| Home Just In Communities Forums Beta Readers Dictionary Search | Login Register Extras |
CAPÍTULO UM
Correio
Margaret entrou na sala de jantar. Ligou a televisão e pegou um pano seco para limpar o tampo de vidro da mesa.
O noticiário da manhã acabara de começar. O repórter começou com um assunto que Margaret contara para seu namorado Billy Manson, um entregador de pizza.
O resgate de Janet Richardson continua sendo discutido entre o multimilionário David Richardson e seu assessores. Os cinco milhões de dólares exigidos pelos seqüestradores estão nos cofres da Richardson & Co., porém o milionário reluta em entregar aos fanáticos o dinheiro requisitado em troca de sua filha, por um motivo moral.
A porta abriu-se ligeiramente. Ele veio paulatinamente, na ponta dos pés, e tocou em seus ombros.
— BUUU!
Margaret virou-se.
Na televisão aparecia uma luta entre os seqüestradores e os policiais. Billy Manson desligou o aparelho justamente quando sua figura aparecera na tela, com a camisa amarrada na cabeça e metralhando um policial.
— Por que você adora me dar sustos? — indagou Margaret.
Em resposta, Manson deu-lhe um beijo.
— Você sabe que eu tenho passe livre por aqui — disse ele — Eu peguei o correio na porta.
O motoqueiro deu os envelopes para ela.
— Contas são com o tesoureiro — disse ela, separando-as em cima da mesa.
O que sobrou foi um envelope com letra tremida, com um selo com a figura de uma caveira. Sem remetente.
— O que é isso? — indagou ela para Manson.
— Estava na porta com as outras coisas — respondeu Manson.
— Falando nisso, que horas são? — indagou Margaret.
Manson olhou o relógio. Sua cabeleira enorme caiu toda.
— São nove horas — respondeu ele.
— Meu Deus! Preciso acordar o patrão! — disse ela, atirando o pano na cara do namorado, correndo para o quarto de Richardson.
Richardson abriu os olhos. No instante que percebeu que havia acordado para um novo dia, imediatamente amaldiçoou mais aquele dia infeliz.
Ele se sentou na cama de cortinas vermelhas e pensou o quão seria infeliz aquele dia, como todos os outros que sucederam o seqüestro de sua filha. Ao pensar na felicidade de ter a filha de volta, o milionário tomou uma decisão: pagaria o resgate.
A porta se abriu rapidamente.
— Bom dia, Sr. Richardson! — disse Margaret num tom eficiente, abrindo as cortinas da janela e da cama.
— Já são nove horas? — indagou o velho milionário.
A empregada respondeu afirmativamente.
— Ah, isto é para o senhor — disse ela, entregando o envelope para Richardson.
O milionário abriu o envelope e retirou o papel que havia dentro.
Ele encarou com surpresa as letras tremidas escritas em vermelho.
— “2 Minutos Para Meia-Noite”? — indagou ele.
Então ele olhou para o que havia debaixo das palavras: um olho desenhado. Suas formas lembravam os antigos olhos desenhados pelos egípcios nas tumbas doa faraós, para protegê-los contra a raiva — ou prever uma morte terrível.
Eduardo levantou-se da cama. Fora um alívio seu padrinho pagar-lhe — e com muito bom gosto — um quarto no Hotel Waldorf Astoria. O agente secreto levantou-se e correu para o banheiro da suíte. Ele viu seus cabelos pretos e seu olhos azuis enquanto lava seu rosto na pia que imitava esmeralda.
Naquela noite, ele tivera um pesadelo. David e Janet estavam trancados numa sala de conferências. Então a janela foi quebrada por dez ou doze vultos indistintos que os metralharam. Depois disso tudo tornara-se confuso demais para se lembrar.
Então o telefone ao lado da cama tocou. Eduardo enxugou o rosto na toalha vermelha de algodão vermelho e foi atendê-lo.
— Alô?
— International call, sir. May I pass it?— disse a recepcionista do hotel.
— Sure.
Houve um estalo na linha e depois uma voz imperativa e grossa, muito bem conhecida de Eduardo.
— Como vai, meu velho? — indagou a voz.
— Muito bem, obrigado, Monteblanco. Como vai o departamento?
— Alguns casos aqui e ali, você sabe… — respondeu Monteblanco.
— Como descobriu que estava no Astoria? — indagou Eduardo.
— Você sabe que temos nossos meios… — respondeu Monteblanco, enigmaticamente — Ainda não mudou de idéia?
— Não e nem vou mudar — respondeu Eduardo — Vou sair do departamento.
— Tem certeza? — insistiu Monteblanco — Eu posso aumentar seu salário até onde você nunca imaginou…
Eduardo começou a girar o cordão do roupão vermelho.
— Você sabe que dinheiro não é o que estou procurando, meu velho — disse Eduardo — Estou cansado de caçar radicais livres e organizações terroristas… Meu padrinho vai me arranjar um emprego para trabalhar com ele.
— Você que sabe — respondeu Monteblanco — Voltarei a lhe retornar.
Eduardo desligou o telefone.
Ele era um agente secreto da AIF, a Agência de Inteligência Federal. Esse departamento pertencia ao governo federal do Brasil. A mídia — e a população em geral — não tinha conhecimento desse departamento, por ser ultra-secreto.
Eduardo sentou-se na cama e ligou para o serviço de quarto.
— Alô? Serviço de quarto?… Poderia enviar o café da manhã completo para o quarto 666, por favor?… Obrigado.
Pôs o telefone do gancho e abriu o armário. Escolheu para aquela manhã uma camisa pólo azul e uma calça jeans presa por um cinto social azul e vestiu tudo, logo após tirar o roupão vermelho e ficar só de cueca.
Logo após de se olhar no espelho atrás da porta do armário, ele ouviu uma leve batida na porta. Cauteloso como sempre, o agente puxou uma pistola Raptor com silenciador debaixo do travesseiro e deslizou-a para suas costas. Depois foi abrir a porta deixando só a cabeça à vista, com a arma escondida entre a porta e a barriga.
— O seu café, senhor — disse o camareiro, levando o carrinho para dentro.
— Obrigado — disse Eduardo, tratando de se livrar do camareiro o mais rápido possível.
Levou o carrinho para ficar ao lado da cama. Depois abriu o armário, pegou a sua valise, abriu-a, abriu um compartimento secreto e tirou de lá de dentro um pequeno vidro. Ele jogou uma parte do conteúdo do líquido em cada centímetro da bandeja, e esperou. Depois, com um ar triunfante, atirou o café verde descarga abaixo.
Serviu-se de leite, enquanto sentava na cama para comer.
Então o telefone tocou novamente.
— Será que não tenho um minuto de sossego?! — murmurou ele, alcançando o fone para atendê-lo.
— Alô?
— Como está meu afilhado? — indagou o velho Richardson — Gozando férias no Astoria, hein? Eles atendem bem?
— Oi, Tio David — disse Eduardo, sorrindo — Está melhor?
— Eu decidi que vou pagar o resgate — disse Richardson — Eu quero minha filha de volta.
— Que bom! — comentou Eduardo — Espero que ela esteja em breve com você novamente!
— Mas estará — disse Richardson — E com você também, devo acrescentar.
— Estarei presente quando entregar o dinheiro?
— Sim, principalmente porque acho que tenho um problema sério. Venha o mais rápido possível para cá, preciso que você me ajude em algo.
— Você está em casa ou no escritório? — indagou Eduardo.
— Em casa. Hoje só terei de ir ao trabalho à tarde. Até mais.
— Tchau.
Eduardo desligou o fone e voltou a se concentrar em seu café da manhã.
Eduardo dirigiu seu Jaguar preto pela agradável alameda dos subúrbios de Nova York. Ao fundo, atrás dele, os famosos arranha-céus da Big Apple sobre as águas do Hudson. Ao contrário das cidades brasileiras, nas cidades americanas os grandes centros são habitados pelas classes média e baixa, e os subúrbios são habitados pela elite.
Ele parou diante de um portão enorme de ferro preso a um muro de simpáticos tijolos vermelhos. Digitou a senha de entrada no pequeno teclado à sua direita — o qual tinha à esquerda também, pois o carros ingleses têm a direção do lado direito — e o portão elétrico abriu-se.
Eduardo dirigiu pela alameda, seguiu até a curva que existia em frente à porta de entrada e parou o carro ali.
Os seguranças ajudaram-no a sair do Jaguar e levaram-no até a porta de entrada.
Eduardo penetrou no hall da mansão de tijolos vermelhos e admirou a escada que levava ao segundo andar.
— Ora, Sr. Eduardo! — disse Wadsworth, o mordomo, descendo a escada em direção a ele.
Eduardo abraçou o conhecido mordomo e perguntou:
— Onde está Tio David?
— Seu padrinho está no escritório — disse Wadsworth — Eu o levo até lá.
Os dois subiram a escada em direção ao segundo andar.
— Então o senhor vai mesmo deixar o departamento? — indagou o mordomo.
— Sim — respondeu Eduardo — Estou cansado de caçar organizações terroristas e narcotraficantes.
— É uma pena — reconheceu Wadsworth — O senhor tem tanto talento.
Eles atravessaram alguns corredores e chegaram a uma porta. Wadsworth entrou e anunciou:
— O Sr. Eduardo.
Eduardo entrou no escritório de seu padrinho enquanto Wadsworth fechava a porta.
O escritório era todo mobiliado em mogno. Em frente à enorme escrivaninha havia duas cadeiras de couro verde. Havia aparadores de mesa nas laterais e portas laterais levando a outros cômodos. Um tapete vermelho escuro ocupava quase todo o cômodo. O piso era de mogno escuro, ripas da madeira em diagonal.
Atrás da escrivaninha de madeira, Richardson estava sentado numa cadeira de braços, e atrás dele uma janela, mostrando um lindo jardim. O velho milionário estava assistindo à televisão em frente à escrivaninha, ao lado da porta. Um noticiário mostrava a batalha da polícia contra os seqüestradores de Janet Richardson.
— Meu afilhado! Como vai? — disse Richardson se levantando para cumprimentar Eduardo.
O agente abraçou o padrinho e beijou-lhe o rosto. Os dois se sentaram, Richardson onde estava antes, atrás da escrivaninha, e Eduardo em uma das poltronas de couro verde. Richardson desligou a televisão, para não atrapalhar a conversa.
— Então, você quer largar o DIB — disse Richardson, em inglês.
— Estou cansado de perseguir terroristas e narcotraficantes — respondeu Eduardo — Desta vez, quero trabalhar com minhas próprias mãos.
— Primeiro — continuou Richardson — lhe darei uma tarefa à qual já está acostumado. Depois, você poderia dirigir o departamento de armas de meu império industrial.
— Nada me daria mais prazer — respondeu Eduardo, sorrindo — Mas que tarefa devo desenvolver primeiro?
Richardson tirou do bolso um papel dobrado e estendeu-o na mesa.
— Que quer dizer isso? — indagou Eduardo, após observar o papel, no qual estava escrito “2 Minutos Para Meia-Noite” em letras grafais vermelhas, e abaixo havia o desenho de um olhos egípcio em preto.
— É o que quero que descubra — respondeu Richardson, apontando para o olho. Depois, levantou-se e olhou pela janela. — Suponho que minha vida corre perigo. O olho deixa isso claro. Porém — agora o milionário virara-se novamente para Eduardo — decidi que pagarei o resgate de Janet. E quero estar vivo para recebê-la. E também quero que se concentre no olho. Acho que é a chave de tudo. — Richardson sentou-se novamente — Você se hospedará em minha casa apenas amanhã, porque quero prepará-la para a chegada de minha filha. Todos os meus funcionários estão à sua disposição.
Richardson levantou-se novamente, e dirigindo-se a porta indicou que a reunião estava acabada.
— Comece a investigar agora — afirmou Richardson, abrindo a porta, e acrescentou, antes de fechá-la — E quando descobrir alguma coisa, comunique-me imediatamente.
E fechou a porta. Sentou-se atrás da escrivaninha novamente e ligou a televisão.
A repórter olhou em direção à câmera e começou a falar:
— Os Estados Unidos continuam sua campanha contra o terrorismo. A Inglaterra já enviou tropas de apoio ao Afeganistão, ainda em busca do terrorista Osama bin Laden, comandante da organização terrorista Al-Qaeda.
Apareceu a imagem de uma explosão no meio do deserto.
— Essas organizações terroristas são a escória da civilização — disse Richardson para si mesmo.
O telefone tocou imediatamente.
— Alô? — atendeu Richardson.
A voz, em resposta, soou abafada, como se o fone estivesse coberto por um lenço.
— Se você não entregar ao Olho o material que recebeu ontem, estará amanhã em mil pedaços!
O telefone caiu no chão, partido em pedaços. Richardson soltou um berro, um berro de medo e desespero, enquanto sua cadeira caía para trás e ele caía desmaiado.
A porta do escritório abriu com um estrondo. Margaret e Wadsworth entraram na sala e viram seu patrão desmaiado.
— Traga panos frios, rápido — disse ele para a criada.
Billy Manson soltou uma gargalhada enquanto largava o fone e ouviu o grito do velho. Tirou o lenço do bocal e pôs o telefone no gancho.
— Onde está a garota? — indagou Manson.
Kasparoff, um de seus “colegas de trabalho”, respondeu:
— Nós a trancamos no quarto. Aquela imprestável berra demais.
Billy Manson, aliás Illion Mansoparoff, deu um sorriso e sentou-se no sofá.
— Fale a verdade, receberemos o dinheiro ou não? — indagou Kasparoff.
— O velho tem até a meia-noite, você sabe — respondeu Mansoparoff — Mas acho que temos uma chance.
Depois levantou-se e pegou um pedaço de pizza na caixa em cima da mesa da sala.
— Vou dar uma olhada no docinho de coco lá em cima — disse ele, dirigindo-se para a escada.
— Divirta-se — disse Kasparoff, sorrindo maliciosamente.
Mansoparoff entrou no quarto escuro e sem janelas em algum lugar da cidade de Nova York e olhou para Janet. Depois fechou a porta.
— Como está, meu bem? — indagou Mansoparoff.
Janet, encolhida do canto do quarto, levantou a cabeça para olhar o terrorista. Este sentou-se ao lado dela e tocou em suas costas.
— Não toque em mim, seu nojento! — berrou a garota, de repente, cuspindo na cara do russo.
Mansoparoff agarrou-a pelos braços, apertando-os, e bateu-a contra a parede, suas mandíbulas esmagando uma à outra.
Depois apertou o pescoço de Janet e apertou-o.
— Você vai me fazer feliz agora, não vai? — indagou ele, com ferocidade, arreganhando os dentes.
Janet, em resposta, cuspiu na cara de Mansoparoff e deu-lhe uma joelhada na barriga.
— Largue-me, seu filho da mãe! — disse a garota.
O russo caiu no chão, debruçado sobre a parte ferida.
— Sua porca! — cuspiu o terrorista, olhando para o chão.
Janet aproveitou para chamar por socorro.
Mansoparoff levantou-se e deu um tapa na boca da garota. Depois agarrou-a novamente e impeliu-a contra a parede. Então, deslizou com fúria a alça da blusinha que ela usava, e esta caiu para seu cotovelo.
De repente, a porta do quarto foi aberta com violência e desespero.
Era Igor Gorobov.
— Rápido! — berrou ele — Os malditos policiais estão no tiroteio de novo!
Mansoparoff atirou Janet contra a parede. Esta deslizou até cair no chão.
— Me espere que volto logo — disse Mansoparoff, saindo do quarto.
Os olhos de Eduardo analisaram atentamente o hall de entrada da Richardson e Co. O agente caminhou até a mesa da recepcionista e esta indagou:
— Posso ajudá-lo?
Enquanto isso, os ouvidos tenazes e treinados de Eduardo escutaram a conversa da recepcionista ao lado.
— Sim… Entendo… Então o senhor só virá na reunião da meia-noite? Está bem, espero que o senhor melhore, Sr. Richardson. Adeus.
— Em que posso ajudá-lo? — repetiu a recepcionista ao lado.
— Oh, sim — disse Eduardo, se virando para ela — O Sr. Richardson me encarregou de fazer uma investigação sobre um assunto pessoal e me liberou o pessoal de sua empresa.
— Qual é seu nome? — indagou a recepcionista.
— Eduardo M… — respondeu o agente.
A recepcionista digitou algo no computador.
— Sim — disse ela — recebemos um telefonema do Sr. Richardson revelando que o senhor chegaria. — ela pegou um walkie-talkie e disse: — Irons, você está aí? Câmbio.
— Estou sim. Câmbio — respondeu o homem do outro lado do walkie-talkie.
— Venha para a recepção imediatamente. Câmbio e desligo.
Alguns minutos depois, um homem vestido formalmente, de preto, alto e corpulento se aproximou da recepção.
— Que devo fazer? — indagou ele para a recepcionista.
— Este é o Sr. Eduardo M… — disse a recepcionista — E este é o Sr. Phillip Irons, um dos assessores do Sr. Richardson.
Os dois apertaram as mãos.
— O Sr. Irons deverá mostrar ao Sr. Eduardo a empresa.
— Venha comigo — disse Irons.
Eles atravessaram o hall e se dirigiram a um corredor lotado de pessoas.
— Primeiro acho que o senhor deve conhecer a sessão de armas — disse Irons enquanto caminhavam pelo corredor apinhado de pessoas.
Durante o caminho, Eduardo ficou pensando sobre a sua situação. Tinha certeza de que o padrinho estava escondendo informações vitais para a investigação. Tinha que começar do ponto zero… ou descobri-las por sua conta e risco.
— Esta é a nossa sessão de armas — disse Irons, arrancando Eduardo de seus devaneios.
Surgiu à frente do agente secreto um depósito com milhares de pessoas trabalhando dos mais diversos tipos de armas.
Os dois atravessaram um corredor e foram a uma sala.
Ali dentro, com as divisórias de vidro e plástico em volta, substituindo paredes, várias pessoas atiravam em alvos pretos e brancos.
— Aqui é nosso setor de treinamento de armas — disse Irons — Aqui treinamos novos protótipos de armas, buscando a mira perfeita e o maior impacto.
Eduardo dirigiu-se a uma das cabines, e, fascinado, pegou a arma que jazia ali.
— Esse é o novo modelo da Magnum — disse Irons — a CD77. Algumas partes são feitas de prata pura, outras com 89 de latão. Uma arma elegante.
— Posso tentar? — indagou Eduardo.
— Continue — disse Irons.
A primeira bala bateu em cheio no centro do alvo, a outra um pouco abaixo. Depois, Eduardo formou um X bem no centro do alvo, com as seis balas no coldre.
— Parabéns — disse Irons.
— Quanto custa? — indagou Eduardo.
— Esta ainda em fase de teste, mas posso supor 450 dólares — respondeu Irons.
— No cartão de crédito? — perguntou Eduardo, realmente interessado.
— Do jeito que você quiser — respondeu Irons.
Eduardo tirou o cartão de crédito da carteira e pediu para reservarem aquela para ele.
— Mas atenção — disse Irons — Ela só funciona com balas de prata.
Quando saíram da sala, Eduardo indagou sobre uma porta de ferro enorme e redonda, como a de o cofre de um banco.
— O que há ali dentro? — indagou Eduardo.
— Algo que deve ser mantido em sigilo — respondeu Irons rispidamente.
Ah-há! Então havia descoberto um dos pequenos segredos de seu padrinho. Aquilo poderia ter a ver ou não com o caso, porém Eduardo tinha certeza que qualquer coisa não revelada naquela empresa teria a ver com o caso.
— Onde é o banheiro? — indagou o agente, então.
— Eu lhe mostro — respondeu Irons.
Depois de um lance pelos corredores da seção, chegaram ao banheiro.
— Estarei esperando você aqui fora — disse Irons.
Eduardo contava que, com cada seção com milhares de empregados, os banheiros deveriam ser gigantescos, portanto tendo várias saídas. Acertou.
Dentro do banheiro, o agente perguntou a um empregado sobre o cofre.
— Ninguém sabe — respondeu o empregado, lavando as mãos — É segredo do Sr. Richardson. Só ele e seus assistentes têm acesso e conhecimento do que tem lá dentro.
— Obrigado — disse Eduardo.
— Cá entre nós — disse o empregado, mais uma vez — dizem que ali dentro tem negócio do governo federal.
Eduardo não deu atenção à última frase do empregado, saindo pela outra entrada do banheiro. Provavelmente seria uma fofoca.
O agente dirigiu-se à porta. Por ser um projeto ultra-secreto, Eduardo supôs que haveria várias câmeras dentro e na porta do recinto. Assim, pegou um aparelhinho muito útil nessas horas, uma coisa que cabia na palma da mão que, pôr ondas magnéticas, sugava a eletricidade de todas as câmeras num raio de doze metros, portanto, desligava-as.
Eduardo usou esse aparelho, apertando um botão no aparelho, em frente à porta, depois usou um decodificador acoplado ao seu Rolex para poder entrar.
Estava escuro ali dentro.
— “Porcaria” — pensou ele — “Esqueci meus óculos infravermelhos.”
Logo não precisou deles, porque o alarme começou a tocar e as luzes da sala a piscar em vermelho.
— Estou com muito medo — disse Richardson — Temo que essa mensagem tenha um significado macabro.
— Posso entender, senhor — respondeu Wadsworth, pondo uma toalha na testa do velho, que estava sentado na sua cadeira em sua escrivaninha.
— Não pode entender, não — disse Richardson — Você já foi ameaçado de alguma forma, Wadsworth?
— Não, senhor — respondeu o mordomo.
— Já teve um filho seu seqüestrado? — indagou o velho.
— Não, senhor — repetiu Wadsworth.
— Então não pode saber o que é estar terrivelmente angustiado.
A porta do escritório foi aberta e Margaret anunciou:
— O Dr. Allison.
Um dos mais caros médicos de Nova York entrou no escritório.
— O que o senhor sente, David? — indagou o médico, num tom eficiente.
— Dores muito fortes no peito — respondeu Richardson.
— Dificuldade de respirar? — indagou o médico, tirando o estetoscópio da maleta.
— Isso mesmo — disse Richardson.
O Dr. Allison pôs o estetoscópio no ouvido e ouviu o coração de Richardson bater.
— Você teve uma parada cardíaca — disse o médico, guardando o estetoscópio.
O Dr. Allison tirou um remédio da maleta e disse:
— Sem esportes ou emoções fortes. Tome deste remédio — e deu a caixa para Richardson — três vezes por dia, para controlar os batimentos cardíacos.
O médico escreveu a receita em seu papel timbrado e saiu.
— Acho melhor ligar para meus assessores — disse o velho, de si para si.
Ele pegou o telefone e discou.
— Alô? Irons? É Richardson.
— Que deseja, Sr. Richardson? — indagou Irons.
— Quero avisar que vocês devem vir para cá às quatro horas. Vou pagar o resgate.
— Mas… — começou Irons do outro lado da linha.
— Nada de mas — disse Richardson — E tem mais. Escute com atenção…
— Sim, senhor — disse Irons no celular — Em caso de sua morte, o governo disse para enviar a carga para Fort Detric, em Washington, D. C.
— E cuidado com meu afilhado — completou Richardson — Ele é perigoso. Não o deixe descobrir nada.
— OK — concordou Irons — Adeus.
— Adeus.
Irons desligou o celular.
No momento que ele guardou o aparelho, um aparelho que também carregava na cintura começou a apitar.
Alguém havia entrado na sala.
— Deve ser o porcaria! — disse Irons.
O assessor ligou o walkie-talkie e disse.
— Todos os seguranças na sala vermelha, agora. Câmbio.
Depois, ele se dirigiu à porta do banheiro e começou a chutar todas as portas dos boxes.
Quando ele chutou uma certa porta, havia alguém virado para o vaso sanitário, que se virou.
— Sr. Irons, esperava mais educação de sua parte! — disse Eduardo indignado — Interrompendo as necessidades diárias de alguém!
— D-desculpe — gaguejou Irons, envergonhado.
Depois de saírem do banheiro, o assessor disse:
— Agora vamos à seção de alimentos.
Eduardo pensou em sua sorte, suando frio. Saíra daquela sala com quantas pernas tinha e alcançara o banheiro. Depois, quando viu Irons entrando se escondeu em um dos boxes. Porém não conseguira descobrir o que havia de tão secreto dentro do cofre.
Saíram da seção de armas e atravessaram um corredor.
— Esta é a seção de alimentos — disse Irons.
Eduardo olhou desinteressado para o conjunto de salas dentro do depósito.
— Você está realmente interessado em conhecer aqui? — indagou Irons.
— Definitivamente não — respondeu Eduardo.
— Vamos passar para a sessão de eletrônicos, então — disse Irons.
Aquilo animou Eduardo.
— Vamos, então — disse ele.
Eles atravessaram mais e mais corredores e chegaram à seção.
Eduardo viu milhares de computadores nas salas a seguir.
Eles entraram em uma sala onde vários técnicos montavam computadores.
— Aqui montamos computadores de novíssimo modelo e os testamos — disse Irons.
— “Não” — pensou Eduardo sarcasticamente.
— Por exemplo — continuou Irons mostrando um computador sendo montado — Aquele é o novo modelo Toefel fabricado por nossas próprias empresas. Dentre outras coisas, ele possui gravador de CD e DVD e 2.5 GB de memória
— Vocês vigiam daqui a casa de Richardson? — indagou Eduardo.
— Sim — respondeu Irons — Temos uma sala no segundo andar especialmente para isso.
— Podemos vê-la — indagou Eduardo — após eu testar um computador? — ele havia acabado de ter uma idéia.
— Claro — respondeu Irons — Posso concedê-lo uma cabine privativa, até.
— Muito obrigado — disse Eduardo.
Irons levou-o a uma cabine fechada por paredes de plástico apenas, assim ninguém saberia o que ele estaria fazendo.
Eduardo ligou o computador, esperou ligar o Windows e, quando a área de trabalho apareceu, o agente clicou no ícone Internet Explorer, entrou no site do Governo Federal, digitou uma senha para entrar em contato com a AIF e Monteblanco.
Apareceu o seu nome e seu sobrenome, e depois dois pontos, como em um bate-papo. Assim:
“Eduardo M…: Monteblanco! Vejo que ainda não me tirou na rede!
Monteblanco: E você acha que não? O que quer, meu velho?
Eduardo M…: Meu padrinho recebeu uma mensagem com um olho desenhado e embaixo escrito em letras vermelhas “2 Minutos Para Meia-Noite”.
Monteblanco: Vou pesquisar, mas acho que é negócio da Olho do Tigre.
Eduardo M…: Do quê?????!!!!!
Monteblanco: Não vou arriscar mais nada até obter meus resultados.
Eduardo M…: Envie-me por e-mail para meu laptop depois.”
Eduardo saiu da conexão, desligou o computador e saiu da sala. Irons estava esperando fora.
— Vamos continuar? — indagou.
Kasparoff soltou um grito e atirou. O rapaz de azul caiu no chão, metralhado. Ao seu lado, Mansoparoff liderava o grupo terrorista, metralhando qualquer policial que visse pela frente, sempre com a camisa amarrada na cabeça.
Mansoparoff abaixou-se, usando a barricada de sacos como proteção e depois metralhou com sua KF7 Soviética quem se impusesse em sua frente.
A Rua 89 estava coberta de barricadas — dos policiais e dos terroristas — e voava tiro para todo lado.
Kasparoff, então, viu. Um carro de polícia derrubando as barricadas.
— Fogo! — berrou ele.
Todos, então, se empenharam em destruir o invasor.
Mansoparoff atirou no vidro da frente. Este se quebrou e atingiu o motorista e o passageiro. O carro, desgovernado, andou sobre a rua acelerando cada vez mais, até derrapar e bater em um edifício próximo, explodindo.
Abriu-se um enorme buraco na rua por causa da explosão, porque os sacos usados nas barricadas eram de pólvora, matando todos os policias, que estavam daquela lado.
Todos os terroristas entraram na casa, satisfeitos por mais uma vitória.
— Como foi com a vadia? — indagou Kasparoff para Mansoparoff.
— Ela é bem forte — respondeu este — Porém fomos interrompidos. Acho que vou vê-la novamente.
— Volte logo — retornou Kasparoff — Contratei algumas garotas para virem aqui no almoço.
Mansoparoff subiu, enquanto Kasparoff pegava um pedaço de pizza em cima da mesa de jantar e lia uma revista chamada Glamour and Fortune.
— “Desta vez ela está mais forte” — pensou Mansoparoff enquanto era brutalmente nocauteado em sua parte mais frágil.
— Afaste-se de mim, seu monstro nojento! — berrou Janet.
Mansoparoff se levantou e a agarrou.
— Agora você não tem como escapar! — berrou ele.
Janet deu-lhe uma cabeçada no pescoço e bateu-o contra a parede.
— É tão bom enfrentar uma mulher difícil — comentou Mansoparoff se levantando.
Janet cuspiu-lhe na cara, enquanto o terrorista a agarrava para beijar seu pescoço.
— Aqui é onde controlamos todos os locais de trabalho — disse Irons abrindo a porta da sala.
— Não é o que a CIA deveria fazer? — indagou Eduardo enquanto entrava na sala cheia de televisões.
— Não — respondeu Irons — A CIA só põe em vigilância quem está sob suspeita. Eles usam uma aparelhagem muito mais moderna, câmeras em miniaturas Panasonic, gravam em DVD imagens comprometedoras e muitas outras coisas mais.
— Como você sabe de tudo isso? — indagou Eduardo, curioso.
Irons ficou ligeiramente embaraçado.
— Temos nossas fontes… — respondeu ele — Além disso, os jornais dizem isso toda hora.
— Nunca acredite em uma palavra da mídia — disse Eduardo, secamente — Eles só procuram causar sensacionalismo, escute o que estou lhe dizendo.
Então, no meio de seu comentário, Eduardo olhou para a imagem que passava em uma das televisões. Ali estava um homem vestido de motoqueiro falando com uma empregada de Richardson, na sala de jantar. O agente abriu a boca de espanto quando viu a tatuagem no ombro nu do homem: um olho egípcio.
— Grave esta imagem para mim! — disse Eduardo, correndo para o aparelho.
Irons inseriu uma fita VHS no vídeo e começou a gravar.
“— Por que você adora me dar sustos?” — indagou a empregada, no vídeo.
Em resposta, o homem lhe deu um beijo.
“— Você sabe que tenho passe livre aqui” — disse o rapaz — “Eu trouxe o correio.”
Ele deu à empregada alguns envelopes.
— “Contas são só com o tesoureiro” — disse e empregada olhando os envelopes — “E o que é isso?”
“— Não sei” — respondeu o motoqueiro — “Estava com os outros envelopes”
“— À propósito” — disse a empregada — “Que horas são?”
“— São nove horas” — respondeu o homem.
“— Meu Deus!” — disse a empregada “Preciso acordar o patrão!”
A empregada saiu esbaforida da sala. O motoqueiro ficou na sala. Silenciosamente, ele tirou uma fita de vídeo do bolso e inseriu no videocassete, depois de enfiar dentro do aparelho um líquido branco.
— Meu Deus! — disse Eduardo, cobrindo a boca com a mão — Isso é C5! Um explosivo altamente tóxico!
— Oque você disse? — indagou Irons, espantado.
— Isso é um explosivo perigoso! E pode estar em qualquer parte da mansão! — disse Eduardo.
— Como você sabe disso? — indagou Irons, franzindo a testa.
Agora foi a vez de Eduardo ficar embaraçado.
— Hum… ham… nós vemos nos jornais, né? — gaguejou ele.
Irons continuou desconfiado.
— Você pode esperar um pouco? — indagou ele — Preciso fazer algo urgente.
— Como queira — respondeu Eduardo.
Irons saiu da sala.
Eduardo parou a gravação e ejetou o VHS quando o homem saiu da sala. Então viu uma porta do outro lado do corredor. O agente se dirigiu a um operador em uma televisão e indagou:
— O que é aquela sala?
— É a sala de reuniões — respondeu o operador — É de estrito uso do Sr. Richardson e seus assessores.
Eduardo deu um sorriso.
Dentro da própria sala de reuniões, Irons pôs uma fita dentro do videocassete do datashow, que transmitia as imagens para o telão no canto da sala, que dispunha do telão, no lado menor da sala retangular; no outro estava a enorme janela que ocupava toda a parede, a mesinha com o datashow e, no meio da sala, a mesa retangular com as cadeiras, tudo de mogno.
Irons dirigiu-se à janela, ligou o celular e discou um número.
— Alô?… Eu já coloquei a fita no vídeo. Passarei-lhe o dinheiro às duas horas, no banco da rua — do Central Park. E não se esqueça, lhe darei o sinal às onze e meia. E tome cuidado com um certo Eduardo M…, é sobrinho do velho. Se mete em tudo. Muito perigoso. …É, ele decidiu pagar o resgate. …Não, não acho, senão os federais arrancam a cabeça deles. …Eu estarei no banheiro, cinco minutos antes do filme começar a rodar. …A carga vai para Fort Detric, nos arredores de Washington, D. C. Eu não acho que ele vá se livrar. OK, adeus.
Irons desligou o celular e abriu a porta para sair. Ao fazer isso, o pulso de seu paletó e de sua camiseta subiu um pouco, e deixou aparecer a tatuagem preta de um olho egípcio.
— Aonde você foi? — indagou Eduardo, com a mão na cintura — Estou lhe esperando faz vinte minutos!
— Tive algumas coisas importantes a fazer — respondeu Irons.
— Onde é o banheiro mais perto? — indagou Eduardo.
Irons fez uma cara de saco cheio e respondeu:
— Virando dois corredores à direita, mas não vá demorar. Estarei naquela sala ali — e apontou uma porta enquanto ajeitava os óculos vermelhos.
Eduardo se dirigiu ao banheiro, mas depois que sua mente treinada percebeu que Irons havia entrado na sala, deu meia-volta e entrou na sala de reuniões.
A primeira coisa que Eduardo fez foi olhar nos arquivos. Foi um trabalho que levou alguns minutos, pois demorou a achar algo que lhe parecia lhe interessar. O agente se sentou no chão e começou a ler o documento, que por acaso estava quase 100 censurado. Era mais ou menos um projeto do governo americano para a produção de um carregamento que seria produzido e guardado dentro da Richardson e Co., porém não mencionava qual era a carga.
— “Tenho que pesquisar mais” — pensou Eduardo.
Ele, de repente, ouviu vozes de pessoas na porta.
— Ele está aí dentro, eu tenho certeza — disse a voz que Eduardo reconheceu ser de Irons.
— Se estiver mesmo, será um perigo se ele tiver descoberto algo — respondeu um voz que o agente não conhecia.
— Vamos entrar, então — disse Irons.
A porta foi chutada e Irons e um segurança entraram na sala.
— Não te disse que estava vazia? — disse o segurança.
Eduardo não perdeu tempo. Agarrando-se às paredes da Richardson e Co. para não cair lá embaixo, ele atingiu a uma janela de um corredor e andou até o corredor da sala de reuniões.
— Onde você estava? — indagou Irons, com a mão na cintura, no meio do corredor.
— Você sabe que às vezes demora — respondeu Eduardo, com um sorriso, caminhando na direção do assessor.
Richardson olhou para o que escrevera no computador e mandou imprimir.
Relaxou na cadeira de seu escritório e olhou no relógio. Três e meia. Dali a meia-hora e seus assessores estariam ali para o resgate de sua filha.
Ele pegou a folha que a impressora acabara de ejetar e viu como ficara seu testamento. Deixava tudo para Eduardo e Janet.
Então olhou para algo que tinha em sua mesa. Era a miniatura de um míssil nuclear. Tomado de um intensa fúria, o velho agarrou a miniatura e a atirou pela janela.
— Tudo por causa desta porcaria! — berrou ele, quebrando o vidro da janela.
Mansoparoff beijou a garota que estava ao seu lado no sofá, beijando seu pescoço. Todos na sala estavam seguindo esse ritmo intenso e repetitivo, quando a campainha tocou.
Kasparoff se levantou e foi atender à porta.
— Vim o mais cautelosamente possível — disse Irons, entregando a Kasparoff uma valise.
— Obrigado — disse Kasparoff, fechando a porta.
O terrorista foi à mesa e abriu a valise ali.
— Agarrem, rapazes, pois tudo isso é de vocês! — disse Mansoparoff.
Os terroristas agarraram as notas de dólares o mais rápido possível.
Uma das mulheres agarrou Kasparoff e comprimiu-o contra a parede. Eles se beijaram violentamente e, depois, a mulher deu um tapa na cara do russo.
Mansoparoff se levantou e subiu as escadas, depois desceu-as arrastando Janet pelos cabelos, que inutilmente procurava resistir.
O terrorista atirou-a no chão, e todos caíram implacavelmente sobre a garota. Ela, ao se levantar violentamente, atirou todos para cima, e empurrou Mansoparoff. Então, Ivan, um terrorista terrivelmente musculoso, deu-lhe um tapa, e a garota caiu no chão, desmaiada.
Kasparoff agarrou uma garota de vermelho e beijou-a.
— Isto é maravilhoso! — berrou Mansoparoff, deitado no chão sobre uma das garotas.
— Depois nós poderíamos jogar cartas — disse Ivan, comendo um pedaço de pizza sentado na mesa, abraçado a uma garota.
— E numa hora dessas você pensa em jogar baralho?!! — disse Kasparoff, sentado no sofá com uma garota ao lado e uma garrafa de cerveja na outra mão.
— Boa idéia! — disse Mansoparoff, se levantando — o perdedor poderia ter um balde cheio de água derramado na cabeça de cueca.
— Você tem cada idéia! — comentou Ivan.
Depois do jogo de cartas, que foi muito discutido, o perdedor acabou sendo o próprio Ivan, que teve a cabeça encharcada por um balde que foi derrubado por uma garota.
“Ligação internacional, senhor. Posso passá-la?”, em inglês.
“Departamento de Inteligência Brasileira”. Departamento ultra-secreto desconhecido do público. Esse departamento não existe, porém se houver alguma semelhança com a realidade será mera coincidência. (N. do A.)