Home Just In Communities Forums Beta Readers Dictionary Search Login Register Extras
Fiction » General » Julie Franklin e a Lenda das Jóias Perfeitas font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Sara Lecter
Fiction Rated: K - Portuguese - General/Mystery - Reviews: 31 - Published: 06-06-08 - Updated: 04-23-09 - id:2528036

JULIE FRANKLIN e a Lenda das Jóias Perfeitas

Autora: Sara Clarice Lecter

Categoria: Geral, Mistério

Rating: indicado para maiores de 13 anos.

Spoilers: Julie Franklin e o Mistério do Falso Conde, Julie Franklin e o Tesouro de Flávio Creto, Julie Franklin e o Naufrágio do Corsário Traidor, Julie Franklin e o Outro Lado do Crime, Julie Franklin e a Linhagem dos Príncipes Bastardos.

Disclaimer: informo que os atrasos nas atualizações se deveram única e exclusivamente à compromissos profissionais que me mandaram para o sertão do Piauí, um dos estados mais secos do Brasil, onde – dando uma de Lara Croft – Sara Lecter utilizando sua identidade civil de Carol quase morreu afogada. Isso mesmo. Afogada. Bem, não tenho um Jack para me salvar, mas consegui me virar bem sozinha e cá estou, escrevendo novamente. Aliás, as personagens são minhas, só minhas e ai de quem tentar copiar. Se eu falecer (espero que não seja afogada...) os direitos já foram deixados em testamento para o meu gato Mustafah, que ficará felinamente radiante de gastar a fortuna com as vendas da saga Julie Franklin para a Time Warner (que já fez proposta de sete dígitos, mas ainda estamos pensando no assunto) na peixaria. Não tendo mais a mim para pescar para ele, achei que seria justo garantir oferta de lambaris frescos para ele enquanto o observo lá do céu. Suas tutoras serão Elyon e Gataportuguesa, mas rogo que sua origem lusitana não as incline a viciar o meu lindo Musty em bacalhau, olha lá, hein?


Epílogo

Era um túmulo, afinal de contas, e todos eles eram muito parecidos aos olhos de Eric Jacob Hellfeld. Já os vira aos montes, dos mais simples – como a vala indigente onde fora sepultada sua mãe – até os mais suntuosos, como o mausoléu dos Franklin, em Londres. Vira túmulos de Reis, de Papas, de astros da música ou do cinema, e vira monumentos contundentes, como os de vítimas do holocausto judeu. Aquele em Casablanca estava diante de si por uma razão simplesmente prática: se Bianca estivesse certa, um dos conjuntos de jóias perfeitas estava ali dentro.

– Pense nele como um cofre. – disse Jack, ao ouvido da amante.

– Você nunca profanou um túmulo? – perguntou ela.

– Todos têm os seus fantasmas.

– Por falar nisso, - interrompeu Bianca. – não dá pra andar logo com isso? Estou achando esse lugar meio mal assombrado.

De fato aquele era o tom do lugar. Escuro, cheio de sombras, com espaço para que o mínimo sussurro ecoasse como um sopro do além. Tom se adiantou com suas ferramentas e Jack rapidamente o ajudou. Julie e Bianca, lado a lado, apenas observavam, curiosas e ansiosas.

– Últimas palavras, Barbie?

– Por que, sua intuição diz que morreremos pela maldição que sairá daí?

– Uhum.

– Muito engraçado, como se eu já não estivesse apavorada sem as suas gracinhas.

– É sempre um prazer te deixar com medo.

Ju?

Ela se agachou ao lado de Jack, observando melhor o local para onde ele apontava, curiosamente. Julie tentou deslocar uma placa de pedra e notou que já estava solta.

– Ora vejam, não sabia que havia mais ladrões de túmulo por aqui. – comentou Tom.

– Pode ter sido o seu avô. – comentou Jack.

– Ele teria mencionado em seus diários. – respondeu ela, olhando intrigada para a lápide. – Bianca, ajude aqui, vamos abrir de uma vez.

– Fiz as unhas para a viagem, sem chance.

– Vamos te enterrar viva aqui dentro se não se mexer, garota. – disse Jack.

– Adoooro a educação de vocês! – disse ela.

Com muita dificuldade, deslocaram a grande placa de pedra que cobria os sarcófagos. Não era um sepultamento árabe comum, tampouco havia seguido tradições ciganas. Era simplesmente o túmulo de um casal e ao ver apenas cinzas, tecidos, couros e alguns objetos de metal, Jack pensou brevemente na simplicidade da morte.

Tom se adiantou e passou a vasculhar o conteúdo da tumba, mas Julie o conteve, com olhar frio.

– Não estão mais aí.

– As esmeraldas? – Jack secou o suor de sua testa e encarou a amante.

– Não custa tirar a dúvida. – dessa vez foi Bianca que se meteu a vasculhar entre os tecidos.

Julie deu a volta no túmulo e se concentrou no crânio da cigana, que parecia prestes a se desintegrar com uma brisa. Afastou o maxilar e ele se quebrou em três pedaços muito frágeis. Com destreza, tirou de dentro do que fora a boca de Maria um pequeno bilhete.

“Quando as jóias perfeitas estiverem em poder de seus donos, os verdadeiros herdeiros de Ned Franklin, o próximo passo será acabar de uma vez por todas com os impostores. Mandem lembranças à nossa amada sobrinha”.

– Maldição! – exclamou Jack.

– Bianca... o telefone. – pediu Julie, trêmula.

– Meu amor, não se preocupe, vamos pegá-los muito antes que cheguem perto dela.

Julie não respondeu, teclou um número e ficou aguardando a chamada.

– Fê? Felicia, é você?

Aconteceu alguma coisa, Ju?

– A Lisa... ponha a Lisa no telefone, por favor.

Claro, mas... que houve, Ju?

– Falamos depois. – ela aguardou a transferência do aparelho com os nervos à flor da pele. – Filha!?

Oi mãe! – a garotinha sorriu. – Já p-

–você está bem?

Sim, mas e-

–está obedecendo a Felicia, como eu pedi?

Estou sim. – o humor dela se alterou sensivelmente. – ‘tá preocupada, mãe?

– Um pouco, mas não é nada. Fiquei com saudades.

Quando você volta?

– Amanhã de manhã. Quer falar com o Jack?

Uhum.

Ela alcançou o telefone ao amante e ele limpou a voz antes de falar:

– Lisa?

Oi...

– Ouça, não tivemos sucesso em Casablanca.

Mas por quê, pai?

Jack fechou os olhos. Ainda sentia seu coração disparar quando a menina o chamava daquela maneira.

– Uma longa história, mas eu prometo te contar quando voltarmos. O que acha?

Vou ficar esperando.

– Quer chocolates do aeroporto?

Muitos! – ela riu.

– Até logo, filha.

Bianca e Tom apenas observaram. Era tudo diferente agora e se Jack e Julie haviam se tornado incapturáveis por tanto tempo por não poderem ser chantageados, havia desta vez um grande ponto fraco que os poderia derrubar. Mary-Elisabeth Franklin Harris. Ou Elisabeth Franklin-Hellfeld, como ela própria decidira que seria seu nome, e muito mais do que uma alcunha, aquilo era o registro de que ela carregava no sangue o estigma de duas lendas do crime.


Nota da Autora: embora ainda não haja um título (novidade...) a sétima e definitiva parte da Saga Julie Franklin já está no forno. Aguardem...

Sara Clarice Lecter



Return to Top