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Fiction » Biography » Signs of Nothing font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Blodeu-sama
Fiction Rated: K - Portuguese - Angst/Poetry - Published: 03-28-08 - Updated: 03-28-08 - Complete - id:2495789

N/A: Mais uma doidera metalinguistica pseudo poética que escrevi e que ficou razoavelmente decente.

Signs of Nothing

Solitária de multidões.

Sentada aqui como que esperando por uma borboleta noturna esvoaçar minha cabeça perdida. Há algo que tenho que escrever, que preciso desesperadamente escrever, e essa coisa grita em minha cabeça quase desumana. Eu posso ouvir seus gritos, gemidos e lamurias, mas nós não falamos a mesma língua. Eu não a entendo, não sei o que quer dizer.

As vezes coisas fogem do controle. E as vezes o controle estraga uma franca existência. Um cavalo selvagem virando uma besta de carga. E essa possessão tão lenta...tão discretamente humana, segura, desejada pelos que calam...eu não a quero nem mesmo em mil anos! As vezes uma casca encobre minha mente, uma casca dura, e por trás dela se esconde algo mais além do magnífico, algo que brilha, ofusca! Mas eu não posso alcança-la, até achar um meio de quebrar essa casca, essa crosta imunda feita de conceitos, de velharias, de coisas que não quero e quero imensamente ao mesmo maldito tempo.

Tudo se trata do equilíbrio desequilibrado, da maneira certa de ser incerto, da sanidade de um louco com punhados de palavras na mão, um louco que pode arremessá-las de um jeito ou de outro, e esses modos farão a diferença funesta entre o sublime e o mundano. De um lado, um demônio chamado Lexus de masturba com suas próprias mentiras e fingimentos. Do outro, uma divindade nua dança a dança das Graças em volta de uma lua feita de mel e açúcar.

Nenhum dos dois está ali como a fonte de inspiração. Nenhum dos dois é a minha borboleta noturna. Mas talvez os dois sejam. A mentira doce ou o amargo fel de uma paixão. A casca cobre meus olhos, e eu não consigo ver como faze-los de fundirem num só, demônio e divindade, como os amantes avassaladores de uma obra impudica. A crosta me impede, e não sei como quebra-la. Não posso sequer me concentrar em uma maneira de quebra-la, pois o algo continua gritando, na língua estrangeira que desconheço.

Ela grita na minha voz. De mim para mim...incompreensível. Como o vôo da borboleta noturna, carregando em suas asas mel e mentira, frieza e amor.

Algo grita, e esse algo sou eu.



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