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As marcas da falésia
Já ouvira contar muitas histórias sobre aquela casa da Falésia, mas todas diziam o mesmo: “Era uma vez menina muito bonita, que pertencia à família que ainda hoje governa as nossas terras, as nossas encostas, campos de trabalho e ribeiros que por ele correm. Essa menina era muito cortejada (menos não se poderia esperar), mas ela não se importava com isso. Gostava muito de dançar, exibindo as suas curvas perfeitas e o seu cabelo da cor das folhas de Outono.
Certo dia, veio a sua casa um velho e conceituado grupo religioso, com membros de todas as idades, tão capazes na prática mágica que os comparavam a druidas e os respeitavam acima de todos os outros. Foi dada uma grande festa de “Boas-vindas” e os membros mais novos da seita ficaram encantados ao ver Elizabete dançar, no seu vestido de ombros nus. Mas ela não se exibia todos, não! Pela primeira vez, em tantos anos, ela dançava para atrair a atenção daquele!, o moço de caracóis de oiro.
Muito tempo se passou até que descobriram o romance proibido entre ambos. Ele era da seita, não se podia dar ao “desfrute” de amar, eram muitos anos de treino e preparação e todos tinham uma missão naquele grupo.
À menina foi-lhe dado a escolher: ou casava com um bom partido, como era sua obrigação, ou ia morar para a casa da falésia, longe do mundo... longe do amor. Elizabete escolheu a segunda opção (se não era dele, não seria de mais ninguém), mas sempre esperando por ele...
Todavia, até os grandes amores nos levam à loucura e, num dia solarengo de Outono, ela foi até à falésia e desapareceu no mar. A marca disto é a pegada que lá deixou e que ainda nos é permitido ver hoje...”
Depois de ouvir esta história mais uma vez, subi à falésia, tirei as botas e coloquei o meu pé pequeno na marca. O sol abriu, iluminando os meus cabelos da cor das folhas de Outono e o meu pé encaixou “que nem uma luva” nas marcas que haviam sido ali deixadas...