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A Partida Da Lenda de Chabert
Nunca mais aquela pequena cidade no interior da França seria a mesma – afinal, a cidadã mais ativa da cidade estava partindo em busca de novas aventuras que pudesse viver, novas experiências que pudesse ter. Beatrice-Marie Nerbaunt era a lenda vida da pequena Chabert, aos vinte e três anos, por ter um espírito mais alegre do que a maioria das pessoas daquele lugar e uma vivacidade que a maior parte dos adultos considerava desesperadamente espontânea e natural.
- Aquela Beatrice... Ela é a filha do pobre Sargento Nerbaunt. Quem poderia pensar que alguém como ele teria uma filha tão desobediente, tão indisciplinada... – era o que a Sra. Bordeaux repetia para sua filha de nove anos toda vez que a jovem Nerbaunt ou um de seus atos notáveis eram mencionados.
O que a Sra. Bordeaux nem podia imaginar era que a jovem Babette sonhava em fazer todas as coisas loucas e insanas que Beatrice já tinha feito ou ainda iria fazer – e talvez mais. A herdeira dos Nerbaunt era uma heroína aos olhos de Babette e de mais de todas as crianças daquela cidade cruelmente chata, infestadas de habitantes amuados que não conseguiam suportar o fato de que alguém tinha a coragem de fazer o que quisesse sem se preocupar com o que os outros iriam pensar.
Os olhos verdes de Babette assistiam atentamente através de uma das janelas de sua casa o movimento na rua e na casa bem em frente à sua. Era lá que Beatrice-Marie morava. Muitas crianças esperavam para vê-la partir no banco de trás da motocicleta vermelha, branca e azul que estava estacionada no meio do jardim que estava sem flores devido à época do ano. Babette desejou que pudesse estar lá também, mas sua mãe tinha claramente proibido a garota de colocar os pés para fora de casa.
A criança viu quando, finalmente, Beatrice-Marie saiu pela porta da frente do sobrado amarelo com um sorriso em seu rosto seguida de seu namorado americano chamado Brad – como Brad Pitt, mas menos loiro. Ela usava uma jaqueta bege com detalhes coloridos bordados nela e suas botas brancas estavam por cima de sua calça jeans justa. O cabelo escuro da garota estava preso num firme rabo de cavalo e escondido debaixo do capacete.
Brad rapidamente acenou para as pessoas e subiu na motocicleta. Beatrice fez o mesmo depois de abraçar seus pais e irmã. Brad ligou o motor e Babette sorriu, detrás da janela, um sorriso triste: Beatrice não iria se lembrar dela. O barulho da motocicleta aumentou quando ela começou a se mover. Babette notou quando Beatrice-Marie se virou para trás e acenou, olhando diretamente para ela.
A garotinha foi rápida em responder com um aceno próprio e, ao mesmo tempo que seu sorriso se encheu de felicidade, uma chama de esperanço e coragem se acendeu em seu pequeno coração.