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Author: Xamblu
Fiction Rated: K+ - Portuguese - General - Published: 06-17-05 - Updated: 06-17-05 - id:1942090

Bela Truta

Aquela era a primeira vez que eu pescava para me alimentar. Eu nunca havia me interessado pela pesca e não achava que peixes eram muito saborosos. Mas o meu pai havia me convencido a ir com ele a um acampamento no meio da selva.

Meu pai havia saído para procurar o melhor ponto para pescar enquanto eu simplesmente sentei em uma pedra, à beira do rio, e fiquei colocando as minhocas no anzol e jogando-as na água. As minhocas desapareciam como mágica e eu não conseguia pescar nada. Provavelmente estava fazendo algo errado.

Após mais de uma hora, estava quase desistindo: eu me contentaria com algumas frutas ou até com as minhocas que sobraram, minhocas grelhadas não devem ser ruins. Meu pai, provavelmente, demoraria para voltar. Ele adorava pescar e não se satisfazia até que pudesse pescar os maiores peixes que pudesse encontrar.

Senti o anzol puxar e vi que pescara alguma coisa. Era uma truta, pequena, porém muito bela, com escamas faiscantes que refletiam os raios solares e profundos olhos negros que me olhavam de maneira inocente e sincera. Seria um enorme pecado comer uma criatura tão encantadora. Devolvi-a a água.

Meu pai voltou algum tempo depois e preparou os peixes que havia pescado, ele até ofereceu um para mim, mas, em consideração a aquela bela truta, eu recusei. Depois de conhecê-la eu nunca mais comeria peixe.

Eu estava com fome, por isso tentei comer outra coisa. Peguei uma maçã que estava em minha mochila, mas não consegui dar nem uma mordida. Ela era tão linda, possuía curvas tão suaves e cores delicadas que se misturavam levemente. Mesmo não tendo olhos que me olhassem da maneira sincera da truta e não sendo propriamente um ser vivo, que possuísse emoções e sentimentos, ela era uma obra da natureza, bonita demais para ser comida por um ser horrível e abominável como eu.

Sentia meu corpo reclamar por comida, então tentei comer uma minhoca, mas ela tinha a pele brilhante e lustrosa e se movimentava de uma maneira tão elegante que não pude destruir a sua beleza.

Estava morrendo de fome, mas não conseguiria comer nada que fosse belo. Olhei para o meu reflexo nas águas calmas do riacho: uma figura feia e sem graça. Assim tive de me contentar em comer eu mesma.

Nota da autora: Esta história é estranha... Era uma redação para a aula de português, baseada no texto “Olhar” do Rubem Alves. É um texto bem estranho...



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