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Esta pequena história foi escrita quando eu estava no meu quinto ano, a partir de uma sugestão no livro de Língua Portuguesa da altura. Se forem Brasileiros e acharem que há algo estranho com a minha escrita, é provavelmente porque eu sou Portuguesa. Espero que isso não vos incomode! :)
O Leão Tímido
Se um leão é leão, tem de ser forte e meter medo a todos os animais.
É ou não é?
Pois… Mas o leão desta história era pequenino, fraquinho e amarelo. Tremia de medo quando caía uma folha. Morria de vergonha diante dos outros animais da floresta.
Um dia, a mãe leoa, já farta de ter um filho tão original, decidiu levá-lo ao consultório do Dr. Zacarias, leão velho e entendido em problemas difíceis.
O Dr. Zacarias, depois de examinar o jovem leão, disse:
- O remédio para este caso é simples. Todas as noites deve tomar uma colher de uma poção feita com raízes de histidião e sementes de leopolma. A poção é fácil de fazer, basta ferver tudo. O mais difícil, neste caso, é arranjar as sementes de leopolma, que se encontram na Montanha da Lua Cheia, guardadas por um dragão de garras de punhal. O feito é tão complicado que nunca ninguém se atreveu a tal.
Dona Leoa ficou assustada. Quem havia de a ajudar a arranjar o remédio? O leopardo pés de veludo que come de tudo, o chacal que não come nada mal, a hiena que finge chorar para todos enganar, a girafa de pescoço alto que vivia no planalto, ou o tigre riscado que comia todo o gado?... Depois de muito matutar, decidiu-se e foi falar com o leopardo pés de veludo que come de tudo.
Raspou com as unhas a porta da casa do leopardo e ouviu do outro lado da porta um resmungo:
- Um leopardo já não pode dormir em paz?! Quem quer que seja pode esperar sentado!
- Sou eu, Senhor Leopardo! – disse Dona Leoa.
- Só um bocadinho!
A porta abriu-se e Dona Leoa desatou às gargalhadas. Não podia ser aquele o leopardo feroz que ela conhecia que estava ali em pijama, chinelos e barretinho de dormir na cabeça.
- Diga lá o que quer, que eu quero é dormir! – resmungou ele.
- Preciso da sua ajuda para ir buscar sementes de leopolma à Montanha da Lua Cheia. – disse de uma só vez Dona Leoa.
E o leopardo gaguejou:
- O q-q-quê? P-p-p-peço d-d-desculpa, m-m-mas n-não v-v-vai dar. Ac-c-c-cabei d-de ser encomendado p-p-para um jardim z-z-zoológico n-no C-C-Canadá. Ad-deus D-dona Leoa, p-passe b-bem! – e fechou a porta com estrondo.
- Medricas! – disse Dona Leoa afastando-se à procura de uma ideia que a pudesse ajudar a encontrar alguém que a auxiliasse a ir buscar o remédio para o seu filho.
Pensou, pensou até que teve uma ideia:
- «Podem ir todos os leões da floresta!»
E correu para casa para ir contar a sua ideia ao pai leão.
Este concordou e correu a dizer a todos os seus amigos, leões corajosos e astutos que saberiam o que fazer.
E eles aceitaram aquele perigoso desafio. O mais velho disse:
- Escutem, eu sei que o dragão de garras de punhal pode dormir uma hora por dia, porque está autorizado pelos outros dragões e só pode ser morto nessa hora, com uma poção de pernas de aranha com água salgada, que, posta em cima das escamas, faz efeito num instante.
E assim planearam o dia em que iam tentar apanhar as sementes de leopolma e acabar com o dragão.
O pai leão foi para casa e perguntou à mãe leoa onde estava o filho, ao que esta respondeu:
- Fiz-lhe uma poção que o porá a dormir durante um mês.
Então o pai leão expôs os seus planos à mãe leoa, que gritou:
- Vocês não vão sem mim! Nem pensem!
- Ai isso é que vamos! Nunca consentirei que corras perigo! – gritou também por sua vez o pai leão, enfurecido. Mas a mãe leoa tinha alguns trunfos na manga.
Passou-se uma semana e, finalmente, chegou o dia combinado pelos leões. O pai leão levantou-se cedo, deixando mãe e filhos a dormir e foi ter ao local de encontro dos leões.
Foram pé ante pé até à Montanha da Lua Cheia e viram o dragão. Esconderam-se atrás de grandes árvores que ali existiam e aguardaram que chegasse a hora do dragão adormecer. Quando ele adormeceu, esgueiraram-se até ele e deitaram a poção sobre as suas escamas, que começaram a borbulhar, a borbulhar…
E o dragão desapareceu.
Nesse momento apareceu um monstro horrível. Era o Rei dos Dragões. Tinha três cabeças que deitavam fumo por todos os lados e três pares de patas gigantescas. Os leões estavam assustadíssimos e o pai leão perguntou ao mais velho:
- Como é que se derrota esta coisa?
E ele respondeu:
- Com sumo de laranjêssego.
O pai leão calou-se. Laranjêssego era uma fruta muito rara de se ver naquela região e, quando se via, estava em laranjessegueiros tão altos que ninguém da floresta tinha ainda lá chegado, nem a girafa.
Mas, de repente, ouviu-se um SPLASH… e o monstro desapareceu. No chão estava sumo de laranjêssego espalhado por todo o lado.
Os leões voltaram-se e viram a mãe leoa e a sua filha mais velha. Caíram nas patas uns dos outros e Dona Leoa contou que tinha sumo de laranjêssego em casa, tirado dos laranjêssegos colhidos por sua avó há muitos anos atrás (uma vez que os laranjêssegos nunca apodreciam) e que tinha chamado a filha para ir com ela levar mantimentos ao pai e aos amigos.
E o pai leão perguntou ao leão mais velho:
- Como sabes tantas coisas acerca dos dragões?
Ao que este respondeu:
- Li em livros de leões que já os enfrentaram, não aqui, mas em outros lugares.
- Deixem-se de conversas, que ainda não recolhemos as sementes de leopolma! – disse a destemida filha leoa. E assim apanharam as sementes e foram-se embora.
Quando chegaram a casa deitaram-se, pois era já noite cerrada.
No dia seguinte, a mãe leoa fez a poção e deitou água em cima do filho para anular o efeito da poção para dormir. De seguida, deu-lhe o remédio de raízes de histidião e sementes de leopolma.
Um mês mais tarde, o ex-Leão Tímido era bravo como um touro e temido por todos os animais, e a sua família tinha muito orgulho nele.
FIM!
Nota da Autora: Olá! Gostaram? Então comentem, por favor!