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ATENÇÃO: ÀS GESTANTES, CARDÍACOS, CONSERVADORES E DERIVADOS, BOTÃO DE FECHAR É MAIS ACIMA, POR FAVOR. u.u O TEXTO ABAIXO POSSUI CENAS QUE PODERÃO CHOCAR O CARO LEITOR QUE TIVER CORAGEM DE LER, PORTANTO, ESTEJAM AVISADOS. CASO NÃO MORREREM, O BOTÃO DE REVIEW É ALI EMBAIXO, CERTO? XD
P.S.: E É SÉRIO!!! XD
Gênero: Ação/Aventura, Drama, Suspense.
Avisos: Violência, Saga, OC, Original.
Disclaimers: A idéia original (mas é tão mutável que é até ridículo dizer isso u.u), Morgan Evangeline, Eve Simons (que outrora pertenceu a ) e Kio Hanajima me pertencem (principalmente o Kio! XD). Os seguintes personagens são de seus respectivos autores: Raven Lancaster (Ciça), Mizuno Vandom (Angel), Toma Kizune (Mizu Katanabe), Hadarah Schneider (Yuki), Victoria Andrews (Sinistra Negra), Mikael Angelus (Zero X), Lune Delacour (Teella), Cecília Abrantis (Cahh Kinomoto), e Valentine Viktorya Kovacs e Robert Kovacs (Darkrose, a detentora de 60 das idéias adicionais XD).
Situação: Em Andamento.
Capítulo escrito por Darkrose e Petit Ange.
ONE MAN DREAM
(Sonho de um homem)
By Darkrose e Petit Ange
Capítulo I: Sanus Quod Silentium – Sectum 1
(O Som e o Silêncio – Parte 1)
2010.
Kyrie. Um nome diferente formado de uma estranha junção de latim. Uma língua morta, fadada ao esquecimento. Entretanto, aquele nome latinizado não seria esquecido. Ele entrou na vida das pessoas de uma forma impensável, inquestionável. Absoluta.
Kyrie é o ar que você respira, é a água que você bebe. Kyrie são as pessoas que você cumprimenta e que convivem com você. Kyrie é a comida que você come, são os produtos que você consome, para sua maior comodidade, praticidade e estética pessoal. Kyrie é o que você ama, é sua amante, é seu corpo, é seu desejo, é sua luxúria. Luxúria humana, desejo louco e desmedido, obsessão consumista totalmente justificada e aclamada. Kyrie é o que você odeia, é seu inimigo, é o lixo que você tenta se livrar, mas que continua entulhando o espaço físico de algum lugar que você prefere ignorar.
Kyrie é a tecnologia que você usufrui. Kyrie é a vida, o começo de tudo. Alpha, segundo os gregos... Mas ela também é a morte, o fim de tudo. Ômega.
Kyrie é o laboratório mais famoso do mundo. Possui complexos industriais e químicos, espalhados por todos os locais da Terra. Mesmo estando no lugar mais absurdo e longínquo, totalmente isolado da civilização, as pessoas esbarram com algo dela. Os produtos e as demais criações deste laboratório estão totalmente inseridos na vida das pessoas. É impossível imaginar uma vida sem a Kyrie.
Sua sede fica em Tokyo, onde é guardada e auxiliada por uma tropa de oficiais próprios; a Tropa de Elite. Oficiais e estrategistas perfeitos e seguros de si servem à ela. Todos vieram da Divisão Especial da Academia Militar de Tokyo. Eles são a elite da elite do Exército. São os top de linha da segurança pública num local particular. Poucos são os agraciados a conseguir adentrar o prédio sóbrio e espelhado do laboratório. É uma honra guardá-lo e protegê-lo. Pelo bem da sociedade de consumo, esses homens ali ficam. Garantindo que as pessoas possam usufruir dos benefícios consumistas que facilitam suas vidas. Lá também se encontram as mentes mais brilhantes do globo; pensando, calculando e examinando possibilidades de tornar a vida das pessoas de bem melhor do que é hoje, do que foi ontem e do que será amanhã...
------ # I # ------
Era cedo. O sol ainda escondia-se por entre os altos prédios, deixando apenas um rastro de luz. Oito horas? Oito e meia? Não sabia, havia saído com tanta pressa que nem olhara o relógio. Não dormira a noite passada. Ficou pensando no que seria melhor para acabar logo com aquilo. E então, num clique, num cochilo, acordou no melhor estilo “Euréka!”.
Simplesmente arrumou-se e saiu de casa, disposto a executar aquele plano que lhe pareceu ser a única coisa usável, porém que de certa forma lhe doía executar. “Tudo bem, é por uma boa causa...”, tentava consolar-se. Enquanto passava pelos corredores, até chegar a sua sala, onde deixava todas as coisas por pura preguiça de levá-las, pensou em visitá-lo.
Não... Não era boa idéia, pelo menos no momento. Depois, se tudo desse certo, iria levá-lo também. Mas, por enquanto, era melhor ficar apenas entre ele e o outro. Recuou alguns passos e olhou para o fundo do corredor. Reuniu toda a sua coragem e caminhou até lá, com passos decididos.
Respirando fundo, Kio Hanajima ficou encarando a porta a sua frente. Era a sala de Robert Kovacs, o manda-chuva, apenas abaixo do próprio diretor da Kyrie. Não, ficar mastigando títulos e rostos não era o que queria agora... Precisava ser rápido e prático, e era certo que não poderia mais entrar naquele lugar depois disto. Ou pelo menos vivo não poderia mais.
Respirou fundo de novo, e adentrou a sala sem bater, que era seu costume, sem saudar o coronel. Deu seu melhor sorriso cínico e idiota, e ficou na frente dele, separados pela mesa.
- Bom dia, coronel Kovacs! – sorriu ainda mais lesado.
O coronel, um homem alto de porte atlético e pele pálida, estava ainda sonolento, e assim sendo, mais mal-humorado que o habitual. Não queria simular nenhuma vontade ou satisfação de ver o comandante àquela hora da manhã ali. Iria abrir a boca para enxotá-lo, mas Kio foi mais rápido.
Num segundo, jogou em cima da mesa as poucas medalhas, papéis, contratos e seu cartão de acesso à Kyrie. O outro ficou estático por um momento, olhando com seus olhos azuis profundos para as tralhas em cima de sua mesa, e para o idiota que o havia feito.
- Mas... O que significa isso?! – falou alterado.
- Estou me demitindo, senhor! – declarou naturalmente. – Eu sei de tudo. Da sua brincadeira, dos cientistas brincando de “Dr. Frankstein”, e enfim... De tudo. E achei muito sem graça, não gostei disso! Me recuso a permanecer num lugar assim, é isso! – sorriu calmamente.
O coronel polonês o encarou perplexo, mas continuou inabalável:
- Ah sim! Vou aproveitar e contar para todas as TVs, jornais, revistas, rádios e etc tudo o que sei daqui! E depois vou poder até falar “Mamãe, eu tô na TV”! – sorriu idiota outra vez, adorando ver a cara do outro. Era uma fisionomia séria agora. – E depois, contarei tudo sobre as crianças daqui. Aposto que a mídia vai adorar saber disso... Principalmente a Primeira Criança, será interessante descobrir o grau de parentesco! Bem... – olhou para um lado qualquer. – Acho que é só! Tenho que ir agora! – voltou a sorrir para o coronel, caminhando calmamente em direção da porta. – Não comi, sabe, estou com fome. Tenha um bom dia!
Kio sai assobiando, e deixa o coronel perplexo, sem saber como agir.
------ # I # ------
O agora ex-comandante caminhava calmamente pelos corredores lúgubres, cumprimentando a todos que encontrava, sorrindo calmamente. Havia decidido passar em sua sala. Ao chegar lá, antes de abri-la, esbarrou com uma pessoa.
- Aaiiee!! Isso doeu! – disse, esfregando a cabeça.
- Kretyn! (1) Sabe que horas são?! – uma voz masculina falava impaciente. – Está atrasado!
Kio pousou os olhos esmeraldas na pessoa que lhe disse aquilo, e viu a sua frente um rapaz igualmente alto, albino, pele branquíssima e cabelos loiríssimos, quase brancos, e olhos vermelhos que lhe encaravam com um ar de “Seu idiota”.
- Valvik! – pulou em cima do amigo. – Que saudades! Vamos tomar um café?! – pergunta animado. – Eu pago! Acabei de me levantar e ainda não comi!
- Não. – responde friamente.
- Ah, vamos, vai...! – o ex-comandante começa a esfregar sua bochecha na do outro, no melhor estilo ‘gatinho’, com um sorriso idiota.
Valentine revira os olhos, em puro tédio.
- Gówno... (2) – suspira. – Tá, tá, eu vou com você! Mas pare com isso! – dizia, enquanto o afastava.
- Ebaaaa!! – Kio pula em cima do outro de novo.
Repentinamente, como que programado para atrapalhar exatamente aquele momento, o telefone da linha interna da Kyrie começa a tocar dentro da sala de Valentine. O som estridente se faz ouvir até mesmo do lado de fora. O albino o escuta e, por um momento, esqueceu o amigo que ainda pulava em cima dele. Adentra a sala, com o outro ainda no seu colo, e o atende.
- Major Valentine falando. – ficou com um olhar sério. – Sim. Sim. – suspirou. – Imediatamente. – desliga o telefone, e joga Kio no chão.
- Aaiee!! Me machucou! – falou, levantando-se. – Hoje você tirou o dia pra isso!
- Esse é o objetivo... O café fica pra próxima. Fui chamado pra resolver um problema entre oficiais. – falou, ainda olhando o telefone em sua mão. – Já volto.
Kio o encarou, e esqueceu-se de todo seu teatro, demonstrando puro medo em seus olhos. Ótimo... Agora estava começando a dar tudo errado. Sem pensar, agarrou a manga do outro.
- Largue-me. – suspirou Valentine.
Porém o ex-comandante não soltou. Sua mente, naquele momento, pensava em inúmeras hipóteses e frases idiotas para tentar se justificar. Contar os planos, é isso... Mas as palavras se embaralhavam, fugiam de sua boca, mal chegavam à garganta, e ele não conseguia falar nada. Ficou com um nó na garganta. Então, simplesmente decidiu continuar com o plano do café.
- Mas você prometeu ir comer comigo! – disse, contrariado. – Sabe que eu detesto comer sozinho!
O albino abriu a boca, pronto para dar uma má resposta que lhe era tão característica, mas notou o olhar assustado do amigo, e ficou quieto. Olhou-o longamente, tentando descobrir o que deixava Kio tão assustado daquele jeito.
- Eu preciso ir. Estão me chamando. Juro que só vou resolver esse problema dos oficiais e nem vou machucá-los... – olhou para o lado, e corrigiu. – Muito. Por que não me solta? Eu vou voltar.
O japonês olhou para o lado, contrariado, mordendo de leve o lábio inferior. Só lhe restava rezar para que ainda pudesse encontrar Valentine a tempo. Não conseguia dizer, e não sabia o que dizer. Abriu a boca para tentar dizer algo, mas não conseguiu. As palavras entalaram de novo. O albino observou-o, e numa tentativa de demonstração de afeto, bagunçou os cabelos do outro e acenou, despedindo-se, caminhando em direção do corredor.
------ # I # ------
Seus passos apressados e resolutos marcavam o início de uma guerra. Os cientistas já estavam reunidos, de prontidão, por ordem do próprio coronel Kovacs. Olhares curiosos, outros preocupados. Sua presença, porém, calou tudo, desde vozes até movimentos de olhos. Com uma voz grave e autoritária, declara:
- Preparem as armas! Temos um alvo!
------ # I # ------
Não havia se passado muito tempo... Valentine descobriu que não era nenhum problema entre oficiais.
Os oficiais o escoltaram até o fim do corredor frio e silencioso. Abriram a porta e deixaram o major entrar. Ele os encarou com desconfiança, mas entrou na sala escura e abafada. Estava vazia. Respirou com certo alívio, odiava aquilo. Pouco depois, a porta abriu-se novamente e aquele homem adentrou a sala.
O coronel passou por ele, com passos firmes e confiantes. Sentou-se em sua cadeira e encarou o major à sua frente. Valentine bateu continência por mera formalidade. Seu olhar ficou absorto, olhando além deste. Odiava ter de cruzar o caminho daquele homem. Kovacs continuou o encarando, estudando as palavras certas para usar. Olhou no fundo dos olhos do major.
- Major Valentine, qual a sua opinião sobre respeito, lealdade e honra?
Aquela voz vigorosa e seca se pronunciou, como uma tempestade. O major o olhou abismado.
- Mas que diabo de pergunta é essa? –indagou-se mentalmente.
O coronel fixou o olhar no rosto pálido do major e repetiu a pergunta:
- Major Valentine, qual a sua opinião sobre respeito, lealdade e honra?
O major empertigou-se na farda e respondeu, num fôlego só:
- Respeito, lealdade e honra são três das muitas qualificações que um oficial deve possuir senhor. E eu possuo isso e muito mais.
O coronel deu um ínfimo sorriso, fez um gesto imperioso e ríspido:
- Aproxime-se.
Mesmo sem entender a situação, ele obedeceu ao seu superior, dando um passo à frente, colando as pernas na mesa. O coronel se levantou e foi até ele. Repentinamente, ele viu o coronel pondo em seu uniforme as medalhas e condecorações que Kio usava.
Valentine ouviu palavras desconexas. Traidor. Esqueça ele. Você é fiel? Sim. Novo comandante. Novas medalhas. Honre-as. Palavras. Palmas. Saudações. O albino sentiu-se tonto com tudo aquilo. Tudo estava confuso, nada fazia o menor sentido.
- Major Valentine Viktorya Kovacs, agora que possui no peito estas condecorações já não é mais um simples major. Agora você é o comandante Valentine Viktorya Kovacs, responsável pelas tropas de elite da Kyrie. Honre isso.
Pensamentos. Lembranças. Amigo. Sem medalhas. Como não notei? Medo nos olhos. Convite. Telefonema. Kio... Kio! Assim que a bizarra reunião terminou, saiu da sala apressado, correndo. Entrou na sala como major e saiu dela como comandante?! Não é possível! Lembrou do amigo que deixou para trás, a proposta de cafezinho antes de começarem outro dia de trabalho, a repentina ligação.
Valentine não acreditou naquela súbita promoção. Ele via na sua frente a hesitação nos olhos de Kio Hanajima, até ali comandante da Kyrie, a grande Kyrie. Entrou na sala do amigo, mas não o achou. Correu até a casa onde ele morava, ao lado da Kyrie, e rapidamente abriu a porta.
- Imagine, Kio. Agora aquele verme, que atende por coronel, está fazendo piadas. Disse que você é... – olhou a sala vazia. –... Um traidor.
Olhou em volta. A sala vazia. Totalmente vazia. Sem malas, sem cama bagunçada, a janela entreaberta, o cheiro doce de chocolates sumindo do ambiente. Tudo escuro. Limpo. Vazio. Entre todo o vazio da antiga residência, o albino encontra um pedaço de papel. Rabiscos. Algumas palavras. Ele pega o bilhete e corre para fora. Já havia ido embora. Nada mais.
Seu sangue ferveu, sentiu o ódio nas veias. Como se os céus refletissem os sentimentos confusos que inundaram Valentine, eles também tiveram uma súbita mudança. Os raios de sol foram sumindo e deram lugar à nuvens grossas e negras, prenunciando uma tempestade de verão.
- Maldito Kio. Mil vezes maldito! Traidor nojento... Vai me pagar... – murmura entredentes.
A escuridão foi tomando conta do céu. Ele rugiu revoltado. Um trovão fez o chão tremer levemente.
O bilhete caiu na rua, sendo pisado pelo albino em seguida.
“(...) Estava morrendo de fome... Desculpa, mas fui comer. Você sabe tão bem quanto eu sei que na verdade eu só queria te arrastar pra fora da Kyrie. Na verdade não me importo em comer só...
Até mais, Valvik.
P.S.: Por favor, não me odeie... Muito.”
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Dentro de uma arena especial, treinavam adolescentes. O local era uma arena grande e afastada das demais “localidades civis”, como costumavam denominar o Exército, o laboratório e todo o resto. Podia assemelhar-se a um Coliseu moderno e mais discreto.
Não se vestiam com uniformes militares, vestiam roupas simples e confortáveis, próprias para treinar. Uniformes de treinos, todos com o logotipo do laboratório Kyrie no braço ou no peito. Com equipamentos de ponta, e habilidades incríveis, dez adolescentes, que aparentemente variavam de 15 a 19 anos, lutavam entre si e com as máquinas. Arfavam. O lugar cheirava a pó e a cansaço. Por detrás dos olhos de cada um, podia vislumbrar-se um espírito atado.
Olharam o céu carregar-se de nuvens negras e pesadas, mas não ligaram. Ocupados demais, absortos demais. Apenas continuaram a fazer aquilo que estavam fazendo. Lutando. Treinando. Para alguns, uma forma de esquecer os problemas. Para outros, uma forma de exercitar-se e ser forte. Para outros, apenas a vida que levavam, nada mais.
A triste vida de um O.M.D. resumia-se às vezes nisto. Uma sucessão de batalhas.
De repente, para atrapalhá-los, uma chuva começou a cair. Ela feria. Os pingos caíam com velocidade e precisão no chão, erguendo uma poeira espessa, espalhando um cheiro enjoativo no ar, deixando-o embaçado. Numa questão de segundos, uma grossa tempestade começava. Mas eles continuaram vendo e se molhando, sem se importarem. Nada mais fizeram. Até que, como uma ação conjunta, como se aquilo já tivesse se tornado tedioso, todos se abrigaram embaixo de um toldo. Ficaram encolhidos ali, comprimidos entre si.
Suspiros. Olhares entediados. E a espera. A chuva parecia não parar.
- Saco... – resmungou uma adolescente.
- Fica na sua. – devolveu uma outra.
A outra olhou feio para aquela que lhe mandara, em poucas palavras, “calar a boca”. Queria bater nela. Assim que a chuva parasse, iria convidá-la para uma luta. Porém, enquanto tramava idéias em sua cabeça encharcada, um soldado especial que lá ficava, dono de uma voz autoritária, anunciou:
- Leethus. (3) O coronel lhe chama.
Os olhares correram, até colarem-se numa garota molhada e encolhida num canto, que olhava a chuva absorta. Parecia não ter ouvido a ordem.
- Leethus, é contigo! – um deles cutucou-a, fazendo-a acordar.
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Ainda estava molhada. Os passos estavam escorregadios, tinha medo de cair. O chão era liso demais, aquilo a incomodava às vezes. Olhou de relance para trás, e viu poças de água com o formato de seus pés. A chuva estava tão forte assim? Ah sim, estava... Podia ouvi-la levemente...
Suspirou, remexendo as algemas. Não gostava daquela parte. Sentia como se houvesse feito algo errado com aquelas algemas. Bem, ser um O.M.D. é algo ruim, com certeza. Não só nos pulsos. Eram nos braços, nas pernas, até porcarias em sua cabeça colocavam. Os olhos castanhos procuravam o caminho a sua frente por um breve momento, e voltavam a olhar para o chão, tristes.
Por um momento, quis beber água. Olhou para o lado, avistou um bebedouro. Mas foi empurrada pelo soldado que atrás dela andava, escoltando-a, fazendo os cabelos rosados esvoaçar.
- Continue a andar, cobaia. – ordenou.
À contragosto, com um suspiro quase inaudível, continuou andando. Foi então que viu o lugar para onde tinha medo de ir. A sala do coronel. Não gostava dela. Sempre que saía de lá, sentia-se cada vez menos humana. E sempre quando entrava de novo, sentia-se suja. Uma sucessão de sentimentos idiotas... Que a rebaixavam e eram fortes demais até para a dona deles.
Sua respiração começou a pesar. Mordeu os lábios, nervosa. Se estivesse sem aquelas algemas... Com certeza correria para o mais longe possível dali. Recuou um passo, mas novamente foi empurrada pelo oficial. Adentrou a sala aos tropeções e viu de relance aquele homem. O soldado que a acompanhou parou atrás dela e ficou em sentido, olhando fixamente para um ponto qualquer. Ela enterrou o queixo no peito, deixando os cabelos caírem, desalinhados, na frente de seu rosto. Não ousava encarar aquele homem de frente.
- Le-Leethus se apresentando... Se-senhor.
Ficou em silêncio por um tempo que lhe pareceu demasiadamente longo. Aquele par de cristalinos olhos azuis, tão conhecidos e terríveis, fixou-se nela. Sentia-os percorrerem seu corpo. Mordeu os lábios com mais força, arrancando as peles ressecadas com os dentes. Sentiu o gosto de sangue na boca, chupou com força, mas logo o estômago revirou. Certamente, veria um mar de sangue naquela manhã chuvosa.
- Leethus, aproxime-se.
A garota deu passos hesitantes até a mesa e continuou deixando o cabelo em frente do rosto. Do lado de fora, a chuva continuava castigando os céus de Tokyo. Não era uma simples chuva. Era uma tempestade. O coronel observou o medo dela. Sentia um prazer indescritível ao ver o medo e o terror que inspirava nos outros.
- Medo e terror é respeito e obediência. Reconhecimento à minha autoridade. –pensou, deixando um sorriso ínfimo escapar dos lábios. A olhou e ordenou, calmamente:
- Levante a cabeça e olhe a foto que está na mesa.
Ela o obedeceu e observou amedrontada a foto que estava ali. Não se fixou muito no rosto da pessoa, apenas queria olhar para qualquer coisa que não fosse o coronel. Por um instante a sala do coronel se iluminou totalmente, um raio caiu ali perto. Leethus pode vislumbrar aquele estranho sorriso nos lábios do coronel e estremeceu.
- Coronel Kovacs... Que homem mais – Calou-se. Não ousou finalizar o pensamento. Achava que o coronel poderia ouvi-la.
- Gravou a fisionomia?
Leethus não ouviu a pergunta. O som da voz do coronel foi abafado pelo rugido do trovão. Mas anuiu com a cabeça. Bastava concordar com tudo e sua vida não seria pior. Seria apenas ruim.
- S-sim, senhor.
- Assim que sair desta sala, sua missão começará. Ele é o alvo. Localize-o e o elimine imediatamente. Entendido?
Leethus suspirou levemente, tentando disfarçar isso. Não queria que o coronel Kovacs a visse suspirando. Aquiesceu silenciosamente.
Kovacs fez um sinal para o soldado que estava ali. O homem que ali estava sabia exatamente o que o coronel desejava. Tirou um molho de chaves do bolso e se aproximou da garota. Uma a uma, as algemas se abriam. Pescoço, pulsos e tornozelos foram liberados. Ela fechou os olhos e conteve um suspiro, um misto de dor e alívio.
Massageou as articulações do pulso disfarçadamente. Longe dali, massagearia o pescoço e os tornozelos.
- Posso me retirar, senhor?
- Silencie este alvo o mais breve possível. Não quero que ele veja sequer essa chuva acabar. Dispensada.
O coronel baixou a cabeça e começou a examinar alguns papéis. Esqueceu-se da presença deles completamente.
Ela fez uma ligeira mesura e saiu. Seguiu para uma rota alternativa conhecida apenas por ela, uma O.M.D. Tudo para evitar esbarrar com algum “civil”. O soldado colocou as chaves na mesa do coronel, bateu continência e também se retirou, seguindo o caminho oposto ao da garota.
Assim que ficou sozinho na sala, Kovacs ergueu a cabeça e levantou-se. Caminhou até a janela e ergueu uma parte da persiana com o dedo. Encarou o céu escuro; as gotas de chuva caíam no chão como projéteis. Um novo clarão no céu iluminou seu rosto. Sorriu e falou para si mesmo:
- Powiedziałem ów Ja byłby zabić ty, komendant... (4)
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O novo comandante caminhava com passos ruidosos pelos corredores do laboratório. Tinha que tomar uma atitude e tinha que ser agora. Adentrou a sala da comunicação interna da Kyrie sem pedir licença, assustando a mulher responsável por isso. Tomou o microfone das mãos dela, decidido, e falou sério:
- Oficiais, cientistas e todos os demais funcionários da Kyrie, parem seus afazeres e compareçam imediatamente ao saguão da entrada principal do prédio. Isso não é um treinamento. Repito: parem seus afazeres e compareçam imediatamente ao saguão da entrada principal do prédio.
A voz grave e rouca ecoou por toda a Kyrie através das caixas de som, instaladas por todo o prédio. Os funcionários pararam suas tarefas e se entreolharam. Ficaram em dúvida sobre o que fazer, mas optaram por seguir a ordem de comando.
Ele colocou o aparelho de volta na mesa. A mulher o encarava abismada, não entendia o porquê do major Valentine fazer aquele anúncio. Ele a olhou de soslaio.
- Isso também se aplica a você e às suas colegas daqui. Me acompanhem.
Ao sair da sala, Valentine caminhou calmamente. Aquele momento... Sempre sonhou com ele. Entretanto, as circunstâncias o contrariavam. Queria subir de patente, mas daquela maneira era ridículo, no mínimo. Enquanto analisava sua situação no momento, homens andavam com passos largos e apressados até o local ordenado. Mulheres, com passos curtos e oscilantes em seus saltos agulhas, acompanhavam os demais.
Todos falavam entre si, uma comoção geral. Passavam por ele, às vezes esbarrando em seu ombro, com pressa e nervosismo, além de curiosidade. Esse tipo de ordem não era usual. Fora do prédio, a tempestade continuava atingindo os vidros espelhados do laboratório, mas isso não abafava o som das vozes confusas:
- Mas o que está acontecendo?
- Será que teve algum acidente no subsolo?
- Não é possível... Os cientistas também foram convocados. E se fosse um acidente, eles ordenariam evacuação da área, como daquela vez...
- Tem razão.
O aviso foi escutado também no Coliseu. O soldado especial que ficava encarregado de vigiar os garotos aproximou-se do lugar onde eles se abrigavam da chuva e falou apressado:
- Vocês ouviram a ordem. Saiam daí e vamos para o saguão!
Como estava com pressa em cumprir a ordem, algemou apenas os pulsos deles e passou uma corrente por cada algema, forçando-os a andar em fila. Os adolescentes, cabisbaixos, esperavam alguma outra ordem do homem, tomando toda a chuva, encharcando mais suas roupas.
- Andem logo! –ordenou apressado, deixando-os seguir em sua frente.
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O coronel ouviu o chamado, mas não se moveu do lugar. Reconheceu a voz. Tinha uma vaga idéia sobre o que iria acontecer. Sacudiu os ombros, indiferente, e voltou para seu trabalho.
- Divirta-se, comandante. –pensou.
Seu telefone tocou pouco depois.
- Mas o que diabos está acontecendo, coronel Kovacs? –indagou uma voz confusa e irritada.
- Nada de mais, senhor diretor. O novo comandante está apenas usando sua autoridade.Não tem que se preocupar com nada. Está tudo sob controle.
O diretor suspirou e enxugou a testa com um lenço. Fazia anos que a Kyrie não tinha um dia assim tão movimentado:
- E quanto ao traidor que medidas você tomou?
Kovacs sorriu enquanto acrescentava algumas observações nas fichas pessoais das “armas” da Kyrie.
- Não se preocupe, está tudo sob controle. Já acionei a polícia e mandei fotos dele para estações de trem, metrô e aeroportos. Também enviei um recado nosso... Kio Hanajima não irá muito longe.
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O saguão da entrada principal estava lotado de gente. Ninguém entendia nada, todos se entreolhavam, buscando uma resposta, algo para compreender o que estava ocorrendo. Estavam comprimidos num espaço minúsculo e não entendiam o motivo. Não tinha ninguém ali os esperando. O centro do saguão estava vazio. Os recepcionistas também se encaravam, confusos.
Repentinamente, alguém começou a empurrá-los para o lado, abrindo caminho até o local vazio. Estava acompanhado pelas mulheres da comunicação interna, que pararam de segui-lo. Aquele homem atraiu os olhares para si; não mais pela sua aparência, mas pela imponência que o impelia a caminhar, decidido e confiante.
O polonês parou no meio do salão e olhou em volta, analisando rapidamente os rostos que via na sua frente. Respirou fundo. Sentia o coração bater forte. A circulação se acelerou. Inspirou o ar novamente e ficou o mais sério possível.
- SILÊNCIO! –falou com a voz mais potente que poderia tirar de dentro de si.
Sua ordem atraiu a atenção dos funcionários. Eles silenciaram imediatamente e o encararam confusos e curiosos. Neste exato momento, os adolescentes chegaram e ficaram a uma distância segura dos demais, sendo vigiados pelo soldado, que tinha um aspecto preocupado.
- Estamos num momento de crise. Esta manhã, Kio Hanajima, o comandante das Tropas de Elite da Kyrie nos abandonou. Ele traiu ao Exército e ao laboratório. Agora, eu, Valentine Viktorya Kovacs, assumi o posto que foi dele e sou o novo comandante, responsável pelas Tropas de Elite da Kyrie. Agora as forças da Kyrie serão mobilizadas para localizar o desertor e trazê-lo para cá, para um interrogatório, onde será devidamente punido por essa traição.
Nova comoção. Ninguém acreditava naquelas palavras. O comandante Hanajima não parecia ser o tipo de homem que desertava, que traía. Valentine já esperava aquela resistência e repetiu, impaciente:
- SILÊNCIO!
Novamente atraiu a atenção para si. Encarou a todos, exausto.
- Vocês estão aqui para saber das novidades e também para se mobilizarem junto com as tropas. Quero toda a Kyrie a postos, preparados para localizar o traidor e fazê-lo pagar caro por sua deserção! Não me importo se vocês são porteiros, recepcionistas, faxineiros ou o que for. Se virem algo estranho, qualquer pessoa que lembre ele ou que possa ter entrado em contato com ele avisem. Ele deve ser preso, julgado e devidamente punido!
Os rostos dos presentes estavam sérios. O clima estava tenso e pesado, assim como a tempestade que perdurava lá fora e não dava trégua. Um trovão voltou a reverberar ali. O novo comandante olhou em volta, visualizando o rosto de cada um, esforçando-se para memorizar aqueles que julgava importante, quando notou a fisionomia debochada de três oficiais, conhecidos seus de longa data.
Valentine sorriu maldoso, enquanto pensava:
- Os três patetas estão aqui também... Perfekcyjny! (5) Serão as minhas cobaias.
Olhou para seu público e decidiu firmar-se totalmente como o superior daquele lugar.
- Vocês!– chamou a atenção dos três oficiais, mais velhos que ele.
O líder deles o encarou num misto de deboche e provocação:
- O que quer comandante Senhorita Valentine?
Os funcionários presentes encararam os desafiantes, espantados. O polonês não se abalou, esperava por isso. Até rezava para que ele o desrespeitasse publicamente, assim teria uma boa desculpa para usá-los como exemplo. Aproximou-se deles em completo silêncio e num gesto ríspido e preciso, pegou os cabelos do cara e lhe deu um puxão; fazendo o “líder” dos outros dois oficiais cair de quatro em frente dele. Sem pestanejar, ergueu a perna direita e pisou-lhe a cabeça com seu coturno.
O cara caiu de boca no pé esquerdo de Valentine. O comandante o olhou por cima, arrogantemente e disse com a voz rouca e sádica:
- Minha bota está imunda. Limpe com a língua.
Os oficiais amigos do outro que estavam no chão, encararam aquela cena insólita. Um deles deu um passo para avançar, mas se deparou com o olhar sádico e divertido do novo comandante e estremeceu. Sempre sentiu aflição em olhar aqueles olhos vermelho-sangue. Todos os presentes encararam aquela cena com uma curiosidade mórbida e, ao mesmo tempo, temor. O comandante esfregou mais o pé na cabeça do homem, forçando a cara dele no seu coturno.
- Isso foi uma ordem, oficial. –falou com a voz seca e rouca.
Os adolescentes ficaram estáticos, observando o desenrolar da situação. Não acreditavam que aquele novo comandante de aparência assustadora já estava fazendo algo tão cruel. Começaram a falar entre si, telepaticamente:
- Esse novo comandante é terrível... Ele me assusta. –pensou uma garota de cabelos castanhos lisos, encolhendo-se.
- Ninguém supera o coronel. –replicou outra, de cabelos negros.
- O superior deve impor respeito. –disse outra, de cabelos negros com uma mecha branca na franja
- Calem a boca e os pensamentos, imbecis! –ordenou uma loira de olhar indiferente.
Os olhares, a pressão do pé do albino, o silêncio constrangedor, a expectativa... Tudo aquilo constrangia o oficial. Era muita humilhação. Tinha que fazer alguma coisa para abreviar aquele momento. E logo! Fechou os olhos com força e fez uma careta. Esticou a língua para fora da boca e deu uma lambida rápida. Os funcionários da Kyrie olharam para a cena abismados. O comandante forçou o rosto dele mais no seu coturno, encarou a todos e vociferou, sorrindo sadicamente:
- QUE ISSO SIRVA DE LIÇÃO PARA TODOS! QUEM NÃO ME OBEDECER POR BEM, FARÁ POR MAL. E EU TEREI PRAZER EM PUNIR QUALQUER UM QUE NÃO ME OBEDEÇA! FUI CLARO?
Oficiais, cientistas e todos os demais funcionários engoliram em seco o aviso do comandante. Os soldados bateram continência e os civis que ali trabalhavam imitaram de maneira mal-feita a reverência para o superior.
- SIM SENHOR!
O polonês sorriu e bradou:
- DISPENSADOS!!
Os funcionários voltavam para seus postos silenciosos e temerosos com esse novo superior. Entreolhavam-se com medo e viam um horizonte negro, tal como o céu daquele dia, para os que continuariam trabalhando e servindo ali.
Depois que a maioria dos funcionários se retiraram, o soldado que acompanhava os garotos os empurrou:
- Acabou o show! Vamos voltar.
Ele foi prontamente obedecido, mas uma garota de cabelos e olhos castanhos encarou o novo comandante com um semblante triste e preocupado.
- Valvik... –pensou, apressando-se para acompanhar os companheiros.
Valentine nem notou o olhar da garota. Ele tirou o pé da cabeça do sujeito e lhe deu um chute no queixo. Os amigos do oficial o ajudaram a se levantar. Antes que pensassem em sair, o comandante sorriu:
-Mas vocês vêm comigo...
------ # I # ------
Mizuno caminhava pelas ruas movimentadas, sem nenhuma noção de onde encontraria seu alvo. Para ser sincera, não quis perguntar. Ficava imaginando onde estaria uma pessoa X no meio de tantos Y e tantos outros X. Suspirou resignada. Seus pés já estavam cansados. Queria sentar-se, mas estando a trabalho não podia nem pensar naquilo.
A chuva continuava e seus pés estavam encharcados. Nem os sentia, estavam congelados. Ao arfar, fumaças saíam de sua boca, mostrando que realmente estava frio. O céu parecia cair. Chuva demais. Voltou a olhar para frente, passando os olhos castanhos em todas as pessoas que atravessavam seu caminho. Mas nenhuma delas era aquele que ela procurava...
Não sabia por que, mas Tokyo a lembrava de sua cidade falsa. E, ao lembrar de sua cidade falsa, seu suspiro tornou-se pesado demais, e ela não conseguiu terminá-lo. Engoliu em seco, parecendo ter um nó imenso na garganta. Meneou a cabeça, fechando os olhos com força, tentando esquecer os pensamentos que insistiam em persegui-la.
De repente, esbarrou num homem de andar apressado e roupa úmida.
- Ah! Perdão! – acordou se seus pensamentos, desculpando-se imediatamente.
- Tudo bem. Tome mais cuidado, menininha. – disse apressado, voltando a seguir caminho.
Continuou olhando aquela pessoa se afastar, mas em sua cabeça logo se passou o pensamento que perderia o foco e possivelmente o alvo se parasse de concentrar-se em sua busca. Voltou a olhar para frente, mas... O homem com quem esbarrou lhe pareceu muito com outras pessoas que conheceu. Voltou a olhar para baixo. A chuva pareceu cair nela e não no guarda-chuva.
Um estranho frio interior apossou-se dela quando se lembrou de coisas que queria esquecer.
Outra noite. Outro homem. Essa não... “Vamos lá”. Dinheiro. Obrigação. Trabalho. Um carro. Estrada. Placas. Um lugar. “Ah, não...”. “Sim, de novo”. Sair do carro. Esperar. Cabeça baixa. Um quarto. Vamos lá. Vamos ao assunto. Medo. Uma cama. Gemidos. Um, dois, três. Parou. Mais dinheiro. Colocar roupas. Vergonha. Olhos marejados. Vergonha. Voltar ao carro. Estrada. Placas. A sua “casa”. Entregar o dinheiro a madame. “Aqui está, senhora”. “Ainda falta muito”. Voltar ao seu quarto. E chorar. Chorar baixo. Lágrimas desesperadas. Não dá. Tem que trabalhar. Suspiro. Lavar o rosto. Voltar. E trabalhar.
Sentiu-se aliviada quando foi despertada de seus pensamentos pelo celular. Sentiu-se realmente aliviada. Porém, o alívio durou apenas simples segundos. Segurou-o na mão e ficou olhando-o, receosa, ouvindo seu som. Precisava atender.
Correu até um toldo qualquer, e largou o guarda-chuva no chão por um momento. Ficou olhando para o aparelho longos instantes, ouvindo-o tocar sem parar. Hesitante, autorizou a chamada e colocou-o no ouvido. Uma voz imponente estava do outro lado da linha.
- Leethus. – chamou.
- Coronel...? – ela ficou gelada.
------ # I # ------
O comandante caminhava pelos corredores da Kyrie calmamente, cheio de determinação. Os três oficiais o seguiam, cabisbaixos. Odiavam aquilo, mas o seguiam. Era o dever deles. O líder limpava os lábios com as costas das mãos. Olhou para os lados e cuspiu no chão. Não acreditava que tinha feito aquilo. O segundo mordia os lábios nervosamente e o terceiro estralava os dedos dentro do bolso da farda. Os três respiravam fundo, resignados.
Valentine parou abruptamente diante da sala que era de Kio. Por um momento veio a mente o amigo e o convite do café matinal.
- Kio... –pensou, entristecido.
Sacudiu a cabeça, reprimindo as lembranças, forçando a memória a esquecer tudo e adentrou a sala, deixando a porta se fechar na cara deles.
- Entrem energúmenos! E fechem a porta ao entrar!
Um deles abriu a porta e adentrou a sala, seguido pelos demais. O polonês sentou-se na mesa de frente para eles e sorriu. Sentia algo inexplicável. A tristeza e a confusão pela traição do amigo desapareceram momentaneamente. Deu lugar a outro sentimento. Prazer, seria isso? Cruzou os braços e os encarou, depreciativo, olhando-os da cabeça aos pés.
- Como se sentem?
Os oficiais o encararam sem entender. Preferiram ficar em silêncio. Ele sorriu mais e repetiu, com a voz rouca e tranqüila:
- Como se sentem nessa situação? Vocês sendo meros subordinados e eu sendo o superior de vocês?
O líder dos oficiais presentes baixou a cabeça, profundamente desgostoso. Os outros dois imitam o gesto dele. O albino sorriu mais ainda e prosseguiu:
- Como se sentem por terem de obedecer minhas ordens, ordens vindas de uma aberração branquela? Ordens vindas de um... Como era mesmo que vocês me chamavam quando eu era mais novo? Acho que era “Branquelo nojento”, “Mulherzinha maldita”... Ah... E também o clássico “Senhorita Valentine”... E então? Como se sentem? Humilhados, creio.
O oficial que lambeu sua bota o encarou com um profundo ódio, mas limitou-se a cerrar os punhos. Sentia-se ridículo e impotente. Ao notar a postura dele, Valentine deu um tapa de leve na testa:
- Mas que falta de atenção a minha... Vocês são meus subordinados. Por isso me devem respeito e obediência. Portanto, SENTIDO! –ordenou, impostando a voz.
Imediatamente os três se empertigaram em suas fardas e fixaram os olhos num ponto qualquer da sala do comandante. O novo comandante se levantou e começou a caminhar calmamente, rondando-os, enquanto falava com sua voz rouca e sádica:
- Sabe o que é divertido nisso? É que agora vocês terão de obedecer as minhas ordens... As ordens do seu superior, asminhasordens. Gostam disso? –sussurrou no ouvido do líder deles.
O homem baixou a cabeça e tentou se distrair com qualquer coisa. Precisava se distanciar daquilo. Era humilhação demais para ele. Precisava transcender aquilo.
- Vocês receberão minhas ordens, ordens do garoto que vocês espancavam diariamente. ORDENS DO GAROTO QUE VOCÊS CHAMAVAM DE ABERRAÇÃO. ORDENS DO GAROTO QUE VOCÊS CHAMAVAM DE BICHA, DE MULHERZINHA!!! –vociferou no rosto do mesmo oficial, sem se importar com as gotas de saliva que molhavam o rosto do outro.
Valentine se afastou, passou a mão pelo rosto e sorriu, acalmando-se.
- E vocês cumprirão minhas ordens. Por mais absurda, vocês cumprirão! –deu um risinho de escárnio – Agora, ajoelhe-se perante mim!
Os três se entreolharam e começaram a se curvar. O polonês balançou a cabeça.
- Vocês dois não. ELE.– apontou para o oficial que estava na sua frente- Ele sempre foi o “cabeça” das coisas. O líder de vocês. Sempre me questionei quem era o pior. Ele por fazer as piadas comigo ou vocês por rirem delas e não servirem para nada além disso. Mas eu já sei o que quero fazer... Sonho com essa vingança há muitos e muitos anos...
O comandante foi até a porta e a trancou com chave. Os comparsas do líder encararam a porta trancada com medo. Puro terror. Sentiam que nunca mais seriam os mesmos depois daquele dia.
Valentine voltou a ficar de frente com o oficial ajoelhado. Atrás dele, estavam os outros dois, ainda em posição de sentido. Os olhos avermelhados do albino brilharam de alegria. O dia que tanto esperou para se vingar, que tanto sonhou, finalmente chegou:
- Eu fiz uma promessa há muitos anos para você. Você não deve se lembrar, mas hoje eu estou bem-humorado, afinal fui promovido, e serei bonzinho. Vou refrescar sua memória. –enquanto falava, começou a abrir o cinto, na frente do homem prostrado.
------ # I # ------
A tempestade havia piorado um pouco. Já havia pouquíssimas pessoas na rua. Ela era uma delas. Algumas ruas já estavam alagadas. Aquela onde estava já começava. Agora ficara ainda mais difícil procurar um alvo no meio de água torrencial e poucas pessoas.
De repente, depois de uma ligação do coronel, o alvo continuara o mesmo, mas sua confusão em relação à posição de seu alvo tomara novo rumo. Agora sua parada era o aeroporto de Haneda (6). Haviam coletado a informação que o desertor estava entre um dos ocupantes do vôo para Okinawa. Sentiu-se aliviada ao receber a notícia. Finalmente... Sentiria-se muito suja, mas seria apenas matá-lo e retornar.
“Já providenciamos que você consiga entrar no avião. Apresse-se e pegue o vôo. Para entrar, mostre o crachá.” – a voz era clara e direta. – “Ele irá esperá-la. Não demore e silencie o alvo. Quero bons resultados, Leethus”
“Você o terá, coronel.” – sua voz afirmou algo que ela não sabia se conseguiria. Mas tentaria, ao menos.
Entre poças de água e chuva torrencial, e entre o ruído da chuva que já lhe feria os ouvidos, a garota conseguiu achar-se nas ruas da cidade, até finalmente tomar o caminho ao aeroporto. Não demorou muito. Não queria atrasar-se. Chegou um pouco úmida ao aeroporto, e olhando os horários e vôos, achou o seu. Com pressa, temendo ter perdido seu vôo, ou simplesmente temendo ter atrasado-o demais, conseguiu chegar ao portão indicado. Num arfar, olhou a pessoa que dele cuidava.
- Mizuno Vandom. Enviada da Kyrie. – mostrou-lhe o crachá, evitando o olhar assustado da mulher e olhando para o mais longe que conseguia, mas não conseguindo o contato visual com o interior do avião. – Tenho permissão para entrar. Creio que já avisaram a situação.
- Sim, estávamos lhe esperando. Pode entrar. – a moça lhe indicou o caminho, e com uma reverência, a menina de cabelos rosados seguiu.
------ # I # ------
O oficial abaixou a cabeça, assustado. Subitamente, relembrou de uma ameaça que Valentine tinha feito para ele há muitos anos atrás, na mesma época que o ex-comandante entrou na Divisão Especial. Engoliu em seco, encheu-se de horror.
- Ele só pode estar brincando... Esse monstrengo não seria capaz de fazer isso. Ou...? –não finalizou o pensamento. Sentiu-se totalmente fraco e impotente. Começou a tremer de medo enquanto analisava mentalmente a situação e estudava uma saída digna para isso.
O comandante saboreava aquele momento. O oficial notou o cinto pendendo do cós da calça e encheu-se de pavor. Valentine sempre idealizou aquele momento onde cumpriria sua vingança como excitante e prazeroso, mas nunca imaginou que seria tão bom. Sentia o coração palpitar, excitado. Seu membro estava rígido, pulsando. Abriu o botão da calça e falou pausadamente, deliciando-se com aquela situação:
- Eu disse que logo chegaria o dia em que eu, Valentine Viktorya Kovacs, assumiria um cargo de comando. E que a primeira coisa que eu faria seria chamar você e seus amiguinhos e mostrar a grande “mulher” que tenho no meio das pernas. Faria você lamber minhas botas e depois me chupar... Você lambeu minhas botas... Lambeu mal, mas lambeu. Como sou um homem de palavra, eu honrarei minha promessa até o fim... Agora está na hora do grand finale. –ditas estas palavras, abriu o zíper e puxou para fora seu membro ereto.
O oficial se deixou cair no chão. Sua boca secou e sentiu um nó fechar a garganta. Arranhou o chão e tremeu, sentindo que queria chorar. Mordeu os lábios e cravou as unhas nas coxas, querendo conter seu medo, sua raiva e seu espanto. Os outros dois ficaram pasmos com a cena. Não sabiam se encaravam o amigo ou o comandante naquela cena trágica e bizarra. Viraram os rostos para o outro lado. Não queriam ver aquilo.
- M-meu c-comandante. Seja... razoável! Aquilo era apenas uma... uma brincadeira de garotos... É isso. Vivíamos estudando e treinando... É natural que em alguns momentos a gente brincasse algumas vezes. Talvez, nos excedíamos, m-mas... Não p-precisamos chegar a tal ponto.
O albino sorriu.
- Você nunca me ouviu, não tenho por que te ouvir. Chega de papo. Quero ação... Aliás, o que acha? Pareço uma mulher? Tenho uma fenda no meio das pernas?
Curvou-se e pegou o homem pelos cabelos, levantando-o. Ele se debateu, mas Valentine continuou sorrindo. Inexplicavelmente aquela explicação, aquela súplica, aquele medo e aquele corpo nojento se debatendo perante ele o excitou mais. Como poderia sentir prazer com aquilo? Naquele instante não importava, pensaria depois. Com a mão direita, segurou o oficial pelo queixo, com força, puxando-o para mais perto de si. Com a esquerda, segurava seu pênis. O líder começou a se debater mais, mas o comandante foi mais forte e rápido. Num gesto preciso, o fez abocanhar seu membro.
Os outros dois oficiais que acompanhavam o desenrolar da cena impassíveis, soltaram um espasmo de terror. O rosto do oficial se contorceu de nojo e repulsa. Sentiu as lágrimas rolarem no rosto. Tentou dizer algo, mas não conseguiu. Apenas grunhiu. Tentou se soltar, mas o albino o puxou para mais perto de si.
Valentine sentiu as lágrimas do outro e excitou-se mais. Soltou o pênis e pegou a arma que estava no coldre. A encostou na cabeça do outro.
- Me chupe ou estouro seus miolos. E saiba que isso também me daria prazer.
O líder fez que não com a cabeça, mas o comandante não se abalou. Engatilhou a arma, puxou mais os cabelos do outro e repetiu, com a voz sádica:
- Você sempre se dizia o machão, o garanhão. Pegava todas as mulheres das maneiras mais bizarras que se pode supor. Você dizia que eu era uma mulher, então pense que está com uma mulher. Aproveite a chance, soldadinho. Me chupe!
O oficial fechou os olhos. Sentiu-se totalmente amedrontado e humilhado. Tremia de medo e raiva. Teve vontade de mijar nas calças, se é que não o fez. Fechou os olhos e respirou fundo. Não queria morrer. Sem saída, começou a chupar com reticências. Odiava aquilo. Sentiu o estômago revirar, cheio de repulsa.
Valentine fechou os olhos e inclinou o corpo para trás. Sentia-se extasiado. O puxou para mais perto de si.
- Mais! Com mais força!
O outro obedeceu e tentou fazer o que o superior lhe ordenara. Os oficiais acompanhavam aquilo boquiabertos. O albino abriu os olhos e viu a cara apatetada dos dois.
- Viram só? Este é o homem que vocês obedeciam, que vocês seguiam. Que belo homem! Que homem mais honrado! Um verdadeiro exemplo! –zombou dele- Eu no seu lugar, preferiria morrer. Mas, como você é um verme prefere se sujeitar a isso... Você me enoja.
O líder tentou se soltar, mas o albino pressionou a arma com mais força em sua cabeça. Olhou as caretas que o outro fazia e começou a rir. Pouco tempo depois os risos se tornavam gargalhadas. Largou os cabelos do cara e pôs a mão no rosto, gargalhando sem parar. Encarou os sujeitos que se recusavam a olhar a cena e apontou a arma para eles:
- Ora amigos... Participem da festa. Já que vocês não caíram de boca, me acompanhem no que vocês sabem fazer de melhor. RIAM! GARGALHEM DESSA PIADA QUE ESTÁ AJOELHADA NOS MEUS PÉS!
Perante a mira da arma, os dois se entreolharam e começaram a rir sem vontade. O comandante atirou no teto e assustou os três.
- Eu mandei vocês rirem! Riam com vontade! E você, continue seu trabalho! –disse para o sujeito que olhou para o teto assustado.
Os dois começaram a rir, deixando lágrimas escaparem. Não que estivessem chorando de rir. Choravam de seus medos, suas fraquezas, suas raivas, suas impotências. Estavam sob o comando de um monstro. Um louco. Um sádico.
Valentine gargalhava. Sentia o corpo inteiro se contorcer de prazer. Logo veio o gozo. Ejaculou na boca do outro. O olhou de cima a baixo e sorriu, satisfeito, afastando-se dele e fechando a calça. Notou que o oficial ia cuspir no chão.
- Você me chupou por todo esse tempo, pode agüentar mais isso... Não cuspa. Engula.
O líder revirou os olhos e pôs a mão na boca. Fechou os olhos com força e engoliu. Começou a suar frio. Seu estômago revirava. Não conseguiu segurar. Vomitou no carpete da sala e caiu de cara no próprio vômito. Desmaiou de pura tensão. O comandante viu aquilo e riu mais:
- Fracote... Tire-o da minha frente. E você, limpe o chão. Está imundo. Quero isso para daqui a dez minutos. Se eu vir vocês três aqui e minha sala suja quando eu voltar... –sorriu sádico - Outra pessoa vai cair de boca ou eu farei algo pior... É chato repetir os mesmos truques. –abriu a porta – Tenham um bom dia.
------ # I # ------
Mizuno desceu do avião e olhou para baixo, com um suspiro pesado. Precisava manter-se ocupada olhando o alvo. Havia avistado-o de relance no avião, mas não pudera lhe atacar lá dentro. Seria discreta, era isso. Iria segui-lo até sua casa, e o mataria lá, sem mais complicações.
Passou a mão no rosto, e olhou para as malas que iam e vinham. Sentou-se num banco ali perto e ficou observando o alvo. Viu quando pegou as malas e foi saindo. Levantou-se rapidamente e voltou a segui-lo em silêncio, discretamente.
Rua após rua, ela seguia-o de metros seguros de distância, perguntando-se aonde será que ia. Até que, enfim, para sua alegria, ele parou de andar. Parou em frente a uma casa velha, rodeada de um imenso e belo, ainda sim malcuidado, gramado.
------ # I # ------
Valentine saiu, deixando-os a sós. Sentia-se radiante. Caminhou até a sua antiga sala. Começou a esvaziar as gavetas, os arquivos e o armário. Iria passar todos os seus pertences para a sua nova sala. A sala do comandante.
- Hoje é um belo dia... –comentou para si mesmo, vendo a chuva caindo na rua, perdendo seu vigor.
Em uma gaveta achou uma foto perdida. Ele estava sentado, olhando para um lado qualquer, ignorando a lente da máquina. Kio estava ao seu lado, bagunçando seu cabelo. A sensação de torpor e prazer que sentia cedeu lugar para a tristeza, novamente. Encarou o rosto sorridente do amigo.
- Por que...
Começou a fechar a mão para amassar a foto, mas acabou achando um maço de cigarros. Deixou a foto de lado. Tinha conseguido parar de fumar a um ano. Teve um motivo para parar. Mas agora... Agora nada mais fazia sentido. Pegou um cigarro e vasculhou a gaveta até achar um e tragou. Tremia, fazia muito tempo que não fumava. Foi até o vidro da janela e assoprou a fumaça. Olhou para trás e viu a foto. Sorriu maldoso.
- Traidor maldito... Farei você pagar muito caro. Confiei em você. Mas você me abandonou, me traiu. Me deixou apenas um bilhete cretino, assim como você. Assim que eu te achar, vou te torturar muito... O que eu fiz agora a pouco com aqueles imbecis não é nada perto do que farei com você. Kio Hanajima... Farei você implorar para morrer...
Voltou a olhar o céu nublado e continuou a tragar.
------ # I # ------
Kio olhou para a casa de aspecto velho a sua frente. Sorriu melancólico. Olhou vagamente para as malas em suas mãos, e respirou fundo. Tomou coragem para entrar, e o fez. Antes de fechar a porta, olhou ao redor. Havia um silêncio que ele não ouvia há muito tempo. Largou a mala no chão, e olhou ao redor. Nem lembrava direito do lugar... Já fazia muito tempo que o visitara.
Quando desertou, lembrou daquela casa como último refúgio. No testamento do avô, ele deixara tal residência para Kio, caso ele precisasse, e poderia usar como bem entendesse. Sorriu ao lembrar do velho. Uma boa pessoa. “Ah... Não tenho tempo...”, suspirou cansado para si. “Preciso arrumar isso tudo logo”.
Entrou e fechou a porta. Olhou ao redor. Uma casa simples e vazia. Muito silenciosa. Chegava até a ser meio perturbador aquele silêncio todo.
- Tadaima. (7) – falou, mas não recebeu nenhuma resposta. É claro que sabia que não receberia.
Pegando as malas outra vez, subiu as escadas até o segundo andar. Olhou ao redor. Tão empoeirado e abandonado quanto o andar de baixo. Aquele era o lugar dos quartos. Nunca entendeu porque seu avô tinha colocado tantos quartos numa casa só... Eram quatro ou cinco, mesmo? Nem lembrava direito. Procurou por qualquer um deles, o do meio, e abriu a porta.
Cheirava a mofo. Achou aquele cheiro enjoativo, e abriu a janela. Deixou as malas no chão, e olhou ao redor. Tudo tão velho... Observando pela janela, permitiu-se sorrir por um momento. E então, seu sorriso morreu no instante que relembrou de um rosto conhecido.
- Valvik... – suspirou para si.
Seria mais divertido se o albino estivesse com ele. Queria tê-lo arrastado para lá. Tinham tantos quartos, daria sem problema para ele ficar. Mas... Seria egoísmo da sua parte arrastar o amigo de um lugar onde estava sempre crescendo nos postos, e logo iria passá-lo, a desistir de tudo e acompanhá-lo numa fuga louca? Talvez fosse melhor mesmo daquele jeito.
Queria ter se despedido dele melhor. Queria tê-lo encontrado antes de ir embora, para explicar-lhe a situação. Mas não tinha mais jeito... Naquele momento, o mais provável era que Valentine estivesse o odiando mortalmente. Conhecia o amigo, sabia que o ferira com aquele ato. Seu olhar ficou preocupado, as orbes esmeraldas pararam no chão, observando-o com agonia.
- Desculpe, Valvik... – a voz era baixa e pesada. – Queria poder enfiar só mais um chocolate na sua goela. – sorriu ao imaginar a cara do albino quando o fizesse. Era engraçada.
Com esforço, como se estivesse grudado ao chão, suspirou pesadamente e saiu do quarto. Uma a uma, foi abrindo todas as janelas da casa, sentindo o bafo indo embora. Sorriu. A casa precisava de vida e ele precisava de animação. Talvez, enquanto limpasse toda ela, achasse a animação que precisava.
Agora não era hora de pensar que era um desertor. Iria apoiar-se na idéia de que tudo tinha uma boa causa... Precisava manter-se apoiado naquela idéia.
De repente, porém, avistou uma garotinha lá embaixo. Ela observava a casa com um olhar distante. Reconheceu-a, e não acreditou que fosse tão rápido.
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A menina continuava observando a casa, quando ele desceu as escadas às pressas. Abriu a porta com um barulho, e encarou as orbes castanhas da outra. Foram segundos tensos e seguidos de silêncio, onde o vento ricocheteava a grama e levava pequenas folhas para longe.
O ar tinha cheiro de mar. De repente, foi como se aquele cheiro chegasse a lhe incomodar. Sua têmpora latejou por um tempo, sentiu o corpo amolecer de leve. Um susto... Foi isso, um susto. Sim, sabia que seria caçado, mas não achou que seria tão rápido. Olhou seus cabelos de relance, e percebeu que era ela a pessoa dona dos cabelos rosados do avião. Sabia que avistara uma criança lá.
- Kio Hanajima, ex-comandante da Tropa de Elite da Kyrie e atual desertor. – chamou a menina, despertando-o de seus pensamentos e seu susto.
- Ah... Q-quem é você...? – tentou ganhar o mínimo de tempo, com um sorrisinho. Sabia que iria dar-se mal. Não devia ter sido tão imprudente, agora eles sabiam sua posição e havia uma assassina ali, na sua frente, sabendo seu nome, seu endereço e seu pecado. Muito, muito ruim.
- Leethus, assassina mandada a serviço da Kyrie. – deu um passo a frente, decidida. – Creio que, para seu benefício físico, seja melhor entregar-se e vir comigo.
- Ah... M-mas... Por que...? – voltou a perguntar. Estava tenso. E se aquela O.M.D estivesse autorizada a abusar de seus poderes?
- Tenho um recado da Kyrie para o senhor, Hanajima-san. – Leethus apontou-lhe o dedo, falando num tom uniforme e sério. – Sinto muito, mas você tem que morrer.
Continua...
(1) “Cretino”, em polonês.
(2) “Merda”, também em polonês. (Bons modos, não? XD).
(3) Jogo de palavras, que significa literalmente “Espada Cintilante” em latim antigo. Referência a um antigo game de Mega Drive.
(4) “Eu disse que te mataria, comandante”, em polonês.
(5) “Perfeito”, em polonês.
(6) Aeroporto de Haneda ou Aeroporto Internacional de Tokyo.
(7) “Cheguei”, em japonês. (Vai me dizer que não sabe?! XD)
Notas de uma das autoras empolgada XDDD
Nem acredito!! Nem acredito!! Yo no creo nisso!!! OMD FOI PUBLICADO!! MEU SONHO SE REALIZOU!! OU MELHOR, O NOSSO SONHO!!! XD
Eu, Dark, agradeço a chance de escrever aqui com a minha darling, ma petit Petit Ange XD e de tornar o sonho deles, o nosso sonho real!!XD
E para os leitores que caíram de pára-quedas, de cara ou de qualquer outra maneira (que eu não ouso descrever) aqui nesta história e entendeu nadica de nada, as autoras recomendam a leitura da side history: One Man Dream Project. Nela estará explicado com detalhes o por que do choque da separação dos dois. É só ver na página dos nossos autores favoritos XD (são tantos que perco a conta XD). Caso esteja c/ preguiça, procure por Darkrose-Rei.
Bem, por hoje é só... Bjao XD