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Era uma vez um pássaro esfomeado que ao avistar uma pequena formiguinha logo se lançou a pique sobre ela chamando-lhe um rico petisco. Mas a formiguinha, que por acaso até gostava mais de viver do que morrer, tinha outras ideias em mente, sendo uma delas a de não ser comida pelo pássaro esfomeado.
“Espera! Não me comas” suplicou-lhe a formiguinha. “Sou tão pequenina que nem um buraquinho no teu estômago poderia preencher.”
“Pode ser que sim” respondeu-lhe o pássaro. “Mas mesmo algo tão pequenino como tu é melhor que nada.”
E logo abriu o bico, pronto a engoli-la todinha de uma vez só.
“Espera, espera!” suplicou-lhe novamente a formiguinha. “Deixa-me viver e verás que não sou ingrata!”
“Como pode uma criatura tão pequenina como tu retribuir tamanho favor?” escarneceu o pássaro, pouco disposto a mudar de ideias. Mas tanto pediu e suplicou a pequena formiguinha que o pássaro esfomeado, vendo tanta vontade de viver, a deixou continuar o seu caminho com tanta vida como a que tinha antes de o encontrar.
Ora aconteceu que dias depois deste episódio estava a pequena formiguinha numa folha tornada barco, a navegar com destino incerto, quando vê um caçador de caçadeira na mão. Perigo não havia para ela, mas o pássaro esfomeado que se encontrava distraído num galho a devorar uma gorda minhoca era já outra conversa, pois de tão entretido que estava, nem se apercebera de que se encontrava já na mira do caçador.
A pequena formiguinha, cumpridora da sua conversa, logo impeliu a folhinha que era o seu barco para a margem, e no mais rápido que as suas pequeninas patinhas lhe permitiam, dirigiu-se ao caçador, entrando-lhe nas botas por buraquinho minúsculo que nesta havia, e ferrando-lhe os dentes com quanto força tinha exactamente no momento em que o caçador contra o pássaro disparara.
Sentiu pois então o caçador uma dor aguda e fininha na planta do pé, que de tão inesperada e repentina que fora, o fez falhar o alvo de uma vez por todas, pois ao ouvir o tiro falhado, logo se pôs o pássaro em fuga, assobiando um ténue “obrigado” à pequena formiguinha.
“Vida por vida” respondeu a pequena formiguinha apesar de saber que já não poderia ser ouvida pelo pássaro esfomeado. “A minha dívida está paga”.
E depois? Morreram as vacas, ficaram os bois.
N/A: Outra história passada de geração em geração por via oral (esses pensamentos sujos para outro lado). Faz-me lembrar imenso a história do leão e do rato que roeu as cordas da rede que prendia o rei dos animais XD.