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Por Leona-EBM
O Cruzeiro da Luxúria
Capítulo IV
Voltando das Férias
“23:10. Mensagem: Chegou bem em casa? De: Heero + 00012121”.
Duo se amaldiçoou por não ter créditos no seu celular para retornar a mensagem, ele saiu correndo indo até seu computador. Ele tinha o limite de mandar três mensagens através do computador para qualquer celular.
- Liga logo! – disse para a máquina que processava os dados lentamente. Quando Duo conseguiu se conectar a Internet, ele foi até a página de sua provedora e começou a escrever a mensagem.
“Cheguei quase agora. Esqueceu que eu não tenho créditos? Estou mandando mensagem pelo site. Posso mandar apenas três. E você chegou bem no seu jatinho particular? Brincadeira. Até, Duo”.
Duo enviou a mensagem e ficou olhando para o seu celular com aflição, esperando alguma resposta. O tempo foi passando e Duo achou melhor desistir, ele levantou-se e foi até o banheiro para tomar seu banho. Quando terminou seu banho, secou os seus cabelos com o secador e saiu usando uma calça de pano azul marinho e uma camiseta do mesmo tecido da cor branca, ele aproximou-se da escrivaninha vendo que tinha duas novas mensagens.
“00:01. Mensagem: Como adivinhou que eu tinha um jatinho particular? Brincadeira. Cheguei faz tempo. De: Heero + 00012121”.
Segunda mensagem:
“00:03. Mensagem: Eu... queria ter te visto de novo. De: Heero + 00012121”.
O coração de Duo encheu-se de alegria com aquelas duas mensagens, ele sentou-se na frente do computador que já estava ligado e começou a digitar outra mensagem.
“Eu também queria ter te visto. Como adivinhei do jatinho? Não te imagino num avião com outros passageiros. Quem pode, pode! Boa noite”.
Duo enviou a mensagem e ficou olhando para o seu aparelho, recendo outra mensagem, deixando-o mais ansioso ainda.
“00:25 Mensagem: Não posso tudo, infelizmente. De: Heero + 00012121”.
Os dedos de Duo voaram até seu teclado, para digitar sua última mensagem, pensando muito bem no que ia escrever.
- “Calma, Duo. Pense...” – pensou consigo mesmo e começou a digitar a última mensagem.
“É terceira mensagem. Claro que você pode tudo! Rs... não brinque comigo. Boa noite e durma bem, querido Heero”.
Duo enviou a mensagem, desejando escrever mais coisas, mas tinha um limite de palavras a utilizar para sua infelicidade. Ele ficou olhando para o seu aparelho que logo respondeu a mensagem.
“00:28 Mensagem: Boa noite. De: Heero + 00012121”.
- Somente um mísero boa noite... – Duo falou desanimado, desligando seu computador, e caminhando até sua cama, jogando-se nela, abraçando seu travesseiro e colocando seu celular ao lado.
Os olhos violetas começaram a sumir pelo fechar das pálpebras; o sono começava a levar Duo aos poucos até que ele não agüentou mais e dormiu ao lado de seu celular.
No dia seguinte, Duo abriu os olhos vendo o despertador de seu quarto. Ele havia ficado ligado à semana inteira, pois havia esquecido de desligá-lo. Eram seis horas da manhã. Duo levantou-se e olhou para seu celular que não havia novas mensagens. Ele levantou-se e caminhou até o despertador, desligando-o.
- De volta a rotina! – gritou, espreguiçando – preciso sair para ver emprego – disse em seguida consigo mesmo.
Duo levantou-se e começou a se arrumar, ele vestiu uma calça jeans preta, um par de sapatos da mesma cor e uma camisa branca. Ele colocou um casaco leve da cor vermelha e foi até a cozinha, tomando um copo de leite e saindo rapidamente de casa.
O carro de Duo demorou a ligar, mas quando ligou, Duo saiu rapidamente indo até o centro da colônia, onde havia várias agências de emprego. Ele estacionou seu carro na rua e adentrou num grande prédio, onde já havia uma grande fila de espera para pegar uma mísera senha para ser atendido. Felizmente Duo conseguiu pegar sua senha, e sentou-se num dos bancos de plástico ao lado de várias pessoas que desejavam um emprego.
Duo olhou para sua senha e depois olhou para o grande painel de centro vendo que estava no número cinqüenta, sendo que ele era o número seiscentos.
- Pelo visto vai demorar... – resmungou – mas é sempre assim.
Duo pegou seu MP3 e colocou seus fones de ouvidos, ele fechou os olhos e começou a ouvir um pouco de rock antigo, deixando-se levar pelo som, cochilando naquela cadeira. E ficou assim por uma hora até que sentiu suas costas começarem a doer, Duo abriu os olhos e viu que já estava no número trezentos. Ele bocejou e levantou-se, indo até um bebedouro.
- “Acho que eu vou almoçar...” – pensou, saindo do prédio, indo até o outro lado da rua, em um boteco que lhe chamou a atenção. Duo sentou-se numa mesa de metal e olhou para o cardápio que ficava numa folha de sulfite, vendo os pratos do dia.
- Que diferença do cruzeiro... – pensou em voz alta, olhando ao redor – que saudades. Ah! Como eu queria ser rico...
Duo escolheu seu prato e chamou uma garçonete mau humorada que anotou seus pedidos e se afastou. O almoço chegou rapidamente, Duo começou e pagou, voltando ao prédio, vendo que estava próximo ao seu número.
Duas horas mais tarde, Duo foi finalmente chamado, sentando-se ao lado de uma moça muito simpática que começou a pegar seus dados, perguntando tudo a respeito de Duo para indicá-lo para uma vaga.
- Duo, você gostaria de trabalhar como digitador numa empresa ao sul, ganhando seiscentos reais por mês? – indagou a moça.
- Não tem outra coisa? – indagou com desânimo – seiscentos é muito pouco.
- Hum... Qual o seu nível de conhecimento em computadores?
- Avançado – disse rapidamente.
- Para essa vaga é necessário ter disponibilidade noturna, fica ao norte da colônia e o salário é de mil reais. Existe um processo seletivo para hoje a tarde. Você estaria interessado? – indagou, olhando para Duo.
Duo ficou um pouco pensativo e resolveu aceitar. Ele recebeu um formulário, onde ele deixou alguns dados. A moça lhe entregou o endereço do lugar e um certificado que ele havia conseguido informações da vaga através daquela agência.
Duo levantou-se, exibindo um sorriso de agradecimento a moça que lhe sorriu e desejou boa sorte. Ele afastou-se do lugar, olhando para o papel na sua mão, vendo o endereço e o nome da empresa.
- “Sandroc Corporation... nunca ouvi falar...” – pensou, caminhando pelas calçadas, indo até seu carro, adentrando e procurando pensar como chegaria na empresa – “o processo seletivo é daqui três horas. Vamos indo...” – pensou em seguida.
Duo começou a andar pela cidade, perguntando para as pessoas o endereço que ele queria e quando finalmente achou, Duo viu que era um pequeno prédio de tijolos vermelhos, ele saiu do carro e tocou a campainha do local. Um jovem rapaz veio atendê-lo.
- Olá. No que posso ajudar? – indagou o rapaz.
- Aqui é a... Sandroc Corporation? – indagou, receoso.
- Ah, você veio para o processo seletivo? – indagou o rapaz.
- Sim – disse, com desânimo - “que espelunca!” – pensou em seguida.
- Entre, por favor. O processo irá começar daqui duas horas. Mas pode ficar aqui esperando – disse, abrindo mais a porta.
Duo adentrou no lugar e sentou-se próximo uma mesa que servia chá e café, ele tomou um pouco de chá e ficou lendo algumas revistas, desejando que o tempo passasse rapidamente.
Um tempo depois, mais quatro rapazes da mesma idade aparentemente adentraram no local e o processo seletivo foi iniciado. Demorou certa de duas horas, mas finalmente escolheram duas pessoas para preencherem a vaga e felizmente Duo foi escolhido pelo seu excelente desempenho e simpatia.
Duo e mais outro rapaz foram encaminhados para uma sala onde uma linda moça explicava mais sobre a vaga, os horários e o local de trabalho.
- Então não vai ser aqui? – Duo indagou.
- Claro que não. A Sandroc Corporation trabalha somente com o processo seletivo, nós não falamos o nome da empresa até o candidato ser escolhido, para não haver muitas pessoas interessadas somente no nome da empresa e sim mostrar seu verdadeiro interesse na vaga – disse secamente, pegando os currículos dos dois rapazes.
- Qual o nome da empresa? – o rapaz ao lado de Duo indagou.
- Wing Corporation! – disse.
Os olhos de Duo arregalaram-se, ele abriu a boca num misto de surpresa e medo. Seu coração parou uma batida. Então ele teria que trabalhar para a pessoa que estava em seus sonhos? Mas Heero obviamente nem pisava na empresa, provavelmente não o encontraria, mas deste jeito, jamais iria conseguir esquecê-lo.
Após resolverem tudo, Duo e o rapaz saíram do lugar conversando alegremente. Eles se separaram e Duo foi andando até seu carro, voltando imediatamente para casa, mais precisamente para o apartamento de Quatre. Onde Duo tocava a campainha sem parar.
- Duo? – Quatre indagou, abrindo a porta, vendo que o rapaz adentrou apressadamente, sentando-se na poltrona que ficava na sala.
- Arranjei um emprego – Duo disse.
- Que ótimo!! – Quatre gritou, correndo até Duo, dando-lhe um forte abraço, que foi muito bem recebido pelo americano.
- Adivinha aonde vou trabalhar? – indagou, afastando-se do abraço de Quatre.
Quatre ficou um pouco pensativo, ele mesmo não fazia idéia de qual empresa Duo havia conseguido o emprego. O loirinho fez um “não” com a cabeça, mostrando que não havia resposta.
- Wing Corporation! – disse, pausadamente, vendo a expressão surpresa de Quatre.
Quatre abriu sua boca e não conseguiu mais fechar. Os dois ficaram se olhando até que Quatre levantou-se rapidamente e começou a rir bem alto, deixando Duo encabulado com aquela atitude.
- Você vai ficar perto do Heero – disse o loirinho.
- Eu não sabia o nome da empresa – disse – eu... eu não sei se aceito.
- Claro que você aceita. O salário deve ser muito bom, e se você se sentir incomodado, você pede as contas. E mais, acho que Heero nem sequer vai pisar na empresa – disse o loirinho, sentando-se novamente ao lado de Duo.
Os dois ficaram conversando por um tempo, Quatre estava adorando deixar Duo encabulado, enquanto isso, Duo estava tentando convencer-se a si mesmo que Heero jamais ia descobri-lo.
Um tempo depois, Quatre fez um jantar simples. Macarronada com carne assada. Duo ajudou a fazer o jantar, apesar de estar muito distraído.
- E se ele me encontrar? – Duo indagou no meio do jantar.
- Você diz: “oi” – disse, rindo baixinho – Vamos Duo, você é a melhor pessoa para lidar com esse tipo de situação.
- Eu sei... – disse, passando o garfo pelo macarrão sem nenhuma vontade de comer – eu... estou ansioso também. Eu começo amanhã, eu entro as onze horas.
- Hum, boa sorte – disse, dando uma piscadinha para Duo.
Os dois continuaram conversando até que Duo resolveu voltar para seu apartamento, pois Quatre não parava de bocejar um segundo sequer. Quando chegou no seu apartamento, Duo retirou seu celular do bolso vendo que não havia nenhuma mensagem, ele o colocou em cima da escrivaninha e resolveu dormir, pois teria um dia cheio no dia seguinte.
Duo remexia-se na cama, ele não conseguia dormir, estava ansioso, entretanto as horas foram passando e ele finalmente caiu no sono, acordando depois das duas horas da tarde.
O corpo do americano estava cansado, ele rolou para a beira da cama e começou a caminhar até o banheiro, retirando suas roupas, jogando-as no cesto de roupa suja, adentrando no Box do chuveiro.
- “Hoje... ai... que ansiedade do inferno” – pensou, enquanto lavava seus cabelos – “será que eu irei encontrá-lo? Será que... ah! Deixa disso Duo, ele não vai naquela empresa. Ele disse que só ia às reuniões raramente”.
Após um demorado banho, Duo apareceu no quarto com a toalha enrolada na cintura e começou a olhar para seu guarda-roupa, pegando uma calça jeans preta, um pouco justa ao corpo, uma camisa vermelha que chegava até seu quadril e um par de sapatos pretos. Duo colocou um relógio de pulso e fez uma trança no seu cabelo.
Duo olhou-se no espelho, vendo-se com atenção, sentindo-se atraente demais para o primeiro dia, mas só de pensar que pudesse ver Heero, isso o deixava animado. O relógio do quarto marcava cinco horas, Duo tinha que comer e pegar os documentos para ser registrado na empresa.
Na cozinha, Duo preparou um lanche com os suprimentos que ele tinha em casa, pois precisava fazer compras o quanto antes. Após se alimentar, ele fez um lanche para levar e resolveu começar a procurar seus documentos pessoais para levar a empresa, além de alguns certificados de cursos que ele havia feito.
Duo sentou-se no sofá da sala e começou a assistir um filme qualquer, tentando ficar mais distraído. Após assistir o filme, Duo resolveu começar a se preparar para o primeiro dia de trabalho. Já eram dez horas da noite, ele pegou seus documentos e seu lanche e saiu apressadamente.
O carro de Duo demorou a pegar como sempre, mas no final após muito esforço, o carro começou a andar pelas ruas da cidade, pegando um pouco de trânsito na região central, mas nada muito problemático.
Duo parou na frente da empresa, sentindo um arrepio no seu corpo, ele estacionou o carro no próprio estacionamento da empresa, sentindo-se um lixo, porque os carros estacionados eram de alto padrão. Duo parou numa vaga qualquer, e saiu, indo até o elevador onde havia um rapaz de terno muito bem apessoado e com uma aparência um pouco agressiva. Com certeza era o segurança.
- Boa noite, hoje é meu primeiro dia – Duo disse, abrindo um sorriso para o rapaz.
- Identificação, por favor.
Duo apresentou um papel que lhe foi dado no dia do processo seletivo. O segurança analisou o papel com atenção e permitiu a passagem de Duo, avisando qual andar ele deveria ficar.
Duo entrou no elevador e tocou no botão do segundo andar, o elevador o levou rapidamente até o local. Duo saiu do elevador e foi até uma atendente, que o recebeu com muita atenção.
- Vamos começar, Duo? Siga-me por favor, meu nome é Noin! E eu sou sua supervisora – disse uma mulher muito elegante, com cabelos azuis escuros que caíam por seus olhos.
Duo a seguiu até o local de trabalho e começou a explicar os procedimentos. Noin ficou muito feliz ao ver que Duo aprendia tudo corretamente, em um momento, um rapaz entrou na sala chamando a atenção dos dois.
- Wufei, você poderia me dizer que horas a reunião será feita amanhã? – indagou Noin.
Duo nem sequer notou a presença do chinês, ele estava concentrado demais no que estava fazendo. Noin ficou conversando com Wufei, não entendendo o motivo do chinês ficar olhando a todo instante para o novo funcionário, sendo que o guarda-costas pessoal dos sócios da empresa era bastante reservado.
Horas mais tarde, Duo estava conversando com o rapaz que adentrou na empresa juntamente com ele. Felizmente ambos estavam dando-se bem e ajudava-se a todo instante. Noin aparecia a todo instante para saber como estava o serviço.
Já eram cerca de quatro horas da manhã, Duo e o outro rapaz estavam morrendo de sono, pelo fato de não estarem acostumados com o horário.
- Duo, vamos tomar um café? – indagou o rapaz.
- Sim, Marco. Eu estou caindo aqui – Duo disse, levantando-se da cadeira.
Os dois caminharam até uma mesa onde havia café e bolachas. Eles ficaram em pé bebendo um pouco de café, enquanto conversavam.
- Duo. O que você achou daqui? – indagou Marco.
- Legal. Eu estou adorando, bem tranqüilo o serviço – disse, sorvendo um pouco de café.
- Olha... aquele não é um dos donos? – Marco indagou, apontando para um corredor, onde havia um grupo de pessoas conversando.
- Onde?
- Ali, olha... – disse – falando com a Noin.
O coração de Duo parou uma batida, ele estreitou seu olhar e viu que era ninguém mais, ninguém menos que Heero Yuy que estava conversando no corredor com Noin e Wufei.
- Duo? – Marco o chamou, vendo que o americano virou-se de costas para o corredor.
- Pára de olhar para eles – Duo pediu.
- Por que? – indagou, virando-se de costas também – eles não mordem!
A mão de Duo tremia levemente, ele olhou para seu copo descartável vendo que havia um pouco de café, ele sorveu os últimos goles e fechou os olhos mentalizando que Heero saísse logo dali, mas para sua infelicidade, Noin adentrou na sala com Heero atrás dela.
- Rapazes, eu quero apresentar o senhor Heero Yuy. Por favor, venham até aqui – Noin pediu com um lindo sorriso no rosto.
Duo finalmente virou-se encontrando o semblante sério de Heero, os dois ficaram sem olhando sem dizer nada, até que Marco aproximou-se de Heero, estendendo sua mão, cumprimentando-o com educação. Duo, no entanto ficou parado, ele não sabia o que fazer, até que notou o olhar de Noin em cima dele. Duo deu um passo à frente e estendeu sua mão até Heero, que o cumprimentou também.
- Não imaginei que trabalharia para mim – Heero disse de repente, chamando a atenção dos outros dois.
- Vocês já se conhecem? – Noin indagou.
- Sim, nos conhecemos – Heero disse.
- Eu realmente não sabia que seria para trabalhar aqui, pois fomos enviados para a Sandroc Corporation. Foi realmente uma surpresa – Duo disse, num tom baixo, um pouco constrangido.
- Sim, pedimos para não falarem qual é a empresa que está prestando o processo seletivo – Noin disse – Mas é realmente uma surpresa que vocês se conheçam.
- Certamente – Duo disse, soltando um longo suspiro. Aquela situação era muito estranha, ele nunca havia passado por isso, mas não seria certo ficar daquele jeito. E pensando nisso, Duo abriu um largo sorriso e encarou Heero com animação – espero que goste do meu trabalho, caso contrário é só me avisar que eu me retiro. Eu gostei bastante daqui.
- Ah, que bom Duo. Você está se desenvolvendo muito bem nesse primeiro dia, eu estou feliz – Noin disse, abrindo um largo sorriso – espero que goste daqui mesmo, fazemos o melhor para os nossos funcionários.
- Continuem com o serviço. Boa noite – Heero disse, afastando-se dos três, saindo da sala.
Quando Heero saiu, Noin olhou para Duo com curiosidade, juntamente com Marco.
- De onde se conhecem? – indagou Noin.
- De uma viagem – Duo disse.
- Ah, entendo. Então vamos voltar ao serviço – disse, batendo palmas duas vezes.
Os dois rapazes voltaram para suas posições e quando deu seis horas da manhã eles encerrando o serviço para entrar o pessoal do primeiro turno em seus lugares. Duo e Marco se despediram com um aceno e Duo foi para o elevador, a fim de chegar no estacionamento.
- “Que dia maluco” – pensou – “será que ele vai me demitir?” – indagou em pensamento em seguida.
Duo pegou a chave de seu carro no bolso da calça e começou a andar pelo estacionamento que estava bastante escuro. Ele começou a andar entre os carros, tentando enxergar o seu e quando finalmente o avistou, Duo acelerou seu passo.
Com um longo suspiro e um bocejo em seguida, Duo conseguiu colocar a chave na fechadura do carro, abrindo a porta. E antes de entrar no carro, ele parou com o que fazia, olhando para o lado, vendo Heero encostado no capô do seu carro com os braços cruzados.
- Está cansado? – Heero indagou.
- O que faz aqui? – indagou, encostando-se no carro ao lado, assim podia olhar para Heero que parecia estar com sono também.
- Estava esperando você sair – revelou.
- Meu chefe esperando eu sair? Que chique – riu baixinho – diga Heero, o que você quer falar comigo?
Heero olhou para os lados, e passou a mão pelos cabelos, jogando sua franja para trás, ele soltou um longo suspiro e começou a caminhar na direção de Duo, que se desencostou do carro e deu um passo para trás. Duo parou de andar para trás quando Heero parou de andar na sua direção.
- “O que raios ele quer? Eu to ficando louco com a presença dele” – pensou, sentindo-se inseguro.
Heero bateu a porta do carro de Duo, fechando-a e avançou na sua direção, segurando o braço de Duo, que nem sequer se moveu. Não fazia sentido fugir de Heero sem saber o que ele realmente queria.
- Vem comigo – pediu, puxando Duo pelo estacionamento.
- Onde? – indagou.
Porém Heero não respondeu, eles continuaram a andar até um carro preto, com os vidros da mesma cor, não podia ver nada do lado de dentro. Heero retirou a chave de seu bolso, desativando o alarme para logo em seguida abrir a porta do lado do motorista.
Duo ficou olhando para Heero e antes de perguntar o que Heero ia querer, Duo foi empurrando para dentro do carro. Ele entrou sem pestanejar, e Heero não estava com uma cara que ia ficar respondendo sua perguntas no momento. Duo moveu-se para o outro banco, sentando-se. Heero adentrou logo em seguida e fechou a porta, olhando para Duo que estava com os olhos arregalados.
- Eu fiquei surpreso quando me contaram que você estava aqui – Heero comentou.
- Como assim? Quem contou? – indagou sem entender.
- Meu segurança, Wufei. Ele lhe viu aqui – disse – e eu tinha que vim ver com meus próprios olhos.
- E agora que viu. O que quer fazer? – indagou, com uma voz baixa.
Heero ficou um tempo parado, ele encostou sua cabeça no volante do carro, ficando em silêncio. Dou respirou fundo, ele ergueu sua mão e tocou no braço de Heero, chamando sua atenção.
- Eu pensei que nunca mais iríamos no ver – Duo disse, num sussurro – mundo pequeno.
Um longo suspiro deixou a boca de Heero, ele ergueu-se e se encostou ao banco do carro, virando seu rosto na direção de Duo, analisando o rapaz que estava lhe deixando louco em seus sonhos. A mão de Heero esticou-se até o rosto de Duo, tocando na sua face, sentindo seu calor.
- Duo...
- O que foi?
- Quer ficar comigo? – indagou.
- Ficar? Ficar como? – indagou num suspiro.
- Comigo, agora – disse.
Duo ficou um tempo pensativo. Será que seria bom ficar com Heero agora para depois ficar pensando nele e sem saber se poderiam ficar novamente? Será que era melhor tentar esquecê-lo e sair logo daquela empresa? Duo não sabia as respostas, mas seu corpo estava começando a reagir aquele pedido.
- Agora? – Duo indagou.
- Sim. Você quer?
Duo fechou seus olhos, pensando em um monte de coisas, lembrando-se dos conselhos de Quatre e de como ficaria sua situação após sua resposta. Ele não conseguia se decidir e antes de pensar em uma resposta, Duo sentiu a mão de Heero em seu rosto novamente.
As pálpebras de Duo abriram-se e foi tempo suficiente para ver Heero aproximar-se dele, pulando para seu banco, sentando-se no colo de Duo, abraçando-o em seguida. Heero afundou sua cabeça na curva do pescoço de Duo, beijando sua pele, dando algumas lambidas.
- Heero... acho que melhor não – disse.
- Por que? – indagou, afastando-se.
- Eu vou sair da sua empresa também – disse, fechando os olhos em seguida, ele estava reunindo toda sua força.
- Não, não vou aceitar isso – disse.
- Heero... eu não quero me magoar – disse – eu vou ser franco. Eu estou gostando de você.
Os olhos de Heero arregalaram-se, ele ficou surpreso com aquela revelação. Ao seu ver, Duo parecia uma muralha aberta apenas a divertimento e nada mais.
- Gostando de mim? – indagou.
- Sim – disse, abrindo seus olhos – desculpe. Isso acontece, então... eu não posso ficar mais aqui.
Duo moveu-se, empurrando Heero para o banco do motorista. Ele tocou na maçaneta da porta e a abriu, saindo rapidamente do carro, fechando a porta atrás dele. Com passos rápidos ele se dirigiu até seu carro, dando algumas olhadas para trás a cada instante, vendo que Heero nem sequer o seguiu.
- “Ele queria somente sexo realmente... assim como eu queria dos meus amantes” – pensou.
O motor do carro foi ligado e Duo saiu rapidamente do lugar, dirigindo-se a saída da empresa, alcançando as ruas da cidade. Ele queria chegar em casa o quanto antes e contar o que aconteceu para Quatre.
Alguns minutos depois, Duo estacionou seu carro e adentrou no seu apartamento. Ele subiu as escadas dando alguns saltos, indo até a porta de seu amigo, começando a tocar a campainha.
Quatre abriu a porta e olhou para o seu amigo, vendo que ele estava ofegante e com os olhos vermelhos, e antes que Quatre perguntasse o que havia acontecido, Duo o abraçou e afundou sua cabeça na curva do pescoço do loirinho, chorando baixinho.
Os braços do loirinho trataram de fechar a porta e ir caminhando com Duo em seus braços até o sofá da sala, sentando-se com ele, ficando em silêncio, deixando ele chorar em paz. Quatre não tinha a necessidade de perguntar nada, ele saberia que Duo falaria quando desabafasse.
Após um tempo indeterminado, Duo ergueu seu rosto, enxugando suas lágrimas com seu antebraço, olhando para Quatre que lhe exibia um sorriso de compaixão.
- Eu... encontrei Heero – disse.
- Eu imaginei – disse – conte-me.
- Ele pediu para ficar comigo – disse, dando um soluço em seguida, voltando a chorar.
- E o que aconteceu? – indagou com curiosidade, tomando cuidado para não ficar afobado e pressionar seu amigo.
- Ele... pediu para ficarmos... e eu disse que não podia, pois estava gostando ele.
- E... e o que ele disse? – indagou perplexo. Afinal Duo havia sido muito corajoso para revelar seu sentimento.
- Ele... não disse nada! Nada... ele nem me seguiu, ou disse adeus – disse, desatando-se a chorar novamente, abraçando Quatre, que o abraçou também, acolhendo aquela pobre criança em seus braços.
- Você não vai amanhã – Quatre disse num sussurro – tem um amigo meu que está precisando de alguém para trabalhar na sua loja. Eu vou te indicar, o salário não é tão bom, mas você vai procurando outra coisa enquanto isso.
- Obri... obrigado, Quatre – agradeceu, soluçando em seguida.
- Agora lave seu rosto e ligue para a empresa avisando que surgiu outra vaga para você. Eu vou preparar algo para comermos – disse, soltando um longo bocejo.
Duo afastou-se de Quatre e caminhou até o banheiro, começando a lavar-se, vendo seu estado através do espelho. Quando ele saiu do banheiro, ele sentiu um cheiro de café vindo da cozinha, ele caminhou até o cômodo e viu Quatre preparando um café da manhã.
- Desculpe te acordar tão cedo, Quatre.
- Não se preocupe, Duo. Não importa o horário, sempre venha até mim – disse – eu sempre fico te importunando. Nós somos amigos.
- Obrigado, Quatre – agradeceu, deixando outra lágrima escorrer por seu rosto.
- Ligue para a empresa. Você tem que ser responsável também.
- Sim, eu vou agora mesmo.
Duo pegou seu celular e procurou o número da empresa na agenda.
- Vou usar seu telefone, pois estou sem créditos – disse.
- Sim, pode usar.
Duo caminhou até a sala, pegando o telefone e discando para a sua supervisora.
- Noin, eu não vou mais trabalhar na Wing, pois eu arranjei uma outra vaga. Eu estou avisando-a e agradecendo sua dedicação, trabalho e atenção.
- Duo? Mas... mas... quanto você vai ganhar? Você é tão inteligente, acho que a Wing pode pagar a proposta. Eu gostei muito de você.
- Ah, desculpe Noin, mas vou trabalhar para um amigo meu. É como se eu fizesse um favor. Quem sabe no futuro eu não trabalhe ao seu lado?
- Tudo bem, Duo. Eu vou avisar os meus superiores.
- Desculpe-me pelo incômodo, e boa sorte com seu novo funcionário! – disse, sentindo sua garganta doer.
- Obrigada. Adeus, Duo.
Duo encerrou a ligação e ficou olhando para seu celular, deletando as mensagens que Heero lhe enviou e o número da empresa. Ele tinha que deletar tudo que lembrava Heero.
- Duo, vem comer – Quatre gritou da cozinha.
Com passos lentos e desanimados, Duo caminhou até a cozinha e sentou-se à mesa com Quatre, começando a comer com o loirinho, desabafando novamente.
As horas passaram e Duo achou melhor deixar Quatre fazer suas coisas. Ele saiu do apartamento do loirinho e foi até o seu, quando adentrou em sua casa, ele foi correndo para o banheiro. Um banho seria ótimo nessa hora.
Um tempo se passou e Duo vestiu seu roupão de algodão vermelho, ele vestiu uma cueca boxer preta e ficou na sala assistindo televisão, distraindo-se com um programa idiota de jogos.
O interfone tocou de repente, Duo caminho até a cozinha pegando o aparelho.
- Quem é?
- Sou eu. Deixe-me entrar.
A voz de Heero deixou Duo sem palavras, o americano não sabia como reagir. Sua mão foi até o pequeno botão que ficava ao lado do interfone, apertando-o, permitindo que a porta do térreo se abrisse.
Dois minutos passaram-se e a sua campainha tocou. Duo abriu a porta lentamente, sentindo medo de encontrar Heero novamente, e seus temores foram claros quando se deparou com o olhar azul cobalto de Heero.
- Posso entrar?
Duo não respondeu, ele abriu mais a porta e deixou Heero adentrar, fechando a porta em seguida. Heero olhou o apartamento discretamente e caminhou até o sofá, sentando-se.
- Você saiu tão de repente – Heero comentou.
- Desculpe – pediu, ficando constrangido. Realmente, ele havia saído correndo.
- Eu te disse algo desagradável? – indagou.
- “Na verdade você não me disse nada” – pensou – não – respondeu.
- Eu estou te incomodando? – indagou.
- Sim – revelou. Heero o estava deixando desconfortável.
Duo caminho até a sala, encostando-se num móvel, ficando a olhar para Heero mirou seu olhar para o peito a mostra de Duo. O roupão de Duo fechava a partir de seu quadril para baixo.
- Por que pediu demissão?
- Porque eu não quero trabalhar com você – respondeu rapidamente.
- Por que?
- Porque você me incomoda. E eu já disse o motivo – respondeu, sentindo vontade de bater em Heero por estar sendo tão cruel em fazer aquelas perguntas.
Heero respirou fundo, olhando para o rapaz que estava lhe deixando louco ultimamente. Ele ergueu-se e caminho até Duo, passando sua mão por seu rosto, inclinando-se para frente a fim de beijar-lhe, mas Duo se esquivou.
- Não pode chegar e beijar assim – disse.
As mãos de Heero fecharam-se em seus braços, puxando-o na sua direção, prendendo Duo na sua frente. Os olhos de Duo se arregalaram com aquela agressividade, e antes que perguntasse alguma coisa sua boca foi calada com um beijo voraz.
Duo começou a empurrar o peito de Heero para trás, mas Heero não se moveu, continuando a beijá-lo. Aos poucos Duo acabou desistindo de negar aquele homem, deixando seus braços escorreram por seus braços. Ele abriu mais sua boca e deixou Heero beijá-lo.
Os braços de Heero envolveram o corpo menor e começou a puxá-lo para trás. Heero sentou-se no sofá e jogou Duo no móvel, subindo em cima dele, voltando a atacar seus lábios com selvageria.
- Heero... pare, por favor – Duo pediu, com a voz ofegante.
- Por que parar se nós dois queremos? – indagou.
- Eu não quero mais – disse baixinho, virando seu rosto para o lado oposto.
- Claro que você quer. Você disse que gostava de mim – disse, puxando o rosto de Duo, forçando sua língua para dentro da boca dele, voltando a beijá-lo.
O roupão de Duo foi aberto, sendo atacado pelas mãos de Heero que começaram a deslizar por seu corpo, matando a saudade que estava sentindo daquele corpo. Quando a mão de Heero fechou-se no membro de Duo, o menor começou a gemer baixinho.
A boca de Heero deslizou para a curva do pescoço do americano que se remexia embaixo dele. A cueca de Duo começou a ser puxada para baixo e nesse momento Duo despertou, fechando a mão na sua cueca, puxando-a para cima.
- O que você está fazendo? – Heero indagou com certa irritação.
- Eu não quero isso – disse.
- Por que deixou eu continuar então? Está brincando comigo?
- Sai de cima de mim – pediu, sentindo raiva do jeito que Heero falava com ele.
- Eu não vou sair – disse.
Heero puxou os pulsos de Duo para cima, prendendo-o. Ele puxou os braços de Duo e com uma mão o segurou com firmeza, vendo que os olhos de Duo arregalaram-se com sua força, pois ele não conseguia se soltar.
A cueca de Duo foi puxada para baixo com certa resistência por parte de seu dono que balançava suas pernas, enquanto pedia para Heero parar a todo instante. Os braços de Duo foram puxados para baixo novamente, porém Heero não os soltou, deixando-os lado-a-lado com seu corpo.
Duo se remexia tentando se soltar, não acreditando que Heero estava na sua casa o atacando no seu sofá. Quando a boca de Heero fechou-se em seu membro, Duo afundou sua cabeça no sofá, gemendo alto. Ele dobrou os seus joelhos e começou a querer chutar Heero para trás.
Heero parou com o que fazia, olhando para o membro de Duo que estava ereto. Ele sorriu vitorioso ao ver o estado que o menor se encontrava. Os pés de Duo continuavam a chutá-lo. Num movimento rápido e forte Heero o virou de barriga para baixo.
- Não! – Duo gritou.
- Pare de resistir – Heero pediu, puxando a cauda do roupão de Duo para cima, deixando o caminho livre para Heero.
A boca de Duo abriu para começar a xingá-lo, mas ele gritou alto ao sentir o membro de Heero começar a pedir passagem. O braço de Heero o puxou para cima, erguendo seu quadril, enquanto sua outra mão puxava a perna de Duo para o lado, dando mais espaço.
- Heero... por favor – pediu.
- Você não gosta de mim? – indagou.
- Gosto... mas...
- Então pare de ficar me provocando – disse, interrompendo-o – agora abre essas pernas para mim.
- Heero eu...
- Abre logo! – mandou, num tom irritado.
Duo abaixou sua cabeça e fechou seus olhos com força, sentindo-se um fraco, e abrindo suas pernas lentamente, ficando totalmente entregue a Heero que sorriu vitorioso. O membro de Heero começou a pedir passagem, adentrando lentamente naquele corpo, se afundando naquele caminho quente que lhe apertava.
Quando o membro de Heero adentrou por completo, ele soltou um longo gemido. E no minuto seguinte, começou a tirar e colocar seu membro, dando trancos no corpo menor, arrancando gemidos altos de Duo.
- Está gostando? – Heero indagou.
Duo ficou em silêncio, ele estava sendo praticamente violentado pelo homem que estava apaixonado. Ele não sabia se estava com raiva ou se estava gostando de receber aquela atenção de Heero.
- Duo? – Heero o chamou.
- Pare... – pediu, sentindo seus olhos arderem, enchendo-se de lágrimas – por favor... – pediu novamente, com uma voz chorosa.
Heero parou, saindo de dentro do corpo menor, soltando-o. O empresário soltou um suspiro frustrado, ficando ajoelhado no sofá. Com uma expressão sofrida, Heero puxou sua calça e se arrumou. Duo sentou-se no sofá, fechando seu roupão.
- Não quer mais nada comigo? – Heero indagou.
- Depois disso eu...
- Você podia ter me parado se quisesse – disse rispidamente.
Duo estava surpreso pelo fato de não conseguir responder. Ele estava emocionalmente frágil e Heero estava sendo muito cruel. Seu mundinho estava desabando.
A mão de Heero tocou os cabelos úmidos de Duo, começando a acariciar sua cabeça com atenção, deixando seus dedos entrelaçarem em seus fios cor de cobre. Duo ficou em silêncio, sentindo aquele carinho, voltando a ter esperanças a respeito de Heero.
- Volte para o emprego – Heero pediu.
- Não – respondeu com uma voz baixa.
- Você está precisando, não está? Não seja orgulhoso.
- O que me resta além do meu orgulho, Heero? – indagou.
- Como assim? – indagou sem entender.
- Eu só tenho meu orgulho – disse baixinho, pensando em toda sua vida. Ele não tinha namorado, não tinha filhos, não tinha nenhum outro amigo além de Quatre, não tinha dinheiro no banco, não tinha nem uma casa própria. Se fosse ver por esse lado, a única coisa que Duo tinha era um carro velho.
- Orgulho não trás nada além de mais orgulho – Heero disse – volte para o emprego. Se quiser eu te dou outro cargo.
- Outro cargo? – indagou, erguendo seu olhar.
- Sim – disse – pode trabalhar comigo se quiser, assim eu te pago mais e...
- E eu durmo com você... e você me paga? – indagou, franzindo seu cenho, ficando com raiva.
- Por que você vê as coisas assim? – indagou.
- Por que será? – indagou cinicamente – é óbvio que eu não vou aceitar isso.
- Aceite – disse, sentindo vontade de bater em Duo por ser tão relutante.
- Aceitar ficar como seu secretário pessoal? Que piada – disse, balançando a cabeça negativamente.
O corpo de Heero tremeu levemente. Ele estava com raiva. Heero estava acostumado a ter tudo nessa vida, qualquer objeto, qualquer situação e qualquer pessoa que quisesse. No entanto, Duo estava sendo o mais difícil de se conseguir.
- Eu não estou te comprando – disse – eu queria ver você melhor. Não queria que morasse num lugar assim.
- Ora! Não me ofenda – disse.
- Perdão – pediu – eu queria muito... que você ficasse comigo.
O coração de Duo bateu mais forte ao ouvir aquilo. Ele se permitiu sorrir timidamente.
- Nossa relação era para morrer naquele navio - disse.
- Era... mas eu não consegui – revelou – perdão se te machuquei agora. Eu pensei que você estava me provocando.
- “Ah, ainda bem que você se explicou. Eu estava assustado com esse jeito agressivo” – Duo pensou, sentindo um alívio no peito – podemos nos ver quando quiser Heero. Mas eu não vou trabalhar para você – disse.
- Podemos? – indagou, erguendo sua cabeça, exibindo um olhar carregado de emoção.
- Sim. Por quê não? – indagou, sorrindo para Heero.
- Pode sair comigo hoje? – indagou.
- Hum... eu não posso – disse, lembrando-se que não tinha dinheiro para nada.
- Por que? Tem outro compromisso? – indagou – você já está se afastando.
- Heero, eu tenho minhas responsabilidades – disse.
- Você não tem dinheiro? – Heero indagou.
Duo balançou a cabeça negativamente, voltando a abaixá-la. Ele não gostava de falar sobre dinheiro com pessoas como Heero, pois sabia que eles sempre iam querer ajudá-lo.
- Eu estou te convidando. Saia comigo – pediu.
- Não – respondeu – Eu não vou depender de você.
- Você me convida para alguma coisa depois – disse.
- Só se for para tomar sorvete no parque – disse, já imaginando os lugares que conseguiria levar Heero.
- Para mim está ótimo – disse, sorrindo em seguida. O que ele queria era ficar próximo a aquele homem que estava lhe deixando sem dormir.
Heero aproximou-se lentamente de Duo, tocando com delicadeza desta vez, puxando seu rosto na sua direção, beijando-o carinhosamente nos lábios, vendo como Duo aceitou a carícia.
- Vai querer ir num circo de rua e comer pipoca do tiozinho? – Duo indagou, com os lábios encostados nos de Heero.
- Será ótimo – respondeu, voltando a beijá-lo.
- E sair correndo na chuva quando meu carro quebrar?
- Desde que você me segue com seus lábios depois – respondeu, rindo baixinho.
- E depois pegar um cinema de quarta-feira, pois é mais barato?
- Desde que você me abrace no meio do filme – disse, beijando a bochecha de Duo.
- Eu não quero ouvir reclamações depois, viu?
- Eu não vou reclamar – disse – eu prometo.
- Não precisa ser falso também. Se estiver uma droga você pode falar. Eu não sou nenhum carrasco – disse, já imaginando as situações que Heero passaria.
- Eu não serei. Você verá quando eu não gostar de algo.
- Como saberei?
- Olhando para minha cara de desgosto – disse.
- Hum... bom saber – murmurou.
O celular de Heero tocou de repente, chamando sua atenção. Ele pegou o aparelho no bolso de sua jaqueta e o atendeu.
- Alô?
- Heero, onde você está?
- O que você quer, Trowa?
- Eu estava querendo sair hoje.
- Onde?
- Jogar sinuca. Onde você está?
- Na casa de Duo.
- O que? Não acredito!
- Hum...
- Leve-o junto. Assim vai ser divertido.
- Não irei dá-lo a você.
- Ah, Heero. Não seja tão chato. No cruzeiro eu deixei você escolher, mas agora não tem mais regras.
- Eu não vou levá-lo.
- Sem graça. Eu posso falar com ele?
- Quer falar com ele? – indagou, olhando para Duo que estava ouvindo a ligação, não acreditando no que estava ouvindo.
Heero estendeu o celular na direção de Duo, que o pegou, levando a sua orelha.
- Alô?
- Duo. Como você está?
- Bem – disse.
- E seu amigo, Quatre?
- Está bem.
- Quer jogar sinuca conosco hoje?
- Não tenho grana.
- Ah, isso não é problema. Venha com Heero, a gente paga a sua parte.
- Não estou interessado. Obrigado pelo convite.
- Vamos, Duo. Heero adora jogos e eu acho que você irá agradá-lo se vier também e...
Duo não ouviu o resto da ligação, pois Heero puxou o aparelho e se levantou do sofá, caminhando pela sala, afastando-se de Duo e falando com Trowa bem baixinho, não permitindo que Duo ouvisse.
- Ele não que ir, Trowa.
- Está gostando do garoto, Heero?
- Você sabe que sim.
- Ah, desculpe. Mas é sério mesmo?
- Sim.
- Não me diga... que quer namorá-lo?
- Eu quero sim. Não atrapalhe.
- Eu não imaginei que você estava assim. Desculpe-me, pensei que queria apenas se divertir com ele. Mas mesmo assim, vamos jogar sinuca. Leva aquele amigo dele também.
- Ele não quer ir.
- Insiste, Heero. Depois você me liga e diga se conseguiu.
- Ah, tudo bem. Tchau.
Heero encerrou a ligação, soltando um longo suspiro. Trowa era muito insistente quando queria. Ele olhou para Duo que o observava com seus grandes olhos violetas.
- Ele quer jogar sinuca – Heero disse - vamos?
- Eu já disse que não, Heero – respondeu.
- Tudo bem. Vamos sair outro dia então.
Os dois ficaram se olhando em silêncio. Duo ergueu-se e olhou para o relógio vendo que marcava quatro horas da tarde. Ele suspirou e pensou no que poderia fazer para Heero.
- Quer jantar aqui?
- Adoraria – respondeu.
- Hum... você sabe cozinhar? – indagou, caminhando até Duo, abraçando-o.
- Sei – disse – e muito bem. Você pega o telefone e pede, é muito bom sabia?
Heero riu baixinho, beijando a cabeça de Duo. Ele não queria sair daquele apartamento, não queria sair da vida de Duo. O convite de Duo havia lhe animado.
- Brincadeira – Duo disse – Eu sei cozinhar, sim.
Os dois sorriram. Duo separou-se de Heero, pegando sua cueca que estava no chão e caminhando até seu quarto, sendo seguido por Heero. O americano pegou uma calça jeans e uma camiseta. Ele vestiu sua cueca e jogou seu roupão no chão.
Heero não resistiu, ele abraçou Duo por trás, passando suas mãos por seu corpo, enquanto beijava seu pescoço. O americano deixou desta vez, jogando sua cabeça para trás, entregando-se por completo aqueles sentimentos que lhe possuíam.
O corpo de Duo foi puxado para trás. Ambos caíram na cama, matando as saudades. Seus corpos agradeceram e seus corações pareceram se acalmar com aquilo.
Continua...
O que estão achando dessa história de amor? No final não acabou apenas no cruzeiro. O próximo capítulo será o último, portanto se tem alguma sugestão, por favor, mande. E comentários são essenciais para meu incentivo. Obrigada a todos que comentaram.
10/8/2008
Por Leona-EBM