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Rodrigo, Evaristo e Jorge em: A Noite do Raul
Resolveram ir ao Convés. Era um bar pequeno, mas sempre dava pra descolar alguma diversão. Os três caminhavam lentamente naquele inicio de noite de domingo. Jorge era o mais animado dos três. Fazia muito não assistia a um bom show de rock.
Rodrigo e Evaristo implicavam com o amigo que dizia que naquela noite só voltaria pra casa arrastado, queria era ficar doido como nos velhos tempos.
- Essa noite vai ser zoeira... Vamos zoar todo! – dizia Jorge cutucando os amigos.
- Nada disso Jorge. Eu me recuso a te levar carregado pra casa. Vê se não apronta nada dessa vez, hein?
- Deixa disso Evaristo, deixa o menino se divertir um pouco!
- Ta, ai depois a gente é que se lasca pra levar ele embora...
- Juro que não vou dar trabalho pra vocês! Prometo! – Jorge juntava as mãos à frente do rosto como se rezasse.
- Ta bom... Ta bom... Vamos então.
Os três pagaram a entrada ao segurança que ficava na porta do Convés e entraram. Lá dentro a musica já rolava solta. Algumas pessoas sentadas, mas a grande maioria estava na pista em frente ao pequeno palco onde a banda tocava animada. Os três amigos se entreolharam com cara de decepção... Estavam todos parados, olhando a banda como que hipnotizados. Dirigiram-se a um dos cantos escuros da pista onde não seriam percebidos.
- Puxa... E eu achando que a noite ia ser boa... – comentou um cabisbaixo Jorge.
A musica terminou com alguns aplausos sendo ensaiados pela platéia estática, aparentemente enfeitiçada por alguma bruxa. Como que pra quebrar o encanto, um homem se levantou de um grupo não muito distante de onde estavam os três e correu até o palco pulando como se tivesse um sapo na cueca e gritando:
- TOCA CARRY ON!!! CARRYYY... OOON...
Os três se entreolharam mais uma vez, o sujeito estava pra lá de Bagdá. A cena se repetiu por mais umas três musicas até que o guitarrista da banda começou a berrar de volta:
- CARRY ON!! – gritava o guitarrista
- CARRY OOOOON!!!!! – respondia o maconheiro maluco.
- Pelo menos eles se entendem... – comentou Evaristo em seu canto escuro.
- De qualquer jeito eles tão animando esse bando de múmia parada! – respondeu Rodrigo.
- Eu preferia Raul... - comentou Jorge. Os outros o olharam como se não tivessem entendido o comentário.
Com a intervenção do maconheiro maluco e do guitarrista estressado a platéia pareceu sair de seu transe e já começava a dançar. Os amigos se separaram pela pista e se misturaram com as pessoas marcando pra dali à uma hora se encontrarem no mesmo canto escuro para ir embora. Os gritos do maluco fã da musica carry on continuaram por mais umas três musicas, quando finalmente ele pareceu perceber que ela não seria tocada.
Uma hora depois Evaristo e Rodrigo, ambos com a boca vermelha e meio corados pelo sangue recém ingerido, se encontraram no canto afastado e escuro da pista, onde haviam marcado. Jorge ainda não voltara. Percorreram a pista com os olhos, mas não viram nem sinal do amigo. Resolveram caminhar um pouco para procurá-lo.
Não cainharam muito e tropeçaram em alguma coisa. Era o grupo de maconheiros amigos do lunático do carry on. Olharam com atenção e não precisaram de dois segundos pra saber que todos daquele grupo estavam mortos. Correram os olhos pela pista mais uma vez a procura de Jorge até que se depararam com aquilo... Uma figura muito pálida, de sobretudo negro saltitando insandecidamente na beira do palco gritando:
- TOCA RAUL!!!! TOCA RAULLLLLL!!!!
Os vampiros se entreolharam e observaram o lunático do carry on caído no chão mais uma vez.
- Tá explicado... – comentou Rodrigo com um sorriso no rosto.
- Mas quem diabos é esse tal de Raul?
Evaristo mal terminou a pergunta e passou um sujeito de barba, óculos e com um sorrisinho no rosto acenando freneticamente para os dois. Os vampiros se entreolharam mais um vez naquela noite.
- Mais hein?
- Você entendeu? – perguntou Evaristo.
- Eu não...
- Vamos tirar o Jorge daqui...
Já do lado de fora, Rodrigo e Evaristo carregavam nos ombros um Jorge já mais pra lá do que pra cá que cantarolava: “Minhoca, minhoca, me da uma beijoca...”
- Que droga Jorge! Falei que não queria te levar carregado pra casa hoje!
- Calma Evaristo, você sabe como ele é! Nem depois de morto esse maluco consegue largar o vício...
- É! Mas aí eu tenho que agüentar ele voltando pra casa todo ruim...
- HIHIHI! Mas é claaaaro Evaristinho... Eu bebo é pra ficar ruim... Se fosse pra ficar bom, tomava era remédio... HAHAHA...
- Seu imbecil! – resmungou Evaristo dando um belo tapa na nuca do vampiro de porre.
Aquela altura Rodrigo já não tinha mais reação, apenas conseguia rir e amparar o amigo. Enquanto os dois carregavam o amigo pra casa uma senhora que aparentava uns setenta anos vinha na direção dos três na rua quase deserta.
- Fala ai gatiiiinha... – disse o vampiro pendurado nos ombros dos amigos – Vai um beijinho no cangote?
Ouvindo isso a senhora grita um audível “tarado” e bate com a bengala em cheio no rosto do vampiro, já sacando seu spray de pimenta da bolsa e espirrando na cara dos três antes de sair apressada.
- AHH! Droga de velha. – gritou Rodrigo coçando os olhos vermelhos e lacrimejantes.
- Tudo culpa desse idiota disfarçado de vampiro! – emenda Evaristo.
- HAHAHAHA – Jorge cuspiu um de seus caninos por culpa da bengalada da velha e retornou a rir.
- Você ta rindo do que agora, droga?
- HAHAHAHAHA, acho que to vendo um smurf, HAHAHAHA.
Enquanto Jorge tinha sua crise histérica por causa do smurf passa por eles o homem com barba, óculos e um sorriso no rosto que acenou para Evaristo e Rodrigo no bar estalando os dedos e cantando: “é o vampiro doidão, tchu ru ruri... é o vampiro doidão!”
- Era só o que me faltava – reclamou Evaristo – Vamos logo pra casa antes que aconteça outra coisa estranha. Não quero correr o risco de topar com outra velha ninja dessa.
Os dois vampiros penduraram novamente o amigo, agora banguela, nos ombros e foram direto para casa, ainda ouvindo as risadas intermináveis do vampiro chapado.
FIM... Por enquanto...
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