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Author: Akari Neko-chan
Fiction Rated: M - Portuguese - Drama/Romance - Reviews: 2 - Published: 01-11-07 - Updated: 01-11-07 - id:2302448

Essa história foi escrita por mim e pela minha adorável Nako Avisos: Contém violência física e verbal, humilhação, e yaoi nos próximos capítulos.
Divirtam-se!
Akari-chan

CAPÍTULO 1

"... Marinna Heartlieb?"

"Presente!"

"Marcia Goldfield?"

Aqui professor!"

Maximillian Lloyd?"

Silêncio.

"Maximillian?"

Uma aluna se mexeu desconfortavelmente na cadeira, e o professor voltou-se para ela, ajeitando seus cabelos para trás das orelhas, empurrando os óculos que teimavam em escorregar pelo nariz.

"Sarah, você sabe onde o Maximillian está?" Perguntou em um tom inquisitivo, abaixando o caderno de chamadas para olhar para a moça. Ela balançou a cabeça negativamente, e ele ouviu cochicos e burburinhos na sala. "É a quarta vez que ele não comparece à aula nessa semana. Você sabe algo dele?"

A menina mordeu o lábio inferior. "Bem..."

"Sarah!" Um colega a interroumpeu, sussurrando de forma exaltada.

"Ben, é o professor!" Ela reclamou, esquecendo-se do homem mais velho que continuava a observando.

"Por isso mesmo! Max vai te matar se souber que você anda abrindo a boca por ai e contando coisas pro professor!"

"E posso saber o que ela irá contar?" O professor de matemática, Yuri Hertzfieldt, intrometeu-se na conversa. Ben deu um último olhar para a garota e arrastou o indicador pela frente do pescoço, como se o estivesse cortando com uma faca. O que estava feito estava feito.

"O Max está matando aula..." Ela murmurou baixinho.

"Não é novidade. Posso saber onde?"

"Ah." Ela suspirou, recebendo olhares desaprovadores dos garotos e garotas da turma, e cochichos de 'dedo-duro!'. "Eh..."

"Pode dizer, Sarah. É sua obrigação."

"Hmn. Ele fica perambulando por ai, mas não nos prédios... Geralmente ele procura por outros alunos que estão matando aula também..."

"Tinha que ser a queridinha dos professores!" Alguém gritou do fundo da sala, mas calou a boca quando o moreno voltou seu olhar para lá.

"As vezes ele fica no alto do prédio, dormindo." Ela quase sumiu na cadeira, encolhendo-se toda.

"Certo." Yuri levantou o rosto. "Alguém mais anda faltando nessa classe?" Perguntou. Como os alunos não responderam, ele se deu por vencido e marcou presença nos nomes restantes do caderno.

"Muito bem, aula terminada. Fiquem na sala até o próximo professor chegar." Avisou, indo até a porta e saindo da classe, no intuito de procurar o aluno que adorava cabular aulas de sua matéria.

Os números não poderiam ser mais desinteressantes. Um logaritmo, pelo menos em tese e tabu, jamais ajudaria um ilustre aspirante a poeta a encontrar rimas perfeitas para sua métrica ainda mais certeira e metódica. Todavia, o escritor transformado em eu-lírico esquecera-se de comparar a precisão entre números e poesia, ou os detalhes mínimos que significavam o sucesso e a resolução. Era tudo culpa do Céu Azul, ainda mais belo pela sensação de proibido. Com essa inspiração, dispondo-se do isolamento conferido por estar sozinho no alto do prédio, Victor Boyet compunha um poema intitulado “Ao Éden, Do Éden, Pelo Éden”. Ele só não havia se decidido se estava rimando para construir uma descrição de paraíso perfeito ou um amor imperfeito e proibido. Entretanto não seria grande problema. Tinha mais algumas aulas antes de voltar para casa, nenhuma delas lhe interessando mais do que sua criação atual. Ele mordeu a ponta do lápis, encarando firme as linhas e o papel, enquanto só via a matemática como útil para contar as sílabas poéticas dos primeiros versos.

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Yuri entrou na sala dos professores com passos firmes, deixando seu material e seu caderno de chamadas em cima da mesa, olhando para a grade de horários para ver se tinha ainda tempo, ou se ele seria tomado por alguma outra classe de adolescentes que não estavam a fim de ouvir suas palavras sobre logarítimos, equações ou o que quer que fosse a matéria do dia.

Sinceramente ele não acreditava como muitos podiam achar a materia chata, mas conseguia se divertir calculando as probabilidades de mais da metade da turma dormir em sua aula, ou sobre qual era a chance de, se fulano tirasse 0 no primeiro teste, conseguir tirar o 10 necessário no segundo para poder passar de ano direto.

Ao notar que o próximo tempo de quarenta e cinco minutos estava livre, ele oltou um suspiro de satisfação, feliz que ia poder ralhar com o aluno. Yuri conhecia aquele tipo, e sabia que uma mera bronca não ia resolver nada. Uma suspensão, e Maximillian ia somente guardarmais rancor. O correto seria aplicar um teste no dia que ele matasse aula justamente para este tirar 0. Avisava os alunos que seus testes eram sempre de surpresa, e se alguém ousava cabular aulas, a culpa seria inteiramente do aluno se perdesse umteste, e não ganharia direito de segunda chamada. Feliz com a idéia, rumou para o alto do prédio do ensino médio.

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Mas no Inferno que Maxillian perder seu precioso tempo ouvindo o ‘velho’ Yuri falar a respeito de como os números eram bonitos e úteis. Eram nada, Eram um saco e desde o 1º Ano que só serviam para quase reprová-lo. E de qualquer maneira, ele dormia nas aulas, seria perda de tempo ficar na sala. Então, como a pessoa absolutamente sábia que era, ficou vagando por ai, fazendo qualquer professor ou inspetor de troxa quando quase era descoberto cabulando. Ainda por cima, ele tinha a moral para decidir ou não assistir a determinada aula. No que se dizia ao quesito físico, sempre fora um destaque. Até os professores admitiam. E para manter o corpo em forma, nada melhor do que andar por aí atrás de algum dondoca, quando não tinha mais o quê fazer. Então, foi uma maravilha ter visto um garotinho ruivo, talvez fosse de sua sala, mas ele nunca sabia o nome dos nerds mesmo. Ele estava matando aula, poxa que bonito. A raça estava evoluindo.

Ou não. Afinal, quem em sã consciência mataria uma aula chata pra ficar escrevendo? A menos é claro, que estivesse escrevendo pornografia. Nesse caso, talvez Max pudesse considerar um pouquinho mais de respeito. Enquanto isso, para Victor, o céu continuava belo e azul, como deveria ser no Éden, onde havia uma bela moça em um verso decassílabo.

Max deu um sorrisinho desagradável para si mesmo. A mocinha parecia concentrada demais fazendo o lápis correr sobre o papel multiplas vezes, para depois riscar o que escrevia com força e arrancar a folha do caderno, amassando em uma bolinha e jogando ao seu lado enquanto suas sobrancelhas se franziam e ele se colocava a escrever novas frases no caderno. Tão distraido que estava, nem ao menos parecia reparar na presensa de Max ali perto, que se aproximou com passadas largas, sem se importar se fazia barulho ou não.

Parou perto do escritor ('que coisa meiga' ele pensou de forma sarcástica) exatamente na frente da luz, cobrindo a folha de papel em que Victor estava escrevendo com sua sombra. Ele se abaixou e arrancou o caderno da mão do ruivo para ver o que ele estava escrevendo.

Victor mordeu os lábios, afastando também a franja dos olhos para visualizar melhor a figura atrapalhando seu processo criativo. Inspiração não era algo a ser desperdiçado, era uma dama fugaz e... Droga, ele já estava tendo mais idéias. Precisava daquele caderninho e com urgência. Mesmo assim, concluiu que poderia esperar um pouco e desenvolver as palavras antes de começar a organizá-las no papel. Tudo devido ao rapaz espiando seu trabalho. Ainda não era uma obra de arte, todavia já era um esboço bem arquitetado. Aprazível de ler, com a melodia surgindo. O garoto estava pouco se importando que se tratava de um sujeito de personalidade duvidosa.

“Apreciando a construção poética? Vai achar boas rimas, eu aposto. E quem sabe até não apóie a causa para oficinas de escrita, hm? Mas de boa qualidade, claro...”
Max fez uma cara de absoluto nojo ao ouvir as palavras do rapazinho, e nem se deu ao trabalho de ler o que estava escrito no papel.

"Poesia?!" Ele exclamou, desgostoso até mesmo por estar pronunciando aquela palavra em voz alta. Poesia era coisa de viadinho, mas não era como se a criatura na sua frente não fosse. Um nerdzinho qualquer se achando o máximo porque escrevia coisas melosas. O pior tipo de pessoa que poderia existir na terra. Só de pensar nele já tinha vontade de lhe dar umas boaa porradas para ver se aprendia a deixar de ser 'delicadinho' e 'sensível'.

Aberrações que nem aquela nem mereciam seu tempo, mas elas o irritavam terrivelmente.

Ele atirou o caderno do rapaz para longe, se divertindo somente de imaginar o olhar que receberia do outro.

"Mas com que direito você faz uma coisa dessas?” Victor se levantou, sem alterar o volume de sua voz, sem demonstrar irritação ou estar afetado pelo ato, em sua humilde opinião, desnecessariamente vândalo daquele rapaz. Lamentava somente por sua arte e seu trabalho sendo mal tratados daquela forma, de modo que sentiu uma certa agonia ao pensar que perderia um esforço. Oh droga. Não poderia ter ficado vários minutos escrevendo em vão.

Foi até o caderno caído no chão, abaixando-se para recuperá-lo, na maior serenidade possível. Passou a mão pela folha, retirando qualquer poeira que por ventura houvesse se fixado, também tentou desamassar como podia a página, porém sme muito sucesso. Bem, pelo menos continuava legível.

“Se não gostou, poderia apenas ter dito. Mas se for um problema para compreender o que está escrito, posso ajudá-lo a entender, explicar verso por verso e até o ritmo escolhido” O ruivo deu um sorriso calmo. Continuava muito orgulhoso de sua obra para se deixar abater por tão pouco.

Maximillian aproveitou que o garoto tinha abaixado para pegar o caderno para chutá-lo, fazendo-o cair com o rosto no chão, arranhando a face no cimento. Hmn, quem disse que ele não era esperto? Planejara cuidadosamente aquilo, ora! Nada melhor para animar como fazer alguma bicha metida a sabida qualquer voltar para o lugar aonde merecia ficar, ou seja, de cara no chão, ao pés de gente superior.

"Ops, desculpa" Deu uma gargalhada sarcástica. "Eu não tenho o direito de fazer uma coisa dessas..." Viu a mão do rapaz se estendendo para pegar o caderno e pisou nesta, aproveitando para sujar mai um pouco as páginas. "né?"

O garoto levou a outra mão até a face, passando o dedo pela área ardida, constatando com certo alívio que não estava sangrando. Era romântico e poético, mas ele preferia evitar esse tipo de dor por hora. Deixaria tudo como cortesia do eu-lírico. Estava começando a se sentir incomodado com a atitude do rapaz nada educado, principalmente quando seu corpo coía pelo chute e seu caderno era maculado daquela forma. Ah, as torturas que a vida impõe aos poetas!

“É, não tem o mínimo direito. Se compreende isso, qual a grande dificuldade em compreender o significado do que está no papel? Não há mal algum em não conseguir entender o começo de uma obra muito boa, ainda mais quando é só um esboço. Nem todos nascem como visionários” O ruivo ergueu-se, penalizado pelo caderno aos pés do outro. Consolou-se pensando nas páginas como um mártir. Deu o sorriso mais calmo e gentil do mundo, acariciando o próprio machucado.

Maximillian deu um suspiro pesaroso, pegando o caderno e falando consigo mesmo de que nunca teria imaginado que algum dia colocaria os dedos em algo tão ridículo quanto um caderno de poesia.

"Puta que pariu tem gente que não aprende mesmo, né?" Ele fez proveito de sua força física e atirou o caderno por cima da grade, torcendo para que ele caísse na cabeça de alguma outra bichinha que estivesse vagabundeando por lá e poupasse a ele o trabalho de ter que ouvir mais resmungos cheios de 'mimimi' de idiotas como aquele. "Poesia é coisa de merda."

"Na verdade, entrar na justiça é que seria algo desagradável. Se o objeto contendo esboços poéticos o qual você arremessou acertar algum transeunte, você pode ser acionado na justiça. Ops, gostaria que eu suavizasse ‘vão processá-lo e exigir indenização’ com alguma rima ou melodia?” Victor continuou sorrindo, escondendo um pouco o pesar por ter tido seu caderno destruído com tamanha crueldade.

Mais um bully. Eles pareciam brotar da terra, de tão rápido e estúpido que era seu surgimento. Um lamento, tsk. E raramente eram bonitos, os poetas sempre tiveram muito mais charme.

"Depende, quer ir lá embaixo também ver se o seu caderninho acertou alguém?" Ele agarrou o outro pela gola da camisa o arrastando sem dificuldade (afinal o rapazote era muito magro e definitivamente um fracote) até a grade que se encontrava na borda do prédio, a única coisa que separava ambos do chão alguns metros mais abaixo.

"Está vendo agora?" Empurou-o sobre a grade, fazendo-o ficar inclinado o bastante para ter sensação de vertigem e achar que iria cair, embora Maximillian tivesse o total controle da segurança dele em seu punho fechado, agarrado à suas roupas. Obviamente não queria jogá-lo de lá de cima. Assustá-lo era uma opção muito melhor.

Vertigem era eufemismo. Victor engoliu em seco, sentindo uma paralisia momentânea. Já havia feito diversas poesias sobre o céu e a sensação de queda, mas a situação estava começando a ficar ridícula. Aquele rapaz só poderia estar blefando, é claro, mas mesmo assim o ruivo não poderia deixar de sentir e expressar seu medo em lábios entreabertos. Apoiou os antebraços na grade e segurou-as com o entrelace dos dedos, sentindo uma gota de suor frio correr por sua face.

“Você está tão apaixonado pela poesia em seu inconsciente a ponto de apresentar ao poeta a real sensação de queda que o eu-lirico tanto fala?”

Max ignorou as palavras do ruivo, afinal, se prestasse atenção ia ficar com dor de cabeça. No fim das contas, ele que preferiria se atirar do alto do prédio a continuar ouvindo aquilo. De qualquer forma o ligeiro tremor de lábios e a procura por se afastar da grade eram sinais o bastante para dizer ao moreno que Victor estava com medo, muito embora suas palavras apenas o provocassem mais e mais.

"Você realmente está querendo dar um passeiozinho até lá, não?" Desta vez ele deu um empurrão violento no garoto, mas segurou-o firme antes que este pudesse cair.

Victor teve que segurar todos os impulsos para não gritar, no entanto não conseguiu conter um espasmo involuntário de assombro. Tinha noção de sua pele ter se tornado uma porcelana bruta e sem vida, numa palidez fantasmagórica. Ó, infelicidade. Não serviria como grande inspiração para seus projetos ou metas. O ruivo sem perceber, havia, por instinto, segurado nos ombros de Max. Engoliu em seco, mas não desistiu de recuperar o ar sereno, afinal os poetas deveriam ser assim, inspirando as pessoas com o clima de uma poesia bem feita.

“Ah, você está acanhado em não conseguir apreciar a vista toda? Tudo bem, eu descrevo para você. Se me arrumar uma caneta e um papel, claro”

Max lançou um olhar desagradável para Victor por este ter ousado tocar em seus ombros, mas principalmente por não ter conseguido fazê-lo implorar por perdão e por sua vida enquanto chorava horrores, que era exatamente assim como deveria se comportar alguém nojento como ele. Puxou-o bruscamente para trás e o largou, fazendo-o cair de costas no chão pesadamente, arrancando-lhe todo o fôlego que ele havia acabado de recuperar ao ver-se livre da ameaça de cair do prédio.

Para uma pequena chama ardente na alegria de Max, Victor ficou jogado no chão alguns instantes, tentando recuperar o fôlego e conter os gemidos de dor, quase em vão, visto que sons tênues escapavam de sua garganta de maneira contínua. Infelizmente o ruivo não se acostumava com essa raça chamada bully. E mais infelizmente ainda, ele vangloriava-se demais por sua poesia para ficar quieto e submisso.

“Não se preocupe comigo... Era só um rascunho. Eu não me vangloriaria tanto se não soubesse o quão promissor era! E não fique culpado, meu caro, afinal era só um caderno velho. As versões finais estão sãs e salvas.” Falou bem baixinho, quase pesaroso por causa da latência incômoda em seu corpo, mesmo assim, apoiou-se nos braços, erguendo-se aos poucos.

Max encarou Victor com raiva, seu rosto adquirindo um tom corado não por causa do sol, e sim graças à ira que sentia naquele momento. Tudo por culpa daquele moleque irritante, se ele não insistisse em abrir o bico para falar merda, Max estaria feliz e saltitante agora, indo se enncontrar com seus colegas pra se vangloriar do nerd em que acabara de meter um susto daqueles. O ódio apenas serviu para Victor ganhar um chute com mais força, desta vez no braço direito que o ajudava a se levantar, fazendo-o se arrebentar contra o chão novamente. O moreno se agachou ao lado dele e o pegou rudemente pelo pulso, levantando seu braço ao ar.

"O que aconteceria se eu decidisse quebrar essa sua maldita mão agora ein? Quanto tempo você ficaria sem escrever ein, mocinha?" Fez uma pequena pressão com a mão. Enfim o ruivo deixou escapar um gemido de dor bem mais alto e claro, privilegiando os ouvidos de Max com o som que tanto queria ouvir. Não tinha mais tanta certeza se o rapaz ali hesitaria muito em pelo menos torcer seu pulso. Seria incômodo, muito, muito incômodo, fora a dor intensa a qual sabia que sentiria, sem eu-lirico nenhum para dividir a tristeza. Oh, maldição. Como dependia daquele eu-poético infeliz. Contudo, em nome do verso iria se manter firme. Respirou fundo, restabelecendo a calma como podia, embora franzisse a expressão em relativa dor.

“Francamente? Você seria expulso, o que deixaria seus respectivos responsáveis iriam ficar irritados com vossa pessoa. E creio eu, corrija-me se estiver equivocado, que vocÊ não possui eu-lírico algum para culpar. Bem, quanto a mim, se você está tão preocupado com o poeta” Deu um sorriso orgulhoso, ignorando solenemente ter sido chamado de menina. Optou por pensar em suas musas inexistentes e fictícias, elas eram boas moças. “pode ficar calmo, de verdade. Sou ambidestro” Confessou. “E não seria um braço quebrado a me impedir de escrever. Aliás, agradeço muito até a proposta de ajuda! Você me daria dois tipos de dor e agonia para poetar a respeito! Não sabia que você amava tanto a poesia a ponto de se arriscar em nome dela, para criar novas obras! Que profundo”

"Ambidestro, então?" Ele murmurou com um sorrisinho no rosto, que estava longe de ser causado por qualquer tipo de alegria. Ele passou uma das pernas por cima do tronco do ruivo, para sentar-se em cima dele e arrancar todo o ar que lhe restava, além de proporcionar mais uma dor um tanto quanto desagradável e constante. Segurou o pulso esquerdo do rapaz com a outra mão e se divertiu empurrando os dois braços do outro para trás, após unir os dois punhos do garoto, aumentando a pressão que seus dedos faziam ao redor dos pulsos finos, ameaçando, se não quebrar os braços, machucá-los bastante, e provocando latejamento e ardência.

Victor mordeu os lábios com força, causando uma sangria ingrata, tentando, com desespero em clamor do orgulho, evitar gritar, muito embora não pudesse evitar pedidos para que Maximillian parasse com aquilo de vez. O aspirante a poeta não tinha qualquer costume a dor física ou sequer possuía alguma resistência nata, de forma que a tortura tornava-se mais penosa do que sequer o rapaz poderia ter previsto. O ruivo poderia ter sobrevivido muito bem sem saber no concreto como era tal dor. E ele preferia manter a mente apenas ponderando sobre não poder escrever por conta própria como uma situação eternamente hipotética.

“Quanto maior o desafio, mais bela é a lírica no final. É física básica, que até uma criança entende. Lei da Ação e Reação” Gemeu mais alto, fechando os olhos com veemência. “Eu sempre vou conseguir escrever. Mas você vai ter conseguido sua satisfação pessoal por ter ensinado o poeta a ser menos fingidor?”

"Não, eu vou conseguir minha satisfação pessoal quando eu calar essa tua boca." Grunhiu a resposta. Passou a segurar ambos os braços do rapaz mais franzino pelo com apenas uma das mãos, o que não foi um trabalho realmente dificil - ele já havia enfrentado coisas piores do que uma bichinha que não parava de reclamar. Meteu a mão no bolso da calça, tirando de lá de dentro um isqueiro, acendendo-o com a mão livre. "Não seria legal se eu queimasse seus dedos?" Perguntou cruel. "Você ia ficar sem poder escrever por um bom tempo... E ia poder usar a desculpa de que queimou na aula de culinária, né?" Riu.

Victor chegou a pensar que bastaria responder ‘cale a minha boca. Não preciso dela’, mas até mesmo um cretino com mente e lírica reduzidas a um nível absurdamente baixo(bem como deveria ser o QI) conseguiu perceber que a verdade ferramenta para o ruivo eram suas mãos. Ou talvez Max sequer tivesse noção de sua descoberta e agisse no impulso da violência. Seria lamentável se o garoto não estivesse ocupado se lamentando por um possível destino fatídico para sua arte. Maldição.

“Não vai ser uma desculpa louvável em verossimilhança. Só se seu objetivo for uma expulsão.” Victor grunhiu, sem conseguir conter os gemidos altos e sofridos, seus olhos começando a ser tomada em brumas com lágrimas. Todavia, ceder seria quase uma ofensa à sociedade poética, de modo que fechou os olhos com força, reprimindo qualquer líquido, mesmo que isto significasse quase deixar gritos baixos escaparem de sua garganta.

O sorriso de Maximillian aumentou, o deixando com um olhar predatório. Os gritos do rapazinho o deixavam muito satisfeito - enfim o outro havia passado a se comportar como deveria... Tinha se colocado no seu devido lugar de infeliz que deveria implorar por perdão. Max riu, aproximando a chama das mãos de Victor lentamente, se divertindo com a face agoniada do garoto, que se contorcia cada vez que ele aproximava mais e mais o fogo de seus dedos. É claro que sua felicidade toda se apagou junto com o sorriso quando ele ouviu uma voz bem conhecida gritando de longe.
"Maximillian, o que você pensa que está fazendo?" Yuri gritou da porta da escada. Por sorte ainda estava longe, e acabou não vendo quando Max quardava o isqueiro rapidamente de volta no lugar e se punha de pé, soltando Victor com um olhar de 'fale disso e eu te mato'.

Um suspiro aliviado interrompeu a respiração de Victou e ele agradeceu às musas por tal graça. Esperou alguns segundos antes de abrir os olhos, apenas garantindo que as lágrimas não cairiam. Maximillian tinha um olhar um tanto assustador, -‘feroz’, teria escrito em seu caderninho se ainda o tivesse - , todavia, seria necessário mais do que isso para intimidar o garoto. Ele agüentava bem imagens e idéia. Um bom exemplo do necessário era exatamente o que acontecera antes, um dose boa de força física, o corpo sofrendo. Victor haveria de se lembrar de escrever inúmeras dedicatórias para o louvável professor de matemática, apesar de ser relativo se Yuri iria sequer se importar. Bom, ouvir a consciência bastaria, pelo menos. Em uma vingança sutil, bem como deviam ser as entrelinhas dos poemas, o ruivo mostrou o pulso para Maximillian, sem o menor pudor em chamar atenção para as marcas de dedos.

“Vai começar a louvar a escrita agora, me pedindo para criar uma desculpa para você?”

"Não me toque." Ele resmungou, afastando a mão de Victor com movimento brusco de seu braço, para depois cruzar os próprios e olhar para Yuri, que estava boquiaberto.

"Se não vai dizer nada, to indo embora, tchau" Comentou, andando até a escada, mas sendo parado pelo professor, que segurou-o pelo ombro e ganhou um olhar mais assustador e raivoso ainda.

"Maximillian... Você sabe que eu tenho que te levar para a cordenação, certo?" Perguntou em um tom um tanto quanto controlado, mas natural para ele.

Poderia ser tentadora a idéia de vingança, até demais. Victor, por outro lado, preferiu se abster de confessar todas as atrocidades cometidas por Maximillian. Por simplesmente não descer ao nível e também para não acabar se prejudicando, denunciando sua presença, revelando claramente que era outro cabulando aula. Só comentaria algo se fosse pego e obrigado a falar. Sentou-se num canto um tanto exilado, bem quieto, evitando qualquer tipo de ruído que não fosse o de sua respiração, mas ainda assim permanecendo acordado e atento, curioso para ver o desfecho da situação.

Entretanto, seu coração acelerado devido ao estresse anterior o atrapalhava, distraindo-o. O aspirante a poeta sabia que deveria se acalmar. Era só a vida real fora de um livro de fantasia. Ia passar. Não fora nada. Só um susto. Ele ainda podia escrever e Maximillian não tinha mais meios para feri-lo.

"Que seja." Maximillian desceu as escadas correndo, sendo acompanhado com dificuldade por Yuri, que, ao chegar na coordenação, estava corado e respirando pesadamente pela corrida.

"Senhora..." Ele falou para a conselheira educacional, que sorriu gentilmente para ele e deu-lhe um tempo para descansar. "Peguei este meu aluno matando aula e..." Ele ficava meio sem graça para contar estas coisas. "Incomodando um outro aluno..."

"Batendo nele." Maximillian o corrigiu, com olhar de poucos amigos, o que atraiu a atenção da amável senhora. Ela o colocou em uma cadeira e o deu um sermão de meia hora, tudo dito muito gentilmente, claro, e no final, só deu-lhe o resto da semana de suspensão, ao que Max falou mal educadamente que ela poderia ter cortado o papo e dado uma expulsão, saindo da sala.

"Esses alunos não tem jeito mesmo." Yuri comentou, sorrindo embaraçado.

"Ah, eles mudam sim." Ela alegou. E mal sabia ela que dentro de alguns dias seria provada estar terrivelmente certa.


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