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Fiction » Biography » Como é que as pessoas podem ser tão más? font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Sofia Lemos da Costa
Fiction Rated: K - Portuguese - General/Spiritual - Reviews: 2 - Published: 05-31-06 - Updated: 05-31-06 - id:2183335

Como é que as pessoas podem ser tão más?”

Mafalda Mourão tinha 11 anos e um problema motor. Desde os3 anos de idade que Mafalda não conseguia andar. Vivia em Níger com os pais, com os irmãos e com a avó. Mafalda tinha descendência Portuguesa, mas nunca tinha visitado Portugal. A sua avó contava-lhe histórias sobre um pequeno país situado a 3 396 km da sua cidade Natal, um pequeno país com muita força para sobreviver. Mafalda nunca tinha ido à escola, pois era muito pobre e só existia uma escola em toda a sua cidade onde os mais afortunados podiam aprender, pelo que tinha sido a sua avó que lhe tinha ensinado a ler e a escrever. Também lhe ensinava a fazer contas, mas aquilo de que Mafalda mais gostava era das histórias. Essas histórias eram, nada mais, nada menos do que a História de Portugal.

Um dia um grupo de médicos Portugueses visitou a cidade onde Mafalda vivia e Mada (como a avó a chamava) foi com ajuda dos pais ver o consultório improvisado que se encontrava no centro da aldeia. Lá ensinaram-lhe a importância da vacinação e como eram importantes certas regras na higiene pessoal para se viver sem doenças.

Mada vivia muito perto do consultório improvisado e como não ia à escola passava os dias no consultório. Já conhecia todos os médicos e todas as maneiras de fazer curativos. Mafalda tinha lá uma grande amiga, chama-se de Maura e trabalhava num dos melhores hospitais de Portugal. Os médicos mantiveram-se na cidade de Mafalda por um mês e nesse ultima dia Maura convidou Mafalda e a sua família a irem almoçar com eles. A família aceitou de bom agrado e adorou o almoço.

No final da refeição Maura fez uma surpresa a Mafalda e a toda a família convidando-os para ir para Portugal com eles. O hospital onde Maura trabalhava, antes mesmo de alguém ir a Níger, tinha angariado fundos para que uma família Africana, recolhida pelos seus empregados, pudesse viver em Portugal. Maura explicou à família Mourão que eles viajariam para Portugal para que Mafalda pudesse ser operada e pudesse voltar a andar. Mafalda, os irmãos e a avó aceitaram de imediato, mas os pais de Mada queriam pensar, sabiam que aquilo traria a felicidade de Mafalda de volta, que a avó Maria ficaria muito contente por passar algum tempo em Portugal, mas Andreia e Baulo sabiam que a vida em Portugal não era fácil e que mais cedo ou mais tarde teriam problemas de dinheiro. Nessa noite nada ficou decidido, mas no dia seguinte, logo pelo amanhecer, as malas da família Mourão estavam à porta.

Mafalda viajou nesse mesmo dia para o pais que já conhecia pelas histórias contadas pela avó Maria. Mafalda pouco viu de Portugal, pois assim que chegou foi transportada para o hospital e operada.

Mada esteve com gesso durante vários messes, mas no mesmo dia em que tirou o gesso visitou praticamente tudo o que havia para visitar em Portugal. Mafalda aprendia tudo com uma rapidez impressionante e depressa apanhou os colegas com a mesma idade.

Mas nem todas as pessoas têm a mesma sorte. Já Mafalda tinha 13 anos, quando conheceu um menino de apenas 7 anos com um problema sanguíneo e que precisava rapidamente que alguém lhe doa-se sangue. Como o menino era pobre nenhum hospital lhe quis fazer a operação; Mada bem tentou, mas nem mesmo no hospital em que tinha sido operada lhe ofereceram ajuda.

E por causa da falta de ajuda esse menino acabou por morrer. Mafalda ficou muito triste e todas as noites perguntava à avó e a si própria “como é que algumas pessoas podem ser tão más?”

A “Mafalda menina” passou a ser a “Mafalda senhora”, o aspecto físico modificou-se, mas aquela pergunta sem reposta e toda aquela tristeza mantiveram-se iguais. Mafalda tirou um curso de medicina e conseguiu, com ajudas do estado, abrir um hospital público em que todas as pessoas são atendidas, quer sejam ricas ou pobres, e que em que todos merecem ajuda e atenção.

Mafalda viveu sempre com a pergunta e a tristeza dentro de si, mas muito feliz pois passou grande parte da sua vida a ajudar os mais necessitados. Ela aprendeu a viver com todos sem distinguir ninguém, mas aquela pergunta nunca teve resposta:

Como é que algumas pessoas podem ser tão más?”...


Vá, sei que não está nada de especial, mas escrevi-o há dois anos, com apenas 12 anos... (ai como eu era pequenina, já me esquecia que tivera essa idade...)

Estava a vasculhar aqui no computador, a ver se me safava de fazer um trabalho para a escola, quando encontrei este texto, o qual me assaltara o pensamento há umas noites, por ler um texto sobre a Nigéria, que na altura calhou estar no mapa, porque nem sei que língua se fala lá (pois, continuo sem saber, mas vou descobrir assim que tiver tempo).

Bem, o texto, depois de estes anos todos, continua a comover-me a mim mesma (eu sou deveras estranha) e eu achei que seria bom partilha-lo com vocês.

Reviews são bem vindas, embora a minha escrita já seja bastante melhor... Os anos fazem isso...



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