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Rodrigo, Evaristo e Jorge em: três vampirões e um bebê...
Caminhavam lentamente pela rua escura, imaginando o que aquela noite lhes traria de bom. Cada um perdido em seu próprio pensamento. Os três pararam ao vê-la virar a esquina. Uma mulher alta e de longos cabelos castanhos e um belo corpo caminhava despreocupadamente com seu carrinho de bebê.
Carrinho de bebê? Não entenderam o que uma mulher bela como aquela fazia com um carrinho de bebê na rua àquela hora da noite, mas também não perderam tempo pensando naquilo, suas mentes estavam mais concentradas na fome que sentiam.
A mulher reparou nos três homens que a olhavam do outro lado da rua e parou assustada. Os três nem tentaram disfarçar, era uma rua escura e não havia ninguém além deles e da mulher que agora já tentava voltar por onde veio.
Evaristo foi o primeiro a avançar ao perceber a tentativa de fuga. Com uma velocidade sobrenatural parou em frente a mulher que a essa altura já havia começado a correr. Ela parou boquiaberta ao ver o homem a sua frente, mas não pelo fato dele ter chegado ali tão rápido, coisa que na verdade ela nem reparou. Estava apavorada era com aqueles olhos: olhos de monstro.
Virou-se para o outro lado, mas lá estava o outro homem, com os mesmos olhos. Não precisou olhar pra traz pra saber que o terceiro estava ali e que a olhava com os mesmos olhos. Estava cercada. Encurralada contra um muro cinzento naquela rua escura a mercê de três demônios. Pois era isso que eles eram. Era isso que seus olhos viam. Três demônios.
O primeiro homem chegou mais perto e a segurou pelo pescoço sufocando seu grito enquanto os outros dois seguravam seus braços. Sentiu dores nos pulsos e no pescoço. Ainda não acreditava no que estava acontecendo.
Rodrigo deu um sorriso para Evaristo.
- Você viu a cara de desespero dela? Deve ter morrido achando que era um pesadelo!
Evaristo apenas retribuiu o sorriso divertido e já se virava para ir embora quando ouviu Jorge e se virou para vê-lo. Este estava debruçado sobre o carrinho de bebê com um sorriso bobo no rosto.
- Olha só que gracinha! Ah, bu, bu, bu, cute, cute, cute! Que bebezinho mais fofo! Olha Evaristo, o banguelinha ta sorrindo! – Jorge falava abobalhadamente e Evaristo apenas revirou os olhos e voltou a caminhar.
- Vamos embora logo Jorge, antes que alguém veja o corpo da mulher...
- Mas não é que ele é bonitinho mesmo? – dizia Rodrigo também debruçado no carrinho de bebê – Vem cá Evaristo! Dá uma olhada no carinha aqui!
Evaristo se aproximou lentamente do carrinho azul, já de mal-humor, suas feições não eram das melhores. Afastou os dois vampiros e espiou para o interior do carrinho. Um discreto sorriso abrandou sua face. Até que aquela coisinha rosa e sorridente não era de todo ruim. Os vampiros se entreolharam e rapidamente o sorriso de Evaristo se desfez.
- Vamos. – ele disse frio.
- Não podemos ir assim Evaristo, que vai acontecer com ele? – respondeu Jorge com tom de desespero.
- Simples, se não morrer como a mãe vai ser encontrado de manhã e levado para um orfanato. – Evaristo já se afastava novamente.
- Evaristo, não querendo ser chato... Mas dessa vez eu concordo com o Jorge. A gente não pode largar a coisinha assim. Ele pode se ferir... Ou morrer.
- É? E o que é que você acha que a gente deve fazer? Levar ele pra casa e enfiar numa casinha de cachorro como bicho de estimação!?
- Ah, que isso Evaristo, olha só pra ele! É tão bonitinho! – Jorge já segurava a criança no colo, mostrando-a para Evaristo – A gente não precisa botá-lo numa casinha de cachorro. Podemos cuidar dele!
- É Evaristo, vamos ficar com ele! Olha só a carinha dele! Não deve ser tão difícil!
- Vocês tão malucos? Estão falando de uma criança humana! Não podemos criar uma criança humana! Não pensam nas conseqüências que isso pode trazer?
- Por favoooor! – os dois imploravam com carinha de pidões.
- Ah! Ta bom! Mas fiquem avisados que o primeiro problema que essa coisa causar eu mesmo o janto.
Já era quase manha quando chegaram ao apartamento que dividiam no subúrbio. Não era exatamente luxuoso, mas a vizinhança nunca havia dado problema. Mal entraram Jorge se jogou no sofá com o controle da TV na mão largando o carrinho de bebê com um muito enrolado Rodrigo.
- Vamos ver, o que esta passando a essa hora? Hum... Jô? Não... Programa religioso? Não, já fiz minha boa ação de hoje... Filme pornô? Não... Ah! Finalmente algo de bom: um épico!!! Me faz lembrar dos velhos tempos!
- Hei! O que eu faço com ele?
- Ah! Larga ele ai... Já ta dormindo mesmo, nem vai reparar!
- Nada disso Jorge. Você e o Rodrigo vão arrumar um dos quartos pra ele. Larguem ele trancado lá durante o dia. Não quero correr o risco de ele abrir uma cortina e me fritar.
- Por que eu? Por que não você e o Rodrigo? – Jorge perguntava ainda passando os canais.
Evaristo fitou-o com uma expressão raivosa e não pensou duas vezes antes de levantá-lo pela camisa.
- Por que você me fez concordar em trazer essa coisa pra cá. Por que sou mais antigo que você... E POR QUE VOCE VAI ME OBEDECER OU VOU ENFIAR DUAS DUZIAS DE ALHO PELA SUA GOELA E LARGA-LO AO SOL!
- Só por isso? (N/A: nem te conto da onde eu tirei isso...)
- Faça o que eu mando... – Evaristo sussurrou entre dentes, mostrando seus caninos a Jorge. Com certeza se seu coração batesse mais rápido que o suficiente para que seus tecidos não apodrecessem, ele teria uma veia saltando na testa.
- Ta bom, ta bom. Se você me pede com tamanha delicadeza como vou recusar?
Ele se dirigiu para um dos quartos com Rodrigo. A casa era grande, tinha três quartos, mas os três ficavam juntos em apenas um durante o dia, deixando os outros quartos atulhados de coisas inúteis.
Evaristo se aproximou do menino que dormia tranquilamente e o observou em seu sono. Um sorriso de canto brotou em seus lábios.
- Até que você não é de todo ruim.
Evaristo acordou sentindo em cutucar insistente em seu braço. Não demorou muito para descobrir que o cutucar chato era obra de Jorge, que tentava acordá-lo.
- Evaristo. Acorda cara! Aquela coisa ta chorando a umas três horas. O que a gente faz? Daqui a pouco vai chamar a atenção dos vizinhos.
- Hum?... E que horas são? – perguntou Evaristo ainda sonolento.
- Quase seis horas...
- Mas que merda, Jorge! E você me acordou pra que então? Se já são seis e ele ta chorando a três, deixa ele chorar por mais uma até anoitecer... Quando o sol se puser a gente resolve... Não vou me arriscar a sair daqui com o sol ainda no céu por causa de uma coisinha banguela e cor de rosa... Agora... Seja um bom vampiro E VOLTE AO SEU TRANSE, JORGE!
- Mas... Mas...
- NADA DE “MAS” JORGE! VOLTE A DORMIR E ME DEIXA EM PAZ!
Evaristo se encosta a parede, fecha os olhos e volta ao seu sono. Jorge olha de rabo-de-olho para Rodrigo, que observava de olhos arregalados o ataque de fúria de Evaristo e volta ao seu canto do quarto.
- Definitivamente... Não vale a pena acordá-lo...
Lusco-fusco. O sol se põe e os três vampiros vão ao outro quarto ver como está a criança. Rodrigo é o primeiro a entrar, abre a porta cautelosamente e põe apenas a cabeça para dentro do quarto. Dá uma boa olhada, segura Jorge pela gola da camisa e o joga pra dentro do quarto exclamando um “a idéia foi sua” e fechando a porta atrás do vampiro.
- O que você está fazendo? – perguntou Evaristo.
- Acredite... Você não vai querer ver como está “aquilo”, então é melhor que ele resolva.
Jorge sai correndo do quarto batendo a porta atrás de si. Ele olha profundamente para os amigos e declara a sentença:
- Precisamos de fraldas... E sangue!
- Perae... As fraldas eu até entendo... Mas pra que o sangue?
- Pra ele comer oras... Pelo tempo que ele ficou chorando deve estar morrendo de fome.
- Seu idiota! – Evaristo deu um belo tapa na nuca de Jorge – Ele é uma criança humana! Não podemos dar sangue pra ele!
- Ué?! Porque não? Eu tomo sangue e estou muito bem.
- Inacreditável... – resmungou Evaristo – Mas vamos deixar isso pra depois e resolver o problema das fraldas agora.
- Resolvido. – Rodrigo fala jogando um pacote de fraldas descartáveis no colo de Evaristo.
- Onde conseguiu isso?
- No carrinho de bebê em que trouxemos ele.
- Certo... Jorge! Vá limpá-lo. – e atira o pacote pra ele.
- Por que eu?
- Nem tente me irritar agora por que vai se arrepender.
- Ta bom, ta bom... To indo – resmunga o vampiro entrando novamente no quarto.
- Bom... Agora que ele já foi resolver o primeiro problema, vamos resolver o segundo... O que damos pra ele comer?
- Ah... Sei lá o que crianças humanas comem... Faz muito tempo que fui humano e mais tempo ainda que vi ma criança... Não sei... Tenta dar pizza pra ele...
- Pizza? É, pode ser... Vou buscar.
Assim, Rodrigo sai do apartamento deixando Evaristo sentado no sofá.
Rodrigo já havia ido buscar a pizza há mais de meia hora e Jorge continuava trancado no quarto com o garoto e as fraldas. Achou melhor entrar só pra ter certeza de que o menino não havia batido em Jorge.
Ao abrir a porta viu Jorge ajoelhado na beira da cama com o menino sorridente a sua frente e o pacote aberto de fraldas ao seu lado. Estranhamente, o pacote que antes estava fechado, se encontrava quase vazio.
- Cadê as fraldas Jorge?
- Ali! – Jorge apontou um dedo por cima do ombro.
Evaristo seguiu a indicação de Jorge com o olhar e se deparou com uma parede onde haviam várias manchas marrons espaçadas e algumas fraldas grudadas.
- JORGE! O QUE VOCE PENSA QUE ESTA FAZENDO?
- Ué... Você não mandou que eu o limpasse? Eu to limpando...
- COM AS FRALDAS? – Evaristo abria e fechava as mãos, como se esganasse alguém.
- É...
- Tudo bem... – Evaristo fechou os olhos e suspirou – Não estou surpreso... Mas por que você esta jogando as fraldas na parede?
- Ah... Isso... Bom, a primeira foi por acaso. Eu a joguei e ela grudou. Aí eu comecei a jogar as outras pra ver se grudavam também... Mas depois da primeira nenhuma teve tanta aderência.
Evaristo fechou os olhos, contou até dez, mas mesmo assim deu um soco no cocuruto de Jorge.
- SEU IDIOTA! PONHA UMA FRALDA LIMPA NELE E LAVE ESSA PAREDE!
- Por que você ta tão estressado?
- Me recuso a responder isso. Faça o que eu mandei. Agora!
- Ta bom, ta bom...
Jorge colocou uma das ultimas fraldas que restaram no pacote no menino (de uma maneira meio torta) e seguiu Evaristo pra fora do quarto. Colocou a criança no chão da sala e se virou para retornar ao quarto.
- Perae, aonde você vai?
- Você não quer que eu limpe o quarto?
- E me deixar sozinho com essa coisa? – apontou para o garoto – Nem pensar.
- Fica com ele um pouquinho, Evaristinho...
- Não me chame assim.
- Só vou limpar o quarto e já volto.
- Jorge... To te avisando... Não deixa essa coisa comigo senão eu vou acabar jantando ele!
- Não... – Jorge segurou a criança e a apertou (como se fosse a Felícia) – Não faz isso com meu bebê! Ele é a cara de um Smurf... - a criança já começava a ficar azul com o aperto de Jorge.
- Ta, então deixa o quarto pra depois...
- Certo!
Jorge colocou a criança no chão, feliz porque não teria mais que limpar o quarto. Sentou-se no sofá, ligando a televisão e Evaristo sentou-se ao seu lado, pegando o controle e mudando o canal.
- Hei, Evaristinho...
- Não me chame assim!! – murmurou nervoso.
- Sabe o que eu tava pensando?
- Não sabia nem que você era capaz de fazer esse tipo de coisa...
- Nós ainda não demos um nome pro guri! – disse Jorge com um grande sorriso de um canino só e ignorando completamente o comentário de Evaristo.
- Nem vamos dar. – respondeu o outro.
- Por quê? Não podemos chamá-lo de guri pra sempre...
- Primeiro: ele não vai viver pra sempre, e talvez nem você se continuar fazendo essas burrices. Segundo: não vamos dar nome porque quando você nomeia uma coisa você se apega demais a...
- Já sei! – Jorge cortou Evaristo mostrando que não havia ouvido uma palavra do que ele dizia – Vamos chamar-lo de Smurf!
- Smurf?! A cada dia você me surpreende mais... Se for pra dar nome, pelo menos de nome de gente.
- Tipo Frajola?
- Isso não é nome de gente... – suspira Evaristo voltando a olhar para a TV.
Vinte segundos depois. (N/A: baseado no meu beta)
- Evaristo?
- Hum...
- Que você ta assistindo?
- Ainda não sei,você não me deixa prestar atenção!
- Ta...
Dez segundos depois.
- Que você acha de Juvenal?
- Jorge... Cala a boca e me deixa ver a TV? A Oprah ta começando...
- Aaahh... Não vamos ver isso não, é muito chato! Bota o DVD da Xuxa...
- Cala a boca!
- Ta bom, ta bom... Que tal chamar ele de Alexandre?
Evaristo pulou ágil como um gato e segurou Jorge pela gola da camisa, os olhos faiscando.
- Se você quer Alexandre, coloque Alexandre, mas me deixe assistir a Oprah!
- Ta bom! Então vai ser Alexandre! – disse Jorge com um imenso sorriso enquanto Evaristo o colocava no chão e voltava a assistir a Oprah.
Rodrigo entrou na sala com três caixas de pizza na mão. Colocou as caixas em cima da mesa e se sentou ao lado de Evaristo e Jorge no sofá.
- Por que vocês estão assistindo a Oprah? Não vamos ver isso não, é muito chato! Bota na Xuxa...
- Não falei Evaristo? A Xuxa é bem melhor...
- Você está andando demais com o Jorge, Rodrigo. Por que demorou tanto?
- Foi difícil alcançar o motoboy... Ele acelerou quando viu meus dentes. A minha sorte foi que ele estava preocupado demais em gritar igual uma mulherzinha que não viu a senhora que estava atravessando a rua de muletas... Depois foi só beber e pegar as pizzas antes que a polícia chegasse.
- Por que você não trouxe o homem e a velha pra gente?
- Ah... Eu não ia conseguir trazer os dois e a pizza... Suguei o motoboy lá mesmo...
- Mas a pizza você trouxe?
- Trouxe... Trouxe isso aqui também! – e atirou uma chave para Jorge.
- Que isso? – perguntou Evaristo olhando a chave.
- Promoção: coma o motoboy e leve a moto de brinde. (N/A: nossa, ele fez uma piada!)
- Eba! – disse Jorge saltitante – Ganhamos uma moto! Posso andar? Diz que posso Evaristinho? Não seja mau. Diz que sim! Sim? – disse tudo muito rápido enquanto saltitava e sacudia Evaristo pela manga da blusa. Esse mantinha o olhar fixo na TV e sorria psicoticamente, com os olhos vermelhos.
- Jorge... CALA A BOCA E TIRA AS MÃOS DE MIM!
- Ta bom, ta bom...
- Então... Cadê o guri? Ele deve estar com fome... – Rodrigo mudou rápido o assunto para evitar a briga dos dois. Passou os olhos pela sala a procura da criança e a viu sentada e encolhida em um canto perto de uma mesa de cabeceira.
- O que ele está fazendo? – perguntou se aproximando do garoto.
- Que houve Rodrigo?
- Não sei Evaristo. Ele ta todo encolhido, será que ta passando mal? – Rodrigo segura a criança no colo olhando atentamente para ele. “Que será que ele tem?”, perguntou aproximando um pouco mais a criança do rosto e, mais rápido do que acreditou ser possível, o menino pôs em sua testa o objeto que segurava na mão.
- AAAH! – largou a criança (que foi rapidamente pega por Jorge) enquanto pulava e se debatia – TIRA! TIRA! TA QUEIMANDO!
- Para com essa viadagem Rodrigo! Deixa eu ver o que aconteceu!
Quando Rodrigo finalmente parou quieto, eles puderam ver uma pequena cruz de prata colada em sua testa (que agora soltava fumaça).
- Tira isso dele Jorge!
- Ta louco! Eu que não ponho a mão num negócio desses! Queima!
- Anda logo Jorge!
- Eu não! Tira você!
- Será que dá pra alguém me ajudar?
- Tive uma idéia! – Jorge põe a criança no colo de Evaristo e sai correndo da sala
- Ele realmente disse que tinha uma idéia? – pergunta Evaristo olhando Rodrigo.
- Essa não... Mais dor...
Jorge volta correndo para a sala com um imenso alicate de encanamento na mão e voa em cima de Rodrigo que cai estirado no chão.
- Agüenta aí! – diz com um pé no peito de Rodrigo e segurando a cruz com o alicate – No três... – e puxou.
- AAAAHHH! VOCE NÃO DISSE TRÊS!!!
- Não?... Então deixa eu recolocar e fazer direito dessa vez! – disse já tentando colar a cruz novamente na testa de Rodrigo que o empurrou para longe, passou a mão sobre a testa, agora em carne viva e apontou para o garoto no colo de Evaristo.
- Essa coisa...
- O nome dele é Alexandre! – disse Jorge feliz.
- Não importa... Ele tentou me matar!
- Não seja ridículo Rodrigo! Você já esta morto! – Evaristo colocou a criança no chão e foi até a mesa – Melhor darmos logo essas pizzas pra ele.
- Ainda acho que ele tentou me matar... – resmungou Rodrigo enquanto eles abriam as pizzas e as deixavam perto de Alexandre.
Os três sentaram-se novamente no sofá para assistir a TV (Jorge resmungou baixinho por causa do pescotapa que Evaristo lhe deu quando pediu que o deixasse assistir aos Smurfs).
A porta do apartamento foi aberta silenciosamente e por ela pulou ema figura baixinha vestida de sobretudo e boina e gritando “Queridos, cheguei!!!”
A figura baixinha olhou ao redor sem encontrar ninguém.
- Ué... Cadê todo mundo? Tem alguém aqui?
- Picuxaaaaa!!! – ouviu a voz de Jorge gritando da cozinha – Vem me salvar!!!
- Vocês não sabem o que aconteceu – respondeu enquanto tirava a boina e o sobretudo e se dirigia para a cozinha – um motoboy atropelou uma velhinha de bengala aqui perto e, como se não bastasse, alguém roubou as pizzas do homem! É por isso que esse país não vai pra frente e... O que vocês estão fazendo ai?
Lú é uma lobisomem baixinha com curtos cabelos castanhos, orelhinhas felpudas no topo da cabeça, patas de lobo e um rabo. Ela piscou duas vezes e coçou os olhos ao ver a cena que se desenrolava na cozinha. Três imortais altos e fortes estavam espremidos sobre um banquinho de três pés enquanto uma coisinha rosa (que ela reconheceu como sendo uma criança) estava sentada sobre uma pizza atirando pequenos pedaços de alho torrado sobre os três homens.
- Por um acaso a janta resolveu te atacar com a sobremesa?
- Ele não é janta! É o meu Smurf!
- Sabe... – ela encostou-se ao batente da porta – Isso só seria mais patético se vocês estivessem estivem ai por causa de uma barata.
- Essa coisa... Está tentando nos mat... AI! – Rodrigo reclamava apontando para o bebê quando foi acertado por um alho.
- Pára com isso... É só uma criança humana e... Quantas vezes vou ter que repetir pra vocês não brincarem com a comida?
- Ele não é comida!!! – reclamou Jorge.
- Não! É um capeta! – disse Evaristo dando um tapa em Jorge que quase o derrubou do banquinho. – Srta. Lú, será que pode... AI (recebeu uma alhada), por favor... UI (outra alhada), fazê-lo parar com isso?
- Não sei, é tão engraçado ver três marmanjos num banquinho...
- Picuxa, por favooor...
- Ta bom, mas é só por que é você que ta me pedindo... – disse pegando a criança. Olhou para ela e dessa para Jorge – E posso saber por que vocês estavam fugindo do seu Smurf?
- O idiota do Rodrigo roubou as pizzas e nem abriu pra ver de que sabores eram... Quando vimos o pirralho já tava jogando alho na gente. – respondeu Evaristo tirando Alexandre dos braços de Lú e se sentando com ele no sofá.
- Não dava tempo de ver o sabor da pizza... A velhinha já tava começando a agonizar e atrair a atenção.
Lú arregalou os olhos para Rodrigo e apontou boquiaberta pra ele.
- Foi você... Você ainda não parou com essa mania de perseguir motoboys?
- É... E eu ganhei uma moto! Quer passear comigo, Lú!? – perguntou Jorge.
- Claro! – respondeu abanando o rabinho.
- Merda! – Evaristo deu um pulo do sofá segurando a criança com as pontas dos dedos – Essa coisa não tem fundo? Jorge! Vá limpa-lo! – disse passando a criança (agora bem fedorenta) para Jorge.
- Sempre eu... Ah! Tem uma coisa muito legal pra te mostrar Lú! Vem comigo... – disse seguindo para o quarto onde havia trocado o garoto mais cedo, e sendo seguido de perto por Lú.
Evaristo sentou novamente no sofá olhando serio para Rodrigo que levantou os braços em sinal de rendição.
- Que? Nem olha pra mim... Você pediu pizza, mas não especificou o sabor...
- Ta bom... Nem vou falar nada. Mas você merecia um tapa. Pelo menos é o Jorge que vai limpar o... Essa não... De novo não... – levanta-se correndo e vai em direção ao quarto em que Jorge estava limpando a criança. Assim que abriu a porta foi acertado no rosto por uma fralda suja errante.
- Eu não falei que a primeira ia ter mais aderência?
- JORGE!!!
FIM... por enquanto
por favor deixe um review e faça a autora feliz