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Keystone High
VI – Na biblioteca - Final
“Biblioteca, quinta-feira às duas da tarde?”
“Estarei lá.”
“Espero que esteja mesmo. Ou não.”, pensava Kathleen, enquanto andava até a biblioteca. A temperatura havia aumentado muito naqueles últimos dias, deixando-a corada. Carregava a blusa embaixo do braço, junto com seu fichário da Hello Kitty e o livro de Matemática, se preparando para mais uma tarde de estudo. Ou de tortura. Cada vez que via David se lembrava daquela noite na festa do time de futebol.
“Quer ir numa festa no sábado?”
“Uma festa?”
“Na casa do Brad... Um dos jogadores.”
Era tudo o que ela queria naquela hora. Estar perto de David em todos os momentos. Sabia que ninguém mais a convidaria para uma festa, logo ela, a pessoa menos popular da escola. Gostava tanto dele, mas achava que a recíproca não era verdadeira. Não depois de vê-lo beijando a menina que ela mais odiava em toda a escola. Sandy Sanford.
“Kath! Espere!”
Não. Ela não ia mais esperar que ele deixasse Sandy, o time e tudo o que ele queria, para voltar a ser seu amigo. Não iria mais se sentir revoltada ou triste. Entraria na biblioteca agora, sentaria-se à mesa, abriria o livro e seguiria com uma relação extremamente profissional.
Seu coração começou a pular assim que viu David sentado a uma mesa da biblioteca.
“Droga”, pensou ela, “por que tem que ser assim?”.
Andou rapidamente até a mesa, se sentou e abriu o livro, sem respirar. Dave olhou para ela.
“Oi Kath.”
“Vamos começar?”, ela disse, tomando fôlego.
“Ok”, respondeu, voltando os olhos para o seu livro.
Kathleen abriu seu livro no segundo capítulo e foi procurar um lápis na sua bolsa quando ouviu uma voz estridente. Aquela voz inesquecível que não conseguia suportar.
“Olha só quem está aqui!”
Sem se virar para olhar, Kathleen apenas ouviu o barulho de passos, cada vez mais próximos. Até que eles pararam ao seu lado.
“Oi Dave, querido!”
“Oi...”
“O que vocês dois estão fazendo aqui?”, disse, apontando para Kathleen.
“Trabalho de matemática... se você não se importa, nós estamos ocupados agora.”
Kathleen olhou para David, agradecida. Estava começando a pensar que ele iria convidar Sandy para sentar com eles ou algo assim. Mas ela já esperava que nem seria necessário convidar... Sandy puxou uma cadeira e se sentou do mesmo jeito.
“Então vou ficar aqui com você até vocês terminarem.”
“Não precisa, Sandy.”
“Mas eu quero...”
Kathleen não era obrigada a agüentar aquilo. Levantou-se, jogando o livro em cima da mesa.
“Ele disse que NÃO PRECISA, SANDY!”
Sandy deu um pulo na cadeira. Não esperava aquela reação daquela que pensava ser a menina mais quieta da sala. Todos olharam para eles, alguns pedindo silêncio. Ela também se levantou, cruzando os braços, com um sorriso no rosto.
“E quem você acha que é, Simpson?”
“Eu sou a parceira de matemática do David e nós estamos fazendo trabalho!”
“Será que é só isso mesmo? Ou será que você... gosta dele?”
Kathleen piscou os olhos e engoliu em seco, sem saber o que responder.
“O... o quê?”
“Você gosta do David, mas não quer admitir porque sabe que ele gosta DE MIM!”
Sem saber o que dizer, Kath saiu correndo da biblioteca, sob os olhares curiosos de todos que observavam a cena. Sandy riu, colocando a mão no ombro de David, que ainda estava sentado, atordoado com tudo que havia acontecido naqueles últimos minutos.
“Vamos, Dave, vamos sair daqui. Nós podemos...”
Ele se levantou, encarando-a.
“Não tem nada de ‘nós’. Não existe um ‘nós’. Foi você que inventou um ‘nós’.”
“David, do que você está fa...”
“O que te dá o direito de se meter na vida das pessoas? Você é uma chata, metida e convencida que se acha melhor que todo mundo! Pois saiba que você não é melhor! Não é melhor que ninguém no mundo inteiro!”
David saiu da biblioteca, com raiva. Sandy ficou parada no mesmo lugar, sem reação. As pessoas em volta começaram a rir.
“O que vocês estão olhando? Cuidem das suas vidas!”
Elas riram mais alto, apesar dos protestos da velha bibliotecária.
“Kath...”
Ela levantou a cabeça. Lágrimas escorriam pelo seu rosto. Um desespero passou pelo seu corpo, seguido de vergonha. Sentiu sua face corar, enquanto tentava se explicar.
“Dave, o que ela disse... o que a Sandy disse...”
Ele abaixou-se para olhá-la nos olhos e deslizou os óculos dela pelo nariz, até retirá-los. Passou os dedos pelo seu rosto, enxugando as lágrimas. Aproximou-se mais, até seus lábios se tocarem, em longos segundos. Parecia que haviam esperado aquilo suas vidas inteiras. Seus corações bateram em uníssono. Quando se afastaram, David murmurou:
“Kath, sua bobinha... Você ainda não havia percebido que eu também gosto de você?”
Ela não conseguia acreditar no que havia acabado de acontecer, quanto mais no que havia acabado de ouvir. Como ele, que era um jogador de futebol, um dos caras mais populares da escola, que podia ficar com qualquer garota que quisesse... Queria ficar com ela? Mas não queria ouvir explicações. Não precisava. Enlaçou seu pescoço, abraçando-o.
“E eu gosto de você.”
E era só isso que importava agora.
FIM