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Por Leona-EBM
Assassino de Aluguel
Capitulo VI
Apaixonando-se
OoO
“Nunca devemos julgar as pessoas que amamos. O amor que não é cego, não é amor”. (Honore de Balzac)
OoO
Caín estava perturbado com os ataques que estava sofrendo nos últimos tempos. Ele percebeu que alguém estava tentando lhe matar e por isso agia com mais cautela que antes. Ele já havia passado por uma situação singular, contudo dessa vez, a situação parecia ser mais fácil. A pessoa que estava tentando lhe matar devia ser ingênua.
O assassino estava pesquisando uma bomba que havia sido entregue ao seu apartamento. Ele coletava as informações necessárias, analisando minuciosamente cada detalhe. Estava distraído na sua atividade, quando seu celular tocou.
Ele atendeu, reconhecendo o número de seu amante. No final, estava saindo com ele há alguns meses. Foi à única pessoa que o fez sentir-se bem, tirando Lorenzo a quem havia esquecido de ver no hospital.
- Diga, Sólon.
- Quer fazer alguma coisa?
- Podemos almoçar hoje, – disse – eu já passo na sua casa.
- Ah, que rápido. Tudo bem então.
- Logo estarei aí. Até mais.
- Até.
Caín sorriu e continuou a mexer na bomba.
OoO
Sólon estava ansioso. Ele havia contratado outro atirador, só que dessa vez ele mesmo era o alvo. Ele tinha que fazer com que a suspeita não viesse para seu lado, por isso mesmo pediu para que atirassem em seu braço de raspão.
Tinha medo de morrer nesse plano, mas precisava fazer isso ou Caín ia acabar desconfiando. Ele se trocou, colocando uma camiseta verde, e uma calça preta. Havia dado informações para o atirador sobre a sua vítima, dizendo que era louro e usava verde.
O tempo passou e Caín acabou passando para levá-lo para sair. E dessa vez quem escolheu o local foi Sólon, onde sabia que o atirador estava a postos.
Os dois caminhavam pela rua lentamente, a fim de ir numa lanchonete que havia na região. Sólon conversava com Caín, tentando ficar calmo. De repente viu que o assassino começou a olhar para os prédios e nesse instante notou que os óculos escuros de Caín eram na verdade um computador, e na sua tela tinha informações. Só notou isso agora, quando um monte de caracteres apareceu na lente.
Eles ouviram alguns tiros, Sólon foi puxando para baixo pelo assassino que começou a caminhar abaixado até um dos carros, notando que o tiro vinha do lado sul.
- “Como ele é rápido.” – pensou com assombro.
- Não se levante. – disse Caín.
- O que foi isso!? – indagou, com a voz alta tentando olhar para cima.
Caín empurrou o menor para baixo, fazendo-o se deitar no chão com rispidez. O assassino começou a se mover, atravessando a rua, desviando-se dos tiros que eram direcionados a ele. Sólon se levantou lentamente e acabou tomando um tiro no braço, gritando alto, voltando ao chão. Aquilo doía muito!
E ao ver que seu amante foi atingido, Caín correu até sua moto que cobriu todo seu corpo com a armadura de metal. Ele foi até a calçada onde Sólon estava e o puxou para dentro daquele casulo. O louro ficou sentado na frente de Caín que o abraçou e tratou de sair dali.
O assassino estava sério e silencioso, ele foi até sua casa rapidamente, não se preocupava em mostrar sua localização. Como ele era um assassino profissional em curta distância, desejava que o seu agressor o seguisse e viesse até ele.
Caín deixou a moto no estacionamento e puxou Sólon que gemia baixinho até o elevador, indo até seu apartamento. Onde nunca havia levado-o antes, ele puxou o mais novo até a sala e o fez se sentar.
Sólon estava com olhos cheios de lágrimas, cabeça baixa, e com a mão fechada no braço que sangrava. Ele havia pedido um tiro de raspão, mas isso não deu muito certo.
- O que foi aquilo? – indagou Sólon – será que era briga de gangues?
- Não sei. – respondeu, pegando uma caixa de medicamentos, colocando-a ao lado de Sólon – estende seu braço.
- O que vai fazer? Vamos ao hospital.
- Não. – disse, puxando o braço o mais novo.
Sólon gritou e colocou a mão em seu rosto, puxando seu braço de Caín. O assassino viu que não ia dar muito certo, então derrubou o mais novo de bruços no sofá e se sentou em cima de sua cintura para mantê-lo preso. Ele puxou um pouco de sono e jogou na ferida, limpando-a ao mesmo tempo em que ouvia o mais novo gritar.
Com uma pinça ele tratou de começar a puxar a bala. O processo foi demorado, pois tentava não pegar na pele do louro que gemia e gritava, xingando-o de todos os nomes possíveis. Depois que retirou a bala, colocou-a dentro de um copo de vidro e tratou de fazer um curativo no braço do outro.
- Eu disse para ficar abaixado. – falou Caín – você não me ouviu!?
- Você saiu correndo, eu fiquei preocupado e fui te ver. – disse, choramingando.
Um sorriso irradiou a face de Caín, nem ele mesmo acreditava que ficou feliz em ouvir aquilo da boca do mais novo. O assassino saiu de cima de Sólon que se sentou com a cabeça baixa. Caín o abraçou e beijou seus lábios.
- Desculpe, – pediu, vendo que Sólon arregalou os seus olhos, ele nunca havia ouvido essa palavra da boca de Caín – eu queria ver quem estava nos atacando. Não queria te preocupar.
- Hum... tudo bem. – falou, apoiando sua cabeça no ombro do outro – só não faça isso de novo, por favor.
- Venha. Deite-se um pouco na minha cama.
O anfitrião puxou Sólon até seu quarto que era grande e luxuoso, com tudo que havia de mais moderno. A cama de Caín estava bagunçada, como sempre. Ele puxou tudo que estava em cima para o chão e fez Sólon se deitar no lençol.
- Descanse um pouco. – pediu.
- Ah, como isso dói.
- Eu sei. – falou.
- Sabe? – indagou.
- Ah... sim, já tomei um tiro uma vez. – falou.
- E onde você tomou?
- Aqui. – disse, passando a mão na região do abdômen.
- Doeu muito?
- Sim. – sorriu – “Mas já estou acostumado.” – pensou em seguida.
Sólon ficou descansando, enquanto Caín foi para a sala, ele queria investigar aquela bala. E assim eles passaram o resto do dia, Sólon acabou dormindo enquanto Caín estava curioso.
- “Essa bala não bate com a anterior. Parece que a pessoa que quer me matar está contratando serviços aleatórios.” – pensou – “Hum... assim vai ser mais fácil rastrear. Pelo jeito ela deve ter contratado muitas pessoas diferentes, achá-la é uma questão de tempo”.
Caín estava entretido com seus pensamentos, olhando para os dados que estavam em seu computador. De repente sentiu um toque no seu ombro e sua reação foi rápida, ele puxou o braço e se ergueu, jogando o corpo de Sólon no chão.
- Ah!!!! – gritou o louro, sentindo a ardência que envolveu seu braço e o bater de suas costelas no chão.
O assassino arregalou os olhos, assustando-se com seu próprio descuido. Ele se abaixou e ajudou Sólon a se sentar no chão.
- Você é louco!? – indagou num grito.
- Eu estava distraído. – falou.
- Ah, que droga. Você ataca as pessoas que tocam em você? – indagou com mais irritação, olhando com euforia para o assassino. Sólon se levantou, afastando-se de Caín, caminhando até a porta do apartamento.
- Aonde você vai?
- Embora. – respondeu – como abre isso aqui? – indagou em seguida, olhando para a porta que não tinha maçaneta.
- Fique aqui por hoje, amanhã eu o levo. – disse caminhando até o menor, abraçando-o por trás na cintura, beijando sua nuca – eu não te vi... desculpe-me.
- Que bom que você não fez de propósito – resmungou – não pode ser assim tão impulsivo.
Caín sorriu e virou o corpo de frente, buscando seus lábios, beijando-os sem seguida.
- Quer ir para casa?
- Sim. – respondeu.
- Eu vou pegar meu casaco e já te levo. – disse.
Sólon suspirou e Caín foi até seu quarto, pegando suas coisas. Quando terminou de se aprontar o casal saiu do apartamento, caindo nas ruas da cidade em alta velocidade. Caín olhava tudo com atenção até que chegou na frente do prédio de tijolos, onde seu amante morava.
O louro desceu da moto e viu que o assassino fez o mesmo. Por um momento desejou que Caín fosse embora, mas tinha que ser gentil, afinal sabia que o humor do outro era instável.
- Quer subir? – indagou, com um sorriso amarelo.
Caín nada disse. Ele acionou seu alarme e acompanhou Sólon até seu apartamento.
- “Droga, eu queria contatar esse tal de Joker hoje mesmo.” – pensou, vendo Caín retirando seu tênis e sentando-se no sofá – “ele está acostumado a ficar comigo. Só falta me pedir em namoro esse desgraçado”.
Sólon se sentou no sofá também, ficando um pouco afastado do assassino que estranhou esse tratamento frio, mas nada disse, ele apenas observava em silêncio.
- Eu nunca perguntei seu sobrenome. – disse Caín de repente.
O coração de Sólon acelerou. Por que esse interesse repentino? Será que estava desconfiado?
- “Eu vou dizer a verdade. Vamos ver como ele vai reagir, vou fingir que não sei nada sobre os assassinatos. Caso não dê certo, apenas vou conhecê-lo de verdade e vamos nos acabar nesse quarto.” – refletiu – Manzur. Por quê?
Caín ficou em silêncio. Ele agradecia ao seu treinamento por impedir que demonstrasse emoções em momentos necessários. A memória do assassino era fantástica, ele conseguia se lembrar dos nomes de suas vítimas com clareza.
- Caín? – Sólon o chamou – algum problema?
- E o que aconteceu com sua família? Você não me contou. – disse, sentindo seu coração acelerar algumas batidas.
Sólon suspirou e desviou o olhar, sentindo um arrepio correr por seu corpo. Agora ele teria que atuar muito bem.
- Eu não sei como falar isso. – falou.
- Apenas tente. – pediu, ansiando ouvir algo.
- Meu pai estava tentando desmascarar alguns funcionários corruptos da empresa que trabalhava. Minha mãe vivia pedindo para ele se afastar. – falou, com uma entonação triste – há alguns meses eles foram assassinados. A polícia não soube dizer quem foi, mas eu tenho certeza que deve ter sido um daqueles sócios.
Caín ouviu em silêncio, tentando pensar no que dizer, mas não conseguiu. Ele havia assassinado a família inteira de Sólon, contudo o que lhe deixou mais curioso era a ausência do filho na sala de jantar.
- E aonde foi isso? – Caín indagou.
- “Que frio. Ele nem sequer disse que sentia muito.” – pensou – eu não quero falar sobre isso, por favor.
Caín puxou o braço bom de Sólon e abraçou seu corpo, beijando sua bochecha.
- Que bom que você não estava presente no assassinato. – disse baixinho.
- Por que diz isso? Queria ter morrido junto.
- Não deseje a morte assim, – falou – todos nós temos nossa hora.
- “A sua está chegando.” – pensou.
Sólon se deitou no sofá com a ajuda de Caín, que repousou a cabeça do mais novo em suas pernas, para acariciar sua cabeça, mexendo nas longas madeixas louras que tanto gostava.
- Talvez esses sócios tentem me matar também. – falou Sólon – quem sabe.
- Nada vai te acontecer. – Caín disse.
- Não pode ter tanta certeza, – falou – eu sei sobre eles e quando descobrirem, vão querer que eu me cale também.
- Não se preocupe com isso, – pediu num to afável – eu vou proteger você.
- Ah, Caín, não precisa dizer isso, – falou – isso é perigoso. Eu penso. Será que esse tiroteio foi para me matar ou foi um acidente?
E nesse instante Caín ficou mais curioso. Certamente que não estavam tentando matar Sólon, pois havia recebido uma bomba em sua casa. Contudo essa era uma hipótese.
- Foi um acidente, com certeza. – falou com firmeza.
- Acho melhor nos afastarmos um pouco. Você pode correr risco de...
- Não vou a lugar algum, – falou rapidamente, olhando nos olhos cor de safira – não venha me pedir para me afastar. Caso queira que eu fique longe de você, apenas me dê um motivo.
- Por que eu ia querer ficar longe de você? – indagou Sólon.
- Talvez não queira mais ficar comigo. – respondeu seco.
Sólon sorriu e ergueu seu braço, tocando o rosto do assassino.
- Como posso não querer ficar com um cara como você?
Caín sorriu e beijou os lábios de Sólon, deixando sua língua saborear toda sua cavidade, aspirando o cheiro bom que vinha do corpo menor.
- “Ele é tão frio. Mesmo sabendo que acabou com minha vida, ele sorri,” – pensou – “você não parece ser tão cruel Caín, não quando está comigo. Será que você realmente os matou ou será que tem um parceiro que faz o trabalho sujo para você? Não! O que eu estou pensando? Claro que é você.”
Os dois ficaram durante um tempo se beijando no sofá até que Caín disse que queria ir embora e nesse instante Sólon sentiu-se ameaçado. E se Caín fosse embora e voltasse para terminar o “serviço” e o matasse também? Ele precisava de mais contato com o assassino.
- Fique comigo essa noite. – Sólon pediu, abraçando o mais alto.
- Pensei que estivesse cansado.
- Estou, mas queria que ficasse aqui. E está tarde, pode ser perigoso.
- Perigoso? – riu baixinho – eu sei me cuidar.
Sólon ficou olhando para aqueles orbes claros e frios, desejando que ele ficasse essa noite e para sua felicidade Caín suspirou e acabou concordando. E assim os dois caíram deitados na cama, usando apenas suas roupas de baixo.
- Sólon, conte-me mais sobre a morte de sua família. – pediu.
- “Maldição. Ele não esqueceu!” – pensou – eu não queria falar nisso.
- Você deve estar precisando desabafar. – falou, apoiando-se no cotovelo para olhar o mais novo de cima.
- Ah, minha amiga me infernizou bastante com isso. Falando que eu tinha que ir a um psicólogo.
- E é bom mesmo. – Caín disse.
- Eu só queria matar o responsável por isso. – confessou, soltando sua respiração.
Caín nada disse, ele ficou passando seus dedos pelo tórax do louro, numa leve carícia.
- Matar não é tão fácil para pessoas como você.
- Então para que tipo de pessoa é fácil? – indagou com uma leve irritação.
- Se eu te desse uma arma e você ficasse na frente do assassino. Com certeza tremeria, hesitaria e falharia.
- Como pode ter tanta certeza?
- Todos temos instintos, eu admito. Contudo a sociedade martelou em nossas cabeças em como devemos agir, portanto nós acabamos por reprimir nossos desejos mais secretos. – falou calmamente, analisando as expressões do outro.
- Então me dê uma arma. – resmungou.
- Você só ia se machucar. – disse, beijando os lábios de Sólon, para depois voltar à posição inicial.
- E você Caín? Mataria?
- Não sei. – respondeu.
- “Ah, sacana. Você mente muito.” – pensou – nunca sentiu vontade de matar alguém?
- Não. – respondeu.
- Não!?
- Não. Por que a surpresa?
- Todo mundo sente vontade de matar alguém nessa vida. – falou.
- Nunca senti vontade de matar ninguém, – sussurrou – se eu matasse, seria por obrigação.
- “Ou por dinheiro...” – terminou a fala em pensamento.
Sólon se remexeu na cama e suspirou.
- Eu fico pensando. Como será que se sente alguém que mata uma família inteira?
- Eles não devem sentir nada, – falou – tem pessoas que olham os seres humanos como se fossem sacos de carne.
- Será que eles amam? Tem amigos? Namorados?
Caín riu baixinho, não agüentando mais continuar com aquele assunto. Para ele aquilo estava sendo uma piada, apesar de ver o estado fragilizado de seu amante.
- Certo. Não vamos mais falar nisso, você parece triste. – falou.
- Ah, obrigado. – suspirou, fingindo alívio – “agora que estava ficando interessante, você foge!”.
Sólon puxou o corpo de Caín para dormir abraçado com ele e em poucos minutos acabou pegando no sono, desejando acordar vivo no dia seguinte. E para sua felicidade, acabou acordando de manhã com a claridade que vinha da janela, aos poucos foi se sentando, olhando para o corpo adormecido de Caín.
- “Como sempre finge dormir.” – pensou, passando a mão pelos cabelos brancos, sentindo vontade de puxá-los com força, mas se conteve. Com certeza Caín devia estar mais atento agora que sabia mais sobre a sua vida.
O louro acariciou o rosto do outro com carinho, depois o beijou nos lábios, vendo que o assassino fingia despertar, sorrindo e dando bom dia, para depois tomar seus lábios.
- Agora está liberado. – falou Sólon.
- Não vai fazer seu café para mim?
- Claro que sim, seu bobo – sorriu, dando outro beijo na sua bochecha, e se levantou da cama, sentindo seu braço doer.
- Vou trocar seu curativo. – falou.
- Hum. Eu acho melhor ir num médico.
- Eles vão te encher de perguntas inúteis e chamar a polícia, – falou – eu cuido disso. Eu sei como fazer.
Sólon resolveu acatar. Depois ele foi até a cozinha e começou a preparar um café, enquanto Caín o observava sentado na mesma cadeira de sempre, ele havia se apossado de algumas coisas em sua casa. Como da sua xícara larga e escura e de sua poltrona vermelha da sala.
- Você pretende fazer alguma coisa nessas duas semanas? – Caín indagou de repente.
- Não sei. Por quê? – indagou, procurando alguns mantimentos na geladeira.
- Eu queria sair um pouco da cidade.
- Viajar?
- Sim. Eu gostaria que você fosse comigo. – falou.
Sólon ficou estático, parado no meio da cozinha com o pote de margarina nas mãos.
- Por que a surpresa? – indagou Caín – você gosta de praia ou campo?
- Bom... eu gosto de praia. – sorriu – mas por que isso de repente?
- Eu já estava pensando nisso. Quero descansar um pouco, eu estou estressado.
- Você estressado? Ah! Você nem trabalha, Caín. – disse, sentando-se à mesa.
O assassino suspirou, ele não tinha como explicar para Sólon como seu verdadeiro trabalho era estressante.
- Eu vou pensar. – falou o louro.
- Eu quero que vá comigo. – disse num tom firme.
- “Esse aí gosta de impor as coisas.” – sorriu amarelo. – eu vou ver se dá. Tenho que ver algumas coisas.
- Está se referindo a dinheiro? Se for isso. Não seja besta, pois sabe que eu pago tudo. – falou, começando a se servir de café.
- Ah, não era isso, eu tenho dinheiro. – falou.
- Você está me enrolando. – observou, sorvendo os goles do café que tanto apreciava.
- Oras, Caín. Dê-me um tempo para pensar. – pediu.
O outro não disse nada, ficando ligeiramente de mau humor ao ouvir aquela negativa. Caín não estava acostumado a ouvir a palavra “não” em sua vida, pois costumava tomar tudo que desejava a força.
- Eu preciso ir agora. – falou, terminando de tomar o café – arrume sua mala.
- Você não desiste. – comentou Sólon, erguendo-se para acompanhá-lo até a porta.
Caín vestiu sua jaqueta e colocou seu par de óculos escuros, ele abriu a porta e virou-se para beijar seu amante, passando a mão por seu corpo.
- Eu quero ir amanhã de manhã. – falou – venho te buscar a noite. – e dizendo isso, ele saiu do apartamento, fechando a porta.
O louro suspirou, jogando-se no sofá da sala, sentindo seu coração acelerar. A noite passada não havia sido nada fácil e ele precisava continuar seu com plano, contudo, algo dentro de seu coração lhe dizia para parar de arquitetar essa vingança.
- “Ah... eu não posso gostar dele. E ele nem gosta de mim. Se ele descobrir o que eu fiz, ele vai me matar como se eu fosse um qualquer... ou será que ele gosta de mim? Ah! Maldição. Mas que porra é essa? Eu sou um idiota.” – refletiu.
Sólon passou o resto do dia tentando achar o tal de “Joker” até que conseguiu uma informação valiosa. Para contatar esse assassino, era necessário fazer algumas “artimanhas”. Ele teria que colocar num Blog da Internet uma frase: “The Joker always play with...”. e em seguida colocar um endereço de e-mail.
No seu e-mail aparecia uma resposta, onde havia vários números e algumas brincadeiras com as palavras. Se juntassem todos daria início ao tipo de “brincadeira” que o Joker deveria fazer.
- “Matar.” – pensou Sólon, escolhendo as letras certas.
Ele enviou o e-mail e apareceu outro endereço de e-mail, com algumas brincadeirinhas. No final, acabou ligando para um dos informantes que havia contratado, pedindo para ligar para o número que havia recebido. Parecia fácil, contudo Sólon demorou muito para descobrir esse sistema, ele teve que contratar muitas pessoas a seu favor.
O louro pediu para contatar o assassino e marcar um encontro para resolverem seus assuntos. Sólon foi até seu armário, prendendo seu cabelo e colocando uma peruca preta, ele colocou um par de óculos escuros e roupas que cobrisse seu corpo. Depois saiu de casa, indo até uma praça onde marcou o encontro.
Ele se sentou num banco e ficou esperando. De repente, alguém parou atrás dele.
The Joker Always play with the people. – uma voz grave foi ouvida.
- Sim, sim, – respondeu – sente-se.
Um homem misterioso sentou-se ao seu lado. Ele usava boné, óculos escuros, tinha cabelos negros e curtos. Não sabia se era peruca ou original. Tinha um físico parecido com de Caín, porém era um pouco mais alto.
- O que deseja, meu cliente?
- Quero que pegue uma pessoa – falou, entregando uma pasta preta para o assassino, vendo que ele a pegou com tranqüilidade, começando a examinar a foto.
- Quem seria esse homem?
- Não o reconhece? – indagou Sólon.
- Não. – respondeu seco.
- Ele é um assassino conhecido como King. Contudo se chama Caín Mainque e quero que o mate.
O desconhecido ficou silencioso por um tempo, tentando processar a informação. King era um famoso assassino, todos que trabalhavam nesse ramo conheciam suas habilidades.
- Posso fazer uma pergunta?
- Diga.
- Por que quer matá-lo?
- Assunto pessoal. Irá aceitar?
O homem sorriu, exibindo seus dentes extremamente brancos e disse:
- Sim, senhor. Diga-me o nome do meu cliente.
- Capuccino. – falou.
- Capuccino? – indagou com um sorriso nos lábios.
- O preço está nessa folha. Está de acordo?
- Hum... muito de acordo. Metade agora e a outra metade depois do serviço. – falou.
Sólon entregou um pacote para o outro que surpreendeu com a rapidez desse pagamento.
- Pode me falar alguma coisa sobre ele?
- Apenas o mate de forma rápida e eficaz. Não quero jogos, lutas, humilhações, nada do tipo, – falou – eu quero objetividade. Ele vai viajar com o amigo dele amanhã e quero que o siga.
- E quanto ao amigo dele? Quer que eu o mate também?
- Não, – respondeu – deixo-o vivo.
- O conhece?
- Sim, – respondeu – não faça nada.
- Tudo bem, – falou – daqui sete dias nos encontramos aqui para eu buscar a outra metade do pagamento.
Sólon se ergueu, virando de costas. Depois olhou para trás e disse:
- Seja eficiente. Estou pagando um valor abusivo.
- Não vai desperdiçar uma nota sequer.
- Espero. – disse.
E nisso Sólon se afastou sem olhar para trás. Ele usava saltos na sua bota para aparentar ser maior, e ombreiras de madeira nos ombros para mudar o volume de seu corpo. Havia aprendido muito sobre disfarces com Edward.
O louro entrou num táxi e pediu para ser deixado no metrô, de lá desceu numa estação e pegou um ônibus. Ele ficou dando voltas pela cidade até sentir-se completamente seguro. Por um momento ficou parado durante um tempo numa padaria para tomar um café e assim partiu, pegando sua moto que estava nessa rua, rodando pela cidade e ruas sem movimento até chegar no seu apartamento.
Ele estava tenso. O dia foi perigoso, ainda mais por ter que ficar a desviar do outro assassino. Será que ele tinha interesse em segui-lo? Com certeza sim e isso que temia.
Sólon arrumou sua mala e ficou sentado na sala, de repente recebeu uma mensagem de celular.
“The Joker está se preparando para a brincadeira, Mister Capuccino”.
O louro olhou aquela mensagem, sentindo seu coração palpitar. Ele tinha medo desse tipo de pessoa. Como ele já havia descoberto seu número de celular? Sólon apenas respondeu a mensagem.
“Não envie mensagens. Faça seu serviço”.
Sólon apagou a mensagem, de repente ele gritou ao ouvir o som da campainha. Ele estava assustado com toda essa história, com passos lentos ele vai até o interfone, ouvindo a voz de Caín, permitindo que ele subisse.
O assassino subiu rapidamente, entrando no apartamento com um sorriso bem humorado. Ele beijou Sólon e se sentou na poltrona.
- Já arrumou suas coisas?
- Você é terrível, Caín.
- Ainda não? – indagou com surpresa – quer que eu mesmo faça?
- Eu já arrumei. – falou.
- Ótimo.
Caín foi guiado até a mala que fez questão de carregar, vendo como estava leve. Sólon fechou o seu apartamento e desceu atrás de Caín, quando chegou na rua olhou para os lados, pensando aonde poderia estar o assassino que contratou, mas nada viu.
- “Eu estou com um mau pressentimento”.
Caín o puxou pela mão, beijando sua bochecha. Como aquele assassino podia lhe beijar e sorrir o tempo todo? Caín era extremamente carinhoso e isso o perturbava. Os dois subiram na moto e saíram dali.
- “Acho que estou apaixonado. E não é por você, Lorenzo.” – pensou o assassino, passando a mão pela perna do louro com um sorriso de satisfação no rosto.
OoO
“Não há diferença
entre um sábio e um tolo quando estão apaixonados.
Quando alguém
está apaixonado, começa por enganar-se
a si mesmo e acaba por
enganar os outros”.
OoO
Continua...
Finalmente esse capítulo foi terminado. Claro que o roteiro da história é completamente outro. Eu gostaria de saber a opinião de vocês a respeito da história. Gostariam que tivesse um final como? Sólon matando Caín? Eles se apaixonando? Sólon sendo morto por Caín? Ou ambos mortos pelo The Joker? Ou...
Obrigada pela atenção. E comentários são bem-vindos.
31/1/2009
Por Leona-EBM