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Author: LiLi-K
Fiction Rated: M - Portuguese - Suspense/Romance - Reviews: 14 - Published: 07-04-05 - Updated: 09-20-09 - id:1955015

Crimsom Murder

center Capítulo 1 - O novo policial do departamento

Tóquio, 22 de Maio de 2005

Koji estava sentadoem uma cadeira dentro da sala do detetive Tai, observando uns papeis, era novato, havia apenas cinco meses que havia sido transferido do departamento de tráficos de narcóticos, para o departamento de homicídios, portanto, não tinha uma sala só para ele, e por isso, tinha de trabalhar na sala do detetive. Tai adentrou na própria sala, carregando uma pasta com alguns láudos da perícia de um assassinato rescente, que ocorreu nos arredores de Tóquio.

- Mais um caso de assassinato?

- E você esperava o que?! Isso aqui é um departamento de homicídios!

- Não é disso que falo! É que ultimamente o número de mortes de pessoas só têm aumentado... Já identificaram a causa da morte da vítima? Ou a vítima?

- Sim, ambos, a vítima é um jovem loiro, chamado Fukuda, Fukuda Yoshiki, tinha aparentemente dezessete anos.

- Hum...

- Seu corpo foi encontrado perto de uma represa, o resto você pode ler aí, na ficha de perícia...

- Hum... Deixe-me ver...

O policial não pôde conter o espanto, tamanha a brutalidade com a qual o jovem Fukuda havia sido assassinado, mas mais que isso, ele se espantou com uma peculiaridade no assassinato.

- Como pode alguém fazer tamanha crueldade...? órgão genital estirpado, ao que indica fora arrancado antes de a vítima morrer, ânus completamente estirado e esfolado... Escoriações por diversas partes do corpo... O corpo estava completamente banhado de sangue... E moedas?

- Sim, moedas, aparentemente pareciam pertencer à vítima, mas uma investigação mais a fundo, mostrou que as digitais na moeda não pertenciam ao garoto, mas à uma segunda pessoa... Poderiam pertencer ao assassino, mas nada se pode provar ainda, já que as digitais não batem com as de nenhum criminoso já arquivadas. Então poderia pertencer à outra pessoa, que não ao criminoso...

- Mas o que levaria o assassino a jogar moedas para a vítima após matá-la?

- Bom, pode se supor que pelo fato de o ânus do rapaz estar estirado, o assassino poderia tê-lo pago para que este mantivesse relações sexuais com ele, então ele o pagou, ou então poderia ter deixado cair dos bolsos mas isso são só algumas suposições. Não temos real certeza do motivo...

O espanto no rosto do policial mais jovem era completamente visível. Sabia que entrando em um departamento como o de homicídios, poderia ver, e investigar qualquer coisa, mas um crime tão brutal... Deveria começar a se acostumar, afinal de contas, aquela passaria a ser sua rotina diária, as vezes perderia noites de sono, para investigar.

- Koji, o chefe Yamada quer falar com você, ele quer te fazer umas perguntas, uma espécie de entrevista.

- O chefe Yamada?

- Sim, o chefe Yamada, ele disse que precisa que você vá a sala dele urgentemente.

O moreno saiu caminhando pelos corredores, os fios de seu cabelo negros meio esverdeados que alcançavam sua cintura balançavam, de acordo com seus movimentos. Ele tinha uma grande beleza, e os olhos cor de mel extremamente penetrantes, por isso chamava tanto a atenção dos policiais daquele departamento, tanto homens quanto mulheres.

Em uma outra sala, o detetive Kazuiya se encontrava sentado, observando pela janela do prédio o movimento da rua. Havia se passado dois dias desde o fatídico dia em que seu parceiro morrera por uma overdose de cocaína....

FlashBack

- Tetsuo! Abra essa porta!

O silêncio reinava dentro do apartamento do policial

- Tetsuo! Abre logo a porra dessa porta!!!

Kazuiya batia desesperado na porta do amigo, mas ele não respondia. Há muito tempo, o rapaz estava em uma profunda depressão, a vida não estava nada boa, ainda mais depois que começara a se drogar. Ele usava a coca para se sentir melhor, depois de ver tantos cadáveres, ouvir casos reais realmente escabrosos... Estava se acabando, realmente novo, muito novo, e já havia perdido as esperanças de vida, se entregando aos braços da morte, se drogando muito, até que por fim, seu coração não aguentou mais os efeitos do pó, parando de bater após uma crise de convulsão, seguida de uma parada respiratória, então, finalmente a morte o envolveu em seu derradeiro abraço. Não sofrera muito, mas seu amigo ficara arrasado...

- Tet... suo....- Kazuyia havia arrombado a porta, para então encontrar seu parceiro de trabalho estirado no chão com resquícios de pó recém cheirado nas narinas, que sangravam.

Aquela fora a última imagem que vira de seu parceiro.

Fim do FlashBack

Na rua, carros passavam em baixa velocidade, do prédio, ele podia ver tudo, as pessoas andando apressadas, como aquela cidade parecia um formigueiro! Saiu então de seus pensamentos, quando um policial bateu em sua porta, abrindo-a logo em seguida.

- Ah! É você, Tai.

- Bom dia Kazuiya, eu te trouxe esses papéis da perícia, ao que parece temos mais um sádico solto pela cidade...

- Sim... Estranho, ultimamente têm aparecido tantos sádicos...

- Hum... Por acaso se lembrou do assassino de anjos?

- Como não lembrar? Aquilo não era humano. Como poderia alguém fazer aquilo com crianças de jardim de infância?

- Bom, este aqui não assassina crianças, mas é extremamente chocante...

- Humpf.... Agora eu sei porque Tetsuo se drogava tanto, ver essas coisas todos os dias é estafante.

- Sei que a perda de Tetsuo para você foi terrível, mas não se esqueça que você ainda está vivo, e que tem um dever a cumprir. Ele só fez aquilo porque era um fraco! Você é mais forte que isso Kazuyia. E não se esqueça, você está aqui para trabalhar.

- Eu sei disso, tanto que tento fazer meu trabalho da melhor forma possível.

- Sim, apesar de jovem, você é um dos nossos melhores agentes, por isso não jogue sua carreira fora, por causa de um fraco como Tetsuo...

Era doloroso ouvir aquilo, mas era a verdade... Tetsuo havia se deixado tomar por sua fraqueza, quantas e quantas vezes, tentou convencer seu amigo de que aquela não era, e nunca foi a melhor forma de se esquecer dos problemas e da dor que estes o causavam, mas seu amigo parecia não querer ouvir. Então, agora já era tarde demais...

- Eu nunca faria isso, Tetsuo era meu melhor amigo, além de parceiro, mas não será por isso que eu deixarei de trabalhar aqui, pelo contrário, vou provar que posso viver dessa forma, sem me render as minhas fraquezas, como ele o fez.

- Que assim seja então. E o chefe quer falar com você

O policial mais velho saiu da sala do ruivo, deixando-o só, perdido em seus pensamentos...

Kazuyia levantou-se, afinal de contas, não poderia deixar de obedecer as ordens de seu chefe, se ele queria vê-lo, ele iria à sala dele, pouco importava o assunto que trataria, provavelmente seria sobre Tetsuo, ou então, poderia ser para arrumar um novo parceiro. O ruivo saiu de sua sala, caminhando pelo corredor, uma vez ou outra algum policial o cumprimentava, e lamentava pela morte prematura do parceiro do ruivo.

- Falsos!- Pensava consigo mesmo.

Desde o início Tetsuo era discriminado, por ter se tornado viciado em drogas, ninguém nunca o havia estendido a mão nas horas de aperto, mas Kazuiya sempre estava lá, ao lado do parceiro e melhor amigo, mais que amigo, para se dizer a verdade, com certeza ele seria insubstituível... Pelo menos, ele poderia estar em um lugar melhor, longe de toda aquela laia, com a qual não suportava mais trabalhar Para kazuiya os únicos motivos por continuar trabalhando naquele lugar, eram Tai, que já trabalhava lá há uns bons anos, o chefe Yamada, que sempre acreditou em seu potencial como investigador, e por amar aquele trabalho, por mais terrível que fosse encontrar pessoas em um estado tão depreciável, ele se sentia bem, quando algum assassino era preso, sentindo assim, um alívio de dever cumprido.

Kazuiya chagou na ante-sala do chefe, quando a secretária o pede para esperar alguns instantes, pois, o chefe estava conversando com outro policial.

...............

Koji estava dentro da sala do Chefe Yamada, o chefe se encontrava sentado em sua cadeira, com seus cotovelos sobre a mesa, revisando alguns papéis. Sua aparência era da cansasso. Um homem no limiar de seus quarenta anos, alto com o rosto magro, cabelos castanhos, porém, seu porte físico o fazia parecer mais novo. Graças aos treinos matinais, apesar da idade, possuía um belo corpo. Todas as manhãs, assim que chegava ao distrito policial, se exercitava na pista de corrida, treinava muitas flexões e abdominais, para logo em seguida tomar uma gostosa chuveirada. Era casado, e tinha uma filha de quatorze anos, amava muito sua família, mas o trabalho com a lei tomava muito de seu tempo, já que era um homem extremamente dedicado com seus afazeres.

- O que deseja de mim senhor?- Koji perguntou sentado em frente a mesa do chefe, estava lá há uns cinco minutos, e o homem mais velho apenas lia aquela papelada, sem falar nada.

- bom, agente Morikawa. Eu reestudei sua toda a sua ficha, e tenho algumas perguntas a lhe fazer, isso soa mais como uma entrevista, não é nenhum teste, ou interrogatório, são apenas curiosidades sobre a sua pessoa, logo, apenas responda as perguntas com sinceridade, certo?

- Sim senhor!

- Bom, sei que já se passaram cinco meses, desde que te chamei para trabalhar em minha divisão, mas só hoje, pude ter tempo para esta conversa, ou entrevista, como preferir...- O chefe deu uma pausa, continuando logo em seguida- Hum... Aqui diz que sua família é de Hokkaido, e que seu pai é um grande empresário. E que vocês têm um grande patrimônio por lá, o que fez com que você viesse para Tóquio viver sozinho?

- Sim, minha família tem fortuna, mas eu preferi crescer por mim mesmo, e não ser conhecido por ser herdeiro do império Morikawa.

- Você já teve problemas com drogas na adolescência?

- Sim....

- Posso saber o motivo?

- Sim, quando eu tinha dezesseis anos, meu professor me pegou fumando um cigarro de maconha dentro do banheiro, chamaram meus pais, me levaram à um psicólogo, mas aquilo para mim... O fato de eu estar fumando, era apenas uma fuga dos meus problemas... Todos naquele colégio puxavam meu saco, por causa do estatus da minha família, e eu já estava cansado daquilo... Era terrível... Não aceitavam que eu também tivesse imperfeições como todos os outros.

- Sei, mas hoje você continua se drogando?

- Não, eu parei, parei assim que meus pais ficaram sabendo, não queria fazê-los sofrer por causa disso.

- Bom, você fez mesmo faculdade de medicina, e era um dos melhores alunos, como consta aqui?

- Sim, senhor.

- Mas por que abandonou a carreira de médico, se estava se saindo tão bem na faculdade?

- Não era o que eu queria para mim, e sim o que os outros queriam para mim.

- Uma força coercitiva, você quer dizer? Por parte de quem?

- De minha família... Mas esse não foi o único motivo, pelo qual eu abandonei a carreira... Bom... Eu já estava em período de residência, e vi uma cena que me chocou muito...

- E que cena você viu, que o fez jogar tudo para o alto e vir para cá?

- Uma garotinha... - Koji deu uma pausa, era difícil para falar, as imagens lhe vinham claramente em sua cabeça- Ela havia acabado de chegar no hospital, sendo carregada nos braços de um policial, que a havia acompanhado dentro da ambulância de resgates que a havia trazido... Ela parecia ter por volta de sete anos de idade... Havia sido encontrada no meio de uma praça, na parte onde haviam brinquedos para crianças de sua idade... Assim que a colocaram em uma maca, eu pude ver, o estado em que seu corpinho frágil se encontrava... Estava completamente ferido, cheio de cortes, não haviam poupado nem mesmo seu rostinho. Mais abaixo, eu pude ver que estava com um sangramento vaginal, ela havia sido espancada e estuprada, ferida, e inconsciente... Acho que você teve conhecimento desse crime...

- Sim, essa garota se chama Miyo Uchida, a única vítima sobrevivente do Assassino da Anjos...

- Bom, como eu estava em treinamento, tive que acompanhar o médico que cuidaria dela como seu assistente... A garota estavam bem, depois de alguns tempos, mas traumatizada, completamente... Então, eu me senti um inútil, e pensei... “Eu como médico, posso salvar a vida de meus pacientes, mas só quando elas vêm me procurar... Não posso ajudá-las, e impedir que barbaridades como essa aconteçam... Salvá-las depois é fácil, mas salvá-las antes, é mais recompensador.” Foi então, que eu me decidi por terminar a faculdade, e entrar para a academia de polícia. Assim, poderia me dedicar, a impedir que tais barbaridades pudessem acontecer.

- Você tem um pensamento nobre, mas você já deve fazer uma idéia de que também temos sentimentos ruins em relação à falhas, não é mesmo?

- Sim, sim senhor.

- Então, deve saber, que nós podemos lutar contra pessoas assim, e impedir que façam outras vítimas, mas isso leva tempo, ainda mais em se tratando de assassinatos em série. Para que se possa punir alguém, são necessárias muitas mortes... Muitas vidas são tiradas, para que possamos ter as pistas concretas para que possamos finalmente acusar alguém. Pode não parecer, mas assassinos em série, fazem juz a frase “Existe uma tênue linha que separa um gênio de um insano”, eles são verdadeiros gênios insanos, que conseguem planejar friamente crimes cada vez mais difíceis de serem solucionados.

- Eu sei disso, mas mesmo assim prefiro acreditar naquilo que idealizo.

- Você mostra ter uma grande dedicação no que faz. Aqui, na sua ficha diz que você é solteiro.

- Sim.

- Mas, tem alguma namorada, ou algo assim?

Ante a pergunta, Koji passou a mão nos cabelos, jogando-os para trás, tentando afastar os fios que teimavam em cair em seu rosto- Não senhor, eu moro sozinho, e não tenho nenhum tipo de relacionamento neste porte.

- Ah... Sim... Sei... Bom, acho que terminamos por aqui.

- Sim, senhor.

- Bom, digo, a entrevista, porque agora, trataremos de um assunto bem sério- O chefe Yamada deu uma pausa, olhando fixamente no dourado olhar do policial mais jovem.- Bom, pelo que você viu, parece que mais um assassino está agindo...

- Sim...

- Ao que me parece, neste caso, o assassino, pelo que pude perceber, ataca apenas garotos, mas é só uma dedução, pois como você sabe, é necessário mais de duas vítimas para que se possa comprovar que se trata de um assassino em série, pois, não podemos trabalhar apenas com deduções, e sim com fatos. Assim como investigando a forma, os métodos que o assassino se utiliza para executar suas vítimas, podemos traçar seu perfil psicológico com o máximo possível de exatidão. Alguns assassinos dessa espécie, são extremamente sádicos, e isso é comprovado de fato. Você já leu o relatório da perícia?

- Sim, senhor.

- O que me diz disso?

- Bom... Tai e eu discutimos sobre como o assassino poderia agir. Chagamos a conclusão de que, o assassino poderia dar dinheiro para a vítima, em troca de serviços sexuais, isso explica em parte o fato de haverem moedas perto do corpo da vítima com digitais de uma segunda pessoa.- Koji parou de falar meio incerto.

- Sim, sim... Continue....

- Assim que a tivesse sobre seu domínio, poderia fazer de tudo, estuprá-la, espancá-la, arrancar o órgão genital, e depois matá-la, ou deixá-la sofrendo até que a morte chegasse.

- Hum... Certo... Koji, quero que conheça uma pessoa...

...............

Fora da sala, Kazuiya já estava impaciente, de tanto esperar ser chamado pelo chefe, andava de um lado para o outro, deixando a secretária impaciente da mesma forma.

- Senhor Massashi, por favor sente-se, o chefe Yamada logo o chamará!

- Mas está demorando muito! E eu tenho que terminar de revisar toda aquela papelada da perícia daquele assassinato recente!

- Eu sei disso, mas isso não o impede de se sentar e esperar calmamente!

- Eu não consigo ficar sentado, tenho muito o que fazer!

- Você anda muito nervoso, acho que vou pedir para o senhor Yamada, para que corte seu suprimento de cafeína.

- Meu café não tem nada a ver com isso...

- Então, com certeza Tetsuo tem a ver...

O ruivo olhou intrigado para o rosto da secretária, que logo se fechou, ficando com um semblante de arrependimento por ter tocado no nome do ex parceiro do agente Kazuiya Massashi. O policial por sua vez preferiu ficar calado, e se sentar. Estava sentado com o o cotovelo apoiado no braço da confortável poltrona, com sua mão sustentando a cabeça, enquanto dedilhava a coxa esquerda em um sinal mais reservado de impaciência, vez por outra bufando, o silêncio reinava absoluto.

Alguns minutos depois, a porta da sala do chefe é aberta.

- Agente Massashi, entre por favor.

Kazuiya levantou-se, e encaminhou-se para dentro da sala, onde se encontravam o chefe, e Koji.

Ao se deparar com a bela figura do policial ruivo, Koji prendeu a respiração.

- Este é o agente Kazuiya Massashi, ele está trabalhando neste novo caso, mas seu parceiro acabou lamentavelmente perdendo a vida...

- Meus pêsames... Sinto muito... Ele morreu durante alguma investigação?

- Não... Ele sofreu uma overdose, após se drogar quando estava em depressão...

- Oh... Sinto muito, acho que não deveria ter-lhe perguntado... Me desculpe...

- Não se preocupe, pelo menos ele pode estar em um lugar melhor do que aqui. Desculpe minha indelicadeza, ainda não me apresentei... Prazer, sou Kazuiya Massashi.

- Prazer... Sou Koji Morikawa...

Koji se sentia meio sem jeito, o homem a sua frente era simplesmente lindo. Possuía os cabelos ruivos, e os olhos azuis meio acinzentados. Era mais alto que o agente Morikawa, e mais forte também, seu cabelo seguia até a altura dos ombros, meio repicado, dando um pouco de efeito bagunçado. Era realmente um belo rapaz.

- Você é Koji, o mesmo policial que trabalhou no caso do trovador, não é mesmo?

- Sim, sou eu mesmo.

- Que prazer imensurável em conhecê-lo- Curvou-se um pouco

- Por- por que?

- Ora... Mesmo você não tendo sido treinado neste departamento, para a função de investigador de homicídios, você trabalhou muito bem nas investigações do caso do Trovador, isso mostrou que você tem um grande potencial, você nasceu para trabalhar nesta área.

- Kazuiya tem razão- O chefe Yamada resolveu manifestar-se- Você trabalhou muito bem no caso do Trovador, tanto, que decidi que lhe chamar para trabalhar neste novo caso, como parceiro do agente Kazuiya Massashi.

Koji se sentia encabulado com os elogios que recebia, tanto por parte de seu novo parceiro, quanto por parte de seu chefe. Realmente, havia trabalhado arduamente, para conseguir montar aquele quebra-cabeças montado por uma genial mente psicótica. Perdera noites e dias, pensando e investigando, conversando com parentes de vítimas, interrogando suspeitos, analisando provas, para finalmente, montar tal quebra-cabeças de peças humanas... Este crédito até que lhe era merecido...

- Obrigado por isso... - Foi apenas o que conseguiu dizer.

- Uhum. Bom, creio que vocês se darão bem como parceiros, já que, ambos são responsáveis, e compromissados com com seus deveres, acho que solucionarão rapidamente esse caso, mas mesmo assim, prefiro ficar de olho, e seguir bem de perto a evolução das investigações.

- Sim, senhor!- responderam os dois agentes.

- Bem, então acho melhor vocês voltarem ao trabalho, quanto antes melhor

- Sim senhor, Koji mudará para minha sala?

- Ah! Sim, claro. Você pode ajudá-lo na mudança?

Ambos saíram da sala do chefe, e começaram a caminhada pelos corredores do departamento. Os olhares sobre os novos parceiros eram numerosos, e também escondiam comentários maldosos. Suspiros femininos podiam ser ouvidos, e também alguns cochichos masculinos. Era bem real, o fato de que o relacionamento que Kazuiya tinha com seu falecido ex parceiro causava repulsa nos homens do departamento. Mas também eram invejosos, pois o chefe Yamada, apostava toda a sua confiança naquele que considerava seu melhor agente.

- Essa dupla vai dar o que falar...

- Os dois são tão lindos...

- Esses dois viraram parceiros?

- Ei, vocês aí! Voltem ao trabalho!- finalmente a voz do chefe se fez ouvir. Mandando todos aqueles desocupados cuidarem de seus próprio afazeres, fazendo assim os comentários maldosos e os olhares curiosos cessarem. Todos voltaram a trabalhar mais que de pressa.

Koji deu graças a Deus, pela ação de seu chefe, quantas vezes mais ouviriam aqueles comentários? As pessoas não sabem fazer mais nada em suas vidas, além de falar da vida dos outros? Ele continuou seguindo Kazuiya, até chegarem à sala de Tai.

O moreno rapidamente abriu a porta, dando passagem ao seu novo parceiro. Tai não estava na sala, provavelmente estaria no laboratório de análises do departamento, ajudando a montar o um láudo médico mais detalhado sobre a vítima Yoshiki Fukuda.

- Bom, vou te ajudar a arrumar suas coisas, e carregá-las para minha sala

- Certo, você pode ir tirando as coisas da minha mesa, e colocá-las nesta caixa

Koji entregou uma caixa preta cheia de pontinhos brancos desenhados no negro papelão, pareciam com as estrelas daquela noite... Balançou a cabeça em negativa por um momento, tentando fazer aquela lembrança se dissipar em sua mente, seria melhor esquecer, e nada melhor que o tempo para ajudá-lo...

- Certo...

Massashi começou a tirar tudo de cima da mesa de Koji, alguns livros, um porta-canetas com um formato muito engraçado, mas o que mais chamou-o a atenção, fora um porta retratos.

- Essa é sua família

- Sim, é minha família sim.

- Esse hotel ao fundo... Ele fica lá em Hokkaido, não é mesmo?

- Sim, é o hotel da minha família. Como sabe que fica lá em Hokkaido?

Uma sombra pareceu passar por um instante pelo rosto de Massashi.

- Bom... Você tinha dito que sua família morava lá...

Aquela desculpa não havia convencido Morikawa, mas preferiu não se intrometer na vida de Kazuiya.

Koji terminara de guardar as coisas das gavetas e do armário, e Kazuiya também terminara o que estava fazendo. Tudo estava devidamente encaixotado, só faltavam agora, levarem para a nova sala de Koji.

- Bom, então vamos indo para a sua nova sala

- Sua família...

- Ahn?

- Ela mora toda aqui em Tóquio?

-Ah, sim, mas apenas meus pais e meu irmão mais novo, mas eu não moro com eles. Prefiro morar em um apartamento só meu. Bom, vamos logo!

Kazuiya pegou a caixa e foi se encaminhando para fora da sala

- Es... Espere...

- O que foi?

- Deixa que eu carrego a caixa.

- Hum...- Kazuiya olhou para Koji com um olhar sério, logo em seguida virou-se de costas novamente, e continuou caminhando rumo à sua sala- Não, ela é muito pesada para você.

- Ahn?!

Koji sabia ter uma aparência frágil, mas era apenas sua aparência, e nada mais que isso, sempre tivera problemas por isso, por aparentar sempre ser mais fraco, e isso não era nada bom para si.

- vai ficar parado aí mesmo, agente Morikawa?

- Não...

Foi caminhando mais rápido, até alcançar os passos de seu parceiro. Finalmente chegaram à sala de Kazuiya.

Massashi colocou a caixa no chão destrancando a porta da sala, abrindo-a em seguida, pegando a caixa novamente, e depositando-a sobre a sua mesa.

Olhou para a decoração da sala. As coisas de Tetsuo permaneciam lá, ainda na mesa, que agora pertencia a Koji. Tudo de Tetsuo permanecia lá... Até mesmo seu cheiro, e seu sorriso, que estava imortalizado em uma foto em um porta-retratos, sobre a mesa do computador. Ele ficou um tempo parado, observando, apenas gravando em sua memória a antiga decoração de sua sala. Antiga? Sim, agora não passaria de uma lembrança, guardada bem no fundo de seu coração.

Koji pôde perceber o intenso olhar nostálgico de Kazuiya sobre aquela mesa, sobre aquela sala. Deveria ser realmente triste perder alguém com quem conviveu por um longo tempo, vendo todos os dias, trabalhando lado a lado. Só não entendia aquela mistura de nostalgia com paixão.

- Acho melhor eu tirar essas coisas daqui.

Finalmente Kazuiya disse algo. Encaminhou-se para a mesa, começando a juntar tudo o que pertencia a Tetsuo. Tirou uma caixa do armário, guardando tudo lá, lacrando-a com fita gomada, colocando-a de lado, mais tarde levaria tudo para sua casa, e lá guardaria em um armário, junto com todos os outros pertences de seu ex-parceiro.

Ficaram alguns minutos colocando todos os pertences de Koji no lugar, organizando toda a sala, deixando-a de modo agradável para se trabalhar. Koji sentou-se em sua cadeira, colocando todas as outras coisas dentro das gavetas que ficavam instaladas sob a mesa, organizando-as impecávelmente. Organização sempre fora seu hábito, e era necessária durante o tempo em que trabalhara na residência do hospital.

- Bom, acho que já terminamos... Não quer tomar um café antes de começarmos.

- É... Seira bom...

- Então vamos, tem uma lanchonete do outro lado da rua.

- Mas, por que não tomamos aqui mesmo no departamento?

- Por que? Porque ainda não quero morrer envenenado.- Respondeu com um certo tom de ironia, seguido por um sorriso sarcástico.- Ainda prezo muito a minha vida.

Koji apenas respondeu com um sorriso sem graça, não havia entendido o porque daquelas palavras do agente Massashi.

- Não se preocupe, em breve você vai entender!

Mais uma vez saiu caminhando na frente deixando Koji para trás, que por sua vez teve que correr um pouco para alcançar Kazuiya.

- É melhor andar mesmo de pressa Morikawa, porque daqui a pouco, aquela lanchonete estará lotada, e demoraremos mais ainda para começarmos nosso trabalho. Você é muito distraído, tem certeza de que está no trabalho certo?

- O que?!

-Brincadeira, não duvidaria da competência do agente Koji Morikawa, só estou tentando te deixar mais a vontade.

- Oh, sim... Claro.

Dobraram uma esquina no extenso corredor e desceram por uma escada de mais ou menos trinta degraus, até chegarem ao térreo do departamento. Andaram mais por uns cinco minutos, vez por outra sendo cumprimentados pelos outros agentes. Chegaram a recepção

- Vai à lanchonete senhor Massashi?

- Ah, vou sim Miki.

Miki era uma das atendentes do departamento do homicídios, também telefonista, uma garota jovem, mas bastante competente.

- Quer que eu lhe traga alguma coisa.

- Faria isso por mim?! Mesmo?!

- Claro.

- Hum... Poderia me trazer um pacotinho com Manju?

- Certo, um pacotinho com manju. Algo mais?

- Eu quero dez manjus e... suco de pêssego.

- Tudo bem.

- Ah! Obrigada senhor Massashi, não sabe o quanto estou atarefada aqui...

- Deu para reparar. Onde está a Tomiko, já não era para ela ter voltado de sua licença?

- Ela ainda está de licença. Tiveram algumas complicações na hora do parto, então o médico optou por extender um pouco mais a licença dela.

- E a substituta?

- Ela teve de ir ao banheiro, ela parece mal...

- Ah, sim...

- Oh! Nossa! Acho melhor eu para de conversar, senão eu te enrolo e me enrolo mais ainda!

- Tudo bem, Miki. Então vou indo. Vamos logo Koji, temos que entregar o lanche da senhorita.

Ao telefone, Miki acena para os dois, que já se encaminhavam para a porta de saída do prédio. Koji e Kazuiya acenam de volta, e começaram a caminhar pela rua movimentada.

............

Numa quente tarde do verão de Tóquio, o garoto Joutaro Matsuiyama voltava de sua escola, caminhava por uma rua deserta da parte residencial de um bairro nos arredores do centro de Tóquio. Um furgão negro estava parado do outro lado da rua. Suas portas e janelas encontravam-se completamente fechadas, o vidro fumê não permitia que se visualizasse dentro do veículo, dando-o a impressão de que estava vazio. Joutaro caminhava para sua casa, sem nem mesmo perceber, que alguém estava vigiando todos os seus passos. Era um garoto moreno, de estatura mediana, tinha olhos verdes e morava apenas com o avô não muito longe de sua escola. Tinha a mesma idade de Yoshiki, mesmo porte físico, aparentando ser um garoto franzino, sem muitos músculos.

O furgão antes parado, começava a se movimentar, lentamente, seguindo o garoto. Joutaro caminhava sem nem mesmo perceber a perseguição. Atravessou a rua, finalmente chegando na porta de sua casa, onde fora recepcionado pelo avô.

- Boa tarde, Joutaro

- Boa tarde vovô

Abraçou-se ao avô, em uma grande demonstração de carinho. Seu avô era sua única família, desde a morte de seus pais e de seu irmão mais novo.

O furgão acelerou sem chamar a atenção dos dois, se dirigindo para o final da rua, e virando a esquerda. Dentro dele, um homem com um sorriso sombrio ouvia parte da ópera Madame Butterfly, cantando junto com a cantora, imitando quase que perfeitamente a sua voz.

-Joooooooooutaro-kuuuuuuuuun, que tal amanhã você vir para minha casa, para brincarmos muito? Será divertido.- Gargalhando insanamente, o homem deu algumas voltas com seu furgão até parar em frente a uma casa média, com um pequeno jardim em sua frente, cantarolando entrando na casa, e abrindo o freezer.-Hahahahahah! Que liiiiiiiiiiiindo! Logo meu amiguinho Jou Jou taro, poderá fazer companhia para vocês minhas belezinhas.

center ........... /center

De volta ao departamento, os agentes Koji e Kazuiya estudavam novamente a ficha do garoto assassinado. Tudo o que havia lá, não era suficiente para conseguirem achar um suspeito. Poucos minutos depois, o agente Tai aparece na sala dos dois.

-Fizeram o exame de DNA no sêmen encontrado na cavidade anal do garoto.

-E o que encontraram?

-Koji... Koji... Sinto dizer, mas isso não ajudará em nada vocês dois.

-Mas por que?

-Simplesmente porque, as amostras coletadas no corpo do garoto, não bate com a de nenhum criminoso preso, ou qualquer outra pessoa com ficha criminal por qualquer tipo de agreção, ou seja, não temos suspeitos, não fazemos se quer idéia de quem poderia ter feito isso.

-Talvez um ex-namorado ciumento...- Kazuiya deduziu.

-Pode ser, mas segundo a família, eles não sabiam se o filho tinha qualquer tipo de relacionamento dessa forma.

-Ex-namorada?

-A família não confirma. Estamos começando a acreditar que ele foi pego por alguma seita.

-Acha que usaram seu corpo para um ritual de magia negra?

-É provável, algum fanático em alguma brincadeira deve tê-lo feito.- Tai estava descartando a possibilidade de ser um assassino em série, já que não houvera outro desde “The Kobe School Killer” (1) de Tsutomu Miyazaki (2) , do Trovador (3) e do Assassino de Anjos (4)

-Mas, geralmente eles não arrancam o coração, ou o fígado, ou até mesmo as tripas dos sacrifícios? Por que diabos, eles arrancaram os genitais do garoto?

-Isso eu não sei dizer, só uma investigação mais a fundo pode nos dizer...

-Mas, todos os suspeitos estudados são apenas daqui de Tóquio?

-Sim.

-Mas e se o nosso assassino cometeu algum delito em outra cidade? Como por exemplo no extremo Norte do país, ou quem sabe no extremo Sul?

-Aí nós precisaríamos de entrar em contato com as delegacias de todas as cidades japonesas, levaríamos meses para que o rastreamento estivesse completo.

-Mas não podemos continuar assim sem qualquer prova que possa incriminar alguém, temos amostras do DNA do assassino, mas simplesmente não sabemos quem ele possa ser, não temos testemunhas, não temos nada, simplesmente nada!- Kazuyia se alterou, definitivamente, aquele caso parecia ser impossível de se solucionar.

Após algum tempo de discussão entre os três policiais, sem que pudessem chegar a nenhuma conclusão, ou se quer suspeito, Tai se retirou, deixando apenas Koji e Kazuyia na sala.

-Acho melhor visitar-mos a família desse garoto. Se continuarmos aqui parados, nunca acharemos nenhuma pista mesmo.

-Sim... - Koji simplesmente olhava para seu parceiro, admirando a forma com a qual ele questionara as deduções de Tai, e como agora, ele tomara a decisão de tentar novamente conseguir informações com a família do garoto.

-O que foi?

-Nada, nada, acho que devemos mesmo visitar a senhora Fukuda.

-Ah sim, algo me diz que há mais para se investigar que apenas as informações que Tai nos ofereceu.

Em alguns minutos, Koji e Kazuiya já se encontravam em frente a casa da família Fukuda. Kazuiya tomou a iniciativa, tocando a campainha.

A senhora Fukuda olhou pelo olho mágico na porta, visualizando um homem alto e ruivo de bela aparência, e um moreno mais baixinho, igualmente belo. Hesitou um pouco, olhando para o chão.-Quem são vocês?

-Senhora Fukuda, abra a porta, somos agentes do departamento de homicídios da polícia de Tóquio.

Ao ver o ruivo se pronunciando, a mulher abriu a porta, mostrando seu rosto cansado.

-Senhora Fukuda, eu sou o Agente Massashi, e este é o agente Morikawa, nós somos os encarregados de investigar o assassinato de seu filho, viemos aqui apenas para fazer algumas perguntas, você pode nos dar a sua cooperação?

-Sim, senhor, mas.... Já me fizeram perguntas outras vezes, e eu disse tudo o que eu sabia...

-Eu sei, minha senhora, mas por mais que a senhora tenha falado com nosso colega, com certeza você pode ter se esquecido de algum detalhe, precisamos de sua cooperação, já que não temos uma testemunha se quer do assassinato de Yoshiki .

-Tudo bem, entrem por favor, se isso irá lhes ajudar.

-Pode nos levar ao quarto dele?

-Mas não há nada lá.

-Só queremos examinar, pode haver algo lá que possa nos ajudar, algo que nos dê uma pista.

-Tudo bem, venham comigo. O quarto dele está como ele havia deixado, eu não mexi em simplesmente nada, ainda tinha esperanças de que ele voltasse...

A senhora Fukuda começou a subir as escadas de sua casa, indo para o andar superior, que era onde se localizavam os quartos, dentre eles, o quarto de Yoshiki.

-Vejam, se precisarem de mim, estarei lá embaixo...

-Obrigado, senhora

-Obrigado.

Os dois policiais agradeceram, começando a vasculhar minunciosamente todas as coisas do garoto, enquanto Koji vasculhava a escrivaninha, Kazuyia olhava o guarda-roupa de Yoshiki, procurando por objetos, bilhetes, alguma espécie de diário, ou cartas que pudessem pelos menos deixar alguém como suspeito. Nada, não acharam simplesmente nada de mais comprometedor, em nenhum dos locais que haviam procurado, nenhum diário, ou coisa assim... Koji levantou o colchão da cama de Yoshiki, então tirou-o de cima da estrutura de madeira, já havia visto aquilo em algum lugar. A cama de Yoshiki era completamente tampada nas laterais, porém era oca, e abaixo do estrado havia uma espécie de fundo também de madeira. Retirou o estrado, e bateu algumas vezes, na madeira, assim constatando que esta realmente não tinha contato com o chão, retirou-a, encontrando uma caixa.

-O que é Isso?

-Não sei, estava de baixo desse fundo falso, escondido na cama dele...

-Unh...

Kazuiya se aproximou do agente Morikawa, ajudando-o a pegar a caixa, que parecia um tanto pesada, colocaram-na sobre a escrivaninha. Era uma caixa média de papelão, contendo duas gavetas, em uma das gavetas, haviam revistas homossexuais. E na gaveta de baixo, haviam algumas fotos e uma livro com capa de couro negra, trancado por um cadeado resistente. Kazuiya observava as fotos tiradas, pareciam de alguma espécie de acampamento... Todas tiradas em um chalé. Em todas, Yoshiki estava com algum garoto. Recolheu-as, guardando-as em um plástico, enquanto voltava a mexer na caixa.

-Kazuiyaj.. Veja se consegue achar a chave desse livrinho.

-hai!

O detetive Massashi começou a vasculhar toda a caixa, não havia nenhuma chave lá, então, começou a folhear todas as revistas.

-Em todas há fotos de sodomização...

Koji tentava acompanhar o companheiro, observando todas as revistas, em algumas também haviam fotos de Sadomasoquismo, homens completamente submissos a outros. Assim que pegaram a terceira revista, algo caiu de dentro as páginas, eram mais fotos, e dessa vez era Yoshiki com outro rapaz, nas mesmas condições que alguns dos modelos da revista, submisso, amarrado, e as vezes também amordaçado.

Ao se afastar um pouco, Koji pôde notar que uma parte do piso de tacos estava solta, abaixou-se puxando-a, notando uma espécie de saquinho de veludo, muito parecido com aqueles de se guardar joias, estava amarrado.

Pegando-o em suas mãos, Koji desamarrou-o, e lá estava uma pequena chave.

-Acho que era isso que estávamos procurando.

O agente Massashi, apenas pegou o pequeno objeto das mãos do companheiro, usando-o na fechadura do cadeado do livrinho, destrancando-o completamente. Nas páginas daquele diário pareciam estar escritas tudo o que ele e seus amigos costumavam fazer. Yoshiki escrevia tudo o que se passava não só com ele e seus amigos, mas também em sua família. Parecia que nada escapava naquele diário. Kazuiya guardou-o em um envelope de papel pardo, junto com a chave. Examinaram mais um pouco o quarto do garoto, e então desceram apressados, encontrando a senhora Fukuda sentada no sofá da sala.

-Então, acharam algo?

-Sim, algumas coisas. Senhora... Seu filho costumava viajar muito com seus amigos?

-Sim, eles sempre iam a um chalé, perto da região de Kanto... Costumava ir com os amigos quase todos os finais de semana.

Koji observava seu companheiro fazendo as perguntas para a mãe de Yoshiki, definitivamente, Kazuiya sabia como fazer seu trabalho.

-E quando ele começou com isso?

-Bom, ele começou a viajar com os amigos ano passado, assim que entraram de férias.

-Depois dessa viagem, ele teve alguma mudança da comportamento?

-Não, continuou como sempre, um garoto estudioso. O senhor está querendo dizer que meu filho fez algo de errado?

-Não, mas ele tinha muito contato com esses amigos?

-Sim, todos os dias eles se comunicavam por telefone.

-Tem idéia de quantos amigos eram? A senhora os conhecia?

-Sim, eles sempre vinham aqui para estudarem junto com Yoshi... Eram três garotos.

-Sabe o nome de cada um deles?

-Eu tenho que olhar, há um caderninho sobre a mesinha do telefone, nele há algumas anotações de Yoshi, com telefones, e tudo mais.

-Se importa se o levarmos para investigarmos as pessoas que estão nesse caderno?

-Não senhor, me acompanhe.

O policial acompanhou a senhora até a sala, onde se localizava a mesinha do telefone. A mulher pegou um caderninho de capa roxa, folheando-o, e então o entregou para Kazuiya.

-Aqui está... é este...

-Muito obrigado senhora.

Kazuiya colocou o caderninho em outro envelope de papel pardo, guardando-o no bolso de sua jaqueta.

-Por favor... senhor, encontre aquele que fez isso com meu filho... Ele não merece viver por nada. Ele é um monstro.

-Nós faremos o possível para achá-lo, fique calma.

Assim, os dois agentes se encaminharam para a saída da residência da família Fukuda, carregando todas as prováveis pistas que encontraram naquele local.

Agora, eles precisariam de estudar tudo o que acharam no quarto de Yoshiki.

(1) Um adolescente de 14 anos, que assassinou em sua escola o garoto Jun Hase de 11 anos, decapitando-o, e uma garota também foi assassinada por ele com pancadas na cabeça com um cano de ferro.

(2) Foi acusado de matar 4 garotas em Tóquio e Saitama. Ele as estrangulava, depois queimava seus corpos jogando as cinzas nas portas de suas prórpias casas.

(3) e (4) Esses assassinos foram criados pela própria autora, eles nunca existiram de fato.

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