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Poetry » Life » SÁBIA TOLICE font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Candice Machado
Fiction Rated: T - Portuguese - Poetry/Drama - Reviews: 3 - Published: 06-27-06 - Updated: 06-27-06 - id:2201113
SÁBIA TOLICE

Calvo, bravo, salvo... Parvo.

Calvo de cansaço, de preocupação.

Preocupação com o quê? O que comer, o que beber, onde viver.

Ora, não será viver sofrer?

Bravo? Não, a vida que é brava comigo.

Essa "vida severina"!

Êta, minha, sua, nossa sina!

Severa, não espera, dilacera.

Pasmo? Eu não! "O coisa ruim" não me assombra.

Aquele excomungado, desalmado, rejeitado...

Eu sou é salvo!

Coco, sufoco, pouco, sofro, louco... Parvo.

Vou seguindo essa minha "vida seca", (muito seca!)

Oh! Que paradoxo inadequado.

Se é vida, não pode ser seca. Se é seca, é morte.

Não! Retire o prefixo latino "in", que expressa sentido contrário, negativo.

A palavra certa é adequado, pois, a minha, a sua, a nossa vida...

...Tem sido seca, dura, insegura.

Vida dura como um coco!

"Morte em vida", que sufoco!

Pouco vivo, pouco sonho. Pouco sofro?

Não. Sofro o dobro!

Acho que sou louco. Será que o sou?

Espero que sim, pois está escrito:

"nem mesmo os loucos errarão o caminho do céu".

Xiii! Errei!

Não faz mal, o caminho me achou.

Danado! Me seguiu direitinho, assim como a montanha fez com Maomé.

Falsidade, expressividade, sagacidade, liberdade... Parvo!

Não sou dotado de falsidade.

Se bem que isso não é dote, é "bote".

Não, não é o bote que se coloca na água para navegar.

É mais parecido com aquele que as cobras (muitas cobras!) vivem a dar.

Expressividade, sagacidade?

Não. A palavra é liberdade então.

É, sou livre para falar o que penso, o que quero, do jeito que sei.

Entretanto, acabei de me lembrar que penso e logo começo a deduzir que não quero existir.

Por que? "Num sei", só "sei que nada sei"!

É por isso que falo!

Não devo nada a ninguém!

Se devesse, eu pagaria.

Pára Grilo, sai daqui! Pára de "grilar" no meu ouvido!

Deixa o Chicó pagar a promessa!

Não vai dar uma de Português.

Escambo, não! Bugiganga em troca do Pau Brasil, isso é...

Desonesto! Funesto! PortoZil!

Colorir, esculpir... Parvo.

Eu coloro a minha vida.

Não, colorir é defectivo, não serve para designar o que faço.

Mesmo se desse, ficaria uma "opinião formada", uma ordenança, certeza...

Quer dizer, "eu sempre vou colorir a minha vida".

Isso nos remete à idéia de rotina, imutável.

O melhor é dizer, eu posso colorir a minha vida.

Agora melhorou. Quando eu digo que posso, estou apontando para uma possibilidade.

Se eu quiser, não preciso colori-la, posso deixá-la em branco.

Vamos andando, cuidado!

Podemos esbarrar na "morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida".

E por falar, mais uma vez, em vida, "o que será, o que será"?

Vida, eco ou vida?

O nobre me disse que estava esculpindo a sua vida.

A princípio, estranhei, pois ele esculpiu uma estátua de si mesmo sentado em uma cadeira.

A sua cadeira, seu trono, era constituído de dinheiro.

Mais tarde entendi, "é que Narciso acha feio tudo o que não é espelho".

Por isso, se aborreceu quando eu disse que minha vida errante...

... É mais certa que a dele brilhante, ou melhor, entediante, alienante.

O pobre nobre ( lá vem o paradoxo de novo!), só enxerga ele mesmo!

Rebuscada, remendada, famigerada... Parvo.

Linguagem, palavra complexa. Coisa para Rosa explicar. Não, questionar, "neologisar".

Fala rebuscada? Não, nem de longe.

Na verdade a minha fala é remendada, famigerada, notada pela marginalidade.

Sim, minhas palavras estão à margem da intelectualidade.

Viva o Damázio Siqueiras! "siqueiras, vem de 'sequeira', que significa 'lugar seco...

...Que não foi regado'".

É, nossa linguagem não foi regada, mas, mesmo assim, resiste.

Seja bem vinda linguagem Mandacaru!

Você é alegoria para representar os parvos de ontem, antes de ontem, hoje e amanhã.

Não sei como Mandacaru, mas resiste à escassez de água.

Você é espinhoso, e, por isso, não raro, deixa feridas nos outros.

Mas não fique preocupado, sabemos que não fere porque gosta, mas porque é necessário.

Além disso, não só de espinhos se faz sua "vida seca".

Você também produz uma flor, e ela indica que vem a chuva.

Oh! Que maravilha! A chuva pode vir a cair nos corações humanos.

Como eles precisam disso!

É então que entra a sátira. Assim como você, Mandacaru, "ela faz a ferida para curá-la".

Sim, você que era só espinho antes da chuva, agora se tornou uma bela flor.

Essa flor, gerou um fruto, e dele é feito um chá com grande poder anti-inflamatório.

Agora sim: manda chá na crueldade, manda chá na hipocrisia, manda chá no "Baile de

máscaras" que é a nossa sociedade.

E, enfim, faça com que todos nós nos tornemos verdadeiros, sinceros, sem malícia...

...Faz nos, simplesmente... PARVOS!


A/N: Olá, pessoas ! Bem, não sei o que dizer sobre esse “poema”, espero que vocês saibam fazê-lo por mim. Comentem, mesmo que seja para dizer que ficou péssimo.

Obrigada, Candice Machado



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