo humano de Damabiah, e projetamos em seus pensamentos o nome Daniel”. Gabriel, o príncipe dos Anjos, explicou.
“Como ele terá conhecimento de sua nova vida?”. Raphael questionava, deixando seus olhos vagarem entre a visão do jovem na cama do hospital, uma vez que a imagem de Daniel era projetada por entre as nuvens, para os rostos dos dois irmãos angelicais.
“Raphael...”. Teve a fala interrompida pelo anjo loiro que agora lhe olhava com uma expressão mais séria.
“Sabes muito bem que a dimensão terrena sofre interferência de nosso... dele! E tenho a plena certeza de que ele já deve ter ciência do que aconteceu aqui. Ele foi expulso, banido, mas ainda é um de nós. Tudo que sabemos, tudo que ouvimos ‘Dele’, ele também o sabes”.
Anauel escutava tudo calado, mas em seu pensamento apenas se preocupava com seu amigo Mitzrael e com o triste destino de Damabiah. Seu amigo não devia estar ciente do destino de seu amado irmão, uma vez que em meditação suspensa, o anjo ficava recluso de quaisquer contatos por toque mental ou não.
“Meu irmão...”. Raphael com um olhar mais brando se aproximou de Gabriel. “Vá, cuida-te do nosso irmão. Não é porque ele deixou de ser inteiramente um de nós que devemos abandoná-lo a própria sorte”.
Gabriel suspirou ao sentir a mão de Raphael pousar em seu ombro. Sim, não conseguiria deixar Damabiah a própria sorte. Teria que de alguma forma lhe dar pistas de que tudo no mundo dos homens havia sido preparado para ele.
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Na recepção do hospital, um jovem rapaz se aproximava do balcão.
“Por favor, estou procurando por um rapaz talvez ele possa ter dado entrada neste hospital, já procurei nos demais e lá ele não estava”. A voz era máscula e levemente rouca.
A recepcionista do hospital, fitou o rapaz notando o quão alto este era, uma vez que tinha se curvado um pouco para lhe falar através do vidro.
“E qual o nome do rapaz que procura, senhor?”. A moça vasculhava algumas pranchetas em busca dos registros de entrada. A pequena bagunça era causada pela falta de um computador, uma vez que o hospital não tinha verbas sobrando para manutenção dos existentes.
“Daniel. Ele é de estatura média, cabelos curtos e castanhos, têm duas mechas mais longas nos cabelos, nas laterais...”. Seu olhar vagou por todo o corpo da jovem.
A recepcionista notara o olhar intenso, e um pouco encabulada pela forma que era encarada, conseguiu localizar uma ficha quase que sem dados, mas com algumas descrições. Constava que um rapaz de cabelos castanhos tinha dado entrada no hospital há apenas algumas horas, mas que este não possuía nenhuma documentação.
A jovem puxou o registro e novamente encarou o belo rapaz a sua frente do outro lado do vidro.
“E o senhor é o que dele, familiar?”.
“Não, eu sou um amigo de longa data, crescemos juntos e como ele sumiu há alguns dias, me encarreguei de procurá-lo para a família. Ele está aqui nesse hospital, senhorita?”. O ar preocupado envolveu seu rosto, fazendo com que o olhar intenso e qualquer malicia que poderia passar com ele sumisse.
“Hoje mais cedo um jovem deu entrada aqui, mas não encontramos nenhuma documentação. Peço que o senhor se encaminhe até a emergência do hospital que fica naquela direção. Lá fale com um dos enfermeiros e este irá lhe mostrar quem é o rapaz. Avise que o senhor já passou pela recepção. Se for quem o senhor está procurando, informe alguns dados para o enfermeiro. Precisamos preencher a ficha dele”.
A recepcionista falava de forma rápida, evitando encarar aqueles olhos azuis claríssimos.
“Fico agradecido, senhorita. Até mais”.
Virou-se rapidamente fazendo com que seus longos cabelos ondulados e cacheados nas pontas balançassem. Com passos normais, longos para ele mesmo, mas rápidos para os de mais, caminhou em direção a placa que indicava ser a ala de emergência do hospital.
Sabia muito bem onde deveria ir, mas queria chamar pouca atenção. Sair invadindo um hospital não era algo interessante, até porque estava se divertindo aos se mesclar com os homens.
Poucos minutos depois, lá estava ele. Parado em frente à porta da sala onde Damabiah, atualmente Daniel Borges, se encontrava. Havia passado todas as informações necessárias para o enfermeiro preencher a ficha do paciente. Como poderia saber do nome e de todas as informações do ex-anjo? Simplesmente sabendo. Tudo abaixo do céu lhe dizia respeito. Tudo!
Abrindo lentamente a porta, pode visualizar o corpo de Daniel sentado e encostado na cabeceira de metal da cama. Sabia que aquele olhar, era um olhar distante e perdido. Tão mais perdido do que a situação que o ex-anjo se encontrava.
Caminhou lentamente até a cama, parando bem próximo ao rapaz. Se era para criar uma nova vida para o ex-anjo, mesmo sabendo dos passos de seus outros irmãos, ele estaria ali. Com um profundo suspiro deixou sua voz sair...
“Até que enfim consegui encontrar você Daniel... Procurei por todos os hospitais! Assim você nos mata de preocupação!”. Sua voz saiu dignamente preocupada. E sua atuação... perfeita para um Oscar.
O jovem que antes possuía um olhar perdido, distante de tudo que lhe lembrava que era um ‘ninguém’, voltou-se para a figura prostrada ao lado de sua cama. Seus olhos se cruzaram, castanhos com azuis, e algo no interior de Daniel se remexeu. Uma sensação quente e ao mesmo tempo um certo calafrio. De seus lábios, palavras roucas, vindas de lábios ressecados foram ouvidas...
“Quem... quem é você?”. A pergunta foi feita em duvida. Será que aquele homem lhe conhecia?
“Vai me dizer que não se lembra de mim? Pelo visto o que os enfermeiros comentaram sobre sua aminésia é verdade... Sou eu Dani, seu amigo de infância... Nael! Vim pra te levar pra casa”. Falou sorrindo e deixando uma de suas mãos tocar a face, assustada e ao mesmo tempo corada, de Daniel em uma leve caricia.
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Continua...
Agradecimentos a quem tem o tempinho para parar e ler esta minha original, deixando seus comments incentivando, criticando ou não, para que eu possa continuar: Blanxe, Mina-haker, Jhonkun.
Em breve postarei outras fics originais minha. Espero que vocês possam vir a gostar.
Bjins
Litha-chan