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Author: Mystik Ivanow
Fiction Rated: T - Portuguese - Horror/Tragedy - Reviews: 3 - Published: 11-01-06 - Updated: 11-01-06 - Complete - id:2269848

Notas: Apenas um conto de dia das Bruxas.


Velas Acesas

- Tem certeza que é aqui?

- Claro que eu tenho!

- Ai, não sei não se isso é uma boa idéia.

Caio olhou para Fernanda, que tinha os braços cruzados, e não pôde evitar revirar os olhos. O vento noturno balançava levemente a barra do vestido que ela usava.

- Qual é, vai amarelar agora?

A jovem se indignou e encarou-o quase furiosa.

- Claro que não! Vamos logo entrar e acabar com isso!

O garoto sorriu escondido ao ser praticamente arrastado pela menina dentro da casa abandonada. Era tão fácil provoca-la.

A casa era simples até, num bairro afastado de Campinas. Tinha uma grande garagem, três quartos, dois banheiros, uma ampla cozinha e sala. Mas o grande destaque, segundo todos diziam, era o corredor que ligava a sala até a cozinha.

Segundo os mitos que circundavam o lugar, a antiga família que morava lá fora assassinada naquele corredor por um serial killer da época que somente meses depois fora capturado.

Mãe, pai, dois filhos, uma cunhada e uma neta. Todos mortos brutalmente e aquele corredor fora a cena de fuga, que acabara na tragédia.

Durante os cinco anos seguintes, a casa nunca mais fora habitada e agora era como o ponto preferido pelos jovens para as noites de dia das Bruxas.

Motivo pelo qual os dois estavam naquele local, naquela hora.

Uma aposta fora o motivo. Eles eram novos no bairro e por isso tinham que passar pela ‘iniciação’. O objetivo era entrar na casa, acender as velas que se espalhavam no longo corredor, tirar uma foto e sair.

- Eu acho isso tão ridículo. – foi comentando Fernanda enquanto iam pelos fundos, chegando na área onde a máquina de lavar antiga já mostrava pedaços de ferrugem.

- Então porque veio? – comentou Caio, ajustando a máquina digital para uma foto em preto e branco.

- Porque eu vou ganhar bebida de graça? – respondeu quase rindo – Você também entrou nessa por causa disso.

- Mas eu não acho isso ridículo, acho até que legal.

- Ahan, acredito em você.

Caio ficou quieto enquanto esperava a garota abrir a porta de metal com as chaves que haviam pegado com a turma de amigos do bairro. Eles adentraram na cozinha e observaram por um momento. Fernanda ligou a lanterna e logo viu: copos espalhados pelo chão, restos de comida, marcas de sangue. Ela franziu o nariz.

- Ninguém nem se deu ao trabalho de limpar aqui?

- Pra que, veio mais alguém morar aqui por um acaso? Anda, vamos logo tirar a foto e ir pegar nossa parte da aposta?

- Demorou.

Eles foram andando com cuidado e ao virarem a esquerda, viram o famoso corredor. A jovem iluminou o chão e viu várias velas postas em fileiras, de ambos os lados da parede.

- Velas?

- Disseram que foi em homenagem a família, para eles ficarem em paz ou coisa assim. As beatas do bairro que colocaram. – respondeu Caio, pegando sua lanterna também e tirando uma caixinha de fósforos do bolso do paletó.

- Porque trouxe fósforos?

- Pra dar um efeito legal na foto ué. – respondeu simplesmente começando a acender as velas do corredor.

Fernanda ajudou-o e logo, duas longas trilhas de luz enfeitavam o espaço, dando um ar meio que...macabro ao local.

- Ah, isso vai ficar lindo! – exclamou Fernanda.

- Vem, isso vai apoiar a câmera. – disse trazendo uma cadeira da cozinha e apoiando a máquina, ligando o timer.

Eles se posicionaram e logo a foto foi batida.

Logo após o barulho do flash cessar, um riso curto e seco foi ecoou por todo corredor. As velas se apagaram sozinhas.

- Caio?

- Vamos embora daqui. – disse o garoto, praticamente lendo a mente da amiga.

- Quem disse que vão sair?

A voz pegou-os de surpresa. Uma luz tênue veio da sala e eles se viraram, surpresos.

Ninguém se ousou aproximar da casa. Não com os gritos de terror podendo ser ouvidos.

No dia seguinte, 01 de novembro, a polícia recebeu a denúncia de dois corpos de adolescentes sendo encontrados numa casa afastada do centro da cidade. Quando chegaram ao local, a cena era das mais grotescas: sangue e órgãos espalhados.

A cabeça de Fernanda foi encontrada no quarto de casal. Metade do corpo de Caio estendido no sofá empoeirado da sala. As únicas partes ainda inteiras.

No longo corredor, apenas uma máquina digital, ainda intacta, se encontrava. Examinada pela perícia, foi encontrada uma única foto apenas. A última tirada pelos dois.

FIM

Reviews?



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