Share/Save/Bookmark
Home Just In Communities Forums Beta Readers Dictionary Search Login Register Extras
Fiction » Mystery » Julie Franklin e o Mistério do Falso Conde font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Sara Lecter
Fiction Rated: K - Portuguese - General/Mystery - Reviews: 29 - Published: 01-31-05 - Updated: 05-23-05 - Complete - id:1821792
JULIE FRANKLIN e o Mistério do Falso Conde

Mistery Fiction criada por Vandinha Adams em 13 de Janeiro de 2005


Epílogo

Era uma terça-feira quase quente, 24 de maio de 2005. Depois de um intenso inverno na Europa, a Gasconha começava a absorver o clima do Mediterrâneo, onde o sol reinava durante os dias e permitia que as noites mantivessem seus laços com o frio.

Printemps. Alexander não conseguia pensar em uma palavra melhor do que primavera para definir aquilo que via pela janela. O bosque atrás do castelo estava verde novamente, depois de quase um ano, e na cerca–viva da parede abaixo do balcão de seu quarto começavam a brotar as primeiras flores.

Ao longe, na estrada que dava acesso a propriedade, Alexander viu o carro vindo em alta velocidade. Sorriu. Tirou as mãos dos bolsos e correu uma delas pelo cabelo. Suspirou. Deu as costas à janela, depois se voltou para ela mais uma vez. Fechou os olhos e inclinou a cabeça, apoiado no parapeito do balcão.

Sentiu aquilo novamente. Uma espécie de frio no estômago, um arrepio, uma excitação. Ansiedade talvez definisse melhor. Nervosismo era um sinônimo. Por quanto tempo seria assim? Por quanto tempo ainda sentiria a presença dela a quilômetros de distância? Por quanto tempo ficaria daquele jeito toda vez que ela saísse de casa?


Ela nem se preocupou em guardar o Renault. Desligou a ignição, inclinou-se no banco, apanhou um envelope pardo do banco de trás, a bolsa do banco do carona, deu uma rápida olhada no cabelo através do retrovisor e saiu do carro, batendo a porta. Precisou de cerca de dez passos até alcançar as escadas. Respirou fundo já quase na porta de entrada do castelo, ajeitou a saia, tirou os óculos escuros e entrou, apressada.

Mademoiselle, que bom que chegou.

Salut, Marie. Você chegou a-

– Sim. Deixei-os em seu quarto, mademoiselle.

– Ah, merci. Alexander saiu?

– Não que eu tenha sido comunicada, mademoiselle. Ele estava no quarto quando deixei seus sapatos lá.

– Hum, sei. Excusez-moi, Marie.

Ainda carregando o envelope, ela se dirigiu a escada que levava a Torre Norte. Subiu os degraus em curva praticamente correndo, venceu o corredor e nem hesitou diante da porta, entrando de súbito.

Alexander estava em pé, no meio do quarto, como se soubesse exatamente o que ela queria. Julie sorriu, um tanto nervosa, baixou os olhos e esperou a própria respiração voltar ao normal. Viu o olhar do Conde para sobre o envelope e alcançou-o, mordendo os lábios.

– É o resultado?

– Aham – ela não queria falar muito.

Ele abriu e retirou algumas folhas impressas, sobre as quais apenas correu os olhos, detendo-se na última delas.

– Vencemos?

– Acabaram de se manifestar. Beyle já recebeu uma cópia da decisão dos magistrados... deram ganho de causa a você e sua irmã.

– Puxa, eu... eu nem sei o que dizer... isso é ótimo!

– Sim – Julie ainda não o encarara nos olhos. – A partir de agora, as posses serão transferidas para o nome dos Beaumarchais... isso dele levar mais quatro ou cinco dias. Cerca de quarenta por cento acabará ficando com o governo. A transferência judicial exclui vocês daquela lei especial que eu mencionei, sobre impostos.

– Sei.

– Dez por cento do que sobrar entra no seu acordo com Beyle e... – Julie respirou fundo mais uma vez. – trinta por cento é da minha equipe.

Durante um minuto nenhum dos dois disse absolutamente nada. Julie sequer se mexeu, Alexander talvez nem tenha respirado.

– E isso quer dizer que... acabou?

Julie fechou os olhos com força e deixou que algumas lágrimas corressem por sua face. Os últimos meses passaram como um filme diante dos seus olhos. Ao mesmo tempo, sabia que jamais conseguiria deixar seus amigos para trás, seu trabalho, a vida que tanto lutara para construir. Fora uma de suas mais difíceis escolhas, mas Julie tivera tempo para pensar, tivera tempo para descobrir e viver os dois lados, tivera tempo para ver que seus interesses, naquele momento, estavam muito à frente de suas vontades...

Incrível como aquilo parecia bem mais difícil quando finalmente chegara a hora. Incrível como a certeza de momentos atrás se dissipara ao encontrar os olhos do Conde, e ao sentir que seu coração ardia como se fosse esmagado por ferro em brasa. Ardia como se ela fosse morrer dali a dois minutos ou menos. Ardia de tal forma que seu peito ficara apertado, seus pulmões não mais aspiravam o ar... era uma dor excruciante. Era uma dor que a fazia sentir-se miserável. Absolutamente sem saída.

– Eu amo você, ‘zender. Amo muito.

– Eu sei.

Então ele fechou os olhos. E ficou sentindo a mão dela acariciar o seu rosto, enxugar suas primeiras lágrimas e contornar os seus lábios. Julie aproximou se corpo do dele com cautela, desceu a mão direita pelo seu queixo, depois pelo colo, depois pelo peito, ainda sobre a camisa. Ele a abraçou com força e Julie retribuiu intensamente, repousando sobre o seu ombro e estancando as lágrimas teimosas, sentindo as mãos de Alexander confortarem suas costas, subirem até a nuca e forçarem sua cabeça, obrigando seu rosto a ficar diante do dele.

“Eu sei. Mas muito obrigado por dizer...”

Alexander voltou a fechar os olhos, quase imóvel. Julie admirava seu rosto enquanto abria um a um os botões de sua camisa, inclinando-se para beijar o peito do Conde a cada nova fresta, mas voltando a mirar seu rosto o tempo todo. Quando ela começou a tirar a peça de roupa de dentro das calças e a desafivelar o cinto que ele usava, sentiu uma das mãos de Alexander segurar seu queixo com delicadeza. Os lábios se tocaram gentilmente, timidamente, receosamente das primeiras vezes. Julie abraçou-o e manteve um beijo mais longo depois de algum tempo, relaxando em seguida. Alexander explorava o momento sem pressa, saboreando cada instante e cada detalhe daquilo que poderia ser mais um simples beijo... mas não era. Nenhum dos dois estava disposto a deixar que fosse.

Julie nem notou quando mergulhou definitivamente na sensação de calma, prazer e segurança que tinha com aquele tipo de contato. Perdeu a noção de tempo e espaço, e só voltou à realidade quando sentiu a mão de Alexander percorrendo sua perna esquerda, levantando sua saia até a cintura e permitindo que os dois corpos ficassem ainda mais próximos; as pernas entrelaçadas, os lábios colados e os braços abraçando, tocando, sentindo e provocando cada parte do corpo um do outro.

Sem pressa alcançaram a cama, livraram-se da colcha, das roupas, de qualquer coisa na qual poderiam estar pensando e consumaram o ato. Ali... naquela mesma cama, onde tudo começara há tão pouco tempo... E foi ali que Julie descobriu o quanto quatro meses poderiam passar depressa, e quanto aqueles instantes aparentemente rápidos poderiam ser eternos... se ela fosse capaz de lembrar de cada detalhe...

FIM.


Julie Franklin e o Mistério do Falso Conde

Criada em 13 de Janeiro de 2005.

Concluída em 21 de Maio de 2005.

Continua em...

Julie Franklin e o Tesouro de Flávio Creto


Agradecimentos

Stephen King costuma dizer que ninguém escreve uma história sozinho. Ele tem razão. Absoluta razão. Quem escreve está o tempo todo observando... não apenas coisas e pessoas, mas os seus sentimentos.

Antes de tudo, somos profundos analistas de nós mesmos. Sempre. Todas as nossas críticas, toda a nossa visão da sociedade parte daquilo que somos, daquilo que fizeram de nós.

E quando você escreve alguma coisa, está reproduzindo isso através da ficção. A nossa função, como amadores, não é mascarar ou esconder essa influência, mas usá-la do modo correto...

Assim, muito mais por desejo do que por obrigação, gostaria de agradecer em especial às pessoas que de alguma forma ajudaram o Mistério do Falso Conde a se tornar uma realidade.

À Rosana, Glécia, Joice, Lilian, Rúbia, ‘carolzinha e Fabieli que leram primeiro, que leram sempre e que deram grandes idéias. Amigas: com algumas de vocês eu acabei perdendo o contato, mas o bocado de tempo que passamos juntas valeu por mais de uma vida, certo?

À Laura e ao Neto, que muito mais do que colaboradores oficiais de “Vandinha Adams”, foram irmãos, amigos e confidentes. Nas horas de maior desespero, vocês devoraram livros e vasculharam a Web atrás de informações que só mesmo uma maluca como eu poderia precisar. Me desculpem se abusei de vocês, se fui grossa ou se simplesmente não retribuí a atenção... vocês sabem o quanto fico nervosa quando uma história vai pro ar... é tensão do início ao fim!

À Clio Trimegista, que leu primeiro na internet e teve a bondade de se oferecer como beta-reader de uma história que, imaginem, era cheia de furos e fios soltos, isso sem falar nos erros de português. Clio, você foi embora porque tinha sonhos maiores do que a nossa terra, certo? E que ninguém lhe condene e que você não esteja arrependida... sinto saudades das nossas conversas e dos e-mails com assuntos meio sem nexo, mas que ocuparam as minhas férias muito mais do que os entediantes diálogos das pessoas que conviviam comigo naquela época...

À Juni Bristow, que mais do que salvar o barco, deu fôlego novo ao Mistério do Falso Conde. Foi você quem sustentou essa história e quem fez com que ela continuasse on-line. Quanto à betagem dos últimos cinco capítulos, bem, isso eu não tenho palavras para agradecer. Espero que possamos continuar essa parceria, e a trocar e-mails significativos... (não se esqueça das notícias do yahoo... rsrsrsrs). Talvez um dia nos conheçamos pessoalmente e eu possa dar um forte abraço em você, e agradecer decentemente por ter me “ouvido” e por ter tido a presença de espírito de responder quando eu era extremamente prolixa nas mensagens. Brigadão!!!!

À quem eu pensara em escrever o maior dos parágrafos, mas que simplesmente desapareceu... Foram tantas idas e vindas, não? Batemos o recorde e conseguimos brigar por carta, por e-mail, por telefone e... para coroar: pessoalmente! Faltou o telegrama, não acha? Ok, sei que você não gosta quando sou sarcástica (e eu coloquei você em muitos personagens), então é melhor não me estender. Mas como sei que sempre acabamos voltando, não quis esquecer de agradecer a você... porque quando brigamos é que tenho os maiores surtos de criatividade, e quando estamos bem – o que tem sido raro, não é mesmo? – posso aprender um pouco mais sobre como ser uma pessoa melhor. Então, obrigada por existir. E obrigada por (agora só de vez em quando) me aturar quando estou de ressaca, atolada no trabalho ou simplesmente de mau humor. Obrigada por ter me conhecido. Obrigada por ter roubado aquele beijo... e todos os que vieram depois dele.

À quem leu até aqui, mesmo não deixando review ou mandando um e-mail, obrigada por ter acompanhado a minha primeira Mistery Fiction. Aos interessados, pretendo publicar a continuação em breve, é só o tempo de começar a escrevê-la.

À todos que de alguma forma – mesmo indiretamente – contribuíram para essa história. Aos que me inspiraram personagens, aos que me deram dicas, aos que simplesmente me contaram alguma história de sua vida que eu acabei usando. Julie Franklin é uma colcha de retalhos... e a cada um deles, meus sinceros agradecimentos.

Vandinha Adams!



Return to Top