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Fiction » Essay » Inocência Perdida font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: gataportuguesa
Fiction Rated: M - Portuguese - Angst/Drama - Reviews: 1 - Published: 07-04-07 - Updated: 09-29-07 - id:2385924

Capítulo 3

Livre de qualquer repreensão por parte da tia Lúcia, meu tio já não escondia seu desejo por mim.

E por mais que eu quisesse fugir das suas carícias, não conseguia.

Fiquei duas semanas sem ir à escola por causa dos machucados e nesse tempo, fui violentada todos os dias.

Às vezes, achava que o tio Paulo gostava do meu sofrimento. Aqueles momentos eram torturantes em todos os sentidos, mas ele ficava rindo e debochando do meu desespero.

Fui pra aula e logo na entrada encontrei o Rubens.

- Que bom te encontrar, rapaz! – falou meu tio. – Tenho um aviso pra você!

- Aviso?

- Isso. Fica longe da minha sobrinha. Se eu te ver novamente perto dela, você vai se arrepender.

- Isso é uma ameaça? – perguntou Rubens, desafiante.

- Entenda como quiser, seu moleque. Só não diga que não avisei! – rebateu tio Paulo indo embora.

Com medo, fui direto para a sala, sendo seguida pelo meu amigo.

- Mariana, por que você faltou todos esses dias? – perguntou ele, preocupado.

- É melhor não conversarmos mais. Meu tio é perigoso.

- Não tenho medo dele! – protestou, valente.

- Mas eu tenho e isso é suficiente.

- O que ela faz com você, Mariana?

- Nada! – respondi, assustada. Morreria de vergonha se ele soubesse a verdade.

Rubens me olhou demoradamente e senti que ele sabia ou, pelo menos, imaginava o que acontecia comigo. Abaixei a cabeça envergonhada e deixei duas lágrimas rolarem.

- Canalha! Covarde! – exclamou, de repente.

- Pára, Rubens! – supliquei.

- Ele é um criminoso! Tem que ir pra cadeia, Mariana! Não o defenda! Por favor não faça isso!

- Bom dia, turma! – disse meu professo chegando e acabando com a conversa.

Nem vi o resto da aula passar. Estava muito preocupada. Temia pelo meu amigo. Rubens era corajoso e valente. Tinha certeza que ele faria alguma coisa e isso me aterrorizava.

Infelizmente, estava certa. Na saída, quando já entrava no carro do meu tio, ele apareceu.

- Pelo visto você não me escutou!

- Não tenho medo de você, seu estuprador!

Os olhos do meu tio faiscaram e ele sorriu.

- Não tem mesmo? Então prova e entra nesse carro.

- Não faz isso, Rubens. Vai embora, por favor! – consegui dizer.

- Ficou com medinho? – provocou tio Paulo. – Já vi que você não é homem de cumprir sua palavra. Não tenho tempo pra perder com idiotas! – resmungou, entrando no carro.

Para meu desespero, ele caiu na provocação e também entrou no automóvel.

Ficamos os três em silêncio durante todo o trajeto.

Tio Paulo nos levou para a casa dele e logo na entrada aproveitou que o Rubens estava desprevenido e o prendeu pelo braço, torcendo-o.

Pela sua feição, devia estar doendo muito, mas nada falou.

- Agora você vai ver o que é bom,moleque! – esbravejou meu tio começando a dar-lhe vários socos no rosto.

Clamei por socorro, porém ninguém apareceu para ajudar. Meu tio estava doido e só parou quando percebeu que o outro tinha desmaiado.

- O que você ainda ta fazendo aqui, Mariana? Vá fazer o almoço! – gritou.

Fui pra cozinha e só o revi quando o chamei para almoçar. Não dissemos nada durante a refeição e eu já não agüentava de angústia, precisava saber do Rubens.

- Como ele está, tio?

- Agora já deve estar acordado. Venha, vou te mostrar.

Ele estava tão bonzinho que até estranhei.

Não consegui acreditar na cena que vi. Rubens estava amarrado no cabideiro e com um pano amarrado em sua boca. Mas não era tudo. Ele também estava nu e o sangue do seu rosto escorria por todo o corpo.

Ao me ver, abaixou a cabeça. Percebi que estava envergonhado e desviei o olhar para não deixá-lo pior.

- Sabe, Mariana, eu e o Rubens viramos amigos. E resolvi dar-lhe um presente.

- Um presente?

- Sim. Hoje ele vai ver o que nós dois fazemos.

- Não, tio! – pedi.

- Cale a boca, Mariana. Quem manda aqui sou eu. – rebateu ele começando a me beijar.

Tentei escapar, entretanto não consegui. Sua força era muito maior do que a minha.

Rubens tentava gritar ou se soltar, mas não dava certo. O braço estava inchado e ele não conseguia movê-lo.

Tio Paulo começou a tirar minha roupa e me acariciar.

Ao perceber meu choro, me ameaçou baixinho:

- Se quiser que seu amigo continue vivendo é bom mostrar que está gostando e que quer mais. Se não fizer isso, eu o mato, Mariana. Não duvide de mim.

Não queria que nada acontecesse com ele. Meu tio estava maluco e seria capaz de cumprir sua palavra. Então fechei os olhos e cedi às suas investidas. Deixei que ele me tomasse sem resistência.

- Está vendo como ela me ama, Rubens? Nós fazemos amor. É amor o que sentimos. Isso não é estupro! – disse meu tio me penetrando.

Pude ver que meu amigo chorava. Não consegui mais olhar para ele. Estava muito envergonhada.

- Peça por mais! – sussurrou, tio Paulo.

- Mais! – pedi. – Mais, por favor!

Aquilo parecia interminável. Cada segundo era como uma hora para mim. A humilhação me consumia, mas eu tinha que mostrar felicidade.

Ele só se afastou depois de jorrar seu sêmen dentro do meu corpo.

- E então, Rubens? Gostou?

Nenhuma resposta.

- Me responda quando eu perguntar – mandou ele dando-lhe mais um soco.

- Pare, tio! Ele é só um menino! – supliquei.

- Menino? Não me faça rir, Mariana. Ele não se lembrou disso na hora de me afrontar. Mas tudo bem. Vou soltá-lo e deixá-lo perto de casa. Já está tarde e não posso me atrasar. Agora saia daqui e vá fazer as suas coisas.

Fui pro banheiro. Precisava tomar um banho e tentar me sentir um pouco mais limpa. Estava com muito nojo do meu tio e não suportava a idéia de que ele me tocasse mais.

Porém, isso não me importava tanto. O que me preocupava era como o Rubens ia me tratar quando nos víssemos novamente...


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