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Fiction » Horror » Contos do Subúrbio font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Sora Seishin
Fiction Rated: T - Portuguese - Horror/Suspense - Reviews: 12 - Published: 07-16-06 - Updated: 11-20-07 - id:2212543

Contos do Subúrbio

Contos que escrevi inspirada pela música Jesus of Suburbia do Green Day. Cada conto corresponde a uma parte da música (serão cinco). Aguardo reviews!


Parte I – Jesus of Suburbia

E não há nada de errado comigo
É desse jeito que eu devo ser
Numa terra de sonhos
Que não acredita em mim

Joey Montana caminhou de volta ao apartamento, com as mãos nos bolsos para enganar o frio. Já eram quase cinco da manhã, uma hora não muito apropriada para estar fora de casa quando se mora num bairro regado a álcool e cocaína. Pelo menos esse não era seu caso.

Os degraus de madeira, quase podre, da escada, estalaram ao sentir o baque de suas botas. Puxou a chave do bolso esquerdo de seu sobretudo preto e abriu a porta sem fazer rangido, espiando antes de entrar. Era um cuidado necessário num local como aquele. “Droga de lugar”, pensou, como sempre pensava ao voltar para casa. E depois disso, sempre lembrava que não poderia se mudar.

Jogou-se no sofá velho, roído por ratos estúpidos. Colocou os pés em cima da mesa e ligou a televisão, mudando de canal incessantemente, até cansar-se de buscar algo interessante para assistir. Cento e oitenta canais, e nenhum deles exibia algo que prestasse. Pelo menos não era ele quem pagava a conta da tevê a cabo.

Encostou a cabeça na melhor almofada que havia ali – o que não significa que estava em bom estado – e sentiu as pálpebras pesadas, o controle remoto escorregando de sua mão até colidir com o chão, também de madeira, como a escada, e identicamente podre. Havia sido uma longa noite. Deixou se levar pelo sono e pelo cansaço, esquecendo-se do mundo ao redor.

Somente abriu os olhos treze horas depois. Olhou através da cortina entreaberta. O sol estava se pondo novamente. Hora de trabalhar.

Levantou-se de um salto, buscando, outra vez, suas chaves no bolso do sobretudo. Encontrou a que precisava e utilizou-a para abrir o armário – não menos podre – de madeira, revelando um grande estoque bélico, de bestas a punhais. Nenhuma arma de fogo, pois sabia que nenhuma delas cumpriria seu objetivo.

Pegou vários itens, encaixando-os nos bolsos de dentro do sobretudo; por último uma estaca de madeira – que não tinha nada de podre. Ainda daria tempo de comprar um café antes de voltar ao trabalho. Todas as noites, até sua morte, Joey Montana teria um destino a cumprir. Mas pelo menos não havia se tornado um deles. Ainda.



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