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Fiction » Kids » A Nascente das Flores do Pessegueiro font: B s : A A A . width: full 3/4 1/2
Author: CruciareMors
Fiction Rated: K+ - Portuguese - General/Family - Published: 08-26-08 - Updated: 08-26-08 - Complete - id:2564349

Esta pequena história foi escrita quando eu estava no meu sexto ano, a partir de uma sugestão no livro de Língua Portuguesa da altura. Se forem Brasileiros e acharem que há algo estranho com a minha escrita, é provavelmente porque eu sou Portuguesa. Espero que isso não vos incomode! :)

A Nascente das Flores do Pessegueiro

Há milhares de anos, existiu um pescador que mais não desejava que pescar o peixe necessário para manter a sua família e ter tempo para ouvir as águas do rio rolando sobre as pedras e lavando o seu coração…

Uma vez, quando subia o rio, encontrou-se de repente rodeado de pessegueiros em flor.

Encantado com o que via, resolveu continuar a viagem até à nascente. Abandonou o barco, subiu a colina… Passado algum tempo… descobriu uma gruta.

Entrou lá dentro e viu uma luz fortíssima. Caminhou em sua direcção e viu-se num campo lindo onde andavam imensos animais e… pessoas!

Uma dessas pessoas, uma jovem, aproximou-se dele e disse-lhe:

- Bem-vindo à aldeia de Cactuapú!

- O quê? Mas como é que isto pode ser uma aldeia? Não vejo casas! – exclamou o pescador.

- Nós vivemos em contacto com a natureza. Sabemos cultivar sementes de pessegueiro e dormimos em cima deles.

- Bem, acho que ainda não me apresentei. Chamo-me Roberto. – apresentou-se o pescador – Mas, voltando ao assunto anterior, vocês parecem ser muito amigos!

- Os habitantes deste lugar são como uma família.

- Desculpe, mas… qual é o seu nome?

- Fuchsia. Espero que o Roberto fique aqui esta noite. Afinal, é muito perigoso aventurar-se por estas terras a altas horas!

E Roberto, o pescador, ficou a dormir em cima do pessegueiro mais baixo que lá havia. Este pessegueiro tinha meio metro de altura.

No dia seguinte, Roberto acordou muito cedo e ficou a ver os habitantes daquele lugar, invejando a harmonia e pacatez daquela aldeia.

Como ele desejava viver assim!

A verdade é que nunca tinha pensado em ter uma vida diferente da que levava.

Estava ele mergulhado nestes pensamentos quando ouviu uma voz:

- Então? Venha cá que eu quero mostrar-lhe uma amiga minha!

Era Fuchsia quem o chamava. Roberto desceu. Então Fuchsia encaminhou-o até uma árvore e exclamou com alegria:

- Aqui está a minha amiga!

Ele olhou demoradamente a árvore e, em seguida, perguntou a Fuchsia:

- Trouxe-me aqui para ver uma árvore?

- Não. Vim aqui para lhe perguntar se quer ficar a viver nesta aldeia.

- Sim, eu quero. – respondeu ele, admirado.

- Então vai ter de fazer uma promessa.

- Que promessa?

- Vai ter de prometer que ninguém de fora desta aldeia poderá saber da nossa existência e que ficará aqui para sempre.

Estas últimas palavras de Fuchsia foram abafadas por uma enorme gritaria. Os pessegueiros tinham, não se sabia como, pegado fogo!

Roberto não hesitou. Correu para a gruta e atravessou-a. No outro lado, os pessegueiros também ardiam, pelo que ele continuou a correr pelas margens do rio.

Ele queria saber como aquilo tinha sucedido. E, pela primeira vez, lembrou-se do seu barco, da sua casa, da sua família… mas não sentia saudades. Do que ele sentia saudades era da aldeia que acabava de deixar e dos seus habitantes que, àquela hora, já deviam ter morrido todos queimados, assim como os animais e plantas. Como é que alguém pode não sentir saudades de casa!

De repente, ouviu-se novamente grande gritaria. Olhou para todos os lados, sempre a correr, mas não viu ninguém. Constatou que, naquele lugar, os pessegueiros já não ardiam.

Nem por um segundo ele pensara em regressar à sua antiga casa. Ele só pensava no milagre que era estar são e salvo.

E a gritaria continuava, cada vez mais sonora. A certa altura, Roberto começou a ver vultos por todos os lados, cercando-o, e parou.

Eram os habitantes de Cactuapú. Abraçaram-no e deram graças a Deus por ele estar vivo. Ele, porém, não correspondeu, porque não queria admitir que era um cobarde. E, de repente…

Todos faziam perguntas. Todos queriam saber o que se tinha passado. A princípio ainda resistiu, mas acabou por contar tudo. E, alguns dias depois, convenceram-no a regressar à aldeia onde vivera longe da sua família, a aldeia que considerava agora o seu lar, juntamente com os seus habitantes originais.

Mas nem ele nem ninguém foi capaz de reencontrar o caminho.

FIM!

Nota da Autora: Olá! Gostaram? Então comentem, por favor!



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