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Fiction » Kids » Gwidyon font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Elyon Somniare
Fiction Rated: K - Portuguese - General/Fantasy - Reviews: 3 - Published: 08-15-07 - Updated: 04-14-08 - id:2403408

Gwidyon é uma criatura de um formato estranho: da cintura para cima é um homem, com um cabelo amarelo que lembra um cacho de bananas e uma camisa verde muito desgastada e da cintura para baixo é uma beterraba vermelha e com certeza apetitosa para quem gosta de vegetais. Como não tem pés nem dá jeito andar com as mãos, flutua em vez de andar e por mais estranho que pareça, não é nenhuma criatura de um mundo paralelo ou de um livro de fantasia: existe neste mundo e é um sonho que alcançou a liberdade quando perguntou à menina que o sonhara se ela lhe podia fazer o favor de o libertar e a menina dissera que sim. A partir daí, Gwidyon andou de casa em casa, visitando crianças, adultos e idosos, entrando nos seus sonhos e pedindo para levar um pedacinho de cada um.

- Para quê? – perguntou uma vez um rapazinho que mesmo a dormir era muito curioso. – Que vais fazer com ele?

- Vou criar um país feito de sonhos – respondeu Gwidyon. – O País dos Sonhos.

Mas o rapazinho queria saber mais.

- Onde vai ficar esse País dos Sonhos?

- No Imaginário, é claro.

E explicou que o Imaginário era um sítio onde era muito difícil para os humanos chegarem lá com o corpo, mas se quisessem que o poderiam fazer com a cabeça, usando a imaginação como meio de transporte.

- É lá que os escritores vão buscar aquelas histórias de fantasia que depois a tua mãe te lê antes de te deitar – explicou Gwidyon. – Mas quem lá vai buscar algo emprestado tem que deixar alguma coisa sua que depois outros usarão em troca de outro algo e por aí fora.

- Sempre a repetirem-se?

- Sim. É assim que o Imaginário vai crescendo.

- E não vai engolir a Terra?

- Não, há espaço para os dois.

- Os sonhos também vêm daí?

- Não, os sonhos são diferentes. São criados pela pessoa que os sonha. Mas ao criar um País dos Sonhos no Imaginário estou a fazer com que alguns dos sonhos também possam ser usados para fazer histórias.

Por fim o rapazinho não tinha mais perguntas, deu-lhe o pedaço mais bonito do seu sonho e fê-lo prometer que um dia lhe mostraria o País dos Sonhos.

Mas nem todas as noites correram assim tão bem e houve uma vez que Gwidyon quase viu os seus planos sobre o País do Sonho a desfazerem-se perante si. Podemos dizer que tudo aconteceu quando Gwidyon se enganou e entrou num pesadelo em vez de um sonho. Nunca chegou a pedir à criança que sonhara aquele pesadelo se podia levar um pedaço do seu sonho, pois assim que se apercebeu de que estava num pesadelo, Gwidyon tentou ir-se embora. E teria conseguido, se o Tufão Choramingão, o pesadelo em forma de tufão que aparecia quando os meninos e meninas choravam muito tempo seguido durante a noite, não o tivesse agarrado pela manga da camisa com mais força que uma tenaz, conseguindo também ele libertar-se.

Passaram-se muitos anos desde que isto se passou. Gwidyon ocupava o tempo a construir o seu País, agora quase pronto, e de Tufão nada se sabia. Tinha desaparecido, vagueando aqui e ali, nunca parando durante muito tempo no mesmo sitio. Até agora. Agora sabemos que Tufão esteve a reunir um exército de pesadelos para conquistar o País dos Sonhos que ainda nem completo estava. Achava ele que se os sonhos tinham direito a um País, os pesadelos também o tinham, mas para quê dar-se ao trabalho de o construir quando podia divertir-se a roubar o que pertencia a outros? Felizmente que Gwidyon soube disso antes de o exercito de Tufão estar pronto para o combate. Sem saber o que fazer, o homem-beterraba resolveu consultar uma bruxa que era adivinha e vivia no Imaginário há já muitos e longos anos.

- O único meio de derrotar Tufão Choramingão – explicou a bruxa – é usando um aspirador.

- Um aspirador? – estranhou Gwidyon.

- Sim. Um aspirador pode sugar o ar de que ele é feito e prende-lo dentro de um saco.

- Mas isso é fácil! – alegrou-se Gwidyon. – Há quase um aspirador por cada casa, basta pedir um emprestado e…

- Mas que estás a dizer, meu rapaz! – repreendeu-o a bruxa. – Não podes vencer um pesadelo com um aspirado do mundo material! Tem de ser um aspirador sonhado!

A alegria de Gwidyon desvaneceu-se assim que percebeu o que teria de fazer. Era muito raro alguém sonhar com um aspirador, poderia demorar décadas, ate séculos!, a encontrar um aspirador-sonho. Para o ajudar, a bruxa deu-lhe uma cenoura que o levava para o sonho de alguém sempre que essa pessoa sonhava com algum objecto de limpeza.

- É o máximo que posso fazer por ti – dissera a bruxa. E desejou-lhe boa sorte.

Depois disto, Gwidyon partiu na sua viajem para encontrar o aspirador de um qualquer sonho de menino, adulto ou idoso. Nunca se pode afirmar com certeza se ele o conseguiu de facto encontrar, mas diz-se à boca pequena que quando Tufão Choramingão soube das intenções de Gwidyon partiu num ápice atrás dele com medo de que o inimigo conseguisse aquela que podia ser a causa da sua destruição e foi a última vez que foi visto pelos seus colegas pesadelos.

Já Gwidyon regressou triunfante e sorridente, sem, contudo, dizer uma palavra sobre o assunto, deixando que o mistério da sua vitória a tornasse cada vez mais fantasiosa. Ainda hoje continua o seu trabalho de construção do País dos Sonhos e de Tufão, nunca mais se ouvir falar.



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