| Home Just In Communities Forums Beta Readers Dictionary Search | Login Register Extras |
Capítulo 1
- Lúcia, vai ser apenas por dois dias.
- Tudo bem, Clara! Você sabe que não gosto muito de crianças, mas vou cuidar dela pra você.
- Não posso perder esse negocio, minha irmã. Ele é muito importante para a minha carreira e para o futuro da minha filha.
- Ok! Eu e o Paulo ficaremos de olho nela. Não se preocupe! Vá descansada.
- Mariana, minha filha. A mamãe vai fazer uma pequena viagem. Enquanto isso, você fica aqui na casa da tia Lúcia e do tio Paulo. Quero que seja uma boa menina e os obedeça. Faça tudo o que eles mandarem.
- Tá bom, mamãe!
- Daqui a dois dias volto pra te buscar. A mamãe te ama muito, não se esqueça disso – falou minha mãe enquanto me abraçava forte e ia embora.
Aquela foi a última vez que a vi. Eu tinha oito anos.
No dia seguinte, minha tia recebeu um telefonema que a deixou muito estranha. Ela e o tio foram para o quarto e começaram a discutir. Percebi que falavam de mim e resolvi ir até lá para saber o que era. Bati na porta e minha tia, com cara de zangada, a abriu.
- O que foi, garota?
- Aconteceu alguma coisa, tia?
- Aconteceu sim, Mariana. Sua mãe foi embora e te abandonou. Você é uma menina feia e má. Por isso, ela não te quis mais.
- É mentira! Mamãe me ama! – gritei, levando um tapa no rosto.
- Nunca mais grite comigo, sua fedelha! Vou fazer um favor de te criar, então é bom que se comporte. Não tenho paciência pra crianças e muito menos quando elas choram.
- Mamãe nunca ia me deixar! – choraminguei, levando outro tapa.
- Você está me chamando de mentirosa? – perguntou minha tia em tom ameaçador.
Aqueles dois tapas doeram muito e então resolvi negar. Não queria receber mais um.
- Vou ir pegar o resto das suas roupas. Você fica aqui com o tio Paulo. – resmungou minha tia, pegando a bolsa e saindo.
Voltei pra sala e comecei a chorar baixinho. Mamãe sempre me dera muito carinho e fiquei me perguntando o que tinha feito de errado para ela não gostar mais de mim.
Meu tio veio logo depois, se sentou ao meu lado e me abraçou.
- Esses tapas devem ter doído, né? – perguntou em tom acolhedor.
- Sim, tio. Mas doeu menos do que saber o que minha mãe fez.
- Se você for uma boa menina, um dia te conto um segredo – disse dando um beijo no meu rosto.
O olhar dele parecia diferente e eu fiquei ali, chorando em seus braços, até adormecer.
Na semana seguinte, minha tia me acordou bem cedinho.
- Arranjei um trabalho, Mariana e não terei tempo de cuidar da casa. A partir de amanhã, você irá acordar mais cedo para fazer o nosso café da manhã antes de ir pra escola. Quando chegar, fará o almoço e depois irá arrumar a casa toda.
- Como se faz isso, tia?
- Mas como você é burra, hein!?! Arrumar a casa é varrer e passar pano no chão, tirar pó dos móveis, lavar o banheiro. Também terá que lavar as roupas e passá-las e fará as compras.
- É muita coisa! Mamãe dizia que criança não deve trabalhar.
- Sua mãe te abandonou, pirralha! Ela não quis mais você! Então, esqueça que ela existiu. E se quando eu chegar em casa, algo estiver desarrumado, você ficará sem jantar e ainda te darei uma surra. Você entendeu?
- Sim, tia.
- Ótimo! Agora vem comigo que vou te ensinar a arrumar tudo.
Minha tia me mostrou onde ficavam todas as coisas que eu precisaria. Ela era muito exigente e eu tinha muito medo dela.
Acabei ficando atrasada e meu tio me levou de carro para a escola. Durante o caminho, notei que ele me olhava muito.
- Você é muito bonita, Mariana!
- A tia Lúcia diz que sou feia.
- Mas eu acho você bonita. A partir de amanhã, almoçaremos sozinhos. Não precisa ficar preocupada que te ajudarei a fazer o almoço.
- Verdade, tio?
- Sim. E depois brincarei um pouco com você. Quer?
- Quero sim – respondi, animada.
Gostava do meu tio. Ele era sempre carinhoso, ao contrário de minha tia. E desde que eu chegara naquela casa, não pude brincar porque ela não gostava de barulho.
Quando cheguei em casa no dia seguinte, o almoço já estava pronto. Meu tio comprara uma pizza e comemos com gosto.
Ele fazia brincadeiras e eu me diverti muito.
Depois foi pra sala ver televisão e fiquei lavando a louça. Meu pai morrera antes do meu nascimento e então, eu via o tio como um segundo pai. Queria que o meu tivesse sido como ele.
Fui pra sala e meu tio se levantou me pegando no colo. Me abraçou forte e deu um beijo demorado na minha bochecha. Eu estava descalça e meu pé roçou na sua parte íntima. Senti algo duro e me assustei.
- Não tenha medo, Mariana. Isso não é ruim e sim, bom. Faz a pessoa feliz. Encosta de novo e fica mexendo com força.
O obedeci e percebi que ele fazia uma cara de satisfeito. Fiquei feliz. Era bom saber que alguém se alegrava como o que eu fazia.
- Lembra que você disse que brincaria comigo?
- Lembro, tio.
- Vamos brincar de marido e mulher.
- E como se brinca disso?
Meu tio me levou para o quarto dele e me deitou na cama.
- É assim. A gente finge que é marido e mulher e fazemos o que eles fazem quando estão juntos.
- Mas eu não sei o que eles fazem, tio.
- Eu vou te ensinar, Mariana. Começa assim – disse ao me beijar.
Foi estranho sentir aquela língua adentrar a minha boca. Ele a mexia como se quisesse brincar com a minha.
- Gostou?
- É estranho, tio. Não podemos brincar de outra coisa?
- Você não gostou da minha brincadeira? – perguntou meu tio, triste.
Me senti mal. Estava deixando a única pessoa que gostava de mim triste. Então, menti dizendo que estava gostando.
- Ótimo! Vem, me dá mais um beijo.
Tentei imitá-lo e comecei a brincar com a língua dele.
- Muito bem, Mariana. Você está indo muito bem.
Como era bom ouvir aqueles elogios! Se aquilo fazia o meu tio feliz, ia tentar fazer da melhor forma.
Ele abaixou as calças e a cueca. Me assustei ao ver seu membro grande e ereto.
- O que é isso, tio?
- Vou te mostrar. Não precisa ter medo. Me dá a sua mão.
Ele a pegou e colocou no seu pênis. Era quente e duro. Ele foi manejando a minha mão, ensinado-me a masturbá-lo.
Às vezes, dava gritinhos e percebi que eram de felicidade. Estava me saindo bem.
- Agora você coloca a boca nele.
- A boca?
- É. E chupa como se fosse um pirulito.
Meu tio estava tão alegre que não consegui negar. Meio sem jeito, fui colocando ‘aquilo’ tudo na boca e cheguei a engasgar.
- Não precisa chupar tudo. Sua boca é pequena. Pode ser só o bico. Passa a língua devagar. Isso, assim mesmo!
Fiquei ali, o lambendo, até que de repente um líquido quente invadiu minha boca. Assustada, parei o que estava fazendo e cuspi.
Ele ficou irado e me deu um tabefe.
- Nunca mais cuspa isso. Ainda mais aqui nessa cama. Agora você vai ter que lavar o lençol.
Chorando, me encolhi toda com medo de que ele me batesse mais. Sua mão era grande e o tapa tinha doído muito.
- Não precisa ter medo! – falou ele vendo o meu gesto. – Não vou te bater. Fiz isso porque gosto de você, Mariana, e quero te ensinar o que é certo e o que é errado. A brincadeira só termina quando você engolir esse líquido. Esta me entendendo?
Assenti com a cabeça.
- Seu rosto vai ficar marcado. Precisamos arranjar uma desculpa porque a tia Lúcia não pode saber que a gente brincou junto, ok?
Mais uma vez assenti com a cabeça.
- Já sei, vou dizer que você derrubou suco na cama e por isso te dei um tapa e te coloquei pra lavar o lençol. Vem aqui perto de mim, Mariana.
Ainda com medo, fui chegando perto dele devagarzinho.
- Rápido, garota! Não tenho o dia inteiro. Ainda tenho que voltar ao trabalho. Agora me abraça e me beija.
- Não quero mais brincar disso, tio.
- Você quer que eu deixe de gostar de você?
- Não, tio.
- Então vai brincar comigo todas as vezes que a tia não estiver em casa. Agora me beija do jeito que te ensinei! – falou ele me abraçando. – Muito bem, agora vou trabalhar. E não se esqueça, Mariana. Ninguém pode saber da nossa brincadeira. Se você contar, vou dizer que é mentira e todo mundo vai te odiar, inclusive eu. Você quer isso?
- Não, tio – respondi muito assustada.
- Ótimo! Vou indo então. Um beijo, minha linda.
Voltei pro quarto e tirei o lençol pra lavar. Depois arrumei a casa toda e fiquei esperando a minha tia voltar.
Durante um ano minha vida foi assim. Acordava cedo para fazer o café, ia pra escola, chegava em casa, fazia o almoço e depois brincava com o meu tio. Quando ele voltava pro trabalho, eu arrumava a casa toda e uma vez por semana ainda ia ao supermercado. Não contava isso pra ninguém e sempre que eu chegava machucada, mentia para a professora dizendo que tinha caído.
Depois do primeiro ano, minha tia engravidou.
Eles não queriam filhos, mas achavam que precisavam mostrar para os outros que eram felizes.
Quando ela tirou a licença-maternidade, meu tio foi ficando mais agressivo e intolerante. Não podíamos brincar e ele ficava impaciente com isso.
Finalmente a criança nasceu.
Era uma linda menina. Nessa época, eu tinha acabado de completar dez anos e achava que com o bebê, minha tia ficaria mais dócil e tolerante.
Bastaram dois dias para que eu percebesse que estava completamente errada.