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Espero que gostem da nossa primeira história original. Pra ler a ficha dos personagens é só entrar nesse endereço:
Boa leitura!
Deadly Love – primeira parte
Ele não gostava muito dos dias chuvosos. Principalmente quando ele ainda estava fora do seu apartamento. Ryoma Yamada andava pelas ruas abarrotadas de Tóquio com seu guarda chuva preto, se esgueirando naquele mar se gente. O jovem detetive usava uma calça e blusa preta, que estavam coladas ao corpo, já que seu guarda chuva não o protegia muito da água que caía rapidamente. E seu inseparável sobretudo.
Kojiro voltava do colégio com sua gangue, caminhando por uma rua, quando a chuva começou. Estava escuro devido às várias nuvens que cobriam os raios do Sol. Todos estavam desprotegidos da chuva, com seus uniformes usados da forma mais desleixada possível. Ele acendeu um cigarro, puxando todo o ar e fumaça para si, depois soltando. Caminhavam conversando besteiras, quando olham um garoto de uma escola particular adentrando em um beco.
- Ei Kojiro! Aquele não é um estudantezinho daquela escola de filhinhos de papai?!
- Parece que sim. Mas o que aquele homem faz ali, atrás dele com aquela arma?!
- De certo é um guarda costas. Você sabe, esses grã-finos nunca andam desprotegidos!
Kojiro continuou caminhando na frente chutando uma latinha, quando ouvem o disparo de uma arma. O homem sai do beco, olha fixamente nos rapazes, ameaçando-os, e quando percebe a aproximação de mais pessoas, foge, se misturando na multidão.
Ryoma se alarmou quando ouviu um tiro. Muitos não haviam prestado atenção no barulho, mas seus ouvidos treinados pelos anos no exército captaram perfeitamente. Ele logo muda a direção e começa a seguir até um beco onde sabia ter vindo o disparo. Chegando lá ele se depara com um grupo de estudantes olhando fixamente pra dentro do beco. "Parece uma gangue", pensa. Então fala, em voz alta para ser ouvido através da chuva.
- O que houve aqui?
- Eu sei lá! – Kojiro deu de ombros, olhando fixamente para o homem mal encarado a sua frente – Vamos embora pessoal! – fez um gesto chamando os outros, não iria ficar ali.
As pessoas já os olhavam de forma estranha, como se eles fossem os culpados pela morte do filhinho de papai.
Ryoma olhou fixamente para o garoto que respondera, aparentemente o líder da gangue. Engraçado, ele conhecia o garoto de algum lugar...mas isso não importava agora. Ele entrou no beco e foi até o corpo do jovem estendido no chão, com um buraco relativamente grande no estômago.
Sem sinais de roubo, nada. Parecia mais...uma execução. Ryoma deu um sorriso ao perceber que teria um caso logo. Bom, já fazia tempo que ele não pegava nada. Com cuidado ele pegou a carteira do menino e viu sua identidade, sabendo assim onde ligar. Ele saiu do beco e foi até o orelhão mais próximo ligar pra polícia. Depois seria sua vez de agir.
Kojiro estava sentado sobre um engradado de frente a uma boate, atrás de si havia um muro pichado. Seus amigos estavam sentados em círculo, enquanto bebiam e fumavam, ao som de Angar 18 do Megadeath.
- Kojiro, você acha que vão nos procurar durante a investigação da morte daquele filhinho de papai?
- Sei, lá cara!
- Mas, você viu o jeito que as pessoas nos olhavam! E aquele cara que matou o garoto, será que ele virá atrás de nós?
- Eu já falei, eu sei lá! A mim isso pouco importa! Eu não matei ninguém! E quando a polícia chegou, a gente já tinha ido! Ninguém pode nos acusar de porra nenhuma!
Sentia-se nervoso, aquele homem estranho o olhava de uma forma que o deixava desconfortável, odiava ser olhado daquele jeito. Todos o olhavam com respeito ou temor, mas nunca daquela forma fria e superficial.
Ryoma acompanhou os policiais até o instituto médico legal, pois queria conversar com os pais do garoto. Infelizmente teria que procurar aquele jovem e sua gangue, pois eles estavam perto na hora do crime. E ele não queria. Aquele garoto lhe lembrava alguém...alguém que ele lutava fazia três anos pra esquecer.
- Você é o jovem que encontrou meu filho? - uma mulher por volta dos quarenta, interpelou-o.
- Sim, sou eu senhora. – respondeu num tom frio, porém educado. Era hora de trabalhar.
- Já são Puta que pariu! Eu tô ferrado!
- Fala quantas horas porra!
- Tá, agora são... – o rapaz apertava os olhos para ver as horas, a bebida o deixara zonzo – 4:30...
- É, hora de ir para casa, conversar com o velho!
Chegando em casa, a porta estava destrancada e seu pai, deitado no sofá.
- Koji!! Você está bem?
O rapaz deu um sorriso terno para seu pai, abraçando-o.
- Sim, eu estou, pai desculpa pelo atraso.
- Sim, você chegou muito tarde hoje, pensei que algo havia acontecido com você! Me deixou preocupado!
Na ausência da mãe, o pai havia se tornado preocupado e protetor
- Desculpa, pai... Acho melhor você ir dormir, deve estar muito cansado, não?
- É... estou sim...
- Então, boa noite, velho!
- Boa noite Koji. – o pai se despediu de Kojiro, subindo a escada para seu quarto.
- Boa noite mãe. – disse para o porta retratos subindo logo em seguida.
Ryoma chegou em casa super cansado. Ele tirou as roupas molhadas e colocou apenas um shorts para dormir. A noite havia sido longa! Ele secou seus cabelos curtos com uma toalha e depois se deitou na cama enorme. A investigação ia começar amanhã mesmo. E ia começar...procurando pela gangue que foram os últimos vistos perto da vítima.
- Que saco! – praguejou enquanto levantava da cama, indo se vestir, para ir para a escola. Vestiu seu uniforme como costumava, mas amarrou o agasalho na cintura.
Colocou no pescoço uma cruz prateada que pertencia a sua mãe, presa em uma tira de couro, jogou a mochila de forma descuidada sobre o ombro direito e desceu cumprimentando seu pai.
- Bom dia velho!
- Koji, você dormiu bem?
- Dormi pouco, mas dormi!
- Você tem que parar com isso! Você não leva uma vida normal...
- Eu nunca levei uma vida normal, velho!
- Eu sei, mas devia tentar ao menos.
- Nem...obrigado, mas eu gosto dela assim mesmo! Ela é um saco, mas pelo menos eu me divirto.
- E você vai estudar hoje?
Kojiro arqueou uma sobrancelha e se despediu do pai com um aceno.
Ryoma acordou bem cedo e se trocou após escovar os dentes. Ele ainda conservava velhos hábitos militares. Ele colocou uma calça jeans surrada, uma camisa preta e um sobretudo negro por cima. Pegou a carteira e saiu em direção a escola que ficava perto dali. Ele reconhecera de cara o uniforme que a gangue usava: afinal, Kohaku também estudara lá...
Afastando o antigo amigo da cabeça, ele se dirigiu a uma padaria em frente ao apartamento para tomar café da manhã.
Como sempre, chegara atrasado ficando de castigo, e mais uma vez pegavam no seu pé.
- Isso não é perseguição coisa nenhuma senhor Hanabi! – Kojiro apenas olhava o professor com uma cara de tédio, com um sorriso cínico estampado em seus lábios – Sabe muito bem que em todos os colégios do Japão temos uma exigência rígida do cumprimento do horário! Você não pode chegar aqui a hora que quer! Isso é um colégio, e não nenhum desses buracos com música barulhenta que você gosta de freqüentar!
Após tomar um café preto, o jovem detetive se dirigiu até a escola, chegando lá no momento que as aulas começavam. Respirando fundo, ele foi até a sala do diretor, após se identificar na entrada.
- Posso ajuda-lo Sr. Yamada?
- Claro. Gostaria de interrogar alguns alunos seus. Infelizmente não tenho o nome deles, mas eles usavam o uniforme desta escola...
- Me fale como eles são e ajudarei no que for possível!
Ryoma descreveu cada um deles, principalmente o jovem de cabelos cinza escuros, que lembrava tanto seu amigo Kohaku.
- Depois me dizem que não é perseguição! – Kojiro e seus companheiros estavam sentados no banco do lado de fora da sala de professores. Haviam sido chamados, mas não sabiam o motivo – Ainda bem que esse é o ultimo ano.
- Será mesmo senhor Hanabi? – um professor lhe disse com ironia.
- Será, eu não tô me lixando nem um pouco pra essa droga de escola! – logo fora chamado para dentro da sala.
Logo vira os alunos da tal gangue entrarem um por um na sala do diretor e o encararem com espanto, principalmente o líder. ele pigarreou e disse num tom frio:
- Como sabem, vocês estavam no local onde o estudante Toshi Hagata foi assassinado, portanto eu vou ter que interroga-los, um por um.
Koji apenas mostrava um olhar de revolta, era patético! Estava lá para dar satisfações pela morte daquele filhinho de papai?! Ele balançou a cabeça em uma negativa, enquanto passava as mãos pelos cabelos. Sentou-se relaxado na cadeira, colocando seus pés sobre a mesa, sendo chamado a atenção pelo professor.
Olhava de forma cínica para todos. Observou um de seus amigos fazendo um gesto com a mão que o fez rir, nem mesmo prestava atenção no que era dito.
- Senhor Hanabi! Tenha o mínimo de educação! – o professor chamava-lhe a atenção.
Ryoma revirou os olhos diante da infantilidade do grupo. Então teve uma idéia.
- Senhor...Kojiro, estou certo? Gostaria de fazer o favor de me acompanhar? – sibilou num tom frio.
O garoto arqueou a sobrancelha, mas foi seguindo o homem.
- Se ferrou! HAHA! – um amigo gritou para ele, e logo em seguida levou um cascudo. Hanabi não conteve um riso, acompanhando o homem.
- Bom, se é para me perguntar o que eu sei, respondo o mesmo de ontem...sei lá!
- Algo me diz que você e seus amiguinhos viram algo...que possa ajudar nesse caso senhor Hanabi. – dizia o jovem enquanto caminhava sem nem ao menos olhar para o garoto que o seguia – Acontece que longe deles, você parece ser mais fácil de conversar...não tendo com o que se distrair.
Ele então parou e encarou-o com seus olhos negros, como avaliando a alma do outro.
- Afinal, isso ainda é um interrogatório.
Se largou mais na cadeira colocando seus pés sobre a mesa, olhando com um sorriso sarcástico no rosto, e respondeu:
- Só respondo com o meu advogado! – olhava desafiador para o homem, zombando-o.
- Muito bonitinho da sua parte Hanabi Kojiro...ainda mais quando você pode ser indiciado por homicídio – sibilou Ryoma num tom sarcástico.
O jovem estreitou os olhos, ficando sério.
- O que? Não têm esse direito, já que eu não fiz nada contra aquele filhinho de papai! O que você acha que eu sou, assassino?! – olhava com revolta para o homem.
- Eu não sei...já vi pessoas mais "controladas" que você serem seriais killers perigosos. – rebateu sem se abalar – Só estou lhe avisando para levar esse interrogatório a sério, começando por sentar-se direito.
Kojiro sentou-se direito, tirando seus pés de cima da mesa.
- Escuta aqui, eu nunca se quer em toda a minha vida peguei em uma arma de fogo! Eu só estava lá naquele local, porque era o caminho da escola para casa!
Olhava com raiva para o homem, já haviam lhe chamado de tudo, mas nunca de assassino, e aquilo era uma profunda ofensa.
- Ótimo...então me prove senhor Hanabi. Você viu alguma coisa suspeita na noite de ontem, perto da vitima?
- Tá certo, tinha um homem com ele, eles entraram no beco e eu estava andando na frente da turma, chutando uma lata, quando nós ouvimos o disparo, foi isso! – olhava sério para o homem – Depois disso ele ficou um tempo olhando para a gente, e fugiu, foi isso!
- E como ele era? Consegue descreve-lo? – perguntou Ryoma anotando num caderninho, mas não tirando seus olhos negros de Kojiro.
- Olha, descrever... Bom, ele estava vestido como um guarda costas, mas não seu dizer a fisionomia, porque nessa hora a chuva ficou mais forte e turvou a minha visão, tava quase impossível manter o olho aberto com aquela chuva.
- Imagino... – “já devia ter bebido todas...”, pensou Ryoma. – Obrigado senhor Hanabi, você foi de muita ajuda!
Ele levantou-se para se retirar, mas voltou-se e entregou um cartão que tinha seu nome e o telefone da sua casa.
- Me ligue se algo acontecer, e acredite, vai acontecer...seus amigos devem tomar cuidado, por que todo assassino adora sumir com as testemunhas.
- Bom, pelo menos ninguém sentirá falta, ele fará um favor para os professores. – respondeu de forma sarcástica, amassando o cartão e colocando-o no bolso – O prazer foi meu. – olhava com deboche.
- Uhn...não diga isso, pois você nunca sabe quem irá sentir sua falta – disse num tom amargo, deixando transparecer pela primeira vez alguma emoção a voz – Até senhor Hanabi.
Ele saiu da sala e foi falar com o diretor que ainda estava com os outros garotos.
- Certo, calem a boca, sejamos educados, ou seremos indiciados por homicídio! – falava com os amigos, ainda dentro da sala dos professores.
- Essa é boa, já não bastam nos chamar de marginais, ainda nos chamam de assassinos!
- Senhor hanabi, volte para sua sala!
- Se o professor me deixar entrar, até que eu posso fazer isso.
- Certo, certo, e você acha que ele vai te deixar entrar, né Koji? Você ainda tem esperanças disso.
- Claro que não! Acho que vou lá para o terraço mesmo!
- SENHOR HANABI!
- Sabe onde me encontrar, professor!
Sem dar ouvidos, Kojiro continuou e foi para o terraço da escola. Sentou-se acendendo um cigarro.
Ryoma saiu pensativo da escola, após ter conversado com os outros garotos. O que não dera muito certo, já que eles ficavam rindo e fazendo piadinhas o tempo todo. "Infantis", pensou com tédio. Agora era fazer trabalho de campo. Ele saíra tão concentrado que nem percebera uma sombra suspeita que o espreitava na saída do colégio.
Fim da primeira parte
Gente, comentários, sim? Até!!!
Mystik e Lili-k