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Adendo à Parte II
Nunca me esqueci de um trecho de crônica da Martha Medeiros colado no perfil de uma amiga no orkut (website de relacionamentos): “eu penso como homem e sinto como mulher”. Não encontrei, até hoje, frase que definisse tão bem meu conturbado gênero. O texto que apresentei é deveras feminista, minha consciência foi a primeira a me jogar isso na cara. O feminismo real, ao meu ver, é a busca pela igualdade dos sexos, não pela supremacia das mulheres (e muito menos uma luta organizada para transformá-las todas em lésbicas, como um colega de trabalho sugeriu outro dia...).
De qualquer forma, não quis defender Márcia e criticar Samuel, e sim o sistema do qual fazem parte e que, sozinhos, não podem mudar. Não acho que ela seja melhor do que ele, tampouco o contrário. Como profissionais, para mim, tinham apenas estilos diferentes, como homens e mulheres são diferentes. Dentro dessas diferenças cabe considerar o homem mais forte? A mulher mais preparada para entender seu semelhante? E quanto às exceções?
Minha melhor amiga brigou com o namorado em setembro. Veio chorar e se consolar comigo (por MSN, é verdade, mas afinal eu estava morando no nordeste). O que eu disse a ela? Que enquanto ela fazia isso (chorava, se debatia, fungava, arrancava os cabelos por horas a fio) ele saía para beber cerveja com o primo/melhor amigo e entre um lance e outro do futebol, comentava a briga para depois ouvir: “é, que merda isso. Mas você viu o gol de placa do Kaká?” e tome cerveja... Homens são assim. Isso não significa que sofram menos, que se importem menos, eles só não ficam falando e falando e falando... e chorando e chorando e chorando... e achando que a sua vida acabou ou tentando acabar com a sua vida. Se fazem isso, é bem longe do melhor amigo, para não parecer maricas. “Maricas” é um homem efeminado, ou seja, um homem que age como mulher, e não é isso que a sociedade espera de um homem que é homem.
Voltemos ao tema: homens e mulheres são diferentes. O feminismo real luta por igualdade de direitos. Pessoas diferentes merecem os mesmo direitos? Sim? Não? Por quê?
Quantas vezes você já discutiu isso? Pensou no assunto antes de dormir? Direitos requerem deveres. Família e carreira, dá para conciliar? Tem mulher que diz que não. Tem cara que diz que os homens fazem isso desde que o mundo é mundo. Tem mulher que diz que sim e tem homem que não gosta desse tipo de mulher. Tem muito homem que não gosta desse tipo de mulher. E as mulheres, embora neguem, em geral fazem o que os homens querem; e os homens, embora prefiram futebol ou outro esporte, em geral gostam bastante de mulheres. No fim, tudo acaba na coisa mais divertida do mundo. Péssimo mesmo, só o celibato.
Os comentários, dessa vez, se referiram aos nomes das personagens. De fato elas serão Samuel e Márcia até o fim, mas a relação entre elas muda de uma crônica para a outra. Penso nesse momento – que para variar se passa na mesa 7 do Sr. Café – na próxima história. Tudo o que sei, por enquanto, é que Samuel e Márcia serão amigos, grandes amigos, e que como tal suas opiniões serão muito parecidas em dados aspectos e completamente opostas em outros. O tema? Diversidade étnica, tolerância, política de cotas, ações afirmativas, direitos humanos e racismo.
Nos vemos em breve, então.
Sara Lecter