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Paixão de Verão
À noitinha, no Verão, quando as estrelas dançam para a lua, as gentes saiem para a rua. Têm lo feito desde que há memória, ninguém sabe bem porquê, uns dizem que é por causa da brisa suave, outros dizem que é para as senhoras poderem conversar, enquanto as crianças correm e brincarem. Os jovens sabem melhor, à noitinha, quando as estrelas dançam para a lua, rapazes enamorados levam moças pela mão para cantos escuros, onde podem falar uma lingua que mais ninguém percebe.
Uma mocinha, ainda pequenina, não em idade mas em ingenuidade, saía sempre com o irmãozinho pela mão, enquanto o pai bebia com os camaradas e a mãe ouvia enfadada a conversa da vizinha, que lhe contava dos ratos na cozinha da Senhora Joaquina, e dos sapatos roubados que a Senhora Manuela tirara das mãos da sua pequena traquina.
Naquela noite de Verão o ritual mudou quando a vizinha estava adoentada e a mãezinha zangada com o menino que na escola não aprendia nada. E a mocinha, sem saber o que fazer, sem o irmão pela mão ou para entreter, sentiou-se sozinha e segiu o pai às escondidas, pelas ruas e vielas, segurando a bainha da saia na mão, não se fosse molhar, e depois a mãezinha lhe ralalhar.
Mas o paço apressado do pai que reconhecia o caminho às escuras, deixou a mocinha para se perdida. Alguém assobiava uma canção triste num beco sem saída e a menina, pequenina na sua ingenuidade, procurou pelo músico, talvez ele fosse da sua idade.
A menina foi encontrar um mocinho da sua idade - as costas na parede de tijolo frio, as maõs nos bolsos e um sorrizo traquina nos lábios, foi tudo o que ela viu. A mocinha sorriu e o menino acentiu, deixando-a aproximar-se e ele continuou a canção, deixando a menina no ritmo embebedar-se.
O mocinho sorriu quando a rapariguinha lhe tocou na mão, e em pouco tempo ele tinha o seu coração. A menina que era ainda pequenina, não em idade mas em ingenuidade, deixou que o menino a levasse e a beijasse, e só voltou a casa de manhãzinha, entrando pela porta da cozinha.
A mãezinha tentou mostrar à mocinha que o rapazola só queria jogar à bola, que ele não a voltaria a procurar, e que a mocinha tinha de parar de se preocupar, que ele era só um rapazinho e que ela enconraria outro mocinho.
O que a mãezinha não entendia, pensou a mocinha, era o que a rapariguinha lhe tinha dado naquela noite atrás da porta, algo que ela não podia ter de volta, o que ela só queria saber que tinha tido valor e talvez isso parasse a dor.
A mãezinha não compreenderia e o moço deixa-la-ia enforcar-se no poço, no fim de contas, o rapazinho dizia para si mesmo, tinha sido só uma paixão de Verão.
N/A: Eu sei que isto é mesmo muito mau. Só estava a tentar ver se ainda conseguia escrever como costumava fazer, mas aparentemente não… Quero o meu “dom” de volta… Ah, já agora, erros na escrita não são culpa minha, só não tenho spell checker em português…