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N/A: Totalmente inspirado na musica e no clipe de El Tango de Roxanne. Recomendo ouvir ao ler a história. A introdução foi retirada do filme Moulin Rouge e não me pertence.
O Moinho Vermelho de Roxanne
Esta é a história
A prostituta
E o homem que se apaixonou
No começo vem o desejo
depois, a paixão
então, suspeita
ciúme, raiva, traição!
No amor pela melhor oferta, não pode haver confiança...
...e sem confiança, não há amor.
Ciúmes, sim, ciúmes!
Você ficará, você ficara, você ficará...
...Louco!!
Ela, parada em meio ao salão, os brilhos de diamantes falsos contrastando no vestido negro que apenas servia para realçar a mercadoria que vendia, suas belas curvas, seus belos contornos, sua pele pálida, sua boca sangrenta e olhos luminosos como estrelas distantes.
TAM! E o tango começa, seus belos saltos trovejando pelo salão em passos fortes, perdidos. Suas mãos passeando pelo próprio corpete, antes de pousarem, com a graça cortesã, sobre os cabelos dele, e os ombros, e o peito forte, girando na dança espiralada da guerra de desejos.
TATAM! Os corpos, colados, unidos, movidos pelo força da musica, pela força de algo maior, pela força frágil do calor de seus corpos, pela suave pressão da mão dele sobre o negro e branco do corpo dela. Pelo fogo frio de uma paixão de uma noite, comprada a plata.
TAM! Um olhar. Um leve suspiro da moça. Um outro olhar. Uma leve falha no coração dele. Força, não tão suave, os dedos dele marcando o alabastro quente do pulso dela, do rosto dela, pintado profusamente de carmim. Os passos cuidadosos da melodia de tristeza, para trás, para trás. Um giro violento, quase a joga ao chão, e apenas os braços dele a amparam. Suspeita...e mais suspiros.
TATARAM! Selvagem! Giros, saltos, trovões, dedos marcados na pele branca, diamantes de vidro cintilando desespero! Os joelhos envoltos em meias de seda no chão, e de volta aos braços dele, não há mais sincronia. Apenas ação, vigor, brutalidade! E então não há nada. Ela novamente sozinha no meio do salão. Outra vez.
E eles chegam, gatos noturnos, braços igualmente fortes, corpos igualmente veementes na dança insana e voluptuosa, mãos igualmente capazes de marcar, de acariciar, de ceder aos brilhos da noite, dos rublos lábios ávidos de pesos e mais pesos da plata argentina. Mais um tango. Menos confiança depositada nos estilhaços de vidro.
E ela gira nos braços dos outros, nos braços dos gatos. O rosto deles sobre o dela, as mãos deles sobre o vestido negro. Os lábios deles sobre a alvura impura e fervente. Igualmente fervente. Igualmente entregue. Talvez...apenas talvez, não tão apaixonada.
Silencio. Aquele silencio que precede o som, aquele audível nas batidas incessantes do coração vendido, e do estilhaçado. Ele volta, e ela anda, sem fugir, pelo salão de opressivo silencio. Seus olhos colados pela distancia que os separa, murmurando através do brilho distante e abrasivo milhares de palavras de amor nunca ditas. Novamente a força. Novamente os corpos dos dois amantes, novamente os círculos loucos de um amor impossível e pecaminoso. Ambos tão sincronizados quanto os fortes gatos ao redor deles, espreitando pela próxima chance de comprar aquele brilho.
TAM! TATAM! TAM! TATARAM! O cetim negro de suas saias sobe, mostrando ainda mais do que nunca deveria ter mostrado, as rendas negras do que ela usava para sobreviver...e viver. Pra trás, giros, os braços de outros gatos, os braços de outros homens, os lábios de outros homens, e as rodas de loucura confundindo a mente queimada de ciúmes dele! E ela se joga, com ardor, com desejo, nos braços deles, de todos eles, um por vez, ou todos de uma só vez, todos provando o gosto sangrento de seus lábios falsos, de seus brilhos falsos, de seus amores falsos. Suspiros, giros, loucura! De um para outro, de corpo a corpo, e novamente ele, novamente a vez dele, a ultima vez dela. Sem confiança não há amor.
Os olhos voltam o brilho das estrelas para o céu, e a boca tão desejada solta pela ultima vez o suspiro de amor.
Um corpo solitário fica espalhado no chão, pálido, mas frio.
O vermelho escorre em círculos lentos...
...Roxanne.