| Home Just In Communities Forums Beta Readers Dictionary Search | Login Register Extras |
Crônicas das Memórias Perdidas
N/A: O título logo de cara pode lembrar Tsubasa Chronicle, mas vão por mim, a fic passa longe disso. Essa fic foi levemente inspirada em Memórias de uma Gueixa e Sailor Moon, eu disse, levemente! Não inteiramente...
oOoOo
Aqueles que estiverem aqui lendo esta história tenham em mente que não se trata apenas de mais uma história de amor impossível ou de atos heróicos. Porque isso passa longe da minha vida, passa longe de qualquer coisa que já viram, não é mais um conto em primeira pessoa onde conto meus sentimentos ou visões de tudo, isso abrange toda a história, sobre a vida de todos.
Posso dizer que minha vida se resumiu apenas num sonho, foi num sonho que tudo começou e num sonho acabou. Tão simples assim... E foi neste sonho que perdi a razão do meu viver, hoje, tento juntar as peças das memórias que perdi nesse sonho e seguir em frente para consertar o que errei no passado.
Estas, não são simples memórias ou crônicas e repito, são as crônicas da princesa que perdeu a memória, são crônicas de um passado que tenta se erguer, mas cai ao longo do caminho. Esta... Esta é a minha história.
Tudo começou no dia em que tive esse estranho sonho, um sonho que mais parecia real, algo tão distante, mas que parecia estar tão perto de mim... Memórias fracas que surgiam de maneira vibrante em minha mente... Imagens de um passado esquecido.
-Você sempre anda tão ocupado, esta princesa gostaria de saber se o senhor virá sempre aqui?
-Sempre? – Ele sorriu – Princesa, minha princesa. Eu vivo aqui hoje e sempre e aliás... Sabe que sou seu.
Uma garota de vestido longo sorriu corada, ela se virou dando ás costas para o jovem rapaz que sorria meigamente para ela.
-Meu? Minha nossa... – Ela corou mais ainda – Mas, eu disse á mim mesma que amaria apenas uma pessoa... Seria você essa pessoa? A pessoa que amarei? Já que disse que...
Ele tocou o rosto dela com uma das mãos.
-O dia em que dizer que me ama, serei a pessoa mais feliz porque a terei nos meus braços, quando esse dia chegar. Eu serei o único que irá roubar seu primeiro beijo. Mas até lá, quero ver você se declarar, eh?
Ela corou.
-“Certamente, eu o amo...”.
Mas como num pesadelo, as coisas belas se tornam terríveis assim como numa guerra.
Pequenas coisas que nos fazem sentir felicidade se transformam em agulhas que entram em nossos corações, assim como a perda do nosso amado. A perda que nos faz sentir a triste dor de ver o coração se despedaçando.
-Não! Se correr eles irão te matar Príncipe! – Gritou a jovem princesa desesperada – Precisa fugir daqui!
O jovem príncipe se virou e com a espada nas mãos, com um sorriso ele roubou o beijo que prometera segurando a cintura da moça com a outra mão e encostando-se em seu rosto.
-Oh... – A princesa corou-se por inteiro.
-Agora você será minha sempre, não é? – Ele sorriu e olhou para frente como uma cara muito preocupada – Por isso, se num futuro próximo nos encontrarmos, estaremos juntos de novo.
E como num sopro da morte, as coisas que tanto desejamos se vão num simples assoprar. O ultimo sopro da vida lhe é tomado num simples gesto.
-Morto... – Ela o segurava nos braços e lágrimas caiam descontroladamente de seus olhos – Não... NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOO! AHHHHHH!
Como numa história épica essas crônicas se iniciam e será nas crônicas que minha história será dita. Talvez ela não possa ser tão surpreendente, ou talvez sejam como um sonho... Nunca aconteceriam de verdade, mas se quiserem prosseguir eu lhes digo... Estas são as Crônicas das Memórias Perdidas.
E num sonho elas se iniciam, com o fim do sonho elas começam á se reunir.
-AH! – Uma garota acordou suando frio, ela olhou assustada pelo quarto e percebeu que se tratava de mais um sonho.
A jovem garota dos cabelos prateados olhava pela janela, era sempre o mesmo sonho... Seus longos cabelos esvoaçavam com o vento fraco que soprava naquela noite de primavera. O prateado reluzia com a cor da lua dando-lhe um brilho suntuoso.
-De novo o sonho... – A garota murmurou cabisbaixa – Quem seriam aqueles dois? Por que eles não ficaram juntos no fim?
Ela encarou o céu cheio de estrelas, seus olhos azuis reluziram, ela sorriu e ficou á observar as estrelas cintilarem no céu.
-Será que se eu pedir ás estrelas para conceder esse desejo, tudo irá se realizar?
Uma estrela cadente cruzou o céu naquele momento. A garota sentiu algo, uma imagem surgia em sua mente...
Memórias perdidas que teimam em voltar, minhas memórias estão espalhadas em cada lugar, não preciso procurá-las, elas virão até mim... Mas até esse dia chegar, eu precisarei encontrar aqueles que as guardam. Por isso peço ás estrelas e aos deuses que me guiem.
-Então eu desejo... – Ela fechou seus olhos e fez o desejo mais íntimo que queria naquele momento: - Quero saber quem são aqueles dois e se eles serão felizes.
Felicidade? Algo tão singelo e belo que chega até ser triste de dizer, mas quando se perde essa pequena coisa, logo percebemos o que era dar valor á felicidade. Eu não imaginava que seria tão difícil assim...
Crônicas das Memórias Perdidas
Crônica I – Lembranças de Algo
Era o primeiro dia de aula na escola do país Tenshi, um país pacato e sem conflitos que estava localizado no grande continente. Um país com pouco mais de dois bilhões de pessoa, sim, Tenshi era uma nação imensa e cheia de pessoas calmas.
O retorno às aulas estava se dando naquele dia, primeiro dia de primavera, o dia em que milhares ou milhões de alunos retornavam de suas longas férias. Alguns com novidades, outros com tristezas e outros, como Sakuya, voltavam com dúvidas.
Uma jovem com uniforme colegial que mais lembrava aqueles uniformes japoneses caminhava animadamente... Hum, como o tempo passava. Nem parecia mais que a civilização antiga ainda era lembrada, Japão? Brasil? Estados Unidos... Coisas do passado. Agora eram apenas Tenshi, Akuma, Nihon, Izengard e China. Os únicos países restantes de uma guerra.
Vocês devem estar se perguntando quem é essa menina boba que anda animadamente na escola. Esta sou eu, me chamo Sakuya Tenshi. Meu nome é o mesmo do país? É uma brincadeira que enfrento constantemente, mas é verdade. Tecnicamente, sou herdeira da família real que governa o país, mas atualmente, minha família perdeu esses direitos por causa da ditadura que acontece desde o fim da Grande Guerra.
Por sermos uma família banida, vivemos entre as pessoas comuns sem ninguém notar e assim tudo segue, mas ultimamente, ando tendo sonhos estranhos de uma princesa e um príncipe que parecem ter vivido neste país num passado distante. Queria saber quem eram eles...
-Sakuya! Você atrasou hoje – Disse uma jovem garota de cabelos negros, ela parecia estar sempre séria – Teve algum sonho bom foi?
Sakuya sorriu e colocou o material na carteira.
-Mais ou menos, Ayí.
Esta é Ayí Kusanagi, ela é um ano mais velha que eu. Tem 17 anos, também estuda comigo no segundo ano. Ela não sorri muito, mas em compensação é uma das minhas melhores amigas... Só não concordo com esse cabelo curto que uso, ela tem olhos escuros tão bonitos! Os cabelos curtos escondem o brilho deles...
Ás vezes, tenho sonhos com Ayí também, sonho como se a conhecesse tempos atrás, como se ela...
-Boba, eu tenho que te proteger sempre? – Ayí perguntou jogando seu material na carteira – Não entendo por que insiste em usar uniforme. Os rapazes dessa escola adoram te ver de uniforme...
Sakuya sorriu, era normal ver Ayí preocupada com ela. Eram grandes amigas desde a infância.
Ayí crescera junto de Sakuya, eram vizinhas...
Finalmente o sinal batera, era hora de sentar em sua carteira e esperar o professor. Como sempre, a escola mudava alguns alunos de sala, outros da escola e mais alguns de país por motivos diplomáticos. Alunos novos entravam naquele momento e Sakuya observava desatenta até que...
-Desculpe o atraso – um jovem rapaz sorriu entrando rapidamente na sala.
Sakuya deixou a caneta que segurava cair, ela estava pasma. O rapaz... Aquele mesmo rapaz...
Naquele momento, senti cada parte de meu corpo arder, parecia que meu corpo, minha mente... Tudo! Tudo parecia querer me ver ao lado daquele rapaz, por quê? Por que ele era tão parecido com o príncipe da minha lembrança?
Quando ele surgiu pela porta eu senti um vento, um vento que soprou trazendo memórias á tonas, lembranças antes esquecidas e adormecidas que agora se erguiam de maneira rápida mostrando-nos coisas que nem imaginávamos... Aquele rosto, o sorriso, sem duvida... Pertencia ao rapaz que agora invadia minha lembrança!
-Príncipe? É verdade então, ficará aqui no nosso país é? – a jovem princesa sem rosto perguntava sorridente.
O príncipe abriu um sorriso, ele concordou com a cabeça.
-Se é de seu agrado, meu pai adorou isso, entende minha princesa? – ele tirou a presilha do cabelo dela – Então para eu ter motivo de ficar aqui, eu só vou embora quando você pegar essa presilha de mim!
-AHHH! NÃO!
-Vamos! – Dizia o professor animado – Hora da apresentação.
Sakuya sorriu e esperou sua vez, viu o estranho rapaz sorrir para ela, ele estava de pé. Sakuya caminhou sob os olhares de todos os alunos, por ser quem era, todos esperavam uma ótima apresentação.
-Bom dia! Eu me chamo Sakuya Tenshi, sou a Vice-Representante de Sala e Presidente do Conselho Estudantil – Ela sorriu animadamente – Não se deixem enganar, eu não tinjo meu cabelo e não sou muito brava, espero ser amiga de todos! Muito prazer!
Sakuya percebeu vários alunos sorridente, tornou á se sentar na carteira e olhou para o rapaz que iria se apresentar. Ela não queria desviar o olhar, sentia-se presa naquele rapaz de alguma maneira, que ligação eles teriam?
Ayí parecia ter percebido e observava a cena.
-Eu sou o aluno recém transferido do país de Akuma, me chamo Takayanagi Souchirô, tenho 17 anos e espero fazer amizades rápido. – Ele sorriu com meiguice.
Takayanagi possuía cabelos curtos, porém rebeldes que balançavam conforme ele andava, eram cabelos bonitos de se olhar, pois ainda estavam molhados e reluziam. Os olhos verdes que Sakuya tanto queria ver olhavam fixamente para ela. Eram olhos de alguém interessado, ambos se pegaram encarando e desviaram o olhar rapidamente, cada um para seu lado.
-Sente-se ali Takayanagi – o professor apontou para a carteira vazia que fazia dupla com Sakuya.
No ultimo ano, Sakuya havia perdido um amigo que tinha de ser transferido para Nihon então acabara ficando sem o Representante de sala que fazia dupla com ela.
Sakuya corou de leve e virou o olhar para evitar ver o rosto de Takayanagi.
-Heh, parece que seremos uma dupla – sorriu o rapaz animado enquanto tirava seus materiais – muito prazer, Tenshi.
Sakuya arregalou os olhos.
Dupla? Isso trazia lembranças, coisas á tona, imagens perdidas... Imagens como:
-Dupla – O jovem príncipe afirmou de maneira insistente – agora que vivemos no mesmo teto, somos como uma dupla imbatível!
-Duplas como... Irmãos? – a princesa indagou um pouco desapontada.
O príncipe sorriu e balançou negativamente a cabeça.
-Uma dupla – insistiu sorrindo de canto. – De namorados pode ser, que diz?
Quem é você? Por que aparece em meus pensamentos? Por quê? Por... Por quê?
-Dupla? – Sakuya repetiu massageando a cabeça – Claro, seremos uma ótima dupla.
-Então, que tal estudarmos, senhorita Vice-Representante? – Brincou Takayanagi ajudando Sakuya á abrir o caderno.
-Eh? – Sakuya corou.
Do lado dela estava Ayí que observava o rapaz atentamente. Ela parecia interessada.
No fim do dia, Sakuya e Takayanagi havia ficado grandes amigos. Conversavam sobre tudo, pareciam amigos íntimos que se conheciam á anos. Como ocorrera? Ninguém entendera, sabiam apenas que a amizade deles florescera no momento em que Sakuya começou á estudar com ele.
Era hora de ir embora e assim todos caminhavam para suas casas.
-Nos vemos amanhã, senhorita Sakuya! – Takayanagi sorriu – certo?
Sakuya acenou e sorriu de canto.
-Não esqueça de trazer tudo!
Sakuya concordou e viu Takayanagi se afastar. Ela ficou observando o moço ir se afastando até perdê-lo de vista, uma lágrima percorreu seu rosto, surpresa por causa disso ela tocou no rosto.
-Por que eu chorei? Por que sinto esse aperto no coração? – Sakuya dizia á si mesmo.
Sakuya abaixou sua cabeça tristemente e viu que já escurecera. Sorrindo ela foi indo para sua casa olhando para a bela noite que fazia, até que...
-Então te achei... – uma voz nova disse.
-QUEM É!? – Sakuya gritou temerosa – “Um tarado?”
-Hum... – O homem saiu da escuridão e gritou – ESTILO 4 DA GUARDA REAL! EXPLOSÃO DE FOGO!
Uma enorme explosão pegara todo o lugar. Sakuya cobriu os olhos e gritou.
Aqui começou minha aventura ao imenso passado, coisas antes desconhecidas agora começariam á fazer sentido. Começava nesse momento a minha cruzada em busca do objeto santo, em busca das minhas memórias perdidas.