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Author: Alex Nox
Fiction Rated: M - Portuguese - General/Angst - Reviews: 1 - Published: 03-29-07 - Updated: 08-18-08 - id:2340754

Ela Morreu em Êxtase

Nunca me acometeram

Impulsos idosos

Mas lá estava ela

Senhora de corpo, jovem em mente

E ainda assim

O maracujá de gaveta (no caso limítrofe) possui beleza peculiar

Pescoço de galinha

Nunca me foi atraente


E nunca fui avesso

a aventuras com pessoas estranhas

Mas aquela dama

Fez algo eclodir em minhas entranhas

A perfeita estranha

Que demoliu meus terminais nervosos


(e não por necessidade

bem sei que sou ímas

e conas metálicas

na passividade)


Dia bizarro

O quarto

A colcha rota de retalhos remendados

O cheiro de urina

O cheiro de banheiro

O cheiro de tabaco queimado

Tudo levava e elevava minha loucura


E os berros

Enquanto fazia o favor

(a mim ou a ela)

Mata-me de prazer!

Kill me ce soir!

Enquanto penetrava as rugas

Mata-me em êxtase!

E mal sabia que o pedido era literal

E mesmo que não o fosse

Ainda assim foi atendido


A pressão parou o coração fraco e enrugado

Senti em meus braços esvanecer

Sublimar

A vida e o prazer

Serotonina e princípio ativo

E aquilo me fez gozar.


Na distensão dos músculos

Olhei para baixo

Encontrando órbitas enormes, vazadas, negras, vazias

Nariz-preto-triângulo

E eterno sorriso sem lábios

Caíra numa cratera dura e irregular


E aquilo não só me levantou o ânimo

Como me criou obrigação

De fazer de novo

Sem nem sair do lugar

E será que podem me acusar

De assassino?

Dei-lhe a melhor das mortes

Um último consolo

E com todo dolo

Culpado de felação

Não de felonia


E finalmente conheci

Entendi

Provei da flor de Azevedo e dos Anjos

Do escarro e da podridão


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