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Desculpem pela demora, gente, esqueci que isso aqui existia (mentira, esqueci não, só que toda a vez que eu pensava em vir pra cá dava uma preguiiiça...). Como pedido de desculpas (também por este capítulo ser mínimo), eu vou postar o capítulo 4 antes que vocês possam imaginar, prometo! Ah sim, eu também estou postando umas originais e histórias que eu nunca publiquei antes no Nyah! Fanfiction, procurem por uma Akari lá! O legal é que eu estou postando a Broadside Ballad, e lá dá pra colocar desenhos... Ou seja, eu coloquei um com os nossos três heróis, o Jules, irmãozinho do Francis, e a Haine, uma personagem que aparecerá no futuro! Se vocês quiserem ter uma idéia de como eles são na minha mente...
Akari-chan
Capítulo 3.
“Bem, a minha história é um pouco diferente das suas.” Gauwyn começou, quando Ivo pediu para que ele contasse o que acontecera com ele. Segundo Ivo, sua própria história não tinha comparação com a de Francis, e ambos poderiam muito bem rir de sua cara e desprezá-lo se ele disesse porque saira de casa. Só contou-lhes depois de ambos prometerem de pés juntos que não iriam julgá-lo após ouví-lo, e eles cumpriram sua promessa. Na verdade disseram que, assim como eles, ele lutava por algo que desejava, e isso não o tornava inferior ou superior a ninguém, apenas parecidos com eles. Então ao falar desajeitadamente que também queria algo e começara a viajar para conseguir completar um objetivo, Francis e Ivo pediram para ele parar de baboseira e começar logo a contar o que acontecera para que um rapaz da idade dele resolvesse sair mundo a fora. “Eu não sai por livre e espontânea vontade da minha casa e da minha cidade natal, eu fui expulso.”
Ele ficara visivelmente envergonhado por ter que dizê-lo em voz alta, e obviamente sentia vergonha do que fizera para ser expulso até hoje. Como ninguém se pronunciou, ele seguiu em frente.
“Eu não morava neste continente originalmente.” Ele se referia ao continente principal aonde se localizava o centro do império. Havia ilhas maiores e menores espalhadas ao redor, e a comunicação se fazia por barcos, o que era um problema, pois além de demorar muito tempo para chegar de um lugar à outro, havia sempre o risco de pirataria. “Eu morava no Continente do Norte, no deserto de Mercavia. Vocês sabem, não é, de um povo que vive por lá? Então...” Ele começou nervosamente, e os outros concordaram. Era um lugar famoso – aparentemente tinha um grupo de pessoas que conseguia viver naquele lugar infernal. Elas se utilizavam de todos os recursos naturais que conseguiam encontrar, vivendo ao redor de oásis e dando o seu máximo, como qualquer outro povo. Apenas tinha mais dificuldades, mas elas eram pouco percebidas pelas pessoas que nasciam lá, assim como pessoas que nascem em lugares frios e não têm problemas em se acostumar em ter que colocar várias camadas de agasalhos um em cima do outro quando o inveno piora, ou não sair de casa quando há tempestades de neve. Uma pessoa que nasceu em uma região onde o clima não é problema não poderia entender, pois quando chegaria em um lugar frio, congelaria, e em um lugar como o grande deserto, não saberia como utilizar os cactos para obter água em casos de necessidade, ou como pedir socorro em condições difíceis. “Eu nasci lá. Não é um lugar tão ruim assim como todos pensam, apenas fica distante de tudo. Eu era feliz lá.” Ele não sabia como começar. “Ai um dia, eu, bem... Eu fiz uma aposta tola com pessoas que eu achava que eram meus amigos. Reconheço que não fui inteligente, mas eu apostei que conseguia roubar a flauta mágica de Hammelin sem que fosse pego. Como vocês podem ver, eu fui pego.” Ele não pode evitar e rir da ironia.
“Flauta mágica?” Ivo perguntou.
“É uma lenda de nosso povo. Conta que um dia, faz muitos e muitos anos, o imperador prometeu para um flautista que, se ele livrasse a centro do império dos ratos, daria uma sacola com moedas de ouro até a borda para ele. Ele tinha uma flauta mágica, e com ela atraiu os ratos para fora da cidade, até uma montanha longínqua. Mas o imperador não quis pagá-lo, então ele atraiu todas as crianças para fora da cidade, deixando-as no mesmo lugar que os ratos. E ai o imperador aprendeu a lição.”
“Que cruel!” Ivo disse, arregalando os olhos.
“Na verdade eu concordava com a decisão dele de dar uma lição no imperador. Mas aí me expulsaram para me dar uma lição, e eu passei a não concordar, heh.”
“E você ainda tem a flauta?” Ivo não conseguia conter a pergunta em sua cabeça. Seria muito interessante se...
“O que você acha?” Gauwyn perguntou ofendido. “Eu fui pego e expulso porque a flauta sumiu e meus falsos amigos disseram que ela se encontrava comigo, e simplesmente tinham que achar alguém para colocar a culpa! Não porque acharam a flauta comigo. Mas bem, eu era culpado mesmo, então não tem problema. Mas é injusto, eu penso, e só fiquei com raiva por isso. Se fosse qualquer outra pessoa que não houvesse roubado de fato, ela estaria sendo punida injustamente. Mas eu não. Eu fui diferente, como vocês podem muito bem perceber.” Ele sorriu, orgulhoso de si mesmo. Sua mão desapareceu em uma das muitas dobras de suas vestimentas, que consistiam basicamente de diversas tiras de pano enroladas pelo corpo, e ele tirou uma pequena flauta de lá. Era de madeira, mas ricamente decorada com pintura feita a mão e um formato incomum, diferente das flautas que eram vendidas a preços ridículos por artesãos que não sabiam direito o que faziam. “Eu consegui esconder esta belezinha muito bem.”
“Então você roubou mesmo!” Ivo parecia dividido entre parecer horrorizado e admirado. Francis apenas olhou o objeto cautelosamente.
“É mágica mesmo?” Perguntou.
“Há! Como se fosse. A única coisa que consegui encantar foram algumas garotas, e posso garantir que não era por culpa da flauta que elas ficaram impressionadas.” Ele piscou um dos olhos.
Ivo não deixou de sorrir educadamente. Além do mais, estava com uma idéia que não saia da cabeça. Sorria feito um doido na verdade. Alias, deveria ser.
“De qualquer jeito, eu fiquei me sentindo meio culpado, e eu queria ao menos encontrar alguém de meu povo para pedir desculpas. E é por isso que eu viajo.” Concluiu, com sorte antes de Ivo cortá-lo para falar animadamente.
“Eu sei que acabei de conhecer vocês. Mas depois que um homem divide uma cerveja com outros caras, eles são amigos, certo? Então...”
“O que você quer?” Francis e Gauwyn replicaram em conjunto, para depois olharem um para o outro confusos e abrirem sorrisos. Nem parecia que eram os homens que brigaram havia alguns momentos atrás.
“Hm, o Francis canta, o Gauwyn toca flauta e eu o violão... Sozinhos nós só nos demos mal, e decidimos andar por aí procurando alguma coisa. Bem, se seguirmos o mesmo caminho que você, Francis, eu terei minha aventura, e o Gauwyn pode acabar encontrando com quem ele quiser. Além do mais, um grupo de músicos pode conseguir mais do que cada um de nós sozinho. Sem falar que resolveremos o problema do dinheiro roubado. Que tal, o que vocês acham?”