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Fiction » General » Meus dias, Meus amores, Minha vida font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Litha-chan
Fiction Rated: M - Portuguese - General/Romance - Reviews: 3 - Published: 04-19-07 - Updated: 04-19-07 - id:2349801
História Original: Meus dias... Meus amores... Minha vida.
Escritora: Litha-chan
Gênero: Yaoi, Romance, Angst, Lemon - Classificação: + 18 anosPersonagem principal: Fernando Carvalho e Souza
Iniciada: Fevereiro 2007. - Status: Em andamento
Montagem de Capa: Litha-chan - Editor: Photoshop CS2
Imagens: Capa de um book craquelado (creio) + flores de sakura (para mais efeito) + foto de um modelo (imagem respeitando os royalties (??)) gostoso que se encaixa na descrição do personagem.

Nota: Só para esclarecer, a história segue quase parecendo como um diário. Eu disse ‘quase’. Assim, saberemos o que acontece com o personagem principal. Vai ser abordado também os outros personagens que forem surgindo. Ah, explico que provavelmente terão palavreados fortes. Afinal, estamos falando da vida de um rapaz, e como tal, homens não usam palavras 'bonitinhas'. Espero que não fiquem tão chocados caso parem para ler

Boa Leitura


Meus dias... Meus amores... Minha vida.


-

◙ 6 de Março de 2006.

O dia já começou irritantemente bem para não dizer o contrário. Ser posto para fora de sua cama aos berros por sua mãe, de mente doentia, não posso dizer que me atrai. Mesmo que o motivo disto fosse o meu enorme atraso para aula. Mal tive tempo de me arrumar, o que dirá de tomar café, realmente estava muito atrasado e como não estava disposto a ter mais um atrito com a ‘mamãe’, acabei pegando minha mochila e saindo de casa as pressas.

-o-o-o-

É incrível que quando você mais está com pressa, tudo acaba dando errado. O ônibus demora, você descobre que esqueceu de fazer algumas coisas importantes, como por exemplo colocar o trabalho de metodologia na mochila, ou que o dinheiro está curto e que você também esqueceu de colocar a droga do cartão do banco dentro da carteira.

Cheguei mais do que esbaforido na faculdade. Se meu estado já não era um dos melhores quando sai de casa, o que falar na minha situação atual.

Bem, as duas primeiras aulas eu já havia perdido. Não sou do tipo entrar na cara dura no meio da segunda aula e sentar como se nada ocorrera. Certo, eu faço isto algumas vezes quando a aula é importante, mas não com duas aulas perdidas e eu tendo que entregar um trabalho. Resolvi então ir para o único lugar que me tranqüilizaria, a biblioteca.

Nem bem entrei na biblioteca e já dei de cara com Anna, a responsável pelo local. Não tenho nada a falar contra ela, pelo contrário, ela é uma senhora maravilhosa, até porque me deixa ficar horas a fio aqui dentro até mesmo quando ela fecha para hora do almoço. Nos conhecemos antes mesmo de me tornar aluno daqui, uma vez que eu já freqüentava a biblioteca da instituição quando ainda cursava o segundo grau. Facilidade de se ter uma faculdade ao lado de seu colégio. Bem, passei por ela e fui para o meu segundo local preferido ali dentro.

Porque segundo local e não o primeiro? Longa história. Conto outro dia.

Olho para os corredores e suspiro, decidindo realmente ficar na área mais clara. Ainda tenho boas e, ao mesmo tempo, péssimas recordações sobre isto. Nas minhas mãos seguro alguns livros sobre história das civilizações antigas. Tenho um fascínio por estes assuntos mesmo não os cursando.

O que posso dizer? Eu gosto de tantas coisas...

Agora que estou sentado e voltando a minha atenção para as folhas, de coloração amareladas, me sinto em paz. Infelizmente esse momento de paz é tão passageiro... Quando olho para minha frente ao ver uma sombra, vejo quem eu menos gostaria de encontrar.

-Ai está você... Novamente enfurnado nesses livros, Fernando?

Meu cérebro estava levando um tempo considerável para raciocinar e arquitetar uma boa resposta, mas olhar para ele, ali, parado a minha frente com aquele sorriso nos lábios... tentadores...

-O que você quer, Marcelo?

Tenho noção de que minha voz tenha saído em um tom nada simpático.

Como eu poderia ser simpático com ele?

Não depois de tudo. Não depois daquilo.

-Vim porque senti saudades, ora...

Ele tinha debruçado o corpo e seu rosto estava bem perto. Perigosamente perto. Eu podia sentir o perfume entrando pelas minhas narinas e isso estava começando a me deixar preocupado. A aproximação estava fazendo meu corpo estremecer. Mas aquelas palavras... ‘Vim porque senti saudades, ora...’.

Involuntariamente comecei a rir baixo. Um riso amargo.

-Sei... Saudades... De que? De me humilhar?

Ele balançou a cabeça negando ao mesmo tempo em que ainda mantinha o olhar preso ao meu.

-Olha Marcelo, eu hoje não estou para piadinhas, saca? Péssimo despertar, péssimo segmento de dia, e com você na minha frente só tende a piorar o restante.

-Você me odeia tanto assim, Fernando?

Se eu o odeio? Não. Odiar é algo que raramente acontece comigo, mas se ele perguntasse se eu tenho mágoa... a resposta seria mais do que óbvia.

-Você me odeia, Marcelo?

-Você não me respondeu, Fernando. Pare de rebater uma pergunta com outra.

Paro e penso por poucos, e meros, segundos antes de responder.

-Eu tenho mágoa.

-E eu não te odeio, Nando.

Tombo minha cabeça um pouco para o lado, ainda o olhando. Um sorriso triste, e amargo, nos meus lábios.

-Não foi o que me pareceu há duas semanas atrás.

Ele ficou me olhando e eu rapidamente querendo encerrar aquele assunto, porque lembrar dói e muito, comecei a arrumar os livros, recolhendo-os para ir embora. Meu peito ainda doía.

-Aonde você vai?

Viro o meu rosto, já de posse dos livros nos braços, fitando os olhos verdes antes de ir e apenas deixo minha voz sair de maneira sentida...

-Estudar, me distrair, ler em paz em outro lugar sem ter fantasmas por perto.

Sai deixando-o para trás. Não volto meus olhos para ele, não quero e nem preciso sentir meu chão sumindo, se o olhar sei que irei fraquejar.

-o-o-o-

Juro, eu precisava achar um buraco mais próximo para me enfurnar. Apesar de ter certeza que poderia esbarrar em Marcelo durante o dia na faculdade, não imaginei que ele fosse atrás de mim.

Eu sai tão abalado da biblioteca que até mesmo esqueci de devolver o que tinha pego. Sinal que minha mente estava um caos e a frase que um amigo meu sempre usava, não lembro de onde ele tirou isso: Welcome My World!. Para mim tinha uma tradução bem irônica. ‘Bem Vindo ao Meu Inferno!’.

Ok. Hoje definitivamente eu não deveria ter posto os pés para fora de casa...

-Olha só que ta vindo ai... a bichinha do segundo período...

-Deve ter acabo de dar pra ta com essa cara de dor.

-Ué, mais não deveria estar sorrido?

Uma vontade enorme de sair socando aqueles infelizes me percorreu o corpo, mas sinceramente... melhor não. Do jeito que o dia estava, era bem capaz de algo de pior acontecer e claro, comigo.

Apertei os passos virando o corredor e subindo logo as escadarias. Eu não estava bem e precisaria de algum local para refrescar a cabeça, e um local onde alunos não autorizados - apenas os estagiários tinham passe livre - não poderiam colocar os pés era justamente a coordenação.

-Oi Nando! Ainda está cedo para você aparecer por aqui, rapaz.

-Cleide... – Minha voz saiu baixa e tive que prender um soluço.

-Humm, ok. Entra ai, fica lá nos fundos e aquiete sua cabeça. Se quiser tem bolo de chocolate. Aquele que você gosta.

Eu estava olhando diretamente para ela em um agradecimento mudo.

O que posso comentar sobre ela... A Cleide trabalhava na faculdade a mais de vinte e sete anos. Cursou psicologia e por conhecer o dono e fundador da instituição acabou sendo chamada para trabalhar com eles. Primeiro dentro de sua área de atuação prestando atendimento para os moradores da localidade, depois ela foi designada para secretaria, e agora estava vinculada às coordenações – de todos os cursos – e ao apoio acadêmico. Mas o que mais impressionava naquela mulher, já uma senhora de idade muito bem conservada, era que ela apenas olhando para a pessoa sabia se a mesma estava bem ou não. E comigo nunca era diferente.

Cortando o contato visual com ela, me direcionei para a parte de trás da saleta. Joguei mu corpo na cadeira que tinha ali, e apoiei minha cabeça na mesa fria.

Cara... Encontrar com ele me abalou muito, mas escutar aqueles idiotas e lembrar do que acontecera antes...

Lá tava eu chorando. Que merda!

Confesso. Eu sou um cara emocional demais. Se gosto de algo eu demonstro, se não gosto eu fico mais do que incomodado e com o tempo acabo me afastando, ou corto de vez.

Com Marcelo eu me afastei de vez, mesmo tentado a... Bosta! Como se afastar de uma pessoa que se ama?

Antes de tudo acontecer, nos dávamos bm, riamos juntos, curtíamos juntos... Tudo bem que ele nunca saiu comigo perto de seus amigos, ou nunca ficava comigo quando os caras estavam por perto na faculdade, mas fazer aquilo...

De tanto que pensei, repensei, e me amofinei acabei por cochilar. Todo o sono acumulado pareceu desmoronar sobre meus ombros e acabei dormindo. Só sei que acordei com a Cleide a me chamar, e isso já eram duas da tarde. Horário que eu entro no atendimento do setor, ali no apoio acadêmico.

Tenho que admitir que estagiar ali era uma maravilha. Além de ter cafezinho sempre fresco – e eu era um viciado assumido -, eu não conseguia parar um minuto sequer para me sentir invadido por pensamentos inconvenientes...

Era um corre-corre entrando pelas salas dos coordenadores. Eu tinha acesso até mesmo as provas, testes e uma infinidade de coisas. A única desvantagem, era que eu não tinha acesso as provas do meu curso, mas isso seria pedir demais. O dia que o coordenador de Biologia me deixasse ver algumas das provas, eu teria um infarto de felicidade.

Mas bem... Passei das duas da tarde até as dez da noite ali. Ok, como estagiário eu deveria ter me mandado as oito em ponto da noite. Seis horas de estágio como estava no contrato, mas eu nunca conseguia sair dali às oito horas. Em parte porque eu mesmo não queria. E era bom ficar porque assim eu podia conversar e conhecer mais gente. Pessoas não preconceituosas, novatos, ver alguns professores, marcar uma partida de vôlei com o pessoal de Educação Física na parte da noite... Me refiro ao pessoal que cursa a noite.

E de fato, ficar até o final do expediente foi à coisa mais certa.

-E ai Fernando, cara, você pode me dizer se o Amauri ainda ta ai na coordenação?

-Cícero, ele se foi tem uns vinte minutos, cara.

-Droga! Ele tinha me pedido uns bagulhos pro curso...

-Amanhã ele vai estar aqui. Volta aqui amanhã e entrega.

-É o jeito mesmo. Mas perae, o que você ainda ta fazendo aqui?

-O de sempre Cícero... O de sempre.

-Só você mesmo para gostar de ficar preso dentro dessa faculdade o dia todo.

-Ah, isso já me acostumei, tem erro não.

-Que tal uma carona? Moro perto mesmo né...

-Ótimo! Porque pegar ônibus há essa hora é um sufoco. Demora demais.

-Então vamos embora cara.

Sai da coordenação segurando a mochila pesada – já que os livros da biblioteca ainda estavam comigo – nas costas, seguindo Cícero em direção ao estacionamento ao lado da faculdade.

Tenho que comentar que Cícero é um cara bem bonito. Cabelos e olhos castanhos, alto – creio que em torno de 1,90cm -, porte atlético, divertido, mas extremamente... como posso definir bem.. ‘Presente’.

Cícero estava sempre se prontificando a conseguir benefícios para o curso de Administração, vínculos de estágios, visitas em grupo em determinadas empresas conceituadas, e uma gama de outras coisas.

Mesmo não sendo um estagiário da faculdade como eu, Cícero até mesmo perambulava pela coordenação pelo simples fato dele ser uma ponte entre o coordenador Amauri com todas as turmas de ADM.

Eu diria que ele ta mais para relações públicas.

E durante o nosso trajeto, conversávamos sobre os professores, as oportunidades de estágio que ele conhecia, data de provas...

Não demorou muito e notei que estávamos chegando. Ele poderia ter me deixado na rua dele mesmo. Não teria problema andar uns dois quarteirões, exercício faz bem, mas teimou em me levar, e logo estava eu entrando em casa.

-Fernando... A comida está no fogão. Esquente e coma se quiser. Se sujar é melhor lavar que há esta hora não tem mais mãe-empregada não.

Ah... como eu adoro a sutileza materna... Pra que ela vai falar algo que eu já faço a muito mais tempo do que me lembro?

Comi os ‘restos’ que ela me deixou, lavei e enxuguei a louça e talheres, guardei-os como sempre e fui direto para o banheiro tomar meu banho. Ok, dei uma pequena passada no meu quarto para deixar a mochila, pegar uma cueca limpa e a toalha.

E como sempre, embaixo da água morna, aquela maldita fala invadiu minha mente. ‘Vim porque senti saudades, ora...’. Com tanta coisa para pensar, tinha que minha maldita mente mandar logo essa?

A mente humana é escrota. E se pudéssemos controlar, separar, escolher o que iríamos dar asas ao pensamento seria uma maravilha. Mas como ela é escrota e a situação ainda mais...Lá estava eu pensando nos acontecimentos...

Os beijo...os toques... os corpos...os gemidos... A felicidade... Os xingamentos... A humilhação... A briga... A desilusão...

Quando dei por mim já estava estirado por sobre a cama, olhos ardendo e a merda do meu nariz entupido.

Cara, eu queria ser menos emotivo e ser mais: ‘Foda-se todo mundo!’

Só sei que depois de tudo apaguei totalmente.

-

Continua noutro dia...

Bem, olha eu aqui com uma das minhas fics originais que estavam engavetadas...

Apresento a vocês o Fernando Carvalho e Souza. Nando para alguns.

Vocês devem estar se perguntando o que aconteceu para ele não desejar falar com o Marcelo, certo? Alguém tem alguma opinião sobre?

Bem, eu tenho vários rascunhos de fics originais, e vários personagens, mas escrever com eles é complicado porque acreditem ou não, alguns deles parecem ter vida própria, e imagem como é para controla-los né...rsrs

Bem, espero que tenham se interessado por esta história. Ela não está betada. Creio que minhas fics originais não terão betas.

Quem desejar ver a carinha do Fernando e capa desta fic, é só acessar meu Live Journal...

http // litha-chan. livejournal. com (Por favor, juntem os espaços)

Beijo para quem passa por aqui, que comenta e me incentiva.

Litha-chan


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