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Fiction » General » Crônicas do Cotidiano font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: Goldfield
Fiction Rated: K+ - Portuguese - Drama/Humor - Reviews: 9 - Published: 06-21-08 - Updated: 07-23-09 - id:2535095

CAPITULO 19: Amizade - Reunião

Agora isso era raro: de todas as pessoas que eram quase impossíveis se ligar para um celular, uma dessas pessoas era a mãe de Aline. Jaqueline simplesmente não conseguia se acostumar de forma alguma com tecnologia moderna, e nada tirava de sua cabeça que as taxas para ligar para celular eram absurdas. Além disso, computadores eram o terror absoluto da mulher, e equipamentos eletrônicos nem se fala. De modernidade ela vivia os produtos de beleza que conseguiram fazer com que seu corpo se mantivesse extremamente bem-conservado para a idade dela, e nada mais.

Mas naquela tarde em particular, ela teria de enfrentar seus temores e adentrar de cabeça o século XXI, pois prometera telefonar para o celular da filha por meio do aparelho fixo da casa para informar se Dayane ligara para lá ou não desde que saíra. A menina planejava algo, o que ficava evidente devido à estranheza de se esperar ligações da garota com a qual nem se falava mais, mas a mãe se prontificou a informá-la.

Claro que se ela estaria enfrentando o inimigo amaldiçoado chamado de celular, a garota havia ligado. Na verdade, agora que tinha percebido: havia ficado quase 20 minutos parada em frente ao telefone pensando se deveria ligar ou esperar a ligação da filha para avisar. Às vezes ameaçava de pegar no telefone, mas pensava melhor e voltava atrás. Aquela batalha estava sendo árdua, mas um dos dois ia ceder: Jaqueline ou o telefone.

Retirou o aparelho do gancho num movimento súbito e rápido, como se agisse assim para não ter tempo de se arrepender. E, consultando sua memória boa para números, começou a discar para a filha. Houve sinal. "Menos mal", pensou ela. Uma, duas vezes. Na terceira alguém atendeu do outro lado da linha:

- Oi, mãe?

- Filha, tudo bem com você?

- Tudo bem sim. A Day ligou?

- Então, filha... Ela ligou sim, falou que precisava de sua ajuda!

Só então Jaque percebeu que tinha falado essa frase com tanta velocidade que até para ela soou confusa.

- Ah, mãe, fala mais devagar?

- A Dayane ligou sim – disse ela com mais calma. – Falou para você ligar que precisa de ajuda!

- Ajuda? Tudo bem, vou ligar para ela aqui do celular. Vou desligar...

- Espera ai, você tem crédito para ligar?

- Claro, mãe, por...

- Você não vai gastar demais, vai? Como vai ligar para mim depois?

- Calma, tá? Eu consigo ligar para as duas e ainda por cima falar bastante. Até, te amo!

- Também te amo. Deus a abençoe!

E Aline encerrou a ligação, logo depois consultando seus contatos na agenda do celular. Partiu para a letra "D", e lá estava o nome "Dayane". Não falava com ela há meses, aquela seria a primeira vez em todo aquele tempo. Sucesso ou fracasso pendiam numa balança sobre o coração da garota.

- Alô? – respondeu uma voz meio sonolenta do outro lado.

- Day, sou eu!

- Ahm? – replicou novamente. Parecia que a garota estava dormindo ainda.

- Aline, Day!

- AH! Desculpa, eu não estava reconhecendo a voz!

A garota soltou uma risada leve e voltou a falar:

- É que cochilei na matéria. Mas quanto tempo! Por que ligou?

- Eu que queria saber o que você quer falar comigo – falou a garota rindo um pouco, dando um ar divertido à frase.

Dayane respirou fundo antes de explicar o motivo. Não era fácil esquecer tudo que a amiga lhe fizera, mas tinha de tentar reatar aquela amizade que já fora tão bela.

- O Guto se acidentou e está triste lá no hospital, queria fazer algo para alegrá-lo. Pensei num bolo, porém como sabe eu nunca fui boa nisso. E gostaria de saber se você poderia me ajudar a fazer um... Nós duas... Como fazíamos antes!

A garota ficou um pouco surpresa com o pedido da amiga, mas não viu problemas, ficou até contente em ouvir isso.

- Tudo bem. Pode ser quando?

- Podemos fazer amanhã? Na sua casa, a minha não tem tudo que precisa para fazer bolos...

- Claro, sem problemas. Amanhã às duas tudo bem?

- Tá, então... Te vejo amanhã...

A garota desligou e se sentiu feliz, parecia que a amizade dela com Day ainda era possível apesar de todos os problemas que ela a havia feito passar, isso deixava Aline bem animada.

De repente o celular dela tocou mais uma vez, ela olhou para ele e examinou quem ligava...

- Quê? Não acredito!

Ela mais uma vez atendeu. Era sua mãe:

- Filha, a operadora não mandou fatura já para você não?

Aline só não xingou Jaqueline por estar imensamente feliz pelo que aconteceria no dia seguinte.

- - - - - - - -

A campainha tocou, e Aline já tinha certeza de quem era. Correu para a porta para atender a amiga.

- Oi, Dayane! – falou apressada sem nem abrir a porta direito, mas deu de cara com sua mãe.

- Dayane? – Jaqueline inquiriu surpresa, entrando – Ela vai vir aqui hoje?

- Ah... Oi mãe, e ela vai sim, por quê?

- Vocês não estavam brigadas?

- Bem, estávamos... Mas ela vem aqui hoje numa tentativa justamente de fazermos as pazes.

- Olhem... Não vão brigar aqui não, hem?

- Hehehe – Aline não se conteve e riu. – Pode ficar tranqüila, mãe.

A senhora se dirigiu ao seu quarto ainda um tanto desconfiada, quando a campainha tocou novamente.

A garota apressada atendeu à porta. Tinha certeza que agora era Dayane.

- Oi Day!

Mas não era!

- O que você está fazendo? - indagou o pequeno garoto Carlinhos, irmão de Aline.

- Esperando minha amiga... - disse ela aborrecida. - E você? Não deveria estar brincando?

- Eu só vim beber água!

O menino se dirigiu até a cozinha, sobre a mesa da qual se encontravam dispostos todos os ingredientes que seriam utilizados no bolo: ovos, farinha, fermento, açúcar.. E, cabisbaixa, Aline começou a imaginar se a outra jovem acabaria por não vir. Vinha sendo mesmo fácil demais para ser verdade. Talvez as feridas que causara em Day demorassem muito ainda para cicatrizar...

Novamente a campainha tocou. Não muito animada, a garota se levantou e abriu a porta. Mas se entusiasmou assim que o fez. Lá estava ela!

- Oi! Me atrasei né?

- Sim, mas não importa agora! – Aline riu um pouco.

- Está tudo pronto? Pensei em trazer algumas coisas, mas...

- Não, tá tudo certo sim, é só fazermos mesmo o bolo!

E, dirigindo-se até os ingredientes, começaram a preparar o que deveria ser um delicioso bolo para Guto. Conforme trabalhavam juntas, divertindo-se e aprendendo uma com a outra, viam quão grande fora a besteira de terem rompido relações. Ao se sujarem de farinha e massa, rirem juntas, colocarem os papos em dia, as duas moças perceberam que não deveriam nunca mais dar ouvidos ao ódio.

Estavam tão distraídas que não perceberam quando Jaqueline se aproximou.

- Ora, ora. Olá, Dayane. Quanto tempo. Como está?

- Olá. Estou bem sim e a senhora?

- Igualmente.

A mãe de Aline ficou olhando para a garota fixamente, o que deixou Dayane um pouco desconfortável.

Até que resolveu perguntar:

- Algum problema, Dona Jaque?

- Não, nenhum... É que vendo vocês assim, de novo unidas... Fico tendo certeza do quanto vale verdadeiramente uma sincera amizade!

E, sorrindo, deixou a cozinha.

Continua...



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