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Ela Morreu em Êxtase
Nunca me acometeram
Impulsos idosos
Mas lá estava ela
Senhora de corpo, jovem em mente
E ainda assim
O maracujá de gaveta (no caso limítrofe) possui beleza peculiar
Pescoço de galinha
Nunca me foi atraente
E nunca fui avesso
a aventuras com pessoas estranhas
Mas aquela dama
Fez algo eclodir em minhas entranhas
A perfeita estranha
Que demoliu meus terminais nervosos
(e não por necessidade
bem sei que sou ímas
e conas metálicas
na passividade)
Dia bizarro
O quarto
A colcha rota de retalhos remendados
O cheiro de urina
O cheiro de banheiro
O cheiro de tabaco queimado
Tudo levava e elevava minha loucura
E os berros
Enquanto fazia o favor
(a mim ou a ela)
Mata-me de prazer!
Kill me ce soir!
Enquanto penetrava as rugas
Mata-me em êxtase!
E mal sabia que o pedido era literal
E mesmo que não o fosse
Ainda assim foi atendido
A pressão parou o coração fraco e enrugado
Senti em meus braços esvanecer
Sublimar
A vida e o prazer
Serotonina e princípio ativo
E aquilo me fez gozar.
Na distensão dos músculos
Olhei para baixo
Encontrando órbitas enormes, vazadas, negras, vazias
Nariz-preto-triângulo
E eterno sorriso sem lábios
Caíra numa cratera dura e irregular
E aquilo não só me levantou o ânimo
Como me criou obrigação
De fazer de novo
Sem nem sair do lugar
E será que podem me acusar
De assassino?
Dei-lhe a melhor das mortes
Um último consolo
E com todo dolo
Culpado de felação
Não de felonia
E finalmente conheci
Entendi
Provei da flor de Azevedo e dos Anjos
Do escarro e da podridão