| Home Just In Communities Forums Beta Readers Dictionary Search | Login Register Extras |
Epílogo
Billy Rogers, um herói anônimo.
Março de 1945.
Num acampamento americano às margens do Rio Reno, o sargento Bob Spencer e o cabo John Williams almoçavam dentro de uma barraca.
O céu estava nublado. Parecia noite. Ao longe, via-se os clarões provocados pelos bombardeios e disparos de artilharia. A Alemanha, aos poucos, agonizava perante os Aliados.
“Onde está o tenente?” – pergunto o sargento.
“Não sei” – respondeu Williams. – “Não fala conosco desde Paris. O que terá acontecido?”.
“Não sei, mas deve ter algo relacionado com essa tal noviça...”.
Nisso, Billy Rogers entrou na barraca, pegou suas coisas e saiu sem dizer nada.
“Ele está muito estranho...” – disse o cabo.
“Isso passará...” – murmurou Spencer. – “Já me senti como ele se sente agora...”.
Do lado de fora, o tenente sentou-se em cima de uma pilha de engradados e começou a degustar seu prato de feijão. Observando a paisagem, viu, ao longe, uma fazenda, onde um menininho corria feliz, como se não estivesse no meio de um campo de batalha.
“São judeus” – disse Spencer, aproximando-se. – “A produção deles foi completamente destruída”.
“Vivem do quê?” – perguntou Billy.
“O pai do garoto é rico” – explicou Williams, que terminava seu almoço. – “A mulher dele é costureira”.
Billy com um binóculo passou a observar a fazenda. Correndo, o garotinho entrou dentro de um celeiro, sendo violentamente empurrado para fora. O tenente pôde ver quem estava dentro da construção.
“Um capitão alemão!” – exclamou Billy.
“O quê?” – surpreendeu-se Spencer.
“Veja você mesmo!”.
O sargento confirmou o que o tenente vira.
“Eles estão se escondendo” – concluiu Spencer. – “Nós cruzamos o rio há dois dias. Estão tentando fugir do país”.
“O que faremos?” – perguntou Williams.
“Vamos informar o major Baker!” – exclamou Billy.
Spencer informou o que vira ao major, e este ordenou que eles mesmos cuidassem da situação.
Carregando seus rifles, os três soldados seguiram na direção da fazenda.
“Não sabemos quantos chucrutes estão no celeiro” – disse Billy. – “Tenham cautela!”.
“Pode deixar!” – disse Williams.
Logo os americanos ganharam um pasto onde algumas vacas jaziam mortas de fome. De uma das janelas da casa da fazenda, a família judaica observava atônita os soldados aliados. Dentro do celeiro parecia não haver ninguém.
“Vamos entrar!” – gritou Spencer.
“Alemães!”.
Surgiram cinco nazistas de dentro da construção, atirando sem parar com suas metralhadoras. Williams, atingido no braço esquerdo, correu na direção da casa. Rogers e Spencer seguiram na direção da porteira.
O capitão alemão entrou na casa em busca do cabo. O chefe da família abrigou Williams dentro de um armário. O capitão, após vasculhar a casa, gritou em sua língua:
“Onde está o americano?”.
“Não sabemos” – respondeu a mulher.
O nazista deu uma bofetada na judia. O marido, enfurecido, partiu para cima do inimigo, sendo cruelmente aniquilado. Os cinco tiros atingiram o tórax do judeu, que morreu instantaneamente.
“Veja o que fez!” – gritou a mulher, chorando e amparando o filho.
O alemão ignorou a judia e, abrindo o armário da cozinha, encontrou Williams, que foi morto com um tiro na altura do coração.
Do lado de fora, Billy e Spencer haviam derrubado um soldado alemão. Os outros três os perseguiam, auxiliados pelo capitão, que saía da casa.
“Capitão Wilhelm!” – gritou um nazista. – “Eles estão fugindo!”.
O capitão, sacando sua pistola, mirou na direção de Spencer, que corria na direção da floresta que cercava a fazenda.
De repente, o sargento veio ao chão. Billy pôde ver o corpo inerte do amigo, baleado mortalmente.
O tenente teve tempo de entrar na casa pelos fundos. Na cozinha, o garotinho chorava ao lado do corpo da mãe, que se suicidara com uma faca.
Desesperado, Billy pegou o menino em seus braços e saiu correndo para fora da casa, na direção da porteira.
O tenente não pensava em mais nada a não ser na vida do garoto. Quando estava quase alcançando a porteira, sentiu uma dor muito forte nas costas, caindo.
Com as forças que lhe restavam, Billy ajoelhou-se com o garotinho nos braços e olhou para a porteira. De repente, o tenente, abismado, viu que Joana a abria e caminhava em sua direção, sorrindo.
“Joana?” – perguntou Billy, sentindo uma dor muito forte, agora no pescoço.
“Sim, sou eu” – respondeu minha sobrinha, que vestia uniforme branquíssimo. – “Eu morri, Billy...”.
“Você morreu?”.
“Sim, e vim lhe buscar”.
“Como? Eu também morri?”.
“Olhe para o garoto”.
Olhando para o menino, Billy percebeu que ele era o mesmo garoto que vira em seu sonho, possuindo seus traços.
“Vamos, querido” – disse Joana, pegando a mão do tenente.
“Para onde vamos?” – perguntou Billy, confuso, porém feliz.
“Para um lugar onde viveremos juntos para sempre!”.
E, seguidos pelo garotinho, os dois amantes caminharam na direção da porteira aberta, desaparecendo.
Os alemães fugiram pouco depois. Mais tarde, alguns soldados americanos encontraram, a poucos metros da porteira, o corpo do tenente Billy Rogers, baleado nas costas e no pescoço, amparando em seus braços o garotinho judeu, também morto.
“Esta história é dedicada a todos que morreram na luta contra o nazismo”.
FIM
Luiz Fabrício de Oliveira Mendes – “Goldfield”.