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Fiction » Thriller » Perfeito font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: ACerdeira
Fiction Rated: M - Portuguese - Crime/Mystery - Reviews: 2 - Published: 02-23-08 - Updated: 02-23-08 - Complete - id:2479514

Está é uma tradução do meu conto “Perfect”

“Perfeito”

Por A. Cerdeira

Vitória era basicamente uma dona de casa. Ela verificava que tudo funcionasse perfeitamente em sua mansão. Que o cozinheiro preparasse refeições perfeitas. Que as arrumadeiras e faxineiras não deixassem um grão de pó na casa. Que o jardineiro deixasse o jardim em excelentes condições.

Depois de cumprir suas obrigações Vitória passava seus dias entre spas, chás com amigas e aulas de tênis. Sim, Vitória Gusmão era a perfeita dona de casa da elite paulistana, exatamente como sua mãe a preparou para ser.

Casada há dez anos com o brilhante advogado Paulo Gusmão, Vitória tem a vida perfeita. Ela o conheceu quando ele era apenas um estagiário na firma de advocacia que cuidara do espólio de seus pais, quando eles morreram repentinamente em um acidente de carro. Paulo foi uma benção em sua vida. Com apenas vinte e dois anos e uma irmã de quinze, Vitória não sabia como lidar com a fortuna que seus pais lhes deixaram. Paulo a orientou, a apoiou e ela se apaixonou.

Hoje em dia Paulo tem a sua própria firma de advocacia, que foi aberta juntamente com seu melhor amigo da faculdade; Roberto Teixeira. Vitória emprestou o dinheiro para que eles começassem e os apresentou para a alta sociedade paulistana, de onde eles cativaram seus melhores clientes. Hoje em dia eles são a firma mais procurada de São Paulo e Vitória não se arrepende, afinal de contas, se não fosse por ela ele ainda seria um ninguém.

Vitória ama seu marido e sua vida. Ela não mudaria nada. Nem seu pequeno segredo. Principalmente seu pequeno segredo.

Em uma bela quinta-feira à tarde a governanta, Gertrude, avisou Vitória que Paulo pediu que ela o encontrasse na firma mais tarde. Que não se preocupasse, pois estariam sozinhos. Vitória sorriu e foi se preparar ao som de suas músicas prediletas. Paulo adorava fazer essas surpresas para sua esposa. Ele marcaria um encontro com ela em um lugar completamente trivial e logo a levaria para algum passeio inesquecível e romântico que eles nunca tinham feito antes.

Num vestido preto de seda, que Paulo nunca vira antes, Vitória entrou no carro e ordenou ao motorista que a levasse ao escritório e depois tirasse a noite de folga. Ela sabia que não precisaria dele, Paulo sempre pensava em todos os detalhes.

Ao entrar no edifício, Vitória acenou para a recepção e foi diretamente para os elevadores. Ela impacientemente esperou que o elevador abrisse a porta no andar da firma. Ao sair do elevador ela não estranhou a escuridão com a qual se deparou. Afinal de contas, Paulo disse que estaria sozinho.

Conhecendo o lugar como a palma de sua mão, Vitória nem se deu ao trabalho de acender a luz e simplesmente se dirigiu ao corredor onde estava a sala de Paulo. Ao chegar perto estranhou que não houvesse nenhuma luz vindo da sala dele. Quase foi embora, mas logo viu a luz vindo de debaixo da porta de outra das salas. Foi diretamente a ela e, sem bater, abriu a porta.

Seus olhos se esbugalharam em choque com a cena com a qual se deparou. “Como puderam fazer isso comigo?” foi seu único pensamento. Ele era dela, não tinha o direito de tocar outra mulher. Ela não tinha o direito de tocar seu homem. Sem nem se dar conta de suas ações, Vitória tirou de sua bolsa a arma que Paulo insistira que ela carregasse por proteção. O casal, em seu momento de paixão, nunca sequer se deu conta que Vitória estava na sala e não teve como reagir aos tiros.

Ela andou calmamente até os corpos caídos, pisando sobre o sangue que se esvaia deles. Com o pé ela tirou a mulher de cima de seu homem. Nem na morte outra mulher podia tocá-lo. Como que em transe, Vitória se deitou sobre o corpo dele e com um último beijo ela puxou o gatilho.

--

Do outro lado da cidade um homem elegantemente vestido estava sentado à uma das mesas de um dos mais badalados restaurantes da cidade, há duas horas. O garçom aproximou-se da mesa mais uma vez para ver se o cliente queria algo.

“Não, obrigado,” o homem respondeu apontando para seu copo de whisky. “Eu vou esperar mais um pouco. Tenho certeza que minha esposa deve chegar logo.”

Nesse momento seu celular tocou e com um sorriso para o garçom o homem respondeu o celular.

“Vitória-“ ele começou aliviado, mas uma voz desconhecida respondeu.

“Senhor Paulo Gusmão?”

“Sim.”

“Aqui é o detetive João Batista da polícia de São Paulo. Será que o senhor poderia me encontrar em sua firma de advocacia?”

“Qual é o assunto detetive? Eu estou esperando minha esposa e não quero sair daqui. Já tentei o celular dela, mas ela não atende. Se eu for embora ela não vai saber-“

“Desculpe interromper, mas é sobre a sua esposa. Eu não queria dar esta notícia pelo telefone... mas não vejo outra maneira. Senhor Gusmão, sinto lhe informar, mas sua esposa faleceu. Ela foi encontrada morta a tiros juntamente com seu sócio Roberto Teixeira e sua cunhada Elizabete Reis.”

“O que?” Paulo perguntou chocado. “Não, há algum engano. Vocês se enganaram. Minha esposa e minha cunhada não tinham nem porque estar na firma! Isto é um engano! Eu tenho certeza,” ele disse desesperado.

“Sinto muito Senhor Gusmão, mas não há engano. Todos eles tinham carteiras de identidade. Nós precisamos que o senhor confirme a identidade, mas temos certeza de que não há engano.”

“Estou indo para aí,” Paulo disse enquanto se levantou desesperadamente e jogou algumas notas de dinheiro na mesa. “E vou provar que houve um engano. A Vitória com certeza está presa no trânsito caótico de São Paulo.”

Ele desligou o telefone rapidamente e nem percebeu o suspiro do outro lado da linha. Ele praticamente correu para seu carro e de maneira desajeitada pegou as chaves. Entrou rapidamente e arrancou o carro. Com portas e janelas fechadas ninguém viu o sorriso satisfeito em seu rosto.

Paulo Gusmão era um excelente advogado. Ele é paciente e sabe quando agir. Ele esperou dez anos pelo momento ideal. Desde que botou os olhos nos documentos referentes ao espolio da família Reis e as instruções para o cuidado da filha mais velha dos Reis, que sofria de um temperamento instável, ele soube o que fazer. Logo na primeira vez que a viu percebeu como era carente e possessiva. Por dez anos ele foi o marido perfeito. Atendeu a todos os desejos dela. Agüentou todos os seus escândalos e ataques violentos pacientemente, comemorando internamente cada vez que ela reafirmava sua imagem de pessoa louca e ciumenta.

Ele fingia que não sabia do caso entre Roberto e Vitória. Ah, Roberto. Ele o escolheu a dedo. Roberto nunca conseguiu resistir a uma mulher bonita e as irmãs Reis eram a isca perfeita. Vitória a casada era o desafio. E Elizabete, linda e jovem. Paulo sempre fez questão de convidar Roberto para todas as ocasiões familiares.

Era só uma questão de tempo e de não deixar rastro. Pobre Gertrude. Que desperdício, uma mulher tão linda. O que fazer? É fato notório que Vitória não suportava a governanta. Porém Paulo foi firme desta vez, Vitória não podia continuar trocando de governanta a cada semana. Vitória reclamau da biscate que estava tentando roubar seu marido para quem quisesse ouvir. E o fato de que Gertrude foi estrangulada no jardim da mansão com uma meia calça de Vitória justo antes de ela sair de casa, foi o toque perfeito.

Paulo assobiou enquanto dirigia em direção a Avenida Paulista. Finalmente ele era um dos homens mais ricos da cidade.

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A/N- Esta é minha primeira tentativa em um conto original. Já escrevo fanfiction há algum tempo e decidi arriscar. A idéia para este conto foi desenvolvida para a minha aula de Vídeo da faculdade há anos atrás. Devido ao péssimo equipamento, atores piores ainda e nem um tostão furado, o vídeo é intragável. Mas sempre gostei da idéia.

Digam-me o que acham e, por favor, sejam gentis, eu sou uma principiante.


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