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Por alguns instantes tudo escureceu, Koji caiu...
Socorrido por Eiko após alguns instantes, o jovem não chegou a perder totalmente a consciência, mas era difícil manter os olhos abertos e o corpo erguido. Com cuidado Kazuiya o ergueu e tirou a câmera fotográfica do departamento que estava pendurada no pescoço de Morikawa, e passou-a para que outro policial a guardasse.
A médica começou a desfazer o nó da gravata usada pelo policial praticamente desacordado, vendo-o mover-se um pouco. - Ele parece estar voltando... - Tomou o pulso de Koji e mediu sua pulsação lenta, indicando uma queda de pressão sanguínea. Eiko suspirou e ergueu o rosto do agente de cabelos longos, usando os polegares de suas mãos que seguravam a face de Morikawa para puxar para baixo as pálpebras inferiores do rapaz. Olhava-as atentamente notando-as sem a cor rósea que era uma característica saudável, aquela região estava praticamente sem cor. - A pressão dele caiu... E ele parece um pouco anêmico... - Constatou, e então se virou para o agente Aoyama, chamando-o. - Tai, pegue dentro de uma maleta no carro alguns pacotinhos de sal.
Kazuiya agachou-se de frente para o parceiro olhando-o, o rosto do jovem policial estava da cor de uma folha de papel, seu olhar estava sem uma perspectiva definida, e os lábios também estavam igualmente incolores.
- Koji. - Chamou-o estalando os dedos da mão direita na frente do rosto do rapaz.
Morosa foi a resposta de Morikawa reagindo ao estímulo externo, praticamente imperceptível. Koji parecia não estar consciente de fato, assemelhava-se a um zumbi. O ruivo franziu o cenho e mordeu a parte interna de suas bochechas, preocupação era o que sentia naquele momento ao ver seu parceiro daquele jeito sem conseguir manter-se erguido mesmo por alguns instantes. A cabeça de Koji pouco se movera, e mais uma vez seu corpo tombou para frente.
- Calma! - Amparando o mais jovem, Kazuiya segurou-o em seus braços. A cabeça de Koji pedeu para frente, caindo sobre um dos ombros de Massashi. O ruivo pôde sentir novamente bem de perto o cheiro de Koji, o perfume que desprendia de seu cabelo. Suspirando o ruivo virou o rosto, e aproximou seus lábios da orelha do moreno sussurrando. - Ei... Reagindo desse jeito só pelo que você viu lá? - Um novo suspiro de sua parte foi dado, e ele então voltou às suas palavras. - Se continuar assim... Como pretende ser um ótimo policial?
Kazuiya sente-o direito! - A médica se aproximou rasgando um saquinho de sal.
Koji foi forçado a sentar-se direito. Tirando as luvas que usava, Kazuiya forçou-o a abrir a boca para que Eiko conseguisse colocar o sal em sua língua. Assim que fechou a boca, Massashi deixou-o descansar com a cabeça sobre seu ombro.
- Se ele não melhorar será melhor o encaminhar a um hospital.
- Acho que não vai ser necessário, ele vai melhorar. - Kazuiya mirou seus olhos na médica, dando um pequeno sorriso de segurança.
- Bom... Mas de qualquer maneira, é melhor levá-lo para casa... Ele parece bastante esgotado.
O policial ruivo suspirou, e viu a médica que afastando. Em questão de dez minutos Koji começou a reagir, Sentindo o cheiro fraco de cigarro vindo do mais velho, pois este não havia fumado desde que acordara por isso o aroma daquele perfume que ele usava ficava mais evidente, mas ele também podia sentir que aquele cheiro era uma mistura de gengibre e canela, diferente daquele que sentiu em seu apartamento. Moveu um pouco sua cabeça, e devagar foi levantando seu tronco ainda fatigado. Olhou para seu parceiro franzindo o cenho, ainda sentia algumas partes de seu corpo formigarem.
- Ei... Está se sentindo melhor?
Olhando para o parceiro, o jovem de cabelo longo tinha uma expressão de extremo cansaço, as pálpebras lhe caíam pela metade dos orbes quase dourados, porém seus lábios haviam adquirido novamente a tonalidade rósea que lhe era natural.
- Koji... O que foi isso? - Preocupado Kazuiya abaixou-se mais para melhor se enquadrar no campo de visão de Morikawa.
- Eu não sei... - A voz lhe saíra mais baixa do que pretendia praticamente um sussurro agonizante.
- Está se sentindo cansado?
- Um pouco... - O rapaz tentara se levantar, mas foi firmemente impedido pelas mãos de Kazuiya que estavam sobre seus ombros.
- Espera. Fique sentado aí, eu vou pegar água e chamar a Eiko para ver como você está.
O olhar extenuado de Koji seguiu seu parceiro desde instante que ele se levantara até quando ele se aproximou da médica. Viu que ambos olhavam em sua direção enquanto conversavam. Koji sentiu um súbito frio na espinha quando se lembrou do rosto daquele garoto, deformado pelo medo de quem quer que fosse seu assassino, seu torturador, seu pior pesadelo...
Um sentimento de impotência e incompetência tomou conta de si, era desesperador saber que na realidade ELE deveria ter salvado aquele garoto. Aquela segunda vítima tinha tudo para ser feliz, ele não a conhecia, mas por seu corpo sabia dizer que ele era saudável, que poderia fazer muito ainda, mas estava alí morto com suas feições faciais tomadas pelo terror, e assombrosamente sua face lembrava o Koji de anos atrás. Aquela visão perturbadora não saía de sua mente.
- Kazuiya! - Sua voz saiu mais alta e chamou a atenção de quem estava próximo, o jovem policial tremia enquanto tentava se levantar.
O ruivo correu para seu lado junto com Eiko.
- Ei, ei! O que pensa que está fazendo?!
Ao colocar as mãos nos braços de Koji, o mais velho pôde senti-lo trêmulo. O rapaz parecia tenso e terrivelmente impressionado.
- Massashi, acho melhor você levá-lo para casa. Dê a ele algo para se alimentar, um chá de camomila para acalmá-lo e o faça descansar.
Eiko se aproximou novamente de Koji, e segurou o pulso do rapaz. Sua pressão continuava baixa. - Se ele não melhorar após isso o leve ao hospital, sim? - a moça afagou suavemente o cabelo de Koji e então se levantou. - Ajude-o a se levantar e o coloque no carro.
Se afastando, a médica caminhou na direção de Aoyama, deixando Kazuiya por conta de seu parceiro.
- É garoto... Acho que hoje terei que ficar de enfermeira para você! - Kazuiya por fora sorria, tentando acalmar o mais jovem, mas por dentro lembrava-se de Tetsuo... A maneira como o rapaz reagia a cada novo caso, e sua maneira de escapar do desespero... Para Kazuiya, as comparações eram inevitáveis...
Passando a mão pela cintura de Koji, Massashi pôde erguê-lo e então o sustentou para que ele não tivesse que usar a própria força escassa no esforço de sustentar-se sozinho.
Levando Koji ao mesmo carro que usaram para chegarem naquele lugar, Kazuiya abriu a porta do passageiro, sentando o rapaz alí, afastando aos poucos deixando seus dedos tocarem delicadamente nos frios de reflexos esverdeados do cabelo do mais jovem. A expressão preocupada em seu rosto era bastante visível pelo rapaz que ainda respirava de maneira dificultosa. Moriakawa podia ver seu próprio rosto cansado e impressionado refletido no pára-brisa do carro.
- Eu vou te levar para casa, tá bom? - A voz grossa de Kazuiya chegou suavemente aos ouvidos de Koji, que apenas virou os olhos na direção de Kazuiya, olhando-o. - Eu vou ficar lá com você, se você visse sua cara agora veria o quanto está abatido... É até engraçado, você está sempre tão animado. - O mais velho riu, e passou a mão na testa do outro.
- Kazu... - O sussurro fraco saiu da boca daquele que olhava sem mover a cabeça. - Eu quero água...
Os olhos azuis do ruivo se encontraram com os olhos do mais jovem, e então Kazuiya esboçou um sorriso- Mas que folgado! - Riu, e aos poucos foi ajustando o banco do passageiro para que este ficasse reclinado para trás, e mais confortável, assim Koji poderia relaxar.
- Eu já volto. - Suspirou, olhando para aquele rosto, sentindo certo pesar pela maneira que Koji estava.
A preocupação estava estampada no rosto do ruivo para quem quer que visse. Ele pegou uma garrafinha de água em uma caixa de isopor próxima ao carro do perito, e caminhou novamente para perto de Koji. A mente de Kazuiya não conseguia parar de lembrar-se dos momentos tristes das investigações que fazia com o falecido ex-parceiro. Rememorava os ataques de desespero quando ele precisava daquela droga para se acalmar, das vezes que Tetsu fora suspenso, ou então quando o chefe tentou transferi-lo para a parte mais burocrática, mas este se recusou mesmo não tendo a mínima possibilidade de trabalhar decentemente numa investigação.
Tais pensamentos apenas faziam com que o ruivo questionasse agora a capacidade psicológica de Morikawa em trabalhar com algo tão complexo como a investigação de um homicídio, aquela reação de Koji lhe dizia que grandes problemas poderiam vir à frente... Enxergava o ex-parceiro ali, deitado em seu carro, com os olhos fechados tentando respirar fundo e acalmar a respiração pela crise de abstinência. As olheiras profundas, a expressão exaltada. Era Tetsu quem estava ali...
Era Tetsu quem havia virado o rosto com os olhos verdes abertos fitando-o como se pedisse para fizesse algo quanto ao seu sofrimento. Era Tetsu novamente ali, voltando mostrando-se debilitado, tentando fazer um trabalho ao qual não estava habilitado emocionalmente e fisicamente para realizar. Não havia Koji...
O mais jovem estranhava a forma como o mais velho olhava para si, com uma decepção evidente em seu olhar. O ruivo mantinha-se parado dividido entre a vontade de abraçar aquele desprotegido, e a de repudiar o fraco.
Koji era o fraco e desprotegido tentando dar passos maiores de que suas pernas. Mas o que ele queria provar? Estava estampado que além de exaurido de suas forças sentia-se culpado! Culpado por ter deixado a faculdade de medicina por achar que sendo médico não faria trabalho melhor, culpado por não ter conseguido cumprir com o dever do policial que ele mesmo havia se proposto, culpado pelo orgulho ferido. E principalmente: culpado por olhar para aquele cadáver sabendo que ele poderia estar vivo, sem passar por aquele sofrimento, se ele fosse mais capacitado em fazer seu trabalho...
Aquela fora sua reação ao segundo cadáver que vira assassinado. Koji sem duvidas precisava de ajuda.
Os olhos quase dourados de Koji fixaram no rosto de expressão preocupada de Massashi. - Aconteceu alguma coisa? - Algo poderia lhe adiantar o que se passava pela cabeça do mais velho, aquela expressão não era apenas uma simples preocupação. - Kazu... Não se preocupe, eu estou bem... Não acontecerá novamente...
Aquela fala ao invés de acalmar os sentimentos desagradáveis, parecia mais tê-los feito se agravarem. A voz fraca daquele que via em seu carro debilitado lhe trouxera mais angústia ainda.
"Eu vou ficar bem... Não vai acontecer de novo, eu juro... Ka... Olhe para mim..."
A imagem era clara em sua mente, bem como aquela voz e a quem ela pertencia. O desprotegido, o fraco, o falso...
- Não diga isso novamente, não assegure o que não consegue controlar. - Afastou-se, sentindo aquela repulsa, querendo ir embora e levar aquele rapaz que precisava de cuidados, mas que ao mesmo tempo lhe causava sentimentos tão ruins.
Nunca havia parado para pensar em como reagiria se um dia sentisse atordoado pela lembrança de Tetsuo. Tinha boas recordações, e as mais terríveis também, mas nunca pensou que as piores seriam as únicas remanescentes. Agora sabia que sentia pena, mágoa e raiva.
Pena do desprotegido, mágoa de fraco, e uma extrema raiva do falso. Confrontar estes sentimentos era algo que jamais desejara em toda a sua vida, principalmente quando achava que vivia feliz ao lado daquela pessoa que agora classificava unicamente com aquelas três palavras.
- Bom... Mas de qualquer maneira, é melhor levá-lo para casa... Ele parece bastante esgotado.
O policial ruivo suspirou, e viu a médica que afastando. Em questão de dez minutos Koji começou a reagir, Sentindo o cheiro fraco de cigarro vindo do mais velho, pois este não havia fumado desde que acordara por isso o aroma daquele perfume que ele usava ficava mais evidente, mas ele também podia sentir que aquele cheiro era uma mistura de gengibre e canela, diferente daquele que sentiu em seu apartamento. Moveu um pouco sua cabeça, e devagar foi levantando seu tronco ainda fatigado. Olhou para seu parceiro franzindo o cenho, ainda sentia algumas partes de seu corpo formigarem.
- Ei... Está se sentindo melhor?
Olhando para o parceiro, o jovem de cabelo longo tinha uma expressão de extremo cansaço, as pálpebras lhe caíam pela metade dos orbes quase dourados, porém seus lábios haviam adquirido novamente a tonalidade rósea que lhe era natural.
- Koji... O que foi isso? - Preocupado Kazuiya abaixou-se mais para melhor se enquadrar no campo de visão de Morikawa.
- Eu não sei... - A voz lhe saíra mais baixa do que pretendia praticamente um sussurro agonizante.
- Está se sentindo cansado?
- Um pouco... - O rapaz tentara se levantar, mas foi firmemente impedido pelas mãos de Kazuiya que estavam sobre seus ombros.
- Espera. Fique sentado aí, eu vou pegar água e chamar a Eiko para ver como você está.
O olhar extenuado de Koji seguiu seu parceiro desde instante que ele se levantara até quando ele se se aproximou da médica. Viu que ambos olhavam em sua direção enquanto conversavam. Koji sentiu um súbito frio na espinha quando se lembrou do rosto daquele garoto, deformado pelo medo de quem quer que fosse seu assassino, seu torturador, seu pior pesadelo...
Um sentimento de impotência e incompetência tomou conta de si, era desesperador saber que na realidade ELE deveria ter salvado aquele garoto. Aquela segunda vítima tinha tudo para ser feliz, ele não conhecia aquela vítima, mas por seu corpo sabia dizer que ele era saudável, poderia fazer muito ainda, mas estava ali, morto com suas feições faciais tomadas pelo terror, e assombrosamente sua face lembrava o Koji de anos atrás. Aquela visão perturbadora não saía de sua mente.
- Kazuiya! - Sua voz saiu mais alta e chamou a atenção de quem estava próximo, o jovem policial tremia enquanto tentava se levantar.
O ruivo correu para seu lado junto com Eiko.
- Ei, ei! O que pensa que está fazendo?!
Ao colocar as mãos nos braços de Koji, o mais velho pôde senti-lo trêmulo. O rapaz parecia tenso e terrívelmente impressionado.
- Massashi, acho melhor você levá-lo para casa. Dê a ele algo para se alimentar, um chá de camomila para acalmá-lo e o faça descansar.
Eiko se aproximou novamente de Koji, e segurou o pulso do rapaz. Sua pressão continuava baixa. - Se ele não melhorar após isso o leve ao hospital, sim? - a moça afagou suavemente o cabelo de Koji e então se levantou. - Ajude-o a se levantar e o coloque no carro.
Se afastando, a médica caminhou na direção de Aoyama, deixando Kazuiya por conta de seu parceiro.
- É garoto... Acho que hoje terei que ficar de enfermeira para você! - Kazuiya por fora sorria, tentando acalmar o mais jovem, mas por dentro lembrava-se de Tetsuo... A maneira como o rapaz reagia a cada novo caso, e sua maneira de escapar do desespero... Para Kazuiya, as comparações eram inevitáveis...
Passando a mão pela cintura de Koji, Massashi pôde erguê-lo e então o sustentou para que ele não tivesse que usar a própria força escassa no esforço de sustentar-se sozinho.
Levando Koji ao mesmo carro que usaram para chegarem naquele lugar, Kazuiya abriu a porta do passageiro, sentando o rapaz ali, afastando-se aos poucos deixando seus dedos tocarem delicadamente nos fios de reflexos esverdeados do cabelo do mais jovem. A expressão preocupada em seu rosto era bastante visível pelo rapaz que ainda respirava de maneira dificultosa. Moriakawa podia ver seu próprio rosto cansado e impressionado refletido no pára-brisa do carro.
- Eu vou te levar para casa, tá bom? - A voz grossa de Kazuiya chegou suavemente aos ouvidos de Koji, que apenas virou os olhos na direção de Kazuiya, olhando-o.- Eu vou ficar lá com você, se você visse sua cara agora veria o quanto está abatido... É até engraçado, você está sempre tão animado. - O mais velho riu, e passou a mão na testa do outro.
- Kazu...- O sussurro fraco saiu da boca daquele que olhava sem mover a cabeça. - Eu quero água...
Os olhos azuis do ruivo se encontraram com os olhos do mais jovem, e então Kazuiya esboçou um sorriso- Mas que folgado! - Riu, e aos poucos foi ajustando o banco do passageiro para que este ficasse reclinado para trás, e mais confortável, assim Koji poderia relaxar.
- Eu já volto.- Suspirou, olhando para aquele rosto, sentindo certo pesar pela maneira que Koji estava.
A preocupação estava estampada no rosto do ruivo para quem quer que visse. Ele pegou uma garrafinha de água em uma caixa de isopor próxima ao carro do perito, e caminhou novamente para perto de Koji. A mente de Kazuiya não conseguia parar de lembrar-se dos momentos tristes das investigações que fazia com o falecido ex-parceiro. Rememorava os ataques de desespero quando ele precisava daquela droga para se acalmar, das vezes que Tetsu fora suspenso, ou então quando o chefe tentou transferi-lo para a parte mais burocrática, mas este se recusou mesmo não tendo a mínima possibilidade de trabalhar decentemente numa investigação.
Tais pensamentos apenas faziam com que o ruivo questionasse agora a capacidade psicológica de Morikawa em trabalhar com algo tão complexo como a investigação de um homicídio, aquela reação de Koji lhe dizia que grandes problemas poderiam vir à frente... Enxergava o ex-parceiro ali, deitado em seu carro, com os olhos fechados tentando respirar fundo e acalmar a respiração pela crise de abstinência. As olheiras profundas, a expressão exaltada. Era Tetsu quem estava ali...
Era Tetsu quem havia virado o rosto com os olhos verdes abertos fitando-o como se pedisse para fizesse algo quanto ao seu sofrimento. Era Tetsu novamente ali, voltando mostrando-se debilitado, tentando fazer um trabalho ao qual não estava habilitado emocionalmente e fisicamente para realizar. Não havia Koji...
O mais jovem estranhava a forma como o mais velho olhava para si, com uma decepção evidente em seu olhar. O ruivo mantinha-se parado dividido entre a vontade de abraçar aquele desprotegido, e a de repudiar o fraco.
Koji era o fraco e desprotegido tentando dar passos maiores de que suas pernas. Mas o que ele queria provar? Estava estampado que além de exaurido de suas forças sentia-se culpado! Culpado por ter deixado a faculdade de medicina por achar que sendo médico não faria trabalho melhor, culpado por não ter conseguido cumprir com o dever do policial que ele mesmo havia se proposto, culpado pelo orgulho ferido. E principalmente: culpado por olhar para aquele cadáver sabendo que ele poderia estar vivo, sem passar por aquele sofrimento, se ele fosse mais capacitado em fazer seu trabalho...
Aquela fora sua reação ao segundo cadáver que vira assassinado. Koji sem duvidas precisava de ajuda.
Os olhos quase dourados de Koji fixaram no rosto de expressão preocupada de Massashi. - Aconteceu alguma coisa? - Algo poderia lhe adiantar o que se passava pela cabeça do mais velho, aquela expressão não era apenas uma simples preocupação. - Kazu... Não se preocupe, eu estou bem... Não acontecerá novamente...
Aquela fala ao invés de acalmar os sentimentos desagradáveis, parecia mais tê-los feito se agravarem. A voz fraca daquele que via em seu carro debilitado lhe trouxera mais angústia ainda.
"Eu vou ficar bem... Não vai acontecer de novo, eu juro... Ka... Olhe para mim..."
A imagem era clara em sua mente, bem como aquela voz e à quem ela pertencia. O desprotegido, o fraco, o falso...
- Não diga isso novamente, não assegure o que não consegue controlar. - Afastou-se, sentindo aquela repulsa, querendo ir embora e levar aquele rapaz que precisava de cuidados, mas que ao mesmo tempo lhe causava sentimentos tão ruins.
Nunca havia parado para pensar em como reagiria se um dia sentisse atordoado pela lembrança de Tetsuo. Tinha boas recordações, e as mais terríveis também, mas nunca pensou que as piores seriam as únicas remanescentes. Agora sabia que sentia pena, mágoa e raiva.
Pena do desprotegido, mágoa de fraco, e uma extrema raiva do falso. Confrontar estes sentimentos era algo que jamais desejara em toda a sua vida, principalmente quando achava que vivia feliz ao lado daquela pessoa que agora classificava unicamente com aquelas três palavras. A alienação era sem duvidas cômoda, pois apesar de ser extremamente contra o vício e as atitudes negativistas de Tetsuo, o policial não o abandonou. Talvez suas ações pacientes se dessem por seu extremo orgulho, e orgulho de mostrar para todos que cuidava e tinha amor por alguém que havia perdido o amor próprio. Ou por seu amor incondicional a pessoa que o desejava, e que inflava seu ego.
O banco do motorista daquele automóvel logo foi ocupado pelo ruivo.
O automóvel com as inscrições do departamento de polícia metropolitana de Tóquio já estava correndo na rodovia. O exterior era barulhento com a passagem de outros veículos, sons de aves e a medida que eles alcançavam o interior do perímetro urbano os sons se misturavam também ao das pessoas que caminhava, conversavam, ao das obras em construção, pois uma metrópole nunca pára de crescer. Toda essa barulheira era um contraste com o total silêncio dentro daquele carro de janelas fechadas.
Sem qualquer resistência o cansaço conseguiu vencer Koji, que se encontrava adormecido no banco ao lado de Kazuiya, que olhava para a estrada, e dirigia com um ar bastante pensativo. Sua cabeça precisava de um descanso. Por mais que olhasse para o lado e a pessoa que estivesse ao seu lado fosse Koji, ele não conseguia enxergar seu parceiro... Tudo o que via era um fantasma, uma pessoa do passado, o falso...
***
O homem deitado na maca chamava incessantemente pelo nome daquele que criou alguns anos de sua vida como filho. Sentia nojo de ter laços de sangue com aquela criatura. Para ele não havia erros em sua metodologia de criação como pai, sempre fora rígido impondo o que era necessário de uma criança saber e ainda assim seu rebento insistira em seguir pelo caminho errado, contrário ao que ele lhe havia destinado.
Para ele, pai não era apenas o progenitor, mas aquele que decidia o destino de sua cria. O pensamento deste homem é errado ao ver de grande parte da sociedade, mas para aquela família isso não importava, e aquele núcleo familiar em especial dava-se apenas por ele, e aquele que não merecia carregar consigo qualquer glória ou mérito de ser humano, aquele que morrera em seu coração, mas que continuava vivendo em sua casa por uma terrível conspiração demoníaca.
As pernas bem como parte de seu corpo nunca mais voltaram a funcionar após um derrame cerebral de grande intensidade que sofrera durante suas horas de trabalho.
Sempre maldizia seu infortúnio de ter que depender justamente daquele desgraçado de quem queria se livrar. Para sua sorte a fala não havia sido tão afetada, bem como o movimento de sua mão direita, que lhe servia para tocar a campainha que muitas vezes acordava o pobre rapaz durante as madrugadas que ele poderia usar para relaxar e descansar.
A voz desgastada agora não mais gritava pelo nome de batismo de seu "enfermeiro", sempre que aquele enfermo perdia sua paciência os chamados eram substituídos por ofensas inaceitáveis a qualquer ser humano com o mínimo de amor próprio. Suas palavras poderiam ser mais afiadas que qualquer faca e mais dolorosas que qualquer ato de violência física.
O rapaz com o olhar terno e paciente se aproximou do leito daquele inválido, carregando consigo os remédios, uma jarra com água e um copo em uma bandeja, e dentro de uma sacola branca havia uma fralda que deveria ser usada para ocupar o lugar daquela que já estava suja vestindo aquele homem.
- O senhor me chamou pai?
- Cale a boca miserável!! - A voz do homem apesar de mais amena não escondia sua vontade de ofender e humilhar aquele que parecia tão dedicado filho. - Incompetente! Porque demorou tanto?! Estava querendo me deixar morrer?!
- Não senhor eu...
- Claro que iria me deixar morrer, seu pederasta desgraçado! É mais cômodo para você me deixar morrer e ficar com tudo que eu conquistei durante minha vida com todo o meu trabalho. - Interrompeu rispidamente o pedido de desculpas de seu filho, ofendendo-o sem pudor. As palavras não eram ditas e sim cuspidas de sua boca com um nojo patente. - E não me chame de pai! Essas palavras são puras demais para sair da boca de um verme imundo como você!
Aquele rapaz não deixava transparecer em sua face o peso daquelas palavras e o buraco que elas causavam em sua estrutura moral e consciência. O poder daquelas ofensas desmanchava sua sanidade dia após dia, durante todos os anos em que se vira preso àquele homem, preocupado em cuidar de seu inválido pai, a quem amava incondicionalmente e de quem buscava o reconhecimento por suas ações de boa conduta. O jovem entregara e abrira mão de sua própria vida para se dedicar àquele que apenas lhe tratava como um ser mais inferior que qualquer verme, aquele que lhe permitiu viver naquele mundo.
Já despido e com o rapaz fazendo a higienização de seu corpo, o homem continuara a desferi-lhe palavras que poderiam abalar cada vez mais sua integridade moral já deteriorada. Porém, fosse por amor, devoção ou necessidade de aceitação o rapaz trabalhava para o bem de seu progenitor como um filho exemplar.
***
O carro utilizado pelos detetives da divisão de Homicídios da polícia de Tóquio estaciona em frente ao prédio onde o policial Morikawa reside. Kazuiya sentira certo alívio em ter chegado ao seu destino, o fato de poder sair de dentro daquele veículo que parecia lhe sufocar aparentemente lhe fazia bem. O ruivo virou-se para o rapaz ao seu lado vendo-o ainda adormecido em um sono que parecia ser bem pesado e revigorante, embora a condição da posição de seu corpo fossem bem precária e desconfortável, isso parecia afetar de nenhuma maneira seu descanso.
Kazuiya saiu do carro após tirar o cinto de segurança que usava e abrir a porta. Caminhando lentamente ele deu a volta no carro até chegar ao lado no qual Koji estava repousando tão gostosamente. Abriu a porta e deu um pequeno sorriso ao ver o rosto sereno e completamente adormecido de Koji.
Não havia mais Tetsuo...
- Koji, acorde...- Sussurrou passando a mão suavemente pelos fios sedosos do cabelo do rapaz.- Não vou te carregar escada acima.
O perfume que desprendia daquele cabelo foi sentido com mais intensidade, assim que Morikawa moveu sua cabeça, como uma criança que não desejava acordar cedo para ir ao colégio. O cheiro delicioso e cítrico invadiu as narinas de Kazuiya, que sorriu ao ouvir alguns resmungos de reclamação vindos do mais jovem. Suspirando o mais velho começou a acariciar suavemente o cabelo de Koji.
- Acorda, não vou deixar você dormir o dia todo neste carro. A gente trabalha nele, você sabia?
Dando um leve puxão numa das longas mechas de cabelo Kazuiya recebeu uma resposta mais inteligível que um simples resmungo que mais se assemelhava a um rosnado- Tá bom... Já vou...- Koji suspirou algo que se assemelhava à um "que saco!" e abriu lentamente seus olhos quase dourados, que por sua vez brilharam mais intensamente devido a reflexão da luz solar.
Olhando intensamente para Morikawa, o ruivo tornou a suspirar mantendo seu rosto próximo ao dele. - Está se sentindo melhor? - Sua voz possuía uma leve preocupação entoada.
- Um pouco... Pelo menos a fraqueza parece ter diminuído...- Seu olhar continuava mirando o mais velho. - Olha... Não precisa se preocupar tanto - Sorriu - Acho que vou ter que me cuidar mais, se não minha ajuda neste caso será completamente dispensável, não é mesmo? - Seu estado de saúde poderia disfarçar muito bem o recentimento do orgulho ferido em se culpar por falhar como policial.
Aquela resposta de Koji de certa maneira foi capaz de animar um pouco mais Massashi, aquilo mostrava que o mais jovem sabia onde estava seu erro, reconhecia que precisava de cuidar mais de si mesmo para que isso não acontecesse mais. Alívio, foi isso que sentiu quando ouviu aquelas palavras um tanto otimistas, e cada vez aquela imagem de Tetsuo sumia, deixando lugar à imagem de Koji. Isso fez com que o mais velho não tentasse se questionar o porquê de aquela imagem ter lhe atordoado durante horas que se passaram, ignorando o fato de que além de uma comparação que ele fazia entre os dois, também lhe vinha um sentimento estranho, algo assemelhado a culpa.
- Koji, vamos. Você precisa repousar em um lugar mais confortável. - Com um pequeno sorriso sereno o mais velho auxiliou seu parceiro a se levantar e a sair de dentro daquele carro.
Ambos saíram caminhando juntos, lado a lado devagar e silenciosamente. Usaram o elevador pois o mais velho não queria gastar mais da pouca reserva de energia que Koji ainda tinha para se esforçarem em subir as escadas, mesmo que este morasse no terceiro andar.
Com um pequeno rangido a porta do apartamento de Koji foi aberta e ambos entraram. Por mais que aquele lugar lembrasse a ambos do episódio do beijo que trocaram, Kazuiya preferiu abstrair tal acontecimento, mesmo que este ficasse rondando em sua mente hora ou outra o que importava naquele momento era apenas uma coisa: cuidar de Koji; Esta era sua prioridade naquele dia.
- Vá tomar um banho e se deitar. - Sua mão afagava suavemente o cabelo de Morikawa, ainda sentia-se preocupado com as condições de saúde do mais jovem, mesmo sentindo-se melhor após aquela observação que o mais jovem havia feito sobre seu próprio estado.
- mas como vou dormir e deixar você aqui sozinho?
Se afastou calmamente da carícia para olhar o mais velho, enquanto soltava o próprio cabelo daquele elástico azulado que o prendia.
Kazuiya fechou os olhos concentrando-se no cheiro que o vento da janela entreaberta do apartamento trouxe consigo, o cheiro cítrico evolava dos fios negros e compridos que agora se encontravam livres caindo pelos ombros de Morikawa, escorrendo até a proximidade da altura de sua cintura.
- Ouça... - Tornou a abrir os olhos lentamente, estes levemente escurecidos por suas pupilas dilatadas como se aquele cheiro e a visão tivessem um efeito afrodisíaco instantâneo. - Não estou aqui como visita e você não vai fazer papel de anfitrião; porque você não pode e nem eu quero. - Se afastou para não tocar o mais jovem novamente, não queria sentir como se Morikawa o atraísse. - Então trate de fazer o que eu lhe disse, você não está em condições de desobedecer.
- Está bem. Mas primeiro, eu preciso beber mais água.
- Nossa, mas... Você acabou de beber aquela garrafa quase inteira antes de chegarmos aqui. Por acaso também está desidratado? Isso explica porque está tão fraco!
- Não é isso! Apenas estou com sede!
Suspirando, o ruivo deu espaço para a passagem de Koji, deixando-o se afastar indo na direção da cozinha.
- Está certo, mas depois faça o que eu lhe disse para fazer.
- Tudo bem, eu não irei te desobedecer, eu prometo. - Com um sorriso Koji olhou para o mais velho antes de entrar na cozinha.
Aquele sorriso tivera a serventia de despreocupar ainda mais o policial ruivo. Morikawa possuia um sorriso unico e verdadeiro. A perfeita fileira de dentes brancos à mostra em seu rosto era sem dúvida apaziguadora.
Quando Koji sumiu pela porta da cozinha, o mais velho pôde olhar melhor todo aquele apartamento, notou a decoração minimalista, algumas molduras com fotos de família. Seu diploma da faculdade de medicina estava sobre uma mesa de canto. Porém uma foto lhe chamou mais atenção, ela era grande e ficava pendurada logo no início do corredor onde ficavam as portas do quarto e do lavabo. Na imagem o jovem policial se encontrava com os longos e lisos fios de seu cabelo soltos e trajava uma roupa tradicional e ao fundo o belo cenário da hospedaria de sua família. Aquela grande mansão onde agora funcionava o hotel gerido pela família de Koji possuia um belo jardim florescendo e ainda alguns resquícios de neve no gramado indicando que o inverno havia apenas acabado há pouco tempo. Naquele retrato enorme o rosto de Koji era estampado com um belo sorriso, porém seu olhar não estava focado na câmera parecia olhar para um ponto bastante interessante, dando a entender que a fotografia havia sido tirada de surpresa.
- Essa é a mansão onde funciona a hospedaria da minha família. - A voz suave e calma se fez presente no recinto antes silencioso. - Antes nós morávamos sozinhos nela, mas assim que minha avó falesceu, meu pai resolveu usá-la para expandir os negócios da família.
Kazuiya parecia simplesmente encantado pela foto, tudo o cenário bem como o modelo estavam perfeitamente harmoniosos.
- Essa é a roupa que eu tenho que usar quando estou lá, eles sempre me colocam para trabalhar...
- Combina com você.
- Obrigado, mas não gosto muito de me vestir assim...
- Por quê?
- Chama atenção demais... Sei lá...
- Mas eu gostei, ficou bem atraente, todo o conjunto.
Koji sorriu e avançou pelo corredor da casa.
- Eu vou tomar um banho. Sinta-se em casa.
- Está certo. Depois tenta dormir um pouco, você 'tá com uma cara péssima de quem morreu e não foi enterrado.
Novamente o que recebeu em resposta vinda do mais jovem foi um sorriso calmo de quem ria da própria situação precária.
Com o mais jovem se afastando, Kazuiya aproveitou para ir até a cozinha dele, pretendia ver o que havia naquele lugar que pudesse usar para fazer um almoço pelo menos um pouco nutritivo para ambos. Koji precisava se nutrir e descansar, e o ruivo havia se decidido em ajudar o parceiro.
O calor reconfortante da água que caía do chuveiro e o molhava da cabeça aos pés não era suficiente para afastar aqueles pensamentos que lhe sufocavam a mente. O peso de falhar... O orgulho ferido; a revolta de se culpar.
Suas mãos se encontravam espalmadas nos azulejos brancos à sua frente, enquanto o vapor criava uma neblina dentro daquele Box. Sua cabeça fazia movimentos circulares a fim de relaxar os músculos tensos, enquanto as gotas quentes pareciam massagear os pontos doloridos por toda a sua tensão.
Sua respiração era alterada, parecia que o banho era uma tentativa falha de lhe fazer sentir-se melhor.
Não só o Box como todo o banheiro estava tomado pelo vapor branco de água quente que a instantes atrás fora praticamente inútil na tentativa do policial em melhorar suas condições de estresse.
O embaçamento do espelho foi pobremente limpo com a toalha que Koji usaria para secar seu corpo, embora seu reflexo estivesse prejudicado pela quantidade de vapor que se precipitou no vidro espelhado ele ainda podia ter uma visão de seu rosto pálido como o de um cadáver e das olheiras roxas em volta de seus olhos. Sua aparência estava péssima.
Koji suspirou passando a mão por seu cabelo molhado e abriu a porta do armário para pegar a pasta e a escova de dente.
Kazuiya havia acabado de fazer um chá de camomila para o mais jovem e caminhava pelo corredor para levá-lo ao quarto onde Koji dormia quando o viu sair do banheiro vestindo um felpudo e macio roupão.
- Conseguiu relaxar com o banho?
- Bom... Um pouco, mas realmente preciso dormir um pouco. Não sabia que estava tão mal assim até me olhar no espelho...
- Oh sim, você está péssimo, por isso mesmo a Eiko te mandou voltar para casa.
- Mas e o chefe?
- Provavelmente ele já sabe. Mas seu trabalho, bem como o meu já estava feito, mas ele vai querer saber o que houve com você sem duvidas.
Kazuiya pegou o braço do rapaz usando a mão que não segurava a xícara onde estava depositado o chá que havia feito.
- Olha, vamos. Você precisa descansar; recupere-se e depois conversaremos sobre o que você quiser, está bem? Qualquer coisa! Eu prometo.
- Kazu...
Morikawa virou-se parando de costas para a porta de seu quarto, suas mãos estavam espalmadas no peito do ruivo, enquanto o olhava. As íris quase douradas que rodeava a pupila negra de seus olhos estavam ligeiramente viradas para cima, miravam a face séria de Kazuiya.
- Obrigado por me ajudar desta maneira. – Sorriu ligeiramente ao ruivo e suspirou.
Sentindo-se desarmado e com seus sentimentos cada vez mais confusos e no limite, Massashi tocou levemente aquele rosto. Os orbes azuis do policial ruivo não paravam de mirar o rosto cansado, porém belo de Morikawa.
- Koji... – Sua voz saiu rouca e sem a autoridade distinta.
O moreno pôde ver a língua rósea sendo passada pelos lábios ressequidos de Kazuiya antes que ele continuasse sua fala, e também seus olhos serem fechados enquanto suspirava sentindo aquelas mãos quentes em seu peito.
- Eu... – O pomo de Adão moveu-se no pescoço para cima e para baixo. Massashi engolia a própria saliva mostrando que precisava de uma lubrificação em sua garganta para que pudesse falar. Os olhos abriram e fecharam-se novamente e Kazuiya ergueu o rosto jogando para fora, por sua boca, o ar que preenchia seus pulmões.
- Eu fiz esse chá para você. – A resposta veio sem que ele olhasse para o mais jovem, com medo que as palavras lhe escapassem novamente, e de que sua mente ficasse completamente perdida enquanto seu olhar ficava preso ao olhar de Koji. Aquelas íris quase douradas eram um prisão...
- Ah... Obrigado. – O mais jovem afastou-se abrindo a porta do quarto e entrou, deixando o mais velho ali do lado de fora.
Sentou-se na cama e o chamou para sentar-se ao seu lado. Pegou a xícara que continha o chá que ele havia lhe feito e deu um pequeno gole no líquido fumegante, depositando o objeto de porcelana sobre o criado-mudo.
- Kazu, eu realmente agradeço por tudo isso... Acho que estaria completamente perdido se não fosse por você. – As palavras saíam tímidas daquela boca que esboçava um sorriso reconfortante ao final de cada frase.
O ruivo deixou que as pálpebras caíssem ligeiramente à metade dos orbes azulados dando mais um suspiro virou-se para Koji seriamente.
Os olhos de ambos encontraram-se novamente e pareciam hipnotizados, os dois olhares eram uma prisão, nenhuma palavra mais conseguia se desentalar de suas gargantas e sair por suas bocas.
Pouco a pouco as respirações se misturavam e pareciam conterem um campo de magnetismo opostos extremamente fortes que não lhes permitia serem repelidos, e sim completamente atraídos.
Aos poucos os olhos se fecharam enquanto qualquer resistência de proximidade ia cedendo. Os cheiros de xampu, sabonete, cigarro e colônia se tornavam totalmente deliciosos. Todos os sentidos conspiravam para que a proximidade de ambos ficasse ainda maior. Os longos dedos de Kazuiya enrolavam-se e puxavam suavemente os fios negros e úmidos do longo cabelo de Morikawa.
O tato... Aos poucos o felpudo roupão era retirado do corpo esguio com músculos compactos de Koji, o toque das mãos de textura grossa se contrastava com a pele suave que se arrepiava a cada toque adversamente delicado. A sensação para ambos era única o daquele que recebia os toques e sentia como se correntes elétricas penetrassem sua pele e viajassem direto ao seu cérebro enviando-lhe impressões maravilhosas, e o daquele que tocava... Seus dedos pareciam acariciar a mais pura seda.
O paladar que experimentava a mistura do gosto de cigarro com o sabor mentolado da pasta de dente e o contraste do líquido quente que Koji havia bebido há poucos instantes. Os lábios se tocavam movendo-se de um modo desajeitado, mas assim que conseguiram sincronia tudo havia ficado perfeito, até mesmo a batalha entre as línguas se tornou carícias excitantes.
A visão que embora cerrada por suas pálpebras não deixava de ter um papel importante para intensificar ainda mais cada um dos quatro sentidos livres.
A audição que lhes excitava ainda mais por terem a oportunidade de ouvirem os gemidos abafados um pela boca do outro.
- Koji... - Os lábios avermelhados e levemente inchados de Massashi deixaram escapar um sussurro mais parecido com um suspiro. Seus olhos foram se abrindo lentamente tendo a visão do dourado intenso que tomava os orbes do mais jovem, o rosto avermelhado, a boca chamativa...
Dedos trêmulos começavam a caçar no tecido cinza de camisaria os botões pequenos que mantinha aquela peça fechada, protegendo o corpo do mais velho de seus toques. Queria sentir a textura da pele de Kazuiya, tocá-lo como foi tocado. Aos poucos cada aviamento arredondado foi cedendo livrando-se de suas casas deixando um acesso generoso.
Apesar do trabalho do mais jovem, ambos não separavam ou desviavam o olhar um do outro, completamente hipnotizados.
A camisa não era mais obstáculo, bem como o roupão felpudo que já estava completamente aberto. Koji estava nu na frente do parceiro. E Kazuiya estava vestido apenas da cintura para baixo.
- Kazu... - A voz baixa e falha abandonou sua garganta e saiu de sua boca, sussurrando o apelido carinhoso. Finalmente suas mãos tocavam o tórax firme e definido do ruivo, desenhando cada músculo como um garoto curioso em arrancar sensações novas de seu parceiro, descobrir as reações que cada estímulo feito naquele corpo.
Massashi sorriu, sentindo aquelas mãos suaves descendo lentamente até o cinto, passando por seus mamilos, o abdômen e o umbigo, cada toque arrancava de si um suspiro.
Morikawa era de fato excitante, principalmente com aquele seu jeito que parecia inexperiente, extremamente curioso pela anatomia do ruivo, mas seus toques faziam com que Kazuiya se arrepiasse por completo. O volume dentro daquela calça crescia ainda mais, e o membro de Koji também despertava lentamente, à medida que as carícias tomavam uma conotação sexual mais ousada.
A boca de Kazuiya já atacava um dos ombros do mais jovem. Suas mãos se encarregavam de empurrar o que ainda se sustentava do roupão naquele corpo de pele macia.
- Kazuiya... – Seu rosto estava voltado para cima, sentindo a respiração pesada pela excitação, àquelas mãos ásperas tocando seus ombros, seus braços, suas coxas...
Mordidas, lambidas e chupões deixavam marcas distintas naquela pele, o rastro de saliva, os dentes e a vermelhidão. Nenhum deles se importava se ficariam em áreas visíveis... Naquele momento nada externo ao que acontecia ali lhes importava o que passava dos limites daquela cama já não tinha importância alguma.
Com um barulho Kazuiya soube que a aventura de Koji em tentar abrir seu cinto já havia terminado com um grande sucesso, agora só lhe faltava o fecho de botão e o zíper... Nada que o rapaz tivesse dificuldade em conseguir. Mesmo com as mãos trêmulas e o ritmo acelerado de sua respiração não o impediriam de deixar o mais velho nu, da mesma maneira que se encontrava agora.
Aos poucos o belo corpo ia sendo deitado. Os fios macios de toque suave semelhante à seda espalharam-se no colchão contrastando com o lençol impecavelmente branco, e o roupão da mesma cor que se encontrava embaixo de si. Seu olhar era intenso, uma prisão, e à medida que a excitação aumentava o desejo lhe possuía o dourado daqueles orbes davam a impressão de ficar mais intenso, mais chamativo.
Sentindo a boca de Kazuiya vagando por seu torso, o toque suave de seus lábios, língua... As pequenas mordidas de possessividade. Novamente aquelas mãos em sua cintura, segurando-o. Seus gemidos iam aumentando a intensidade sempre que um ponto erógeno era tocado. Os mamilos de Koji já estavam avermelhados pelas carícias constantes que lhe arrancavam gemidos altos e manhosos, palavras de desejo, pedidos.
- Kazu... – Finalmente suas mãos acharam algo em literalmente ao que se agarrarem, os fios ruivos eram castigados sempre que uma onda de prazer inundava o corpo do mais jovem.
Massasshi sentia com perfeição a temperatura elevada do corpo do mais jovem, os leves espasmos devido aos reflexos do prazer que recebia sempre que tinha os pontos mais sensíveis tocados, provocados pelo mais velho.
O corpo de Koji se mostrava cada vez mais sensível e receptivo, os gemidos eram sinceros e de um erotismo sem igual, principalmente aos ouvidos de Kazuiya que tanto desejava tocar aquele corpo desde que se viu pela primeira vez atraído por aquele rapaz.
- Você é tão sensível que me excita ainda mais... – O sussurro foi próximo ao umbigo do rapaz, o ar quente que se desprendia de sua respiração faziam o corpo todo do rapaz se arrepiar até a nuca, fechar os olhos e gemer.
- Ah... – Embora se sentisse de certa maneira embaraçado com seu jeito, Koji havia apreciado o elogio, que lhe causou um forte arrepio no corpo.
A sensação em toda sua pele era quente, deliciosa... Mesmo com a distância o contato visual não se quebrava, a visão toda era apaixonante. Kazuiya tinha muito mais que um brilho em seu olhar azul escurecido. Havia desejo em cada toque, em cada beijo e a aproximação de seu rosto com a quente respiração no baixo-ventre de Koji faziam com que os dedos dos pés do mais jovem se dobrassem com certa força agarrando o branco lençol.
Ambos os corações estavam disparados, e o calor de seus corpos não podia ser ignorado, o calor da excitação.
- AAH! Deus! – Sua respiração se tornou ofegante, forte e dificultosa. Seu membro em completa ereção havia sido tomado com fome pela boca hábil, quente e molhada do ruivo.
Prazer... O delicioso prazer que invadia seu corpo e o fazia se contorcer naquela cama fechando os olhos a cada segundo que a sucção se tornava mais intensa. Suas pernas se dobraram desmanchando toda a arrumação impecável daquela cama, deixando Kazuiya perfeitamente no meio de ambas. Suas mãos mantinham os fios avermelhados como reféns entre seus dedos. Castigava Massashi sempre que aquela onda de calor se apossava de seu corpo, Koji era forçado a soltar sua voz com gemidos eróticos.
Suas costas se arqueavam desprendendo-se do colchão sempre que sentia algum espasmo em seu corpo. Mas eles foram cessando, à medida que sentia a distância entre a boca de Kazuiya e seu membro completamente molhado pela saliva do mais velho.
Respirava mais ofegante erguendo um pouco a cabeça, quando sentiu a mão de Kazuiya agarrar seu membro com cuidado, passando o polegar pela glande. Seu corpo estremeceu-se por completo quando sentiu algo molhado passando por sua entrada.
Massashi havia molhado na própria saliva o dedo médio antes de começar a passá-lo naquela região de Koji. Levemente forçou para que ele entrasse sentindo dificuldade em seu intento. Ouviu um gemido mais alto saindo daquela boca.
- Shh... Acalme-se... – Sussurrou dando um leve beijo na virilha do mais jovem, tentando re relaxá-lo, mas sua mão não dava trégua acariciando o membro de seu parceiro. – Tente relaxar Koji... Você já fez isso antes?
- Si-sim... Mas faz algum tempo...
- Mesmo? – Sorriu calmamente, distraindo o jovem até que conseguiu enfiar todo o dedo.
Kazuiya suspirou sentindo a suavidade e o calor interno de Morikawa. Aquilo serviu para excitá-lo mais, desejar mais entrar ali, possuir aquele corpo.
- Sim... Ahnm...
- Quando? – Perguntou enquanto movia seu dedo ali dentro procurando a área mais sensível de Koji.
- Na faculdade... Huh! – Os olhos de Koji se fecharam com força quando sentiu um choque em todo seu corpo.
- Faz tempo...
- Faz... – Suas mãos que haviam abandonado o cabelo de Massashi agarraram-se com força ao lençol de repente. – Kazu... iya!
- Achei você... – Sorriu, começando a estimular aquele ponto.
Estava adorando cada gemido intenso que abandonava a garganta de Koji, cara vez que ele se contorcia e sofria um arroubo que fazia seus músculos contraírem e seu corpo todo estremecer.
- Kazu... Ah! Deus... – A voz falha e carregada exteriorizava cada sensação êxtase.
Tão excitado estava que o segundo e terceiro dedos lhe penetravam sem dificuldade, alargando mais para a passagem de algo generosamente maior. O Sorriso não abandonava o rosto de Kazuiya que adorava ouvir seu nome sendo gemido com tanto desejo e paixão.
Aos poucos aqueles dedos foram abandonando um a um o interior de Morikawa, e os gemidos foram cessando vagarosamente. Tanto a sensação de ser penetrado, como a de ter os dedos retirados de dentro de si eram estranhas... A falta do prazer começava a ser sentida pelo corpo de Koji que aos poucos se relaxava mais uma vez.
Livre da calça que já havia sido aberta por Koji e também de sua cueca, o mais velho aos poucos foi deixando que seu belo corpo definido pesasse sobre o do mais jovem. O calor era sentido por ambos, seus corpos estavam colados naquelas condições pela primeira vez. Os dedos foram entrelaçados deixando unidas as palmas de ambos, como se ali trocassem uma uma forte energia.
Mais um beijo e aquela excitação aumentou a toda potência. O cheiro de Kazuiya havia se tornado eróticamente mais intenso, não o cheiro do cigarro, ou da colônia, mas o de sua própria pele completamente natural e tentadora.
Ambos sentiam seus corpos perfeitamente colados. Os membro volumosos estavam bem evidentes tocando um ao outro. Com mais um beijo, Massashi se afastou colocando-se entre as pernas de Koji. Mordendo o lábio inferior Morikawa olhou aquele que estava ali para possuir seu corpo, vendo-o sorrir de maneira impúdica, deixando claras todas as suas intenções após aquele primeiro contato de seu órgão intumescido tocando a glande, roçando-a suavemente em sua entrada.
Com força as mãos de Morikawa agarraram-se mais ao lençól, bagunçando-o mais deixando aquela cama extremamente desorganizada. Seus olhos se fecharam e um fraco gemido de dor que tentava ser contido escapou por seus lábios.
AH! - Mais um alto gemido ecoou por aquele quarto enquanto aquele membro tentava entrar por aquele espaço.
Koji se contorceu, a musculatura tensa em nada ajudava, e mesmo com a palavra "relaxe", sendo sussurrada seguida de um rouco gemido de vitória ao conseguir fazer com que pelo menos a glande penetrasse aquela passagem, Koji não conseguia permitir com mais facilidade a penetração.
Pacientemente vencendo cada barreira a tortura acabou quando um suspiro de alívio abandonou os pulmões do mais jovem. Ambos estavam parados... Kazuiya tentava de alguma maneira não começar a se mover imediatamente quando sentiu todo seu membro enterrado dentro de seu parceiro, e Koji tentava relaxar e se acostumar com uma invasão tão incomum.
Os dedos de Kazuiya eram passados suavemente pelo rosto de Morikawa, até que aos poucos mais se fazia necessário.
Os pequenos e curtos movimentos foram iniciados bem devagar. Aquele ponto sensível era tocado forçando gemidos que misturavam a dor ao delicioso prazer. Suas bocas logo se ocuparam em um beijo forte e íntimo e as mãos de ambos se ocupavam em toques de reconhecimento em seus corpos.
Massashi mostrava-se atento as reações de seu parceiro, sentindo que aos poucos aquela entrada se relaxava permitindo uma penetração mais gostosa para ele e para Koji.
Alguns poucos minutos se passaram antes que seus corpos já estivessem completamente molhados de suor. Os movimentos do quadril de Kazuiya de encontro ao de Morikawa se tornavam mais fortes, assim como as vezes que seus gemidos roucos de prazer abandonavam sua boca. Koji também sentia prazer, o membro do ruivo deslizava para dentro de si entrando e saindo com mais facilidade. O mais jovem sentia seu corpo todo estremecer a cada vez que o mais velho ia mais fundo.
- AH! Kazu... - Cada gemido de prazer que abandonava aquela boca expressava com clareza tudo o que o rapaz sentia enquanto seu corpo quente trêmulo que se movia em conjunto com o outro.
Os ouvidos de KAzuiya estavam atentos aos gemidos de Koji, ao barulho da cama que também se movia e a cada som que seus corpos emitiam com as profundas estocadas naquele local quente de paredes macias e molhadas que apertavam na medida certa seu membro.
- Mais... Hun... Mais Kazu...
Aquela voz arrastada e manhosa causou um efeito em Massashi que precisou se conter fechando com força os próprios olhos para que conseguisse segurar o próprio gozo. Ele estava pedindo por mais, aquela voz deliciosa pedia por mais... Sabia que estava dando prazer ao outro e ouvir aquele pedido lhe fez inflar o peito de orgulho por sua própria virilidade.
Mais intensos se tornaram cada movimento de entra e sai naquele corpo. As pernas de Koji se abriram mais e seus gemidos se tornaram mais longos e mais contínuos. O rosto suado e vermelho de Morikawa se encontrava contraído, mas sua boca se mantinha aberta deixando escapar mais e mais daquela voz que incentivava o mais velho a continuar com força e rapidez a tocar sua próstata.
Suas costas se afastaram da cama quando Koji arqueou o próprio corpo, mesmo com o peso de Kazuiya sobre si, as mãos que antes se agarravam ao lençol branco, agora marcavam as costas brancas e suadas do ruivo com vergões vermelhos que suas unhas desenhavam à medida que eram arrastadas por aquela pele suada como se tentasse se segurar de alguma maneira, talvez porque sentisse sua cabeça nas nuvens com todo aquele deleite.
Por mais que quisesse beijar aquela boca, Kazuiya não o faria, não queria perder um minuto se quer daquela deliciosa voz entoando gemidos cada vez mais eróticos, inflando seu ego em ter certeza de que era por ele que aquela voz chamava a cada vez que sentia a deliciosa invasão de seu membro naquele espaço que lhe comportava muito bem.
Cada vez mais os movimentos se tornavam erráticos, ambos já sentiam e não durariam mais sem finalmente gozarem.
Aqueles gemidos se tornavam cada vez mais altos e aquele corpo começou a se contrair. Koji não agüentaria mais tanto prazer, estava em seu limite havia finalmente chegado ao fim, seus músculos se tensionarem, até mesmo sua entrada e seu interior ficaram mais apertados enquanto sentia os espasmos em todo seu corpo. Gemidos altos e longos alcançaram os ouvidos do mais velho que já não conseguia se segurar também, principalmente após aquele delicioso aperto que seu membro sofrera pelas carnes do jovem policial, parecia que seu pênis era sugado para dentro daquele corpo.
Era quente o líquido viscoso que invadiu mais profundamente o interior de Koji, e ele pôde sentir isso quando finalmente, ambos ainda gemendo juntos, despejavam jatos de sêmen que abandonavam seus membros intumescidos.
Os sons de prazer ainda abandonavam a boca de Koji ainda que se tornassem novamente mais espaçados e mais baixos, e o cansaço que antes já estava pesado agora havia ficado mais forte abatendo o jovem policial que ainda tinha uma respiração errática e forte.
Suspiros escaparam da boca de Kazuiya que havia permitido que todo o seu peso se desabasse sobre aquele delicioso corpo abaixo, agora os cheiros de cigarro, colônia, e sabonete se tornavam ainda mais excitantes somados ao cheiro do suor e do sexo que haviam acabado de fazer.
Carinhosamente as mãos passavam pelos fios negros agora não só molhados pela água, mas também pelo suor que fazia com que alguns se aderissem à pele transpirante daquele rosto que aparentava esgotado de qualquer força que ainda lhe restava.
- Agora você não vai mais precisar de chá e nem de remédio... *Sorriu, tocando seus lábios na bochecha direita do mais jovem - Está completamente acabado... Se fechar os olhos não vai abri-los até amanhã...
- Hun... – Resmungou baixinho algo enquanto olhava para o rosto de Kazuiya sentindo suas pálpebras pesarem cada vez mais. – Eu to acabado...
- Sim, está... Mas você ainda tem que comer alguma coisa...
Quando Kazuiya fez menção em se levantar, Koji segurou-o tentando puxá-lo para que ele tornasse a se deitar ali ao seu lado.
- Fica aqui... – Pediu olhando-o não querendo que o outro se afastasse.
- Mas eu tenho...
- Por favor, Kazuiya! Fica aqui... – Pediu mais uma vez, interrompendo qualquer desculpa que o mais velho lhe daria.
- Está bem... Eu vou ficar aqui até você dormir, depois eu vou cozinhar algo para nós dois comermos.
- Está bem... – Sussurrou abraçando-se ao mais velho quando ele finalmente tornou a deitar-se ao seu lado.