| Home Just In Communities Forums Beta Readers Dictionary Search | Login Register Extras |
Disclaimer: Sim, essa história pertence a nós, Ártemis e Athena, por isso está sendo postada aqui. Escrevemo-la por diversão, esperamos que apreciem.
The Three
Capítulo Um: Amnésia
Revisado por Pyoko-chan
O sol parecia diferente naquela manhã, o ambiente estava diferente. Estava num lugar totalmente diferente, um quarto de um branco ofuscante que refletia os raios de sol que adentravam pela janela. Abriu os olhos lentamente e encarou aquele quarto de hospital com aquele irritante bip do monitor cardíaco ao seu lado.
Não tinha noção alguma do tempo, será que estava ali há muito tempo? Não lembrava como chegara ali, apenas lembrava-se daquele par de olhos vermelhos e profundos e de um enorme par de asas de morcego.
– O que será que aconteceu? – perguntou-se, levando a mão até a cabeça.
Estava com a testa enfaixada, sentiu uma pontada no tórax, pouco abaixo do pescoço e curvou-se com a dor. Parecia ter algum ferimento ali, mas não pôde vê-lo pelo fato de a região estar enfaixada. Seus longos cabelos castanhos caíram-lhe sobre os olhos.
– Ah, vejo que já acordou… – a nova voz era masculina e vinha de algum lugar perto da janela que estava aberta.
– Quem é você? – ela perguntou, esfregando os olhos que ardiam com a claridade.
– Você… não se lembra?
– Lembrar? Lembrar o que? – ela finalmente conseguiu enxergar o dono da voz e assustou-se ao ver aqueles olhos e aquelas… asas? – SAIA DAQUI! – gritou de repente, lançando nele um pequeno aparelho que estava na mesinha ao seu lado.
Ele desviou do objeto com um pulo e fixou-se ao teto como uma aranha.
– Você tá ficando doida?! – ele gritou do teto, assustado com o ato dela. – A pancada fez mal, foi?
– AHHHH!!! – ela gritou, ao vê-lo preso ao teto e começou a arremessar mais coisas contra ele. – SAI! SAI!! SAI DAQUI SEU MONSTRO!!!
– Você quer me matar de novo é?! – ele gritou de volta, desviando de outro aparelho.
– Matar de novo? – ela repetiu, aparentemente confusa. – Como assim?
– Você definitivamente bateu com a cabeça. – disse, verificando se era seguro descer.
Ele estava prestes a descer do teto, quando ela recomeçou a gritar.
– SOCORRO!!! TEM UMA… UMA… UMA COISA QUERENDO ME… MATAR!!!
– PÁRA DE GRITAR! VOCÊ QUER ME DEIXAR SURDO?! – ele gritou mais alto, voltando a se pendurar no teto, com as duas mãos tapando os ouvidos.
Nesse momento, um médico e uma enfermeira entraram às pressas no quarto para atender ao pedido de socorro da paciente.
– O que aconteceu? Está sentindo dor?! – perguntou a enfermeira, chegando perto da cama.
– T-tira essa coisa daqui! – ela disse, apontando o ser que ainda estava pendurado no teto.
O médico e a enfermeira olharam para o ponto indicado. O homem de asas acenou para eles sorrindo, o médico voltou a atenção para a garota.
– Tem algo de errado com a lâmpada, senhorita? – o doutor perguntou, sorrindo sem graça.
– A lâmpada não, seu retardado!!! ELE!!! – ela apontou novamente para o local onde o ser continuava.
O médico e a enfermeira olharam novamente, apenas por uma simples precaução, e então, o médico pegou a ficha que se encontrava ao pé da cama.
– Ah… está explicado. – disse o médico, com um sorriso em face.
– O que foi, doutor? – a enfermeira perguntou.
– Aqui diz que ela foi acidentada e bateu com a cabeça.
– EU NÃO BATI COM A CABEÇA! – ela gritou, sentindo uma repentina pontada na nuca, fechando os olhos de maneira instintiva e então, levando a mão até o local dolorido.
– Viu só? Logo suas alucinações vão desaparecer, não se preocupe. – o médico disse, saindo do quarto, logo sendo seguido pela enfermeira.
– Você está bem? – agora aquele ser estava ao lado dela, parecendo preocupado.
– SAI! SAI! SAI!!! – ela começou a agitar as mãos rapidamente, para tentar afastá-lo, batendo nele.
– Ei, ei… EI! PÁRA COM ISSO! – ele reclamou, segurando as mãos dela. Ela gemeu com a dor na cabeça mais uma vez. – Desculpa… – soltou as mãos dela, mas ela recomeçara a bater e acertou um soco no meio do nariz dele, fazendo-o sangrar. – Caramba! O que diabos ‘cê tem?! – quase gritou, levando a mão ao nariz.
– Eh… desculpa… – ela falou, confusa. – Não! Desculpa NADA!
Ele se recompôs do soco e olhou-a fixamente.
– Não me mate! Por favor, não me mate! – ela repetia quase chorando. – Eu me caso com você, se quiser… faço qualquer coisa!
– Casa? – ele perguntou com um olhar distante e pensativo.
– Ahn… no que você tá pensando? – ela perguntou, diante do olhar diferente dele.
– Ahh… – ele suspirou pesadamente. – Eu devia ter gravado isso, ia me servir no futuro.
– Quer parar de me confundir?! Seu… seu… seu… COISA! SAI! SAI DAQUI!!!
– Coisa?! – ele falou, de maneira indignada. – OLHE O RESPEITO COMIGO!
– E VOCÊ NÃO GRITE COMIGO! – ela revidou quase que sem pensar.
– Sim, mestra! – ele respondeu, de maneira completamente submissa. Ela se assustou com a reação, mas quando ele percebeu, relaxou. – Ah… pensei que tinha voltado ao normal.
– Que normal? – ela questionou. – Eu tô normal.
– Ah é? – ele disse, em tom de desafio. – E como é seu nome?
– Ah, essa eu sei. – ela riu-se. – Meu nome… é… bom… meu nome é…
– Tá vendo?! – ele não agüentou e caiu na gargalhada.
– Pára de rir! – ela mandou, envergonhada por não saber o próprio nome.
– Tá… parei. – ele respondeu, ainda rindo.
– Evan… – uma nova voz, mais grave e provavelmente masculina, soou atrás do homem de asas negras.
– S-sim? – ele virou-se totalmente recomposto, estremecendo parcialmente por lembrar a quem pertencia aquele tom de voz.
Havia um homem parado na porta do quarto. Ele era louro e de olhos castanhos claros, não parecia ser médico… estava vestindo um sobretudo negro por cima da camisa de gola alta branca. A garota virou-se para fitá-lo também. Era um homem bem atraente…
– Pare de irritar a paciente. – o loiro disse simplesmente, num tom aparentemente indiferente.
– Ô coisa…? – ela chamou o homem de asas negras. – Quem é ele?
– Ah… eu não sabia que tinha mudado de nome, Evan. – o loiro comentou, com um meio-sorriso.
– Er… ela não consegue se lembrar, Mestre. Não tenho culpa. – o homem de nome Evan respondeu, bem mais educado que antes.
– Já era de se esperar. – o loiro disse, virando-se em seguida para a jovem ainda deitada na cama. – Como você está hoje? – perguntou, sentando-se na beira da cama, ao lado dela.
– Ahn… er… eu estou bem… – nessa hora, ela levou as mãos à nuca ao sentir uma dor nesta. – Pelo menos eu acho. Devo estar bem mal, já que estou tendo alucinações.
– Alucinações? – o loiro se aproximou mais dela. – Que tipo de alucinações?
– Estou vendo coisas… Ou melhor, uma coisa.
– Tem certeza? – perguntou quase num sussurro, aproximando o rosto do dela. – Essa alucinação seria um par de asas negras e um par de olhos vermelhos?
– Ahn?! Mas como…? – antes que ela terminasse a frase, ele continuou:
– Apenas feche os olhos e talvez ele suma… – o loiro disse, e não deu tempo para que ela respondesse, beijando-lhe os lábios repentinamente.
Ela fechou os olhos, estava sonolenta… aos poucos, tudo se apagou e ela não viu mais nada. Estava mais uma vez deitada na cama, inconsciente. O louro levantou-se e dirigiu-se ao outro com o par de asas negras.
– Pode tirá-la daqui. Antes que “eles” cheguem. – o loiro disse, indo até a porta. – E dessa vez, é bom não falhar… ou ela poderá perder mais que a memória.
– Sim, Mestre. – ele disse, tomando-a nos braços um tanto contrariado com o que acabara de presenciar.
Evan saiu carregando a garota desmemoriada em seus braços. Precisava levá-la a algum lugar seguro. Saiu pela janela e batia as asas sobre os prédios, até avistar, ao longe, numa colina longe da cidade, um casebre abandonado.
Seguiu ao dado local e entrou, depositando o corpo da jovem sobre uma cama com o colchão já desgastado e velho. Sentou-se numa cadeira relativamente longe da cama, frente a uma lareira com restos de cinzas. Estava realmente cansado, tivera de passar noites em branco para vigiá-la enquanto ele não chegava. Parecia que estava esperando-a acordar apenas.
As horas passavam e ela não acordava. Evan estava exausto depois de tudo aquilo e acabou adormecendo na cadeira em que estivera sentado.
E mais uma vez a jovem acordava com uma tontura e uma pontada forte na cabeça, mas o ambiente que seus olhos presenciaram não era o mesmo de antes. Estava numa casa de paredes de madeira, escura e empoeirada, deitada sobre um colchão velho. E numa cadeira mais adiante, ele estava sentado, com as asas envolvendo o próprio corpo. Estava muito tranqüilo, talvez dormindo.
– Onde é que eu estou dessa vez? – perguntou-se, sentando-se no colchão.
Levantou-se, aproximando-se cautelosamente do homem adormecido.
Chegou perto o suficiente, duvidando do estado dele. Tocou levemente na asa, cutucando-o para saber se recebia resposta, mas ele continuou parado.
– Ei… coisa… – chamou.
Mas não houve resposta. Ela tentou olhar entre as asas para achar o rosto dele, mas não conseguiu enxergar direito.
– Será que tá morto?
De repente, ouviu um barulho estrondoso e então, sentiu uma pancada forte em seu peito, arrastando-a para longe, até perto da parede.
– Ei?! – ela exclamou do outro extremo do quarto, sentindo aquela mesma pontada na nuca, só que mais forte… e agora, uma dor nas costelas.
Ela o havia acordado e recebeu uma pancada das asas de Evan quando estas se abriram.
– Hã? – ele resmungou confuso, até finalmente ver a jovem caída. – Ah! Desculpe-me! O que estava fazendo aqui?
– Achei que tinha morrido, mas esqueci que vaso ruim não quebra fácil. – ela disse, passando a mão na nuca dolorida. – Afinal, onde você me trouxe? E aquele cara que falou comigo? O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AFINAL?!
– Nossa… você ainda me deixa surdo. – Evan disse, colocando a mão sobre o ouvido. – Garota estressada…
– Estressada uma ova! – ela gritou, ainda passava a mão na nuca. – Merda… isso tá doendo.
– Primeiro, pare de gritar. – ele disse, voando até parar diante dela. – Segundo, volte para a cama, precisa se recuperar.
Ele ergueu-a nos braços delicadamente e jogou o corpo dela sobre o ombro, segurando-a pelas pernas como um saco qualquer.
– QUER ME SOLTAR?!
– Pare de gritar ou vai ficar pior. – ele disse, seguindo até a cama.
– Então me solte!!! – ela disse, abaixando o tom de voz.
Ele colocou-a na cama e abriu os braços e as asas, espreguiçando-se.
– O que você é afinal? – ela perguntou, arrumando-se na cama.
– O que eu sou? – ele questionou, levantando uma sobrancelha. – Não me faça rir.
– Ahn? O que tem de errado nisso?! – perguntou ela, desentendida.
– Você deveria saber melhor que eu, não é mesmo? – ele disse, sentando-se no chão. – Você tá ruim, hein, Ellen.
– Vai me dizer ou não o que você é?! – ela começava a se irritar.
– Você perdeu mesmo a memória?! – ele perguntou distraído. – Eu pensei que fosse brincadeira… pensei que ainda se lembrava de tudo.
– Tudo o que? – ela perguntou, percebendo uma expressão sonhadora no rosto dele. – E quem é Ellen?
– Quem é Ellen? – ele questionou de maneira sarcástica. – A minha mãe, ora…
– Por que você não vai brincar com a vovozinha? – ela pronunciou-se ainda mais irritada.
– E quem disse que eu estava brincando? – ele respondeu, sério. – Como posso brincar se nem mesmo posso mentir?
– E por que me chamou pelo nome da sua mãe, anta?
– Olha… já subi de “coisa” pra “anta”… é uma evolução. – Evan ressaltou, divertido.
– Vai responder?! COISA! – ela mandou, ainda massageando a nuca.
– Sabia que um mais um é igual a dois? – ele fitava-a nos olhos. – Junte as peças… mestra.
– Ah… mas quer dizer que…
– Quer dizer que…? – Evan incentivou.
– Ah meu Deus! – ela se assustou ao tentar supor a resposta.
– Deus? – Evan confundiu-se. – Quem é Deus?
– Como assim, quem é Deus? – ela perguntou.
– Era o meu pai? – Evan parecia interessado.
– E eu vou lá saber?! – ela reclamou. – Mas o que eu estou dizendo?! Estou ficando louca…!
– Nossa… estressou de novo. – ele comentou vagamente.
– EU NÃO TÔ ESTRESSADA! – Ellen gritou. – COMO DIABOS EU POSSO SER MÃE DE UMA COISA DESSAS?! DESSE TAMANHO!!!
– Ow?! E você pergunta pra mim, é?! – Evan arqueou as sobrancelhas. – Você que é minha mãe!
– Eu não sou sua mãe! – ela reclamou, muito irritada.
– Ahh! Você está rejeitando o próprio filho!!! – Evan disse, indignado. – Você não tem alma!!!
– Você está realmente me irritando! Só faz confundir tudo! – ela aparentava mais calma. – Por que não explica isso melhor e detalhadamente?
– O Mestre Lúcifer é melhor em explicar as coisas. – Evan explicou, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
– Lu-Lu… quem?! – Ellen não conseguia associar o nome a pessoa… e seria realmente em quem ela estava pensando?
– O loiro do hospital. Ele é irritante, mas infelizmente tem mais saco pra explicar tudo.
– O Lu… Lúcifer… o loiro… que me beijou?! AI MEU DEUS, O LÚCIFER ME BEIJOU! – voltou a gritar como se estivesse desesperada.
– Como se fosse a primeira vez. – Evan resmungou, distraído.
– QUEEEE?! – ela continuou a gritar. – Eu quero morrer…
– Você já quer demais. – Evan falou. – Já virou graça, foi?
– Não se preocupe, eu mato você antes. – Ellen respondeu, ríspida.
– Mãe desnaturada. – Evan reclamou, virando o rosto. – Já quer me matar de novo… quanta consideração.
– De novo?
– De novo, de novo?! Você já disse isso!
– Mas você não explicou! – Ellen retrucou.
– Você tem a graça de me partir em dois, no mínimo por estar na TPM, e nem sabe o que é matar?! Volte para o primário. – Evan ironizou.
– Eu não tenho TPM.
– A sua já é permanente. – Evan disse.
– Não enche. – Ellen reclamou. – Eu quero sair daqui. Eu quero ir pra casa, achar meus pais, alguém normal.
– Um: você lembra onde sua casa fica?
– Eu me viro. – ela desviou-se do assunto.
– Dois: como vai achar seus pais se nem o nome consegue lembrar? – Evan perguntou novamente.
– Meu nome é Ellen. – respondeu, convencida.
– Mesmo? – ele comentou de maneira sarcástica. – Três: você não pode quebrar o contrato que fez para protegê-los.
– Que contrato? – Ellen perguntou, já se levantando da cama.
– Nossa! Você também se esqueceu do contrato! – Evan disse, parecendo indignado. – Definitivamente você não lembra mesmo, achei que fosse temporário.
– Que contrato? – Ellen refez a pergunta.
– Deite… você está fraca.
– Eu quero sair daqui e voltar pra minha vida normal. – ela disse, recusando-se a voltar a sentar.
– “Vida normal”? – Evan questionou quase que rindo.
– A minha vida normal. – ela ressaltou.
– Você nunca teve uma vida normal. – ele disse, se levantando.
– Ah… se tive ou não, não faz diferença. – Ellen disse, indo até a porta. – E não tente me impedir.
– Tentar impedir o quê? – dessa vez a voz não foi de Evan, e vinha de fora da casa, da porta que ela abrira.
Ela olhou para a pessoa que estava na entrada e fitou aqueles olhos castanhos claros e cabelos loiros. Por um segundo sua memória trabalhou mais rápido, lembrando-a do beijo e do nome dele.
– AHHH! – Ellen saiu correndo e se escondeu atrás de Evan. – Não o deixe chegar perto de mim! – pediu ao homem diante de si.
– Ahn? – Evan se assustou com o ato repentino dela.
– O que você andou falando para assustá-la, Evan? – o loiro perguntou, entrando e fechando a porta.
– Nada… Mestre.
– Mesmo? E por que o medo, jovem Ellen? – ele se aproximava mais deles, Evan levantou-se, colocando-se entre os dois.
– Não posso deixar que se aproxime… ela não quer. – Evan disse, relutante.
– Afaste-se, Evan. – o loiro disse num tom definitivo.
– Sinto muito… – sussurrou para Ellen e deu dois passos para o lado, saindo do caminho deles.
– Quê?! Por que você o obedece?! – Ellen questionou.
– Porque por mais que ele a adore e a proteja… minhas ordens são irrevogáveis aos seus ouvidos. – Lúcifer respondeu, no mesmo tom calmo que Ellen já o ouvira falar. – Exceto para você, não é, jovem Ellen?
– Tá, tá… – Ellen disse. – Vamos esclarecer uma coisa… o que e quem eu sou?
– O que você é? – Lúcifer questionou, chegando mais perto. – Que pergunta é essa?
– Ops… eu posso escutar você muito bem nessa distância. – ela disse hesitante, afastando-se um passo. – Vamos evitar que eu durma de novo.
– Não se preocupe, não lhe farei nada. – ele finalmente parou. – Não seria capaz… além do que, você já não precisa ser acalmada uma vez mais.
– Você ainda não respondeu minha pergunta.
– O que você é? Uma humana… – não completou a explicação e ela não percebeu a falta de informação. – Quem você é? Ellen Schneider Heindrich. – ele sentou-se na poltrona em que Evan estivera dormindo momentos antes. – Minhas respostas a agradam, jovem Ellen?
– Agradar? Desde quando Lúcifer quer agradar alguém que não seja ele mesmo? –Indagou ironicamente.
– Veja bem… – Lúcifer começou calmamente. – Você querendo ou não… eu me preocupo com meus parentes.
– “Parentes”?! – ela questionou, dando um passo instintivo para trás, não percebeu a expressão de lamento que surgira no rosto de Evan, bem ao seu lado. – O que quer dizer…?
– Como poderia não preocupar com o bem estar de minha Lady? – ele falou, fitando-a nos olhos.
– La-Lady? – Ellen estava simplesmente estupefata, sequer conseguiu mover-se novamente.
– Por que a surpresa, jovem Ellen?
– Mas… como? – ela perguntou mais para si mesma que para os outros. – O que está acontecendo aqui?! Só pode ser alguma brincadeira, não é mesmo? Já sei! Um sonho! Só pode ser um maldito sonho… eu vou acordar… eu tenho que acordar.
Ela desviara os olhos dele e fitava o nada entre seus olhos e o chão. Tinha que acordar, precisava acordar. Aquele sonho estava muito sem sentido.
– Por que precisa ser um sonho, minha Lady? – Lúcifer aproximou-se dela sem que ela mesma percebesse, e quando Ellen levantou os olhos, ele estava a centímetros de distância de si… era visivelmente mais alto.
Ellen ficou sem palavras, encarando-o, e, impressionantemente, estava imóvel. Percebeu o movimento relutante de Evan que virou o rosto para não encará-los.
– Infelizmente eu não posso ficar por mais tempo, minha Lady. Tenho assuntos a tratar. Enquanto isso, Evan cuidará de você. – Lúcifer curvou-se para alcançar o rosto dela, a jovem ainda não conseguia se mover e viu-se uma vez mais beijada por aqueles lábios estranhamente conhecidos, instintivamente fechando os olhos para apreciar o momento… esquecendo-se de quem ele era.
Evan fitou-os de relance no momento do beijo, sentindo uma raiva crescente. Sem se dar conta, encarou os olhos frios de seu Mestre, fitando-o, mesmo durante o próprio beijo. Desviou o olhar rapidamente.
Alguns segundos depois, e Lúcifer e Ellen separaram-se do beijo.
– Vejo-a depois, jovem Ellen. – Lúcifer disse, sorrindo de lado.
– S-sim. – Ellen respondeu de maneira quase que automática.
– Não a deixe sair. – avisou a Evan.
Evan apenas meneou a cabeça num sinal positivo e, num minuto, Lúcifer já tinha cruzado a porta da entrada e fechado-a atrás de si.
– M-mas o que eu fiz?! – questionou consigo mesma, aparentando espanto.
– A coisa mais normal do submundo. – Evan respondeu, sem se dar ao trabalho de se virar para encará-la.
– NÃO TEM NADA DE NORMAL EM BEIJAR LÚCIFER! – ela gritou, batendo o pé no chão.
– É normal beijar seu Lorde. – Evan disse, tentando soar desinteressado. – Seu marido.
– EU NÃO SOU MULHER DE LÚCIFER, E ELE MEU MARIDO TAMPOUCO! – Ellen irritou-se ainda mais. – EU VOU EMBORA DAQUI!
Ela correu até a porta, mas antes de chegar lá, Evan tinha se colocado no caminho.
– Saia da frente! – ela mandou, continuando a andar, mas ele a impediu novamente.
– Ele não quer que vá. – Evan respondeu, ainda em sua frente.
– Dane-se ele e o que ele quer! Sai daí! – ela insistiu, desferindo leves murros no tórax do outro. Viu-o contrair-se e gemer de dor. Parou repentinamente. – O que você tem?
– O que eu tenho? – ele indagou, com as mãos sobre o local atingido. – O resultado da minha punição por ter deixado a minha Lady ser gravemente ferida.
– O que ele fez? – Ellen perguntou, visivelmente preocupada.
– Nada que eu não merecesse. – Evan respondeu, sentando-se no chão, encostado à parede.
– Deixe-me ver… – ela pediu, ajoelhando-se na frente dele.
– Não há necessidade. – Evan respondeu, afastando-a cuidadosamente com uma das asas.
– Eu estou mandando!
Evan pareceu assustar-se com a autoridade dela.
– Você voltou? – perguntou, de maneira esperançosa.
– Voltei de onde?
– Ah, deixa pra lá. – Evan respondeu, parecendo decepcionado.
– Sim, mas deixe-me ver.
Ellen se reaproximou dele e, receosamente, levantou a camisa do outro aos poucos.
– O que você acha que está fazendo?! – ele perguntou, completamente vermelho.
– O que você acha que eu estou fazendo?
– Como é que eu vou saber?! Eu não leio mentes!
– Nossa, como você é grosso! – ela reclamou, ainda levantando a camisa dele para ver o tal resultado da punição. – E até onde eu sei, você tem que seguir minhas ordens, portanto, trate de me ajudar a tirar essa camisa!
Ele relutou, mas o que ela dizia era verdade. Tinha que seguir as ordens dela. Por fim, despiu a camisa, mostrando grandes marcas de ferimentos, como se tivesse sido açoitado. Ellen fitou os ferimentos, horrorizada por alguns minutos.
– Ah… que horrível! – ela disse quase em prantos.
– Definitivamente você não é mais a mesma! – Evan disse, tentando recolocar a camisa.
– Não, espera! – Ellen pediu, impedindo que ele vestisse a roupa novamente.
– Por quê? Você não já viu?
– A gente tem que tratar disso antes que piore.
– Não precisa de tratamento. Vai melhorar sozinho. – Evan explicou. – Não existe tratamento para seres como eu.
– É claro que tem que existir! – Ellen insistiu. – Você não pode ficar assim o tempo todo! Machucado.
Ela levantara uma das mãos até um dos machucados, ao tocar a pele dele, inexplicavelmente o ferimento havia cicatrizado.
– Mas… o que aconteceu? Como…? – ela mais uma vez estava espantada. – Como eu fiz isso?!
– Você não deveria! – Evan disse, parecendo não gostar do que tinha acabado de acontecer. – Era a minha punição, tenho que sofrer com ela…!
– Como eu fiz…? – perguntou mais uma vez, num tom mais convicto.
– Só você pode, afinal, você me criou… você é minha mãe… o que mais esperaria? – ele explicou distraidamente.
Ellen ainda não se acostumara com aquela história de ser mãe.
– Será que eu posso colocar a camisa agora... Lady? – Evan usou um tom beirando o sarcástico.
– Não me chame assim. Eu não gosto.
– Mas é assim que o Lorde te chama.
– Mas, graças a Deus, ou melhor, a mim, você não é o Lorde. – Ellen explicou, demorando-se na última palavra. – E não coloque a camisa, se eu posso ajudar, não vou deixar você ferido desse jeito.
– Vai sim! – Evan disse, tentando recolocar a camisa.
– Quieto! – ela mandou. – Eu vou dar um jeito nisso e você não vai me impedir, oras!
Evan ficou parado, apenas observando os olhos dela, que fitavam seus ferimentos. Notou que estavam diferentes. Diferentes de quando ela vivia com Lúcifer. Diferentes de quando ela tinha memória… sequer percebeu quando os ferimentos haviam se curado.
– Pronto… – Ellen chamou a atenção dele, aparentando cansaço.
– Você parece viva… de novo. – ele falou, sem pensar. – Diferente da Lady que todos conhecem… a Lady morta, sem sentimentos…
– Como assim? – ela questionou, confusa. – Eu sempre fui assim.
– E por acaso você se lembra de alguma coisa?
– Não… mas eu sei que eu era assim… nós sabemos desse tipo de coisa… – ela disse, pensativa.
– Eu sei… – Evan falou, esquecendo-se completamente da camisa. – Eu sei que era assim… muito tempo antes de casar-se com o Lorde.
– E o jeito que sou agora é ruim? – perguntou curiosa. – Como eu era?
– Não… não é ruim. É simplesmente Ellen, e não Lady Ellen. – ele disse, com um sorriso simples no rosto.
– E como eu era? – perguntou novamente. – Conte-me.
– Você não estava mais viva, não tinha brilho em seus olhos. Não tinha sorriso… – ele começou, com o olhar perdido. – Havia ordens e sussurros, não tinha raiva ou irritação… mais parecia uma boneca que sempre seguia as vontades de seu Lorde. Uma boneca que punia sem ressentimentos ou pena… que mesmo comigo, nunca conseguiu voltar a sorrir.
– Como assim “mesmo comigo”? – Perguntou, curiosa.
– Er… quando estávamos…
– Quando estávamos…?
– Quando estávamos… a sós. – Evan quase sussurrou as últimas palavras.
– A sós como? – Ellen perguntou de maneira receosa.
– Ahn? – ele de repente percebeu do que acabara de falar. – Esqueça! – recolocou a camisa e cruzou os braços diante do peito. – Não foi nada.
– Agora eu quero saber!
– Não vou dizer!
– Eu to mandando!
Ele calou-se repentinamente e logo em seguida, tapou os ouvidos, cantarolando um “la la la”.
– Eu não tô ouvindo nada… lalalalala… – ele continuava em voz alta.
– Adrian Evan! Responda a minha pergunta! – ela mandou, irritada, sem perceber como o chamara.
Ele calou-se de súbito.
– Como você me chamou?! – perguntou, espantado e curioso ao mesmo tempo… se pelo menos não tivesse tapado os ouvidos…
– Evan… não é esse o seu nome? – ela indagou, confusa.
– Mas… tem certeza? – Evan perguntou.
– Claro que sim! – Ellen respondeu convicta. – E não mude de assunto, responda o que perguntei!
– Eu já disse que não vou falar! – ele disse, colocando novamente os dedos nos ouvidos.
– Ah é? – ela disse, aproximando-se de Evan sem que ele notasse.
Ellen segurou os punhos de Evan delicadamente e aproximou-se tanto que seus corpos estavam colados.
– O que você tá fazendo?! – Evan perguntou, imóvel.
– Shhhh… – fez sinal para que ele calasse.
Ellen soltou os punhos dele, depois de levá-los até sua própria cintura e em seguida, envolveu seus braços no pescoço do anjo.
– Você não vai falar? – perguntou, aproximando o rosto do dele.
– E o que acontece se eu não falar? – ele perguntou, envolvendo-a também com suas asas.
– Hm… deixe-me pensar. – Ellen falou, fingindo um pensamento forçado.
– Para quê pensar? – ele questionou. – É melhor fazer.
Ellen se aproximou ainda mais, tanto que seus narizes encostaram-se.
– Tem certeza que não vai me falar?
– Depende… – ele disse, perdido em alguns pensamentos.
– De quê?
– Do que eu ganho em troca.
– Não sei o que você ganha se me disser. – ela começou. – Mas sei o que ganha se não disser.
– O quê?
– Vai falar?
– Não.
Ellen deu uma última olhada em Evan e, em seguida, desferiu-lhe uma joelhada no meio das pernas, fazendo-o ajoelhar-se com as mãos no local atingido.
– Agora fale! – ela mandou. – Eu definitivamente ordeno que fale!
– Qu… quando eu… re… recupe… recuperar… a voz! – respondeu, deitado no chão, contraindo-se de dor e gemendo.
– Eu avisei que era pra falar! – Ellen reclamou, tentando ignorar o homem contorcendo-se de dor.
– Eu achei que soubesse! – respondeu irritado, voltando a falar normalmente. – VOCÊ É LOUCA, GAROTA!
– Eu não sou louca! Você só não me respondeu, oras!
– Não precisava disso!
– Você tava me irritando…! E ainda não respondeu! – ela alterou-se mais ainda, cruzando os braços diante do corpo.
– Você ficou mais burra depois de perder a memória?! – ele tentava se recompor.
– Olha que eu te dou outra lição! – ameaçou.
– Não chegue perto de mim, louca! – Evan postou as asas entre ambos, evitando que ela se aproximasse novamente.
– Responda, ou eu falo pra o titio Lú. – ameaçou novamente.
– Fale pra quem quiser, mas não chegue perto de mim! – ele praticamente gritou a última frase. – E você que vai acabar se dando mal também!
– Por quê? – dessa vez a fúria dela foi substituída por curiosidade.
– Eu já disse que não falo! – Evan relutou.
– Ahh! Como você é chato! – ela reclamou. – Você tem que seguir as minhas ordens! Tem que responder às minhas perguntas! E eu quero saber o que tinha demais quando estávamos a sós!
– É… o que tinha demais? – uma nova voz feminina indagou, vindo da janela.
Fim do Capítulo Um
Antes de mais nada, quem está aqui escrevendo a nota de autora é a Artemis, okay?
Bom, como vocês podem ver, uma historinha nova pra distrair. Essa historinha começou no colégio durante as aulas chatas de química, biologia, física, matemática… etc, etc, etc… eu não vou continuar contando o resto das matérias XDD
Ela é cheia de mistério, ação, aventura e tudo mais o que tiver direito, principalmente por dois motivos. Um, eu sou uma autora que ADORA Dramas, e a Athena ADORA comédia… portanto, não estranhem as mudanças súbitas de humor da historinha, oka? XD
Vamos postar aqui por diversão, espero que todos se divirtam e se acham que ela ficou boa o suficiente, adoraríamos receber reviews!
Até a próxima, pessoal!
P.S.: O Disclaimer eu só coloquei de onda XDD Acho que não consigo colocar um capítulo na net sem ter um maldito disclaimer XDD - acostumada com as fanfics -