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Love of my life – sétima parte
O silêncio era mortal. A luz iluminava parcialmente seus rostos enquanto eles se encaravam. Hajime começou a descer seu olhar para baixo, novamente observando cada traço do amigo. Deus, como Hiro conseguira ficar ainda mais lindo? Os braços estavam mais pálidos e torneados do que se lembra, o abdome mais definido. Algumas cicatrizes podiam ser vistas em seu ombro direito e o moreno nem queria pensar em como elas surgiram.
- Eu sinto muito.
Hajime piscou, voltando a encará-lo.
- O que?
- Eu sinto muito. Pela morte da sua mãe. - respondeu Hiro, finalmente desviando o olhar.
- Ah. Isso. - Hajime brincou com o óculos preso na gola da camisa que usava - Finalmente ela está em paz...pelo menos.
- Que bom.
- E então...já jantou?
Hajime piscou, coçando a cabeça.
- Na verdade não, eu e a Akane tínhamos comprado algo para fazer.
Hiro mordeu o lábio inferior, dando um passo para frente.
- Eu posso fazer algo pra você comer...se você quiser.
O moreno mais velho riu de repente, divertido.
- Hiro...você não consegue nem fritar um ovo.
O moreninho sorriu de volta, ignorando como seu coração bateu mais depressa com aquela risada.
- Fique o senhor sabendo que eu aprendi a cozinhar. E muito bem, diga-se de passagem. – respondeu Hiro na sua melhor voz.
Hajime arqueou a sobrancelha, dando um passo pra frente.
- Mesmo?
- Vai querer provar? Anda me pede qualquer coisa.
- Não precisa...
- Anda, pede.
Hajime suspirou, jogando o cabelo comprido atrás do ombro.
- Tá, me faz um omelete.
Hiro franziu o cenho, se aproximando, passando por Hajime e pegando as sacolas no chão.
- Assim, você até me ofende.
- Eu preciso ir com algo fácil no começo, não acha?
O moreninho riu, se aproximando de Hajime novamente, seu coração agora disputando uma maratona. Ele olhou-o brevemente por baixo da franja e seguiu para a cozinha, acendendo a luz.
- Eu diria para você ficar a vontade, mas como não é a minha casa...
- Ahn...não tem problema. – disse Hajime, seguindo-o e sentando-se na cadeira de mesinha que ocupava o centro da cozinha – Precisa de ajuda?
- Não, pode esperar que eu preparo tudo sozinho.
- Ah, tá.
E novamente aquele silêncio quase constrangedor preencheu o ar. Hajime suspirou, deslizando os dedos longos pelos cabelos compridos. Não era como se não estivesse feliz por ver Hiro, após todos aqueles anos; pelo contrário, o moreninho ainda tinha a capacidade de lhe fazer a boca secar em apenas cinco segundos. Mas agora o mais velho percebia uma barreira entre eles, um muro alto e feito de concreto que Hiro erguera.
Isso lhe irritava profundamente. E sua consciência insistia em querer quebrar aquele muro. Hajime só não sabia se conseguiria.
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- Não acredito Akane!!
A morena se encolheu com a exclamação quase estridente ao seu lado. Ela torceu o nariz, virando o olhar para sua amiga, Reika.
- Não acredita no que? – perguntou por fim, depositando outro pedido na janela da cozinha do restaurante onde trabalhava – Mesa setenta!
- Que você conhece Hajime Kaneda não me contou! – exclamou Reika novamente, as palavras enfáticas sendo reforçadas pelo balançar de sua cabeça loira.
- Ah, isso. – Akane riu – Como você descobriu?
- Porque Honjo-san ouviu você ligando pra ele anteontem! Não acredito!
- Calma, Reika, respira. – a morena riu, jogando a trança do cabelo por trás do ombro – Eu só não achei grande coisa para te contar.
- Não achou grande coisa? Não achou... – Reika suspirou – Akane, você conhece Hajime Kaneda, astro de “Heiken 3” e diz que não acha grande coisa?
A morena riu dos olhos quase brilhando da amiga, esquecendo que o moreno agora causava esse efeito nas pessoas.
- É porque eu não o vejo dessa maneira, ele é meu amigo, só isso.
- E ainda por cima é seu amigo! – exclamou Reika, mais indignada ainda. – Se bem que isso é um alívio, achei que você era amante secreta dele ou algo parecido.
Akane agora gargalhou, pegando outro bloquinho de anotações, enquanto arrumava a franja, recolocando as presilhas na cabeça.
- Não, eu não sou a amante secreta dele. – ela piscou, divertida – Embora, devo lhe avisar que o coração dele já tem dono.
- O que? Quem é a sirigaita que roubou o coração do meu Hajime? Anda, fala!
Akane riu de novo, se afastando da amiga sem responder. Ah, se ela soubesse...a morena torceu o nariz. Só esperava que quando voltasse para o apartamento ela iria encontrar os dois na cama e não mortos no chão.
- Homens... - suspirou Akane, indo atender mais uma mesa.
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- Nossa, isso está muito bom!
- Eu te disse.
Hajime sorriu com o jeito superior que Hiro falava, pegando mais uma garfada da omelete. Ele levantou os olhos, encarando as íris verdes do outro.
- Acho que lhe devo desculpas por duvidar de suas habilidades culinárias.
Hiro mordeu os lábios, encostando os dedos no ombro direito, gesto que ele repetira muito nos últimos minutos, Hajime reparara.
- Não é como se você tivesse provado qualquer coisa que eu tenha feito antes.
- Você nunca cozinhou pra mim antes porque você era péssimo na cozinha.
- Verdade.
Ambos riram, o som acabando aos poucos, quando eles voltaram a se encarar. Hajime suspirou, terminando de comer, logo afastando o prato de si. Se era ele quem ia começar o assunto, era bom que começasse logo. O moreno entrelaçou os dedos e apoiou o queixo neles, encarando o amigo.
- Acho melhor acabarmos com essa tensão de vez.
Hiro arregalou os olhos quando ouviu aquelas palavras. Ele levantou-se abruptamente, mordendo a boca.
- Eu vou lavar os pratos, a Akane vai me matar se eu deixar tudo pra ela...
Hajime levantou-se, segurando-o pelo braço antes que ele fosse longe.
- Já chega Hiroshi!- o nome completo paralisou o moreninho - Nós evitamos isso por cinco anos, mas não dá mais! Eu quero resposta, eu exijo respostas!
- Você exige Hajime?! - rosnou Hiro, soltando seu braço do aperto do outro, ignorando a onda de calor que aqueles dedos deixaram em sua pele - Eu não te devo respostas, desde que tudo acabou entre nós!
- É sobre isso que eu exijo respostas! Droga Hiro, como você acha que eu me senti sabendo que você não queria mais saber de mim através de uma carta? Eu nem poderia voltar a Tokyo para vê-lo por causa do seus pais, não tive chance alguma de lutar por nós!
- Eu não queria que você lutasse por nós!! - exclamou o moreninho.
Eles se encararam, o silêncio ensurdecedor. Hiro desviou o olhar primeiro, afastando-se dele, indo em direção a sala, tentando acalmar seu coração teimosamente. Logo ouviu os passos de Hajime atrás dele e antes que pudesse ir muito longe, sentiu aqueles dedos puxá-lo pelo pulso. Ele virou o rosto, pronto a mentir, a teimar, a insistir novamente em que deixassem isso pra lá quando viu os olhos cor de mel, cheio de lágrimas. Ele paralisou novamente, odiando ver o choro preso na pessoa que ainda amava mais do que admitia.
- Porque? - foi a única coisa que Hajime sussurrou.
Hiro respirou pesadamente, desviando os olhar, sentindo seu próprio choro querer sair. Ele fechou os olhos, apertando-os, sentindo os dedos em seu pulso puxa-lo pra mais perto de Hajime. A voz aveludada, levemente rouca pelas lágrimas não derramadas, penetrou seus sentidos.
- Você ainda faz isso.
Ele abriu os olhos, voltando a encara-lo, estremecendo quando sentiu a mão esquerda de Hajime deslizar pela sua bochecha, secando algumas lágrimas que escaparam.
- Isso o que? - perguntou baixinho.
- Quando quer fugir de algo ou esconder alguma coisa de mim, você fecha os olhos apertado, não me encarando.
Ele sentiu seu ar faltar por leve segundos antes de sussurrar.
- Eu não queria mais machucar você. Eu não quero que você sofra por minha causa.
Hajime franziu o cenho dolorosamente, como que remoendo algo.
- Você não entende Hiro? Ficar sem você todos esses anos, sem poder ao menos ter alguma notícia, me fez sofrer mais. Eu te amava Hiro! - ele deslizou os dedos pelo pulso do moreninho - Eu ainda te amo.
Hiro ofegou antes de fechar os olhos, algo dentro de si se quebrando. Ele se aproximou e logo puxou Hajime pela cintura, beijando-o calorosamente, cheio de saudades. Deus, como aquela boca lhe parecia ainda mais doce e intoxicante.
Hajime ofegou, sentindo os dentes de Hiro morderem seu lábio inferior. Logo ele soltou o pulso do outro e puxou-o pela cintura igualmente, subindo as mãos pelas costas nuas, puxando-o pelos cabelos, colando seus corpos.
O tempo congelou antes de acelerar com força e ambos gemeram, se agarrando um ao outro. Hajime empurrou-o até que sentiu as costas de Hiro baterem contra a parede da sala. O moreninho logo enlaçou uma das pernas na cintura do mais velho, o movimento fazendo seus baixo-ventres entrarem em contato direto. Hajime grunhiu, sua mão deslizando por aquela coxa, apertando-a com vontade. Suas línguas se entrelaçavam com fervor, desesperadamente, ambos lembrando-se muito bem da primeira e única vez que haviam ficado juntos. Parecia que iam consumir o tempo perdido dessa vez.
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Ela foi entrando com cautela pelo apartamento. A primeira coisa que notou foi o rastro de roupas jogadas que levava ao quarto de hóspedes, onde Hiro estava ficando. Akane arqueou a sobrancelha, seguindo a trilha.
Quando abriu a porta, ela colocou a mão na boca, observando a cena:
Hiro dormia profundamente, o braço direito jogado sobre os olhos. Hajime estava ao seu lado, de barriga pra baixo, o braço esquerdo colocado possessivamente sobre o estômago de Hiro, envolvendo-o pela cintura. O que lhe chamou a atenção foi o braço esquerdo de Hiro sobre o braço em sua cintura, enrolados um no outro. O mais velho tinha o rosto escondido no pescoço de Hiro e Akane não duvidava que eles tinham as pernas entrelaçadas por debaixo do lençóis, que era a única coisa que os cobria no momento.
Por um momento ela ficou parada, apenas olhando. Então ela sacou o celular da bolsa, mirando nos dois e tirando uma foto. Após isso, lentamente, ela foi fechando a porta, até ouvir o ‘click’ final dela. Ela comemorou em silêncio, quando na verdade queria gritar e soltar fogos de artifício.
A morena voltou a sala, recolhendo as peças de roupa e colocando-as no sofá. Então foi até a cozinha, beber um copo de suco de laranja, observando os pratos por lavar na pia. Akane suspirou, logo pegando um pedaço de papel, escrevendo algo. Ela deixou em cima da mesa e foi para o seu quarto, trancando-o. Precisava dormir um pouco. E falar milhões de vezes ‘até que enfim’ na cara dos amigos, depois.
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Hiro franziu o cenho, resmungando algo, sonolento. Ele se sentia quente, enrolado em algo aconchegante. Os olhos verdes se abriram e logo ele notou o corpo nú ao seu lado, suas pernas entrelaçadas debaixo do lençol.
Hajime.
O moreninho sorriu abertamente, afundando seu rosto nos cabelos negros e mais compridos do que se lembrava, sentindo aquele cheiro de shampoo de ervas que aparentemente o amigo não parara de usar. Hajime resmungou algo, suspirando e apertando o seu quadril levemente. Hiro começou a levantar da cama, separando-se lentamente do amigo, não querendo acordá-lo. Após quase cinco minutos de movimentos lentos, ele conseguiu e mirou seus olhos na figura quase angelical de Hajime deitado naquela cama.
Hiro se espreguiçou e foi em direção ao banheiro que tinha no quarto de hóspedes, completamente nu, coçando a cabeça ao longo do caminho. Ele logo ligou a ducha de água quente e entrou debaixo dela, fechando os olhos, de cabeça baixa.
O beijo foi quente e necessitado enquanto Hiro sentia Hajime invadi-lo por trás, longa e firmemente. Seu membro pulsou em prazer e ele gemeu dentro daquela boca, sentindo os dedos longos do amigo segura-lo pelo quadril, quase possessivos.
Hiro abriu os olhos, e logo percebeu que sua mão desenhava círculos em volta do seu umbigo, preguiçosamente. O banheiro estava coberto de vapor por causa da água quente, causando uma falsa privacidade que ele apreciava e muito. Ele encostou a testa contra o azulejo e sua outra mão deslizou para baixo, tocando atrás de si, na sua entrada. Ele sibilou quando seus dedos resvalaram naquela região, ainda sensível da noite passada. O moreninho sentiu algo escorrer pelas suas pernas e gemeu, perdido em lembranças.
- Hajime...Hajime, deus, mais forte...
Os nós dos dedos de Hiro estavam branco tamanha a força que ele segurava a cabeceira da cama enquanto o mais velho o possuía selvagemente. Ele sentia aquele peito definido colado as suas costas, aquele membro rígido inteiro dentro de si, tocando pontos que ele nem sabia existirem e serem tão sensíveis. Hajime gemia rouco e baixo, perto da sua orelha, causando arrepios em sua espinha.
Hiro envolveu seu membro semi-rígido na mão direita, começando a se masturbar lentamente, a outra mão ainda esfregando os seus dedos contra sua entrada, que já pulsava e se contraía.
E no fim quebrara a promessa que fizera a si mesmo. A promessa de se manter longe de Hajime, de seguir sua vida, de não mais atrapalhar o amigo. Por momentos na noite passada, odiara Akane com todas as forças, mas agora...estava tentado a beija-la em agradecimento.
- O que está fazendo sem mim?
A voz rouca atrás de si o despertou do devaneio e ele quase pulou no ar. Hajime riu, abraçando-o por trás, roçando sua ereção contra as nádegas de Hiro, seus dedos longos entrelaçando-se com os dedos do moreninho, ajudando-o na masturbação.
- Hajime... - gemeu, jogando seu rosto contra o ombro do outro, mordendo a boca.
- Bom dia... - sussurrou o mais velho sensualmente.
O moreninho virou-se e abraçou Hajime pelo pescoço, beijando-o com vontade. Sentiu suas costas bater contra os azulejos frios e gemeu em aprovação, a água quente da ducha não conseguindo apagar o incêndio que se alastrava por seu corpo. Hiro sentiu o outro segura-lo pela bunda e automaticamente ergueu as pernas, enlaçando-as em volta da cintura do amigo. Hajime gemeu em aprovação, prensando-o mais contra a parede.
- Não consigo parar de querer você... - gemeu Hajime entre beijos e mordidas - Dez anos sonhando, desejando, e ter você....aqui....deus...
- Eu sei. - murmurou rouco Hiro e era como se o último tijolo da muralha que construíra durante todo aquele tempo desmoronasse.
Hiro gemeu abafado quando Hajime penetrou-o lentamente, seus dedos emaranhando-se nos cabelos longos e molhados do mais velho, suas unhas arranhando a nuca dele. Seus corpos colados provocavam a fricção perfeita em sua ereção e ele sabia que fora um estúpido. Como poderia ter imaginado algum tipo de vida longe de Hajime? Agora sabia que era impossível.
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Akane apenas arqueou a sobrancelha quando viu os dois entrarem na cozinha, um mais tímido que o outro. Ela sorriu maliciosamente. Hiro ergueu a mão.
- Não precisa dizer nada.
A morena riu, tomando mais um gole de café.
- Só te digo isso: a próxima vez que deixar a louça para eu lavar, vai ter sangue Hiroshi.
Com isso o moreninho riu e logo os dois sentaram de frente com ela, pegando as canecas para tomar café. Akane riu.
- E claro eu preciso dizer até que enfim.
Hiro revirou os olhos, grunhindo. Hajime riu e descaradamente deu um beijo no pescoço do mais novo. O moreninho gemeu em surpresa, afastando-se dele, quase fazendo bico.
- Hajime, baka!
- Eu não resisti.
Akane riu e seu coração batia rápido de felicidade. Ela esperava, com todas as suas forças, que dessa vez, tudo fosse dar certo.
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- Ele saiu.
- E quando foi isso?
- Ontem de manhã.
- Você sabe que se ele começar a investigar o processo, ele pode acabar descobrindo não é?
- É, eu sei. Mas nós temos uma vantagem.
- E qual é?
- Ele nem faz idéia por onde começar e nós sabemos de todos os passos dele.
- E daquele amiguinho dele. E daquela menina.
- Exatamente.
- Então...vamos começar a segui-lo?
- Com certeza, pode colocar alguns homens atrás dele, mas cuidado com o segurança daquele tal de Hajime. O cara é famoso, com ele precisamos ser cautelosos.
- Seria péssimo pra carreira dele se descobrirem sua relação com um ex-presidiário.
- Bem pensado. Comece a trabalhar por esse ângulo.
- Ok. Quando entramos em contato novamente?
- Daqui uma semana. Quero resultados até lá.
- Hai. Até mais.
- Até.
Fim da sétima parte