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EPÍLOGO
O Retorno
Eduardo acordou, no dia seguinte, bem disposto. Se levantou, abriu o armário e escolheu para aquele dia uma calça de elástico preta e uma camiseta de algodão também preta, atrás escrito “IRON Rules” em branco. Estampado na frente, havia a capa do álbum Fear Of The Dark, do Iron Maiden.
Pegou no telefone e chamou o restaurante.
— Vocês poderiam trazer o café da manhã para o quarto 666, por favor?
Desligando, ele pegou no telefone, porém parou para pensar.
— Já tomei minha decisão — disse ele — É o melhor que eu tenho a fazer.
O agente discou um número.
— Alô? United Airlines? Vocês poderiam mandar para o quarto 666 do Hotel Waldorf Astoria uma passagem de primeira classe do vôo 498 das 10h Nova York—Brasília, por favor? Isso mesmo, Brasil.
Eduardo deu o número de seu cartão de crédito e desligou. No momento seguinte, bateram na porta Eduardo tirou de baixo de seu travesseiro a Magnum e disse:
— Entre.
O camareiro entrou no quarto andando com o carrinho do café da manhã.
— Obrigado — disse Eduardo sem se levantar da cama, com a Magnum nas costas.
O camareiro foi embora, fechando a porta.
Eduardo pegou sua valise dentro do armário, abriu o compartimento secreto e tirou a substância dali. Abrindo o frasco, derramou um pouco do conteúdo em toda a mesa do carrinho. Desta vez foi jogado no lixo do banheiro um mamão anormalmente verde.
Bateram na porta novamente. Eduardo escondeu a Magnum nas costas e disse:
— Entre.
Um camareiro entrou no quarto com um envelope em uma bandeja. Eduardo pegou o envelope com uma mão e com outra segurou a Magnum nas costas.
— Obrigado — disse Eduardo, pondo o envelope no colo, logo após o camareiro ir embora, fechando a porta.
Primeiro o agente observou o conteúdo do envelope olhando contra a luz. Eram apenas papéis.
Eduardo abriu o envelope. Ele viu o símbolo da United Airlines na capa da passagem.
— É só dizer que é primeira classe… — disse ele.
Eduardo tomou seu café da manhã, depois desceu de elevador até a recepção para entregar a chave, fechar e pagar a conta. Eduardo usou o cartão para pagar a conta, depois desceu até a garagem para sair com seu Jaguar.
Saindo na avenida, ele observou os prédios em volta e o céu coberto de arranha-céus, definindo a paisagem de Manhattan, à beira do Rio Hudson.
Eduardo se sentiu um pouco triste de estar deixando a Big Apple. Era bom passar pela ponte do Brooklyn, o que ele fazia naquele momento, sentindo o Hudson abaixo de seus pés.
Então pensou em Richardson e Janet. Perda irreparável. Quando entrou na Avenida Madison e passou pelos destroços de cimento e metal retorcido, com um forte cheiro de queimado, da Richardson e Co., lágrimas rolaram por sua face. O agente fez uma oração para que Deus abençoasse as almas de Janet e Richardson.
Depois, se recompôs ao passar pelo magnífico Empire State. Richardson sempre desejara ter um escritório naquele maravilhoso edifício.
Entrando nos subúrbios da Big Apple, ele passou pela Mansão Richardson, que agora era mais um monte de metal retorcido e cinzas. Ele viu a ambulância parada em frente à mansão, com duas macas cobertas por panos brancos a entrar. Deveriam ser os restos carbonizados de Margaret e Wadsworth.
Então, Eduardo pegou a rodovia para ir ao Aeroporto John Fitzgerald Kennedy. Ele estacionou no estacionamento e tirou suas malas do porta-malas, carregando-as pelo aeroporto.
Ficou na fila da United Airlines, depois apresentou sua passagem ao balconista, e pôs suas malas na esteira.
Quando saiu da fila para ir ao detector de metais, se lembrou:
— Meu Deus! — disse ele, dando um tapa na testa — Quase me esqueci!
Ele se dirigiu a uma cabine telefônica e entrou, discando o número.
— Alô — disseram no outro lado da linha.
— Monteblanco? — disse Eduardo — É Eduardo. Aquela sua proposta de eu voltar ao departamento ainda está de pé?
Monteblanco sorriu, do outro lado da linha.
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— Senhoras e senhoras, passageiros do vôo 498, Nova York—Brasília, por favor, se dirijam ao avião imediatamente.
Eduardo se levantou e entrou no corredor que levava à porta do avião.
— Bom dia, senhoras e senhores — disse a aeromoça na porta do avião.
Eduardo sentou em seu assento e deitou o banco, para dormir um pouco. Seria uma longa viagem.
O avião fechou as portas, fez uma manobra e decolou, atravessando as nuvens, depois indo em direção ao sol.
FIM